
RESUMO Introdução: A vasectomia é um método contraceptivo masculino definitivo reconhecido por sua segurança, eficácia e baixo custo. Apesar dessas características, a participação masculina na contracepção permanece limitada, especialmente em comparação aos métodos femininos. No Brasil, ainda são escassos os dados sobre o perfil sociodemográfico dos homens submetidos à vasectomia e sobre seu conhecimento a respeito de outros métodos contraceptivos, particularmente no âmbito do Sistema Único de Saúde. Objetivo: Avaliar o perfil epidemiológico de pacientes submetidos à vasectomia em um hospital universitário, bem como o conhecimento sobre outros métodos contraceptivos e os motivos que levaram à escolha do procedimento. Métodos: Estudo observacional, retrospectivo e transversal, realizado por meio da análise de prontuários médicos de pacientes submetidos à vasectomia em hospital universitário. Foram coletados dados sociodemográficos, clínicos e informações relacionadas ao conhecimento sobre métodos anticoncepcionais e aos motivos para a realização da vasectomia, a partir de registros pré-operatórios. Resultados: Foram incluídos 181 pacientes, com idade média de 39,4 ± 6,6 anos. A maioria era casada (72,4%) e apresentava média de 2,1 filhos. O nível de escolaridade predominante foi ensino médio (55,2%). A maioria dos pacientes (86,2%) relatou conhecer ao menos um método contraceptivo, com média de 2,8 ± 1,7 métodos conhecidos. O principal motivo para a realização da vasectomia foi o planejamento familiar completo (66,9%). Não houve associação estatisticamente significativa entre escolaridade e conhecimento sobre métodos contraceptivos ou motivo da vasectomia. Pacientes mais jovens tenderam a relatar maior número de métodos conhecidos, embora essa correlação tenha sido fraca. Conclusão: Os pacientes submetidos à vasectomia apresentaram perfil epidemiológico semelhante ao descrito na literatura internacional, com decisão predominantemente baseada na conclusão do planejamento familiar. Apesar da ampla difusão do procedimento, o conhecimento masculino sobre outros métodos contraceptivos mostrou-se limitado, independentemente do nível de escolaridade, reforçando a importância de uma orientação pré-operatória estruturada e de estratégias voltadas à educação contraceptiva masculina no contexto do Sistema Único de Saúde.
ABSTRACT Introduction: Vasectomy is a definitive male contraceptive method recognized for its safety, effectiveness, and low cost. Nevertheless, male participation in contraception remains limited, particularly when compared with female contraceptive methods. In Brazil, data regarding the sociodemographic profile of men undergoing vasectomy and their knowledge of other contraceptive methods remain scarce, especially within the context of the Brazilian Unified Health System (SUS). Objective: To evaluate the epidemiological profile of patients undergoing vasectomy at a university hospital, as well as their knowledge of other contraceptive methods and the reasons leading to the choice of the procedure. Methods: This was an observational, retrospective, cross-sectional study conducted through the review of medical records of patients who underwent vasectomy at a university hospital. Sociodemographic and clinical data, as well as information regarding knowledge of contraceptive methods and reasons for undergoing vasectomy, were collected from preoperative records. Results: A total of 181 patients were included, with a mean age of 39.4 ± 6.6 years. Most participants were married (72.4%) and had a mean of 2.1 children. The predominant educational level was high school education (55.2%). Most patients (86.2%) reported knowing at least one contraceptive method, with a mean of 2.8 ± 1.7 known methods. The main reason for undergoing vasectomy was completion of family planning (66.9%). No statistically significant association was observed between educational level and knowledge of contraceptive methods or the reason for vasectomy. Younger patients tended to report knowledge of a greater number of contraceptive methods, although this correlation was weak. Conclusion: Patients undergoing vasectomy presented an epidemiological profile similar to that described in the international literature, with the decision predominantly based on completion of family planning. Despite the widespread availability of the procedure, male knowledge regarding other contraceptive methods remained limited, regardless of educational level, which underscores the importance of structured preoperative counseling and strategies aimed at male contraceptive education within SUS.
RESUMO Introdução: Embora o tratamento conservador de lesões hepáticas contusas esteja bem estabelecido na literatura médica, com taxas de sucesso relatadas variando de 82% a 100% em pacientes hemodinamicamente estáveis, sua aplicação em lesões penetrantes permanece controversa devido às potenciais complicações. Este estudo tem como objetivo avaliar os desfechos do tratamento não operatório (TNO) em pacientes selecionados com lesões hepáticas penetrantes, em comparação ao tratamento operatório (TO). Métodos: Uma revisão sistemática e meta-análise de estudos observacionais comparando TNO e TO em pacientes com lesões hepáticas penetrantes foi conduzida por meio dos bancos de dados Pubmed, Scopus e Cochrane de acordo com o Guia Cochrane para Revisões Sistemáticas e Meta-análises e Itens de Relato Preferenciais para Revisões Sistemáticas e Meta-Análises (PRISMA). Resultados: Foram abordados seis estudos observacionais que incluíram 4.407 pacientes. O TNO foi associado a menor mortalidade (RR 0.40; 95% CI 0.31-0.53; I2=0%; p<0.01) e menores taxas de complicação (RR 0.83; 95% CI 0.75-0.91; I2=0%; p<0.01). Não foi observada diferença estatisticamente significativa nas taxas de complicações hepáticas (RR 0.25; 95% CI 0.01-12.47; I2=0%; p=0.10), nas taxas de transfusão sanguínea (RR 0.73; 95% CI 0.0-1741.82; I2=84%; p=0.73) e na duração da internação hospitalar (RR -0.44; 95% CI -6.76-5.87; I2=0%; p=0.83). Conclusão: O TNO de lesões hepáticas penetrantes, quando comparado ao TO, pode ser considerado uma alternativa possível para pacientes selecionados.
The splenic injuries are frequent among victims of blunt trauma, and the most appropriate approach must be based on the physiological status and anatomical complexity of the lesions balance. The alternatives must balance, in stable patients without peritonitis, the simplicity and prompt resolution of splenectomy and the potential complications and immunobiological consequences, considering modern minimally invasive diagnostic and therapeutic tools. This paper presents the Brazilian Trauma Society's (SBAIT) management guidelines, based on the most recent evidence and tailored to the reality of Brazilian trauma centers.
INTRODUCTION:While the conservative management of blunt liver injuries is well established in the medical literature, with reported success rates ranging from 82% to 100% in hemodynamically stable patients, its application to penetrating injuries remains controversial due to perceived risks. This study aims to assess the potential outcomes of non-operative management (NOM) in selected patients with penetrating liver injuries compared to operative management (OM). METHODS:A systematic review and meta-analysis of observational studies comparing NOM and OM in patients with penetrating liver injuries was conducted using the Medline, Scopus, and Cochrane databases, in accordance with the Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions and the Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA). RESULTS:Six observational studies comprising 4,407 patients were included. NOM was associated with lower mortality (RR 0.40; 95% CI 0.31-0.53; I2=0%; p<0.01) and complication rates (RR 0.83; 95% CI 0.75-0.91; I2=0%; p<0.01). No statistically significant difference was observed in liver complications (RR 0.25; 95% CI 0.01-12.47; I2=0%; p=0.10), blood transfusion (RR 0.73; 95% CI 0.0-1741.82; I2=84%; p=0.73), and hospital length of stay (RR -0.44; 95% CI -6.76-5.87; I2=0%; p=0.83). CONCLUSION:Non-operative management of penetrating liver injuries, when compared to operative management, may be considered a possible alternative for selected patients.
ABSTRACT Introduction: Ischemia-reperfusion injury (IRI) is a major determinant of initial graft function after liver transplantation (LT), directly influencing the incidence of early dysfunction and short-term clinical outcomes. Macrophage migration inhibitory factor (MIF), a pleiotropic cytokine involved in inflammatory pathways and mechanisms of cellular adaptation to oxidative stress, may play a modulatory role in IRI, although its immediate tissue behaviour in grafts remains poorly characterised. Methods: We retrospectively evaluated adult LT recipients who underwent post-reperfusion biopsies suitable for histological and immunohistochemical analysis. Immunohistochemical expression of MIF was quantified using the IHC Profiler plugin (ImageJ), whereas IRI was graded according to validated histopathological criteria. Results: Among 153 biopsies analysed, 103 met the eligibility criteria, with most cases showing absent or mild IRI (70.9%). Hepatocellular expression of MIF was predominantly weak or moderate. Stronger immunohistochemical staining for MIF was associated with lower IRI severity (p<0.05). MIF expression correlated with pre-transplant laboratory parameters, without association with steatosis or early outcomes, including retransplantation or death within 15 days. Conclusion: The findings suggest that greater immunohistochemical expression of MIF at reperfusion is associated with lower IRI intensity, indicating a possible adaptive role for this cytokine during this critical phase. MIF emerges as a potential tissue marker complementary to traditional histopathological scoring, with relevance for graft assessment and use in contemporary liver perfusion strategies.
ABSTRACT Introduction: Congenital intestinal aganglionosis (Hirschsprung’s disease - HD) is characterized by the absence of intramural parasympathetic ganglion cells in the submucosal and muscular layers of the intestinal wall, predominantly affecting the recto-sigmoid and determining functional intestinal obstruction. Rectal biopsy is the gold standard for diagnosis, and there are several techniques available for obtaining samples. Limitations related to cost, equipment maintenance and access to biopsy instruments have hindered the implementation of minimally invasive aspiration biopsies in Brazil. This study aims to evaluate the performance of the K punch method (MKP) as a minimal invasion and low cost alternative in obtaining submucosal rectal samples for histopathological analysis in the investigation of HD. Methods: Retrospective analysis of a 25 pediatric patients´ cohort, which has been submitted to histological evaluation for HD using the MKP biopsy method. Results: The samples were suitable for histological analysis aiming at the diagnosis of HD in 24 cases (96%). One patient needed to repeat the procedure due to the insufficiency of the fragment obtained. A mild complication (self-limited bleeding) was observed, without the need for additional intervention (Clavien-Dindo 1). Conclusion: The results suggest that the MCK technique can provide adequate rectal submucosal samples for histological analysis towards the diagnosis of HD, and may be applicable in different health care contexts.
RESUMO Introdução: O Revised Trauma Score (RTS) é amplamente utilizado como ferramenta prognóstica no trauma, porém sua acurácia em lesões penetrantes permanece controversa. Considerando que esse mecanismo representa parcela significativa dos atendimentos no Brasil, torna-se essencial avaliar o desempenho do escore nessas populações. Objetivo: Comparar a acurácia prognóstica do RTS para predição de mortalidade entre vítimas de trauma contuso e penetrante, além de identificar um ponto de corte equivalente para indicação de transferência a centros de Trauma nível I. Materiais e Métodos: Trata-se de um estudo de coorte retrospectiva com pacientes atendidos entre 2015 e 2019 em um hospital de referência em Trauma. Foram analisados dados clínicos, laboratoriais e fisiológicos, com cálculo do RTS. A acurácia foi avaliada por curvas ROC e comparada pelo teste de DeLong. Regressão logística identificou preditores independentes de mortalidade. Resultados: Foram incluídos 3575 pacientes, 68,5% vítimas de trauma contuso e 31,5% de penetrante. A AUC do RTS foi de 0,813 para trauma contuso e 0,800 para penetrante (p=0,67). Lesões penetrantes aumentaram em 61% o risco de mortalidade. A equivalência entre mecanismos mostrou que um RTS ≤4,99 no trauma contuso corresponde a um RTS ≤6,99 no penetrante. Conclusão: O RTS apresenta acurácia semelhante para ambos os mecanismos de trauma. Entretanto, vítimas de trauma penetrante apresentam maior mortalidade, sugerindo a necessidade de ponto de corte mais elevado para triagem e transferência.
RESUMO Introdução: Estudar as características clínicas e os fatores de risco de tratamento intervencionista em pacientes pediátricos gravemente doentes com trauma intra-abdominal (TIA). Métodos: Trata-se de estudo retrospectivo de coorte envolvendo pacientes com TIA com menos de 18 anos de idade admitidos em unidade de terapia intensiva pediátrica (UTIP) de hospital de emergência brasileiro, de janeiro/2015 a janeiro/2024. Foram excluídos pacientes com lesão de víscera oca. Dados demográficos, clínicos, de tratamento e de desfecho foram coletados dos prontuários médicos. Os pacientes foram divididos em dois grupos de acordo com o manejo: intervencionista ou conservador. Resultados: No período do estudo, 41 pacientes com TIA foram admitidos na UTIP; 35 foram incluídos no estudo. A maioria era do sexo masculino (77,1%), com idade mediana de 9,6 anos (variação de 0,7 a 17 anos), e mais da metade apresentavam valores de ISS superiores a 25. Acidente automobilístico foi o mecanismo de trauma mais comum (68,6%). Os órgãos mais frequentemente lesionados foram fígado (57,1%) e baço (40%). Quinze pacientes (42,9%) foram submetidos ao tratamento intervencionista: 11 (73,3%) à cirurgia e 4 (26,6%) à radiologia intervencionista. Hipotensão arterial na admissão e necessidade de transfusão maciça foram fatores de risco de tratamento intervencionista. Dois pacientes (5,7%) morreram; ambos foram submetidos à laparotomia de controle de danos. Conclusões: Nesta coorte de pacientes pediátricos gravemente doentes com TIA de vísceras sólidas, 42,8% necessitaram de tratamento intervencionista. Hipotensão arterial na admissão e necessidade de transfusão maciça foram fatores de risco de manejo intervencionista nesta população.
RESUMO Introdução: A inteligência artificial (IA) tem desempenhado um papel cada vez mais significativo na medicina, desde o diagnóstico por imagens até tratamentos personalizados. No pós-operatório, essa ferramenta pode otimizar o suporte ao paciente, esclarecendo dúvidas e reduzindo a necessidade de consultas presenciais. No entanto, sua confiabilidade e impacto na jornada do paciente ainda são pouco explorados. Esse estudo explorou o potencial da IA como artifício complementar ao cuidado de pacientes submetidos a cirurgia torácica, analisando a precisão das respostas, aceitação pelos pacientes e potencial para transformar o acompanhamento médico. Métodos: Foram coletadas dúvidas reais de pacientes, que foram respondidas tanto pelo chatGPT quanto por médicos especialistas. As respostas foram comparadas quanto à clareza, acurácia e completude. Os participantes avaliaram a satisfação com as informações fornecidas, a necessidade de buscar mais detalhes e o conforto em utilizar a IA sem supervisão médica. Resultados: Dos pacientes avaliados, 74,3% relataram que suas dúvidas foram completamente solucionadas pelo chatGPT, enquanto 91,4% consideraram a linguagem clara e acessível. No entanto, 62,8% ainda expressaram a necessidade de confirmação médica. Além disso, 51,4% dos participantes afirmaram que buscariam informações adicionais mesmo após a resposta da IA. Conclusão: Os resultados apontam que a IA tem grande potencial para melhorar a experiência pós-operatória dos pacientes, oferecendo respostas rápidas e acessíveis. No entanto, sua aplicação deve ser integrada a um modelo híbrido de assistência, combinando tecnologia com individualização médica.
ABSTRACT Background: The benefit of laparoscopy in blunt abdominal trauma (BAT) remains debated. This study analyzed patients with BAT treated by laparoscopy in a tertiary reference trauma service in Brazil. Methods: A retrospective clinical study of hemodynamically stable patients with BAT treated by laparoscopy over a 12-year period was conducted. Laparoscopies were classified as diagnostic (DL) or therapeutic (TL). Results: Over a 12-year period, 85 patients with BAT were treated laparoscopically. The median age was 30 years, and most patients were male (80%) and had an ASA of I (72%). Collision was the most frequent mechanism (46%). The main indications for laparoscopy were the presence of free fluid without parenchymal lesions on CT (59%) and abdominal pain/signs of peritoneal irritation (11.5%). The conversion rate was 26%, and these patients were included in the control group (n=22). Among the laparoscopies (n=63), 36% (n=31) were DL, and 38% (n=32) were TL. The seat belt sign was present in 12% of the patients in the total series. The most frequent therapeutic procedure is suturing of the bladder, colon, and diaphragm. There was correspondence between the CT and intraoperative findings, and there were no unnoticed injuries. The surgical time was longer in the CG (p<0.05). Conclusion: Laparoscopy can be safe and effective for the management of patients who are victims of blunt abdominal trauma, selected preoperatively and hemodynamically stable. Success in this type of approach depends on a tripod: adequate selection of patients, trained surgeons and full-time availability of materials and subsidiary tests.
ABSTRACT Introduction: Shock indicators in arterial blood gas analysis in the context of trauma are essential tools for early diagnosis, when clinical signs are not yet present. The study aimed to analyze the potential prognostic role these indicators may play in the evaluation of trauma patients. Methods: A retrospective study of 294 patients with severe trauma treated between 2016 and 2025 at a tertiary care hospital. Only patients with blood gas analysis at admission and after 24 hours, activation of the massive transfusion protocol, and exploratory laparotomy were included. Results: Of the 294 patients, 74 (25.2%) died. Lactate variation was significantly higher in patients who died (p < 0.001). The AUC of the ROC curve was 0.6949, with a sensitivity of 72%, specificity of 98.5%, and positive predictive value of 96.4%. The odds ratio for death in patients with an increase in lactate ≤1 mmol/L was 167.14. In contrast, the variation in base excess was not statistically significant (p = 0.054), with an AUC of 0.5748. There was a weak correlation between the variation in base excess and the outcome (r = -0.1124; p = 0.0063), and a weak to moderate correlation for the variation in lactate (r = 0.2931; p < 0.0001). There was also a significant association between outcome and age, Glasgow Coma Scale score, and laboratory parameters at admission and 24 hours. Conclusion: Lactate variation in the first 24 hours was associated with mortality in patients with severe trauma and demonstrated superior prognostic performance compared to base excess in this sample, with moderate discriminatory power.
ABSTRACT Objectives: Damage control surgery aims to reduce mortality in patients with severe abdominal trauma by limiting prolonged interventions under unfavorable physiological conditions. This study aimed to identify factors associated with mortality in these patients, including sex, age, cause and mechanism of injury, trauma severity index, hypothermia, metabolic acidosis, and variables related to intensive care, anesthesia, surgical management, and laboratory findings at admission to the intensive care unit (ICU). Methods: This retrospective observational cohort study analyzed 136 medical records of patients with abdominal trauma who underwent damage control surgery at a tertiary trauma hospital in Curitiba, Paraná, Brazil. Clinical, surgical, and laboratory variables were evaluated. Survivors and non-survivors were compared using univariate and multivariate statistical analyses to determine the significance of the findings. Results: Relevant findings included higher trauma severity scores among patients who died (mean Injury Severity Score [ISS] of 34 in non-survivors vs 29 in survivors; p=0.017). Hypothermia at admission was significantly associated with mortality. Metabolic acidosis at ICU admission was also associated with unfavorable outcomes, represented by a low bicarbonato value as well as a low base excess (BE) value of -12 compared with -8.6 (p<0.001). Conclusions: Higher ISS values, more negative BE, and hypothermia were independent predictors of mortality in patients undergoing damage control therapy for abdominal trauma.
ABSTRACT Introduction: Postoperative atrial fibrillation (POAF) is the most common complication of myocardial revascularization surgery, associated with predisposing factors and outcomes such as increased hospital stay, higher stroke and mortality rates. The objective of this study is to estimate the incidence of POAF and associated factors and outcomes, with emphasis on peripheral arterial disease. Methods: A retrospective cohort study was carried out involving adult patients admitted to admitted to the intensive care unit in the immediate postoperative period of myocardial revascularization surgery in a private hospital in South Brazil. Sociodemographic data, comorbidities, hospital and intensive care unit stay, occurrence of stroke and death were collected. Multivariate analyses were performed to identify independent relationships between variables using Poisson Regression with a robust estimator. Relative risks and 95% confidence intervals were estimated. Results: A total of 421 patients were included. The incidence of POAF was 23.8% (100 patients), statistically and independently associated with patient’s older age (p<0.001), with systemic arterial hypertension (p<0.001) and with peripheral arterial disease (p<0.001). Increased incidence of POAF was also associated with increased hospital and intensive care unit length of stay. Conclusion: A higher incidence of POAF after myocardial revascularization was associated with peripheral arterial disease, older age, and systemic arterial hypertension.
Trauma is the leading pediatric public health problem worldwide. Immaturity of the hemostatic system in children increases the risk of Trauma-Induced Coagulopathy (TIC). Therefore, based on a literature review, a clinical protocol was developed. The literature analysis was conducted by selecting systematic reviews, randomized controlled trials, observational studies, and expert consensus statements. Grades of recommendation and levels of evidence were classified according to the 2014 Oxford University criteria. Laboratory monitoring during the first hour is of paramount importance. For fluid resuscitation, crystalloid solutions are recommended up to 20 mL/kg, with a transition to blood components as soon as they become available. The indication for blood component transfusion should be based on clinical signs and symptoms, rather than laboratory results alone. Thromboelastography may be useful to guide blood component transfusion. In patients refractory to 20 mL/kg of crystalloid infusion with severe hemorrhage, a massive transfusion protocol is recommended, with plasma-to-red blood cell ratios of 1:1 or 1:2. When available, whole blood should be used. With regard to tranexamic acid, there are unresolved issues; however, its use is recommended by experts in cases of severe hemorrhage. Deep vein thrombosis prophylaxis with enoxaparin should be considered after hemodynamic stