
Resenha MARTINS, R.; MIRANDA-RIBEIRO, P. (Org.). Populações e desenvolvimento: 30 anos pensando, repensando econstruindo o Brasil. Rio de Janeiro: Círculo de Giz, 2026. E-book (PDF). ISBN 978-65-997182-9-8.
This article examines why, in Brazil, despite substantial investment in subsidized credit, particularly for low-income families to acquire homeownership, there has been a persistent and significant rise in households facing excessive urban rent burdens, especially among the poorest single-person households. A household is classified as having an excessive rent burden when its total income does not exceed three times the minimum wage, and more than 30% of that income is spent solely on rent. The theoretical framework of this study integrates aspects of family formation dynamics and housing policies, with a particular focus on homeownership. Methodologically, we employ specific analyses, including headship rates and others to assess the processes and challenges associated with this particular household arrangement. The evidence shows that there is a greater incidence of excessive urban rent burden among single person households, at least in two critical periods: men, at the beginning of their working life, and women, later in life. These kinds of households have increased faster in the period analyzed (2017 – 2022). We conclude that developing targeted strategies to support the poorest individuals living alone is critical, necessitating more precisely tailored policy approaches for effective housing solutions. Currently, these considerations are absent from Brazil’s primary housing policies. In many respects, the country’s housing policy has yet to address persistent, historically rooted challenges, even as new issues continue to emerge.
The ‘glass ceiling’ is well-established finding in the empirical literature on labor market gender inequalities, referring to the phenomenon whereby wage gaps are more pronounced at the top of the income distribution and in higher-level hierarchical occupations. This article analyzes the determinants of the wage gap among managers and directors along earnings quintiles to assess whether a glass ceiling effect exists for women and black people in this type of occupation in Brazil. In addition, the article examines how variables related to care and household chores affect women’s earnings compared to men in these occupations. Drawing on the 2019 and 2022 Brazilian Household Sample Survey (PNADC - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), we perform estimations of wage differentials by sex and skin color based on the quantile regression model with selection bias correction. The results indicate the existence of a glass ceiling for women, more pronounced in the public sector than in the private sector. A glass ceiling effect is also identified for black people, with evidence of greater marginalization for black women. Finally, the variable for caring for people over 60 years old is significant and negative only for women in lower income groups. These results demonstrate the importance of public policies aiming at reducing the wage gap in higher hierarchical occupations. In this sense, the public sector should lead by example increasing the representation of women and black workers in positions of greater prestige and authority, as well as adopting policies to promote more equitable compensation in such positions.
Na historiografia sobre a imigração internacional para São Paulo, os italianos ocupam um lugar de destaque. Grupo numericamente mais numeroso que portugueses e espanhóis, os italianos atravessaram o Atlântico impulsionados, na esfera da esperança, por “fazer a América” e protagonizaram o fenômeno migratório de massa no panorama global. Este artigo busca apontar e discutir aspectos relativos ao caso da imigração de italianos para o município de Franca-SP e suas inferências para o desenvolvimento social, econômico e demográfico local e do estado de São Paulo, com base em estatísticas históricas. No período da Grande Imigração, na virada do século XIX para o XX, a presença italiana cresceu no município estudado, onde imigrantes se destacaram tanto na zona rural, com ascensão à propriedade agrícola, quanto na área urbana, contribuindo para o setor artesanal e industrial, especialmente o calçadista. Apesar de menos expressiva que em outras regiões, a imigração em Franca revela importantes mudanças sociais e demográficas, sendo um campo ainda promissor para novas pesquisas.
The 2022 Brazilian Demographic Census underscores an advanced stage of demographic transition, characterized by sustained fertility decline, shifting age structures, and a marked deceleration in population growth. Between 2010 and 2022, numerous municipalities experienced significant growth attenuation, with several exhibiting population decline. These demographic shifts, compounded by persistent socioeconomic and climatic disparities, have intensified the demand for robust subnational population projections. In Brazil, the AiBi method is widely employed however; its predictive accuracy has not been systematically evaluated. This study aims to quantify uncertainty in municipal population projections by sex, integrating a Random Walk with Drift method with AiBi’s point projections. The proposed framework was applied to municipalities in the states of Rio Grande do Norte and São Paulo, regions with contrasting data quality and socioeconomic profiles. Our findings demonstrate that uncertainty is a function of population size, historical trend stability, and the projection horizon. Specifically, uncertainty intervals widen in smaller municipalities, in jurisdictions with volatile growth patterns, and as the forecast horizon extends.
