
O artigo discorre sobre a interpretação comunitária no Brasil como instrumento central para a garantia de direitos de populações migrantes e refugiadas. A partir de diagnósticos sociolinguísticos e de dados institucionais, evidenciam-se a invisibilidade da variável linguística e a ausência de serviços institucionais de assistência linguística nas políticas públicas e nos sistemas oficiais de dados e de prestação de serviços. Discute-se a interpretação comunitária como prática social situada, atravessada por assimetrias de poder, e destaca-se a experiência do grupo MOBILANG como resposta institucional às lacunas do Estado.
A proposta desta pesquisa é apresentar um levantamento preliminar de obras queer das literaturas de língua inglesa publicadas no intervalo entre 1995 e 2024, bem como das que foram publicadas em tradução no Brasil, apontando para a formação de padrões editoriais que favorecem determinados tipos de personagens, pautas e escritores. As bases teóricas de análise e interpretação desse mapeamento de obras traduzidas partem de importantes trabalhos do campo dos Estudos Queer.
A Historiografia da Interpretação atestou a centralidade da língua como instrumentário fundamental à interação tanto no Norte quanto no Sul Global. Sobretudo no século XX, com a institucionalização da Interpretação de Conferência, as normas e expectativas pareciam já estabilizadas em torno da Interpretação e dos Estudos sobre ela. Contudo, os inúmeros desafios da última década envolvendo desde emergências sanitárias, passando pela eclosão de conflitos regionais até o advento da chamada inteligência artificial têm tido impacto fundamental para o ofício e para o campo. O presente artigo tem como objetivo apresentar reflexões em torno do lugar da interpretação e dos Estudos sobre ela na contemporaneidade e também refletir novos paradigmas para os (Estudos da) Interpretação no Sul Global. Entendendo que uma das características da supermodernidade, de acordo com o antropólogo Marc Augé (1994), é a de relegar indivíduos e experiências a não-lugares, tenciono sugerir três potenciais paradigmas para compreensão dos rumos do ofício e dos Estudos da Interpretação a partir do Sul Global: o paradigma da intermodalidade, o paradigma da culturalidade, o paradigma da decolonialidade.
Os Estudos da Interpretação Feminista (EIF) foram nomeados como novo campo dos Estudos da Interpretação (IS) por Susam-Saraeva e coautoras em 2023. Esta revisão narrativa, baseada na Bibliography of Interpreting and Translation (BITRA), mapeia as produções que culminaram no novo subcampo. O percurso se inicia com as 'viradas' tardias nos EI, passa pelas produções clamando por formação feminista e decolonial na interpretação comunitária e nos serviços públicos e se encerra nas pesquisas recentes que já se inserem nos EIF e oferecem uma definição para seu objeto: a ‘interpretação feminista'.