
Este ensaio teórico analisa os supostos conceituais e políticos da matriz FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças) como metodologia de avaliação institucional. Em uma pesquisa empírica maior, partimos do contexto de introdução dessa matriz nas escolas públicas cariocas para, depois, aprofundar-nos nos aspectos conceituais e metodológicos que, do ponto de vista das teorias organizacionais, do planejamento e, sobretudo, da avaliação institucional, atingem a sua pertinência e coerência educacional. Como resultado, destacamos a invisibilização da identificação dos diferentes atores e dos seus lugares institucionais, incluindo uma cisão inapropriada entre os ambientes e atores internos e externos nas escolas, contrariando o caráter público e pedagógico dessas organizações.
O artigo apresenta uma análise qualitativa em que se comparam o conteúdo dos fascículos didáticos produzidos e ministrados em um curso acadêmico de graduação em Filosofia com os componentes curriculares da área de Licenciatura em Filosofia que compuseram o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) aplicado em 2017. O objetivo é averiguar a similaridade dessas fontes segundo critérios formais (áreas e disciplinas) e materiais (nome de filósofos e assuntos). Os resultados relativos a esse caso concreto e com esse desenho metodológico sedimentam um questionamento crítico sobre o atual modelo de avaliação externa e respaldam uma reflexão sobre a consistência e a qualificação da formação filosófica de nível superior.
O estudo propõe uma articulação entre a Metodologia de Ensino-Aprendizagem-Avaliação de Matemática através da Resolução de Problemas e as modalidades de avaliação – diagnóstica, mediadora, formativa e somativa. Objetiva desenvolver um modelo avaliativo mais democrático e colaborativo, que promova uma aprendizagem significativa, atendendo às necessidades dos sistemas educacionais e às exigências de atribuição de notas e conceitos. De caráter bibliográfico, investiga as potencialidades dessa integração, destacando suas implicações para o trabalho docente. Sugere que a avaliação deve incluir diagnósticos e reflexões contínuas, indo além da nota como único foco do ensino, e que o trabalho através da resolução de problemas possibilita a articulação entre os diferentes tipos de avaliação.
Esta investigação tem como objetivo apresentar uma síntese de estudos que abordam o letramento em avaliação, identificando suas contribuições para a formação dos professores e a melhoria da qualidade do ensino a partir do trabalho pedagógico com a avaliação. Utilizaram-se os softwares Zotero e Jamovi para gerenciamento e análises estatísticas, respectivamente, no desenvolvimento da metanálise. Os resultados apontam a necessidade de programas de letramento em avaliação para professores, a fim de que docentes adquiram habilidades básicas nesse campo e, com isso, fortaleçam a identidade do professor como avaliador, aperfeiçoem as práticas de avaliação somativa e formativa, bem como as percepções acerca da avaliação, e utilizem de forma adequada e consciente os diferentes instrumentos e técnicas avaliativas.
O presente artigo, resultado de pesquisa bibliográfica, documental e de campo, teve como objetivo compreender a intensificação e o recrudescimento das avaliações em uma rede municipal de ensino entre os anos de 2016 e 2024. A investigação revela que o estreitamento curricular e o controle pedagógico foram estratégias adotadas para a elevação das notas das escolas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nas avaliações em larga escala. Apesar do crescimento no Ideb, educadores problematizam a precarização do trabalho docente pelo teor impositivo e a descaracterização da formação humana.
O texto constitui um ensaio sociológico sobre o campo da avaliação em educação, assente em dois pilares: a literatura especializada, convocada sempre que necessário e oportuno para sustentar e ampliar a argumentação e a crítica; e, assumindo adquiridos resultantes da experiência académica, o debate e o contraditório em torno de alguns défices que o autor entende estarem presentes em trabalhos de pesquisa em avaliação, não deixando, ao mesmo tempo, de assumir incompletudes que também possam ser reconhecidas nos seus próprios trabalhos. Para além disso, é sublinhada a necessidade de ter em conta as mudanças políticas atuais, no sentido de dar maior centralidade e densidade analítica a objetos de estudo em torno das relações complexas entre democracia e avaliação.
A avaliação da aprendizagem na pós-graduação orienta o processo educacional ao evidenciar o desenvolvimento científico dos alunos. Este estudo qualitativo documental analisa as práticas avaliativas dos cursos de especialização e mestrado em Docência Universitária da Universidad Tecnológica Nacional (UTN), no período de 2023 a 2025, em Rosário, Argentina. A partir dos planos de ensino, examinou-se o tempo em que ocorre a avaliação e as práticas utilizadas, encerrando com uma discussão em torno da funcionalidade avaliativa. Observou-se uma predominância da avaliação final, possivelmente pela curta duração e virtualidade dos cursos, com menor presença de avaliações diagnósticas e processuais. Destacam-se práticas como participação, análises aplicadas e autoavaliação, indicando sinais de diversificação avaliativa.
The need to develop literacy in language assessment with increasingly younger children has gained more attention in schools in recent years. For this reason, the aim of this paper is to present a guide designed to support teachers in enhancing their language assessment literacy with emphasis on promoting self-assessment as a tool for learning with children. The methodology presents the research stages undertaken to create such educational resource, and the analysis explains the guide’s icons sections, helping readers to understand how these sections can assist teachers in their self-learning process. In conclusion, teachers are expected to incorporate self-assessment practices in English classes with children to foster their learning development.
Este estudo avaliou o potencial de uma tarefa de ditado para medir a escrita de alunos do 2º ao 5º ano do ensino fundamental I. O ditado (10 palavras e 1 sentença) foi aplicado em sala de aula, pelas professoras, e 356 alunos responderam individualmente. Os acertos em respostas escritas aumentaram significativamente do 2º ao 5º ano, mostrando-se sistematicamente maiores para palavras isoladas (médias por ano: 21,4%, 45,6%, 63,5% e 84,0%) do que para a sentença (médias: 5,7%, 26,9%, 47,8% e 73,6%), mas a diferença tendeu a diminuir nos últimos anos. Os resultados permitiram caracterizar a escrita dos alunos da escola e identificar alunos com dificuldades severas. A tarefa mostrou-se útil para avaliar a escrita de forma rápida, coletiva e com baixo custo.
Este estudo investiga as atitudes dos docentes capixabas em relação à ampla agenda de avaliações em larga escala, problematizando seus impactos na carreira docente. A pesquisa adotou uma abordagem quali-quantitativa e transversal, aplicando a escala de atitudes perante as avaliações externas em larga escala (EAAE) a 405 professores da rede estadual. Os resultados indicam uma tendência a atitudes negativas nas dimensões cognitiva e afetiva e positivas na dimensão comportamental. Essa divergência foi analisada à luz das inconsistências das políticas educacionais do estado do Espírito Santo, estruturadas em torno das avaliações externas, que impactam diretamente a prática docente. As discrepâncias identificadas ressaltam a necessidade de reestruturação dessas políticas, de modo que a avaliação, enquanto processo dinâmico, contribua efetivamente para a garantia do direito à educação.
Este estudo analisou o monitoramento da assistência estudantil em institutos federais, visando a identificar ferramentas e desafios para subsidiar diretrizes nacionais que fortaleçam seus objetivos. A pesquisa, qualitativa, descritiva e exploratória, incluiu entrevistas em cinco instituições representativas das regiões brasileiras e pesquisa documental. Técnicas de análise de conteúdo, documental e triangulação por comple- mentaridade foram aplicadas para ampliar a compreensão do fenômeno. Os resultados apontaram ausência de um sistema estruturado de monitoramento, com práticas voltadas principalmente para auditorias, em detrimento da avaliação de impactos. Apesar disso, os planos de desenvolvimento institucional apresentam indicadores promissores para aplicação na assistência estudantil.
O objetivo deste artigo é apresentar a construção do currículo do novo curso de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em Bauru, e o desempenho de seus estudantes no teste de progresso (TP) de 2018 e 2019 com outros nove cursos públicos. Foram analisados os dados do desempenho médio dos estudantes agrupados por área do conhecimento e ano de graduação. Como resultado, os estudantes de Bauru tiveram desempenho significativamente melhor que os demais nos dois anos do TP. Nas turmas do primeiro ano de 2018 e 2019, destacou-se o desempenho em Saúde Coletiva/Medicina de Família e Comunidade e, no segundo ano (2019), em todas as demais áreas, exceto a básica. Conclui-se que o currículo do novo curso de Medicina em Bauru, com diferentes metodologias ativas, oferece oportunidades pedagógicas e assistenciais de aplicação precoce e vivência prática dos conhecimentos, contribuindo para o bom desempenho obtido.
Discute-se a avaliação a serviço das aprendizagens de alunos da 5a e 6a classes do ensino primário angolano, segundo três eixos (teórico, político-normativo e contextual), com incidência para a disciplina de história. O estudo objetivou a análise de conceções e práticas avaliativas no ensino dessa disciplina, à luz de abordagens promotoras do papel da avaliação a serviço da aprendizagem. Utilizou-se o paradigma metodológico interpretativo, recorrendo-se à análise documental, entrevistas, observação de aulas e um desenho de estudo de caso. Os resultados indicam uma forte discrepância entre o instituído e o instituinte, o primeiro orientado para perspetivas mais atuais ao invés do segundo. Sugere-se um investimento na formação de professores do ensino primário em Angola no domínio de avaliação.
Para o desenvolvimento desta pesquisa, realizamos um estudo de caso de natureza qualitativa com o objetivo de investigar a prática avaliativa de uma professora francesa da cidade de Lyon, atuante em uma turma do cours préparatoire. Nessa direção, o trabalho se desenvolveu nos anos letivos de 2021 e 2022, na França. A coleta de dados foi feita por meio de observações, entrevistas e minientrevistas. Os resultados revelaram que a professora francesa utilizava uma abordagem de avaliação mais formativa. Concluímos que as avaliações cotidianas eram realizadas no exercício diário da sala de aula e que os resultados dessas avaliações eram considerados para redimensionar e diversificar o ensino.
Neste artigo analisa-se como os conhecimentos sobre avaliação da aprendizagem, no processo de formação para a docência, são entendidos e normatizados nos projetos pedagógicos reformulados de cursos de Licenciatura em Matemática, conforme Resolução CNE/CP n. 2 (2015). Trata-se de resultado de pesquisa qualiquantitativa, utilizando análise documental. O corpus investigativo foi composto de 172 projetos pedagógicos de institutos federais de educação e universidades federais e estaduais brasileiras, publicados entre 2016 e 2019. Os resultados evidenciam que 51%, 27,3% e 21,7% dos documentos apresentam, respectivamente, amplitude baixa, média e alta de tais conhecimentos, não se observando a centralidade formativa sobre avaliação da aprendizagem nas disciplinas que compõem os currículos dos cursos.
Este artigo compara metodologias empregadas para a construção do indicador de infraestrutura para as escolas brasileiras, com foco no ensino médio. Com isso, visa a fornecer operacionalizações para esse constructo e traçar um panorama da infraestrutura das escolas brasileiras nas últimas décadas. Para tanto, foram utilizados os dados administrativos do Censo Escolar, verificando a comparabilidade dos itens para analisar a distribuição no sistema ao longo do tempo (1997-2023). Embora tenha sido observada a melhoria da infraestrutura das escolas nas últimas décadas, ainda há uma variabilidade expressiva que marca a heterogeneidade e endossa a relevância do estabelecimento de indicadores sintéticos de infraestrutura que sejam capazes de compor e induzir políticas públicas.
A ausência de dados nas avaliações educacionais está relacionada com desempenho e perfil dos estudantes. O presente estudo propõe uma nova abordagem baseada em modelos de misturas de padrões para análise de dados incompletos em avaliações longitudinais. Essa abordagem é comparada com os procedimentos listwise deletion (LD) e imputação múltipla (IM), utilizando modelos de crescimento linear, com base em uma amostra de 8.681 estudantes do ensino médio do Ceará. Verifica-se que os procedimentos diferem na estimação dos efeitos das variáveis preditoras e da taxa média de aprendizado em matemática. Com o uso da nova abordagem são obtidas estimativas mais realistas para a taxa média de aprendizado e as trajetórias geradas são mais coerentes do que aquelas estimadas pelo procedimento de imputação múltipla.
A nota responde às críticas do professor Rodolfo Hoffmann sobre o uso da divergência Kullback-Leibler (KL) para medir desigualdades educacionais. Mostra-se que o método de densidades relativas é mais geral que a medida de divergência em questão. Os exemplos de Hoffmann são questionados por usarem de comparações de distribuições uniformes e por não considerar o método de construção de Teoria da Resposta ao Item (TRI). Argumenta-se que uma boa referência para a escala de proficiência representa uma meta educacional desejada. Prova-se matematicamente, no Apêndice, que o índice de Theil-T é, na verdade, um caso especial da divergência KL. Isso demonstra que a KL não é uma medida inadequada, mas uma ferramenta mais geral e flexível para analisar desigualdades educacionais.
O artigo trata da política de ação afirmativa nos processos seletivos (2022-2024) do Programa de Pós-Graduação em História Social da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), buscando analisar e identificar seus impactos no desempenho das pessoas candidatas durante os processos. Para isso, fez-se uso de metodologias da ciência de dados como estatísticas descritivas e técnicas não supervisionadas de machine learning. Os resultados apontaram uma tendência de desempenho superior entre pessoas não optantes pela política e inferior entre optantes e mulheres em geral, indicando, assim, a necessidade da política no Programa e da adoção de ações que promovam o acesso e a transparência dos dados dos processos seletivos e políticas democráticas de diversidade e inclusão.