Este estudo teve como objetivo estimar o efeito da raça/cor, gênero e sua interação sobre diferentes formas de maus-tratos vivenciados pela população adulta brasileira. Trata-se de um estudo transversal, utilizando dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019. A variável dependente foi maus-tratos. Construiu-se uma variável binária que engloba todos os tipos de maus-tratos, além de variáveis específicas para maus-tratos físicos, psicológicos e sexuais. As principais variáveis explicativas foram sexo e raça/cor, com ajustes por fatores demográficos, socioeconômicos e de saúde. Foram utilizados modelos logísticos binários com termos de interação entre sexo e raça/cor, além de prevalências preditas. Analisados isoladamente, gênero e raça/cor apresentaram efeitos significativos para os maus-tratos totais e psicológicos; para os físicos, apenas raça/cor; e para os sexuais, apenas gênero. A interação entre raça/cor e gênero mostrou-se estatisticamente significativa, com variações conforme o tipo de violência. Para maus-tratos totais e físicos, essa interação foi mais determinante, reforçando a relevância de abordagens interseccionais. Nos maus-tratos psicológicos, as prevalências foram semelhantes entre os grupos, com maior diferença entre homens pretos e brancos. Na violência sexual, as mulheres, independentemente da raça/cor, apresentaram prevalências significativamente maiores, sendo o gênero o principal fator explicativo.
Este estudo investiga como a ampliação da capacidade adaptativa, promovida pelo acesso a políticas de proteção social, especialmente ao Programa Cisternas, se associa à permanência da população no Semiárido Setentrional entre 2001 e 2018. A análise utiliza como principal fonte de dados a Coorte dos 100 Milhões de Brasileiros(as) que reúne informações sociodemográficas e econômicas de famílias em situação de vulnerabilidade social inscritas em programas sociais do governo federal. Os achados evidenciam que a permanência do sertanejo em sua terra natal não pode ser compreendida apenas a partir de uma lógica econômica, mas também de processos sociais mais amplos de enraizamento e pertencimento, em que a presença do Estado exerce significativa influência por meio da implementação de políticas de proteção social. Em particular, destaca-se o efeito sinérgico entre os programas Cisternas e Bolsa Família, cuja combinação não somente ajuda nos ajustes às condições adversas do clima semiárido, como também fortalece os vínculos comunitários, a autonomia das famílias e a resiliência socioeconômica local. Trata-se, portanto, de uma imobilidade que não parece ser imposta pela falta de alternativas, mas possivelmente escolhida a partir da ampliação das capacidades e da dignidade cotidiana proporcionadas por políticas públicas articuladas e adaptadas à realidade local.
Nas últimas décadas, os dados fornecidos pelos censos brasileiros tornaram-se insumos essenciais para diagnósticos em várias áreas temáticas, como saúde, educação e trabalho. Contudo, não havia um panorama quantitativo que evidenciasse como essa base estatística é efetivamente mobilizada pela comunidade científica. Este estudo mapeia padrões, tendências e redes de colaboração presentes nos artigos que utilizaram os Censos Demográfico e Agropecuário no século XXI, com destaque em trabalhos sobre desigualdades espaciais/regionais. Empregou-se uma estratégia bibliométrica que envolveu: busca sistemática nas bases Web of Science, Scopus e SciELO; extração, padronização e limpeza dos registros; e cálculo de indicadores de produção anual, coocorrência de palavras-chave, citações, fatores de impacto e redes de coautoria. Os resultados indicam que o número de artigos cresceu quatro vezes entre a primeira e segunda década deste século; mais de 80% dos trabalhos proveem de instituições brasileiras e concentram-se em periódicos nacionais. Sobre as desigualdades espaciais, observou-se expansão, com foco crescente em temas de saúde, geografia, economia e desenvolvimento. Esses achados reiteram a relevância dos censos para a pesquisa acadêmica e para políticas públicas de coesão territorial. Este trabalho apresenta um diagnóstico da literatura censitária, sinalizando a necessidade de ampliar a internacionalização, fortalecer a importância do censo como insumo vital para várias áreas temáticas e fomentar a utilização deste insumo por mais instituições.
Este trabalho argumenta que a consolidação da demografia da solidão na América Latina exige mais do que a incorporação de escalas de mensuração da solidão em inquéritos populacionais. Requer, também, a revisão das categorias por meio das quais o campo interpreta a vida relacional em sociedades marcadas por desigualdades persistentes, regimes familiares heterogêneos, envelhecimento acelerado, migração, violência, racismo e privatização do cuidado. O texto propõe quatro deslocamentos analíticos. O primeiro consiste em substituir afirmações genéricas sobre “epidemia” ou aumento geracional da solidão por uma postura metodológica mais cautelosa, reconhecendo a ausência de séries históricas comparáveis e de dados longitudinais harmonizados na região. O segundo recoloca sexo e gênero no centro da análise, não como categorias universais e desracializadas, mas como dimensões articuladas a cuidado, viuvez, masculinidades, violência e desigualdades territoriais. O terceiro propõe deslocar raça/cor e território das listas de controle para o centro dos modelos, reconhecendo que a desconexão relacional no Brasil e na América Latina é racializada e territorialmente situada. Por fim o quarto deslocamento articula a demografia da solidão à demografia do cuidado, substituindo a hipótese simplificadora do familismo protetor pela da ambivalência familiar. A agenda proposta não rejeita a literatura internacional, mas defende que a América Latina pode oferecer um corretivo conceitual a um campo ainda fortemente orientado por experiências do Norte Global.
Resumen Este artículo analiza el desajuste reproductivo -entendido como la brecha entre la fecundidad efectiva y la deseada- desde el enfoque de las capacidades y la noción de agencia reproductiva. Utilizando microdatos de las encuestas de Demografía y Salud (DHS) más recientes de Bolivia, México y Perú (2023-2024), se examina este fenómeno en mujeres de 40 a 49 años mediante modelos probit (dicotómico y multinomial) y regresiones por mínimos cuadrados ordinarios. Los resultados revelan que el equilibrio reproductivo constituye una situación minoritaria y que el desajuste es un fenómeno extendido en los tres países analizados. Asimismo, la evidencia es consistente con la idea de que dicho desajuste no presenta un carácter homogéneo, sino que adopta formas diferenciadas según su dirección. En particular, el exceso de fecundidad se asocia con contextos de mayor vulnerabilidad estructural y con la experiencia de pérdida de hijos, mientras que el déficit aparece con mayor frecuencia en sectores con mayores niveles de recursos materiales y educativos. En conjunto, la evidencia sugiere que los bajos niveles agregados de fecundidad en la región coexisten con restricciones en la capacidad de las personas para concretar sus preferencias reproductivas, lo que subraya la relevancia de considerar las condiciones estructurales y los entornos habilitadores en el análisis de la fecundidad.
Resumo Este trabalho argumenta que a consolidação da demografia da solidão na América Latina exige mais do que a incorporação de escalas de mensuração da solidão em inquéritos populacionais. Requer, também, a revisão das categorias por meio das quais o campo interpreta a vida relacional em sociedades marcadas por desigualdades persistentes, regimes familiares heterogêneos, envelhecimento acelerado, migração, violência, racismo e privatização do cuidado. O texto propõe quatro deslocamentos analíticos. O primeiro consiste em substituir afirmações genéricas sobre “epidemia” ou aumento geracional da solidão por uma postura metodológica mais cautelosa, reconhecendo a ausência de séries históricas comparáveis e de dados longitudinais harmonizados na região. O segundo recoloca sexo e gênero no centro da análise, não como categorias universais e desracializadas, mas como dimensões articuladas a cuidado, viuvez, masculinidades, violência e desigualdades territoriais. O terceiro propõe deslocar raça/cor e território das listas de controle para o centro dos modelos, reconhecendo que a desconexão relacional no Brasil e na América Latina é racializada e territorialmente situada. Por fim o quarto deslocamento articula a demografia da solidão à demografia do cuidado, substituindo a hipótese simplificadora do familismo protetor pela da ambivalência familiar. A agenda proposta não rejeita a literatura internacional, mas defende que a América Latina pode oferecer um corretivo conceitual a um campo ainda fortemente orientado por experiências do Norte Global.
Resumo Este estudo teve como objetivo estimar o efeito da raça/cor, gênero e sua interação sobre diferentes formas de maus-tratos vivenciados pela população adulta brasileira. Trata-se de um estudo transversal, utilizando dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019. A variável dependente foi maus-tratos. Construiu-se uma variável binária que engloba todos os tipos de maus-tratos, além de variáveis específicas para maus-tratos físicos, psicológicos e sexuais. As principais variáveis explicativas foram sexo e raça/cor, com ajustes por fatores demográficos, socioeconômicos e de saúde. Foram utilizados modelos logísticos binários com termos de interação entre sexo e raça/cor, além de prevalências preditas. Analisados isoladamente, gênero e raça/cor apresentaram efeitos significativos para os maus-tratos totais e psicológicos; para os físicos, apenas raça/cor; e para os sexuais, apenas gênero. A interação entre raça/cor e gênero mostrou-se estatisticamente significativa, com variações conforme o tipo de violência. Para maus-tratos totais e físicos, essa interação foi mais determinante, reforçando a relevância de abordagens interseccionais. Nos maus-tratos psicológicos, as prevalências foram semelhantes entre os grupos, com maior diferença entre homens pretos e brancos. Na violência sexual, as mulheres, independentemente da raça/cor, apresentaram prevalências significativamente maiores, sendo o gênero o principal fator explicativo.
Resumo Este estudo analisa o impacto da matrícula de crianças entre 0 e 5 anos em creche ou pré-escola sobre a probabilidade de jovens entre 15 e 29 anos, residentes no mesmo domicílio, estarem na condição de não estudar nem trabalhar (nem-nem). Utilizando microdados do segundo trimestre de 2022 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), aplicou-se o método de Propensity Score Matching (PSM) com distância de Mahalanobis e balanceamento por entropia, sob um modelo logit binário, para mitigar vieses de seleção e estimar efeitos médios do tratamento sobre os tratados (ATT). Os resultados indicam que a presença de crianças matriculadas na educação infantil reduz, em média, em 38,05% a probabilidade de jovens corresidentes estarem na situação nem-nem. Esses achados destacam que o acesso à educação infantil gera externalidades positivas que transcendem o público infantil, favorecendo a inserção ou a permanência dos jovens no mercado de trabalho ou no sistema educacional. Os resultados têm implicações relevantes para políticas públicas de ampliação da oferta de vagas em creches, como estratégia de promoção do desenvolvimento econômico e redução de desigualdades intergeracionais.
Resumo Nas últimas décadas, os dados fornecidos pelos censos brasileiros tornaram-se insumos essenciais para diagnósticos em várias áreas temáticas, como saúde, educação e trabalho. Contudo, não havia um panorama quantitativo que evidenciasse como essa base estatística é efetivamente mobilizada pela comunidade científica. Este estudo mapeia padrões, tendências e redes de colaboração presentes nos artigos que utilizaram os Censos Demográfico e Agropecuário no século XXI, com destaque em trabalhos sobre desigualdades espaciais/regionais. Empregou-se uma estratégia bibliométrica que envolveu: busca sistemática nas bases Web of Science, Scopus e SciELO; extração, padronização e limpeza dos registros; e cálculo de indicadores de produção anual, coocorrência de palavras-chave, citações, fatores de impacto e redes de coautoria. Os resultados indicam que o número de artigos cresceu quatro vezes entre a primeira e segunda década deste século; mais de 80% dos trabalhos proveem de instituições brasileiras e concentram-se em periódicos nacionais. Sobre as desigualdades espaciais, observou-se expansão, com foco crescente em temas de saúde, geografia, economia e desenvolvimento. Esses achados reiteram a relevância dos censos para a pesquisa acadêmica e para políticas públicas de coesão territorial. Este trabalho apresenta um diagnóstico da literatura censitária, sinalizando a necessidade de ampliar a internacionalização, fortalecer a importância do censo como insumo vital para várias áreas temáticas e fomentar a utilização deste insumo por mais instituições.
Resumo Este estudo investiga como a ampliação da capacidade adaptativa, promovida pelo acesso a políticas de proteção social, especialmente ao Programa Cisternas, se associa à permanência da população no Semiárido Setentrional entre 2001 e 2018. A análise utiliza como principal fonte de dados a Coorte dos 100 Milhões de Brasileiros(as) que reúne informações sociodemográficas e econômicas de famílias em situação de vulnerabilidade social inscritas em programas sociais do governo federal. Os achados evidenciam que a permanência do sertanejo em sua terra natal não pode ser compreendida apenas a partir de uma lógica econômica, mas também de processos sociais mais amplos de enraizamento e pertencimento, em que a presença do Estado exerce significativa influência por meio da implementação de políticas de proteção social. Em particular, destaca-se o efeito sinérgico entre os programas Cisternas e Bolsa Família, cuja combinação não somente ajuda nos ajustes às condições adversas do clima semiárido, como também fortalece os vínculos comunitários, a autonomia das famílias e a resiliência socioeconômica local. Trata-se, portanto, de uma imobilidade que não parece ser imposta pela falta de alternativas, mas possivelmente escolhida a partir da ampliação das capacidades e da dignidade cotidiana proporcionadas por políticas públicas articuladas e adaptadas à realidade local.
Resumo O presente artigo analisa o impacto da conciliação entre estudo e atividades remuneradas ou pessoais sobre a evasão acadêmica em cursos profissionalizantes. Testa-se a hipótese de ocorrência de um trade-off entre dedicação ao curso e outras atividades, ainda que os cursos tenham por objetivo a inserção do egresso no mercado de trabalho. O fenômeno é analisado por meio de um modelo biprobit, estimando simultaneamente a probabilidade de o discente evadir e de estar inserido no mercado de trabalho, utilizando uma base de dados de uma rede gratuita de ensino profissionalizante no estado de Goiás entre 2022 e 2025. São fornecidas evidências da existência de trade-off e que este se comporta de forma diferente segundo sexo, resultado até então novo em relação à literatura prévia. O mercado de trabalho possui maior impacto sobre os homens, enquanto o tempo de deslocamento é mais relevante entre as mulheres na determinação da evasão. Os resultados servem de base para a proposição de medidas de mitigação do fenômeno da evasão na rede profissional.
Resumo O objetivo do trabalho é analisar a distribuição espacial da ocorrência de casos de malária, das formas de prevenção e das percepções das condições de saúde da comunidade. As 64 comunidades rurais entrevistadas, em 2022, estão localizadas no Mosaico do Baixo Rio Negro. A análise dos dados foi realizada em duas etapas: análise descritiva dos dados do survey; e construção de tipologias de ocorrência da malária, prevenção e percepções das condições de saúde e da malária. Os resultados mostram uma heterogeneidade na distribuição dos dados por comunidades rurais, unidades de conservação e municípios aos quais pertencem. Essa heterogeneidade espacial reforça a pertinência do uso dos estudos de caso por comunidade, evidenciando a necessidade de análises desagregadas intramunicipais para auxiliar a compreensão dos problemas na escala regional, com enfoque em ações e aplicações diferenciadas de políticas sociais. Diante da necessidade de melhor compreender as dinâmicas nas áreas protegidas a partir de uma perspectiva sociodemográfica, sobretudo em se tratando de doenças de distribuição focal, estudos de caso na interface população-saúde-ambiente contribuem para a superação das dificuldades de uso de fontes de dados secundários agregados.
Resumo Este estudo busca determinar associações entre características sociodemográficas, de saúde, de trabalho e de vida social com a realização de trabalho remunerado entre idosos brasileiros. Foram analisadas informações de 22.726 indivíduos com 60 anos ou mais, participantes da Pesquisa Nacional de Saúde realizada em 2019. A análise multivariada foi conduzida por meio da regressão logística, estimando razões de chance e seus respectivos intervalos de confiança de 95%. A participação dos homens em trabalho remunerado foi significativamente maior (30,9%) do que a das mulheres (15,1%). Em ambos os sexos, as chances de participação no mercado de trabalho foram menores nos grupos etários mais velhos e maiores entre indivíduos com maior escolaridade e melhores condições de saúde, como boa saúde autoavaliada, ausência de doenças crônicas e de dificuldades nas atividades de vida diária e instrumentais. A realização de tarefas de cuidado reduziu as chances de participação no mercado de trabalho de homens e mulheres, ao passo que a realização de tarefas domésticas aumentou essa participação, especialmente entre idosos com baixa escolaridade. A participação em atividades sociais esteve positivamente associada às chances de homens idosos estarem inseridos no mercado de trabalho, assim como o elevado apoio social, especialmente entre aqueles com baixa escolaridade. Os resultados sugerem que, além da escolaridade e da saúde, outras variáveis também contribuem para a permanência dos idosos no mercado de trabalho, como o trabalho não remunerado e a vida social, as quais, portanto, devem ser objeto de investigação, especialmente por revelarem importantes diferenças entre os sexos.