
Com a crescente preocupação global com a medicação sem danos, um método de detectar, manejar e evitar eventos adversos a medicamentos (EAMs) é por meio da aplicação de ferramentas de rastreio. Essas ferramentas consistem em rastreadores (gatilhos) que, quando identificados em prontuários, indicam um potencial EAM. Para facilitar a implementação das ferramentas, são apresentados aspectos gerenciais para seu uso e proposto um protocolo assistencial para a promoção da segurança medicamentosa. Recomenda-se a adoção de rastreadores que sejam flexíveis, compreensíveis e que não gerem custos adicionais ao serviço de saúde. Os profissionais envolvidos na triagem dos rastreadores e condução da análise de causalidade devem ser qualificados. Os indicadores de estrutura, performance, processos e resultados provenientes da aplicação de rastreadores podem apoiar a elaboração e atualização de protocolos para identificar, manejar, monitorar e minimizar os EAMs. Por fim, a avaliação e controle dos indicadores possibilita a adoção de ações preventivas e corretivas, retroalimentando o ciclo da assistência farmacêutica e promovendo a melhoria contínua na resolução de problemas relacionados à segurança medicamentosa.
Objetivo: Analisar a atuação clínica de farmacêuticos hospitalares na rede pública de um município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Método: Estudo transversal descritivo com coleta de dados em entrevistas com farmacêuticos de hospitais públicos, pertencentes à rede municipal. Foi utilizado um questionário semiestruturado composto por perguntas de caráter sociodemográfico e sobre atividades clínicas. Além disso, incluiu-se uma questão aberta sobre os desafios para a realização dessas atividades, tendo as respostas gravadas e transcritas. As análises contemplaram estatística descritiva simples, utilizando a frequência absoluta e análise de conteúdo. Foram criadas categorias com base nas respostas, que incluíram: falta de integração com a equipe, infraestrutura e recursos humanos (RH) e capacitação. Resultados: Todos os hospitais do município foram incluídos no estudo. Dos seis farmacêuticos entrevistados, metade exercia atividades clínicas, enquanto os demais apontaram limitações, como falta de recursos humanos, espaço físico privativo e capacitação. Os resultados indicaram, ainda, que as atividades clínicas são frequentemente limitadas por estruturas organizacionais fragmentadas, pela falta de reconhecimento do papel do farmacêutico e que a formação acadêmica ainda se concentra em funções operacionais. Além disso, dentre os que realizam atividades de caráter clínico, foi identificada a ausência de um registro padronizado e a falta de estratégias de triagem de pacientes, como a priorização de casos mais críticos. Conclusões: Este estudo aponta a necessidade de implementação de estratégias promotoras da atuação clínica dos farmacêuticos nos hospitais investigados, assegurando suas contribuições no cuidado e segurança do paciente, no uso racional de medicamentos e na atuação efetiva na equipe de saúde.
Objetivo: Mapear na literatura estudos sobre a administração de fluidos e antibióticos por hipodermóclise em pacientes adultos em cuidados paliativos. Métodos: Realizou-se uma revisão de escopo cuja busca sistemática foi realizada em julho de 2024 nas bases de dados PubMed, Scopus, Web of Science e CINAHL. Estudos primários que avaliaram a administração de fluidos e antibióticos por hipodermóclise em pacientes adultos em cuidados paliativos foram incluídos. Dois revisores analisaram, de forma independente, os títulos e resumos e, posteriormente, os textos completos dos artigos. Os dados dos estudos selecionados foram extraídos e apresentados de forma descritiva. Resultados: A busca nas bases de dados resultou em 1782 artigos, dos quais 19 foram incluídos, com destaque para os estudos observacionais (n = 16). A maioria incluiu, exclusivamente, pacientes com cancer avançado (n = 11), com idade média superior a 60 anos (n = 17), internados em hospitais (n = 12). Os fluidos foram avaliados em 18 estudos, sendo os mais utilizados o cloreto de sódio 0,9%, isoladamente (n = 11) ou em combinação com glicose 5% (n = 11). Na maioria dos estudos, os volumes administrados foram de 500 a 1000 mL de fluidos, de forma lenta e sustentada, por períodos médios de até 7 dias. Efeitos adversos leves no local da infusão foram comumente reportados. Os principais benefícios da infusão de fluidos por hipodermóclise, mencionados nos estudos, incluem a efetividade na hidratação e no manejo dos sintomas, menor risco de complicações graves e sistêmicas e conforto para o paciente e sua família. Entretanto, foram destacadas limitações relacionadas ao volume, à taxa de infusão e ao tipo de solução utilizada, assim como a ocorrência frequente de efeitos adversos locais. Três estudos avaliaram o uso de antibióticos. Nenhum deles relatou informações sobre dose, velocidade de infusão ou duração do tratamento. Os efeitos adversos leves observados foram edema, hiperemia e dor, não sendo apresentados dados sobre a efetividade. Conclusão: Os resultados sugerem efetividade e segurança da hipodermóclise para administração de fluidos, mas ainda há escassez de estudos sobre o uso de antibióticos por essa técnica em cuidados paliativos, indicando a necessidade de mais pesquisas nessa área.