Resumo Explora-se a construção da Política Nacional de Cuidados de outubro de 2023 a maio de 2024 em Brasília/DF, analisando como o poder público enfrenta processos de desinformação e a negação sistemática do trabalho de cuidado, infodemia e processos de neoconservadorismo. Para tanto, adota-se uma metodologia fundamentada em epistemologias feministas e interseccionais, voltadas para a construção de conhecimento prático e engajado. A metodologia baseou-se em etnografia presencial e remota, assim como em análise de instrumentos participativos da política pela plataforma Participa + Brasil (2023). Adicionalmente, contextualizou-se o trabalho com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (2024) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (2023). A pesquisa revela as dificuldades na implementação de uma abordagem interseccional, os receios da opinião pública a respeito do tema e o desinteresse dos/as tomadores/as de decisão na formulação de políticas de cuidado. Por fim, destaca-se a resistência, em múltiplos espaços, a iniciativas que visam redistribuir o trabalho de cuidado de forma mais democrática. Nesse sentido, a Política Nacional de Cuidados enfrenta o que temos chamado de “negacionismo dos cuidados”, conceito que problematiza os desafios sociais e históricos na promoção da justiça social e da equidade de gênero.