
As alterações na costa brasileira, intensificadas pela ação humana, demandam abordagens no ensino de Geografia. Este estudo tem como objetivo apresentar uma reflexão sobre o potencial didático dos desastres costeiros no ensino de Geografia, com ênfase em sua articulação ao Currículo Azul, à formação cidadã e às diretrizes da educação básica. Tomando como exemplo Santa Catarina, estado onde desastres derivados de marés de tempestade e erosão costeira se intensificaram entre 1998 e 2020, a pesquisa apresenta dados oficiais para demonstrar como essa realidade pode ser transformada em ferramentas educativas. O trabalho apresenta atividades que combinam investigação científica e práticas pedagógicas, como o uso de mapas, imagens de satélite e séries temporais de dados para que os estudantes compreendam as causas e consequências dos desastres. Também destaca a importância do trabalho interdisciplinar envolvendo ciências, matemática e linguagens, o que cria condições para debates, campanhas educativas e análise crítica do território vivido.
O estágio curricular supervisionado em Geografia configura-se como um espaço formativo essencial para o desenvolvimento docente; no entanto, também apresenta desafios que podem afetar a formação inicial e, consequentemente, a prática profissional. Diante disso, o presente artigo tem como objetivo investigar quais são os principais desafios enfrentados pelos licenciandos de Geografia da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Campus Pau dos Ferros, durante o estágio curricular supervisionado no Novo Ensino Médio. A metodologia seguiu uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório, por meio de estudo de caso e de investigação documental. Os resultados indicam que a reorganização curricular do Novo Ensino Médio, expressa na BNCC e materializada nos livros didáticos da área de Ciências Humanas, tem gerado tensões que impactam diretamente a experiência formativa do estágio. A redução da carga horária e a invisibilidade dos conteúdos geográficos apresentam-se como os desafios centrais à formação do estagiário. Portanto, o atual cenário curricular impõe incertezas que demandam acompanhamento crítico e novas investigações na área.
Nos últimos 10 anos percebemos uma série de modificações profundas nos desígnios da educação brasileira e os objetivos que ela pretende alcançar. O avanço dos atores privados e seus interesses ficou mais evidente, mas a estratégia utilizada para isso pode ser silenciosa. Entre a construção da BNCC e a homologação do NEM temos abordagens difusas com objetivos parecidos. O presente trabalho busca tecer uma análise sobre os processos de avanço das fundações privadas na educação pública e como a filantropia tem um papel fundamental nisso, em especial a ideia de filantrocapitalismo. O investimento pesado da Fundação Lemann e seus parceiros na construção da BNCC se difere do método de implementação impopular relacionado a materialização do NEM, sobre tal dualidade investigaremos a ideia de construção de consenso, hegemonia e a adequação das fundações privadas aos mecanismos do NEM, após o mesmo ser decantado sobre o tecido da educação pública brasileira.
Este artigo desenvolve uma análise crítica das práticas de estágio supervisionado no curso de Geografia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Francisco Beltrão, entendendo-o como etapa essencial na formação inicial de professores. O estágio é concebido como espaço privilegiado de articulação entre teoria e prática, possibilitando ao licenciando uma aproximação concreta com o cotidiano escolar e com os desafios reais da docência. Contudo, observa-se que essa experiência, embora obrigatória, nem sempre alcança plenamente seus objetivos formativos, seja por limitações institucionais, seja por abordagens que reduzem o estágio a uma atividade burocrática. Para sustentar a reflexão, o estudo dialoga com autores como Tardif (2002), Nóvoa (1999), Alarcão (1996), Pimenta e Lima (2005) e Cury (2003), que contribuem para compreender a complexidade da formação docente. Assim, o artigo reafirma a centralidade do estágio supervisionado na construção de práticas pedagógicas críticas, conscientes e socialmente comprometidas.
O ensino de Geografia, historicamente marcado por abordagens desarticuladas da experiência dos estudantes, enfrenta o desafio de promover aprendizagens significativas voltadas ao desenvolvimento do raciocínio geográfico. Nesse contexto, o artigo problematiza de que modo o cotidiano e o lugar vivido contribuem para a construção do raciocínio geográfico na Educação Básica. O objetivo é analisar o lugar como mediação pedagógica e epistemológica no ensino de Geografia, articulando experiência espacial, conceitos estruturadores e práticas escolares. A pesquisa é de natureza teórica e bibliográfica, fundamentada na análise crítica da produção acadêmica da Educação Geográfica e de documentos curriculares, com destaque para a Base Nacional Comum Curricular. As reflexões indicam que a problematização do espaço vivido favorece a mobilização de conceitos como lugar, território, paisagem e escala, fortalecendo a compreensão das dinâmicas socioespaciais e o raciocínio geográfico.