
Background: Right ventricular (RV) pacing can alter ventricular mechanics and may lead to ventricular dysfunction, even in patients with preserved baseline left ventricular ejection fraction (LVEF) and structurally normal hearts. Objective: This study examines the hemodynamic effects of right ventricular pacing on left ventricular function and volume, and identifies early variables associated with pacemaker-induced left ventricular dysfunction and cardiomyopathy in patients with dual-chamber RV pacemakers. Methods: The study enrolled patients undergoing dual-chamber RV pacemaker implantation without any structural abnormality of the heart. Data on biventricular functions, LV volumes, and global longitudinal strain (GLS) were collected with 2D, speckle tracking, and 3D echocardiography. Paired continuous variables were compared using two-sided tests with a significance level of 0.05. Result: Out of 75 patients, 20 experienced LV systolic dysfunction, 15 developed PIVD, and five developed PICM. In comparison to the control group, patients with PICM had lower GLS (17.02 vs. 19.27; p<0.05), wider QRS width (139.57 vs. 102.75; p < 0.05), and greater ventricular pacing percentage (VP%; 94.32 vs. 84.03; p = 0.06). Conclusion: RV pacing resulted in a substantial decline in LV systolic function in the short and long term. Concurrently, RV functions declined over the long term (six months). Diminished GLS at seven days, a broader pre-implantation QRS complex, and an elevation in VP% are early indicators of PIVD and PICM. Routine patient monitoring for these indicators can be beneficial for timely intervention on a case-by-case basis.
Background: Chagas disease affects millions worldwide and remains a leading cause of cardiomyopathy in Latin America. Early diagnosis remains challenging in endemic regions. Artificial intelligence (AI)-based electrocardiography (ECG) analysis may offer a low-cost strategy for large-scale screening in resource-limited settings. Objectives: To evaluate the performance of an AI-ECG algorithm combined with clinical data for detecting Chagas disease in a community-based screening program conducted in a highly endemic region in Northeastern Brazil. Methods: In August 2024, 1,115 adults underwent standardized 12-lead ECG acquisition during a field campaign in Feira de Santana, Bahia, northeastern Brazil. A previously trained AI model analyzed ECG tracings and incorporated three clinical variables: i) prior residence in triatomine-infested areas, ii) poor housing conditions, and iii) family history of Chagas disease. Individuals flagged as AI-positive were classified as suspected cases. Suspected cases and matched controls (2:1) underwent point-of-care serological testing. Results: The algorithm flagged 121 individuals (10.9%), corresponding to an estimated AI-based prevalence of Chagas disease of 7.8% (95%CI: 6.2-9.6). Among the 112 individuals who completed serological testing, 13 tested positive, all within the AI-positive suspected group; no seropositive cases were identified among controls. Sensitivity was 100% (95%CI: 69-100), specificity 40% (95%CI: 30-50), negative predictive value 100% (95%CI: 91-100), and positive predictive value 12% (95%CI: 11-14), with a diagnostic odds ratio of 6.6. Conclusions: An AI-ECG algorithm combined with simple clinical variables demonstrated excellent sensitivity for the detection of Chagas disease and may represent a valuable triage tool in endemic, resource-constrained settings.
Resumo Fundamento A distrofia muscular de Duchenne (DMD) é caracterizada pela degradação progressiva da função muscular. A perda da função miocárdica é uma causa importante de mortalidade. Objetivo Avaliar a função miocárdica por meio de técnicas convencionais e avançadas de ecocardiografia (ECO), e correlacioná-la com a função motora. Métodos Estudo observacional transversal de pacientes com DMD. Foram realizadas avaliações por meio da escala de medida da função motora (MFM), eletrocardiograma (ECG) e ECO com Speckle-tracking do ventrículo esquerdo (VE). O nível de significância assumido nas análises estatísticas foi de 5%. Resultados Foram incluídos 33 pacientes, com média de idade de 14,30 ± 4,09 anos. A média da pontuação na escala MFM foi de 52,30 ± 16,32%. Alterações ECG foram observadas em 75% dos pacientes. A fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) pelo método de Simpson biplano (%) era preservada (57,80 ± 9,62%). A deformação miocárdica global esteve reduzida em 70% dos pacientes avaliados para o GLS (-15,06 ± 2,46%; VN ≤ -18%), em 76% para o GCS (-12,99 ± 2,89; VN ≤ -18%) e em 80% para o GRS (20,52 ± 15,72; VN ≥ 40%). Também foi observada hipocinesia e redução significativa da deformação miocárdica regional (REGLS) nos segmentos inferiores e ínfero-laterais do VE (p = 0,0013). Não foi identificada correlação significativa entre MFM e ECO. Conclusão Pacientes com DMD apresentam alterações incipientes na deformação miocárdica global e regional, principalmente nas regiões inferiores e ínfero-laterais do VE, mesmo com FEVE preservada. Não foi observada correlação significativa entre a função motora e a função miocárdica.
Resumo Fundamento A heterogeneidade mecânica é uma característica marcante da cardiomiopatia avançada, embora a ecocardiografia sob estresse foque tradicionalmente na isquemia ou na reserva sistólica global. A ecocardiografia sob estresse físico pode identificar fenótipos mecânicos distintos na cardiomiopatia chagásica crônica (CCC) por meio da avaliação integrada do comportamento do strain e da dissincronia. Objetivo Investigar as interações entre reserva contrátil e dissincronia intraventricular (DIV) durante a ecocardiografia sob estresse físico e sua associação com desfechos clínicos em pacientes com CCC. Métodos Quarenta pacientes com CCC grave (fração de ejeção do ventrículo esquerdo ≤ 35%, morfologia do QRS sem padrão de bloqueio de ramo esquerdo) foram submetidos à ecocardiografia sob estresse em esteira, limitada por sintomas. O strain longitudinal global (SLG), a DIV e parâmetros ecocardiográficos convencionais foram avaliados em repouso e imediatamente após o pico do exercício. Os pacientes foram estratificados em quatro grupos de acordo com a variação do SLG e da DIV. O desfecho primário foi um composto de óbito, transplante cardíaco ou hospitalização por insuficiência cardíaca durante um acompanhamento de 2 anos. A significância estatística foi definida como p < 0,05. Resultados Após um acompanhamento mediano de 729 dias, 20 pacientes (50%) atingiram o desfecho primário. Pacientes sem reserva contrátil e sem melhora da dissincronia durante o exercício apresentaram sobrevida livre de eventos significativamente menor em comparação com os demais grupos (p < 0,01). Quando analisados separadamente, tanto a ausência de reserva contrátil quanto a resposta desfavorável da dissincronia foram associadas a desfechos adversos. Na análise multivariada, apenas a função do ventrículo direito permaneceu independentemente associada ao desfecho primário (hazard ratio 0,83; intervalo de confiança de 95%: 0,71–0,96; p = 0,014). Conclusões A integração da reserva contrátil derivada do strain e da DIV durante o estresse fisiológico pode ajudar a identificar fenótipos prognósticos além da fração de ejeção na CCC e reforça o conceito de fenotipagem mecânica dinâmica na cardiomiopatia avançada.
Resumo Fundamento e objetivos Apesar da elevada carga de doença cardiovascular (DCV) na América Latina e no Caribe (ALC), ainda são escassos os modelos de predição de risco adaptados para uso nas populações da ALC. O objetivo deste estudo foi recalibrar os modelos de risco Systematic COronary Risk Evaluation 2 (SCORE2) para estimar o risco de DCV em 10 anos em indivíduos sem DCV prévia ou diabetes melito na ALC, dando origem aos modelos SCORE2 para a América Latina e o Caribe (SCORE2-LAC). Métodos Os modelos SCORE2 específicos por sexo e ajustados para riscos competitivos foram recalibrados de acordo com a incidência atual de DCV em quatro regiões de risco, definidas com base nas taxas nacionais de mortalidade por DCV padronizadas por idade e sexo. Para a recalibração, foram utilizadas distribuições de fatores de risco específicas de cada região. A incidência de DCV foi estimada com base nos dados de mortalidade por DCV e nas razões entre o total de primeiros eventos e os eventos fatais de DCV, obtidas de 40 237 152 indivíduos (1 261 329 eventos de DCV). A validação externa incluiu 132 512 indivíduos sem DCV prévia ou diabetes provenientes de 11 coortes de sete países (3938 eventos de DCV). A discriminação foi avaliada por meio do índice C de Harrell. Resultados Nos conjuntos de dados de validação externa, o índice C combinado do SCORE2-LAC foi de 0,740 (intervalo de confiança de 95% [IC 95%]: 0,716-0,763), com índices C específicos de cada coorte variando de 0,674 (IC 95%: 0,588-0,761) a 0,789 (IC 95%: 0,747-0,831). O risco estimado de DCV variou substancialmente entre as quatro regiões de risco da ALC. Para uma pessoa de 50 anos, não fumante, com pressão arterial sistólica de 140 mmHg, colesterol total de 213 mg/dL (5,5 mmol/L) e colesterol da lipoproteína de alta densidade de 50 mg/dL (1,3 mmol/L), o risco previsto variou de 3% nos países de baixo risco a 10% nos países de risco muito alto entre as mulheres e de 4% a 10% entre os homens. Conclusões Os modelos SCORE2-LAC fornecem estimativas atuais e específicas por região do risco de DCV em 10 anos em indivíduos aparentemente saudáveis, permitindo identificar aqueles com alto risco de DCV em toda a ALC. Resumo Gráfico Estruturado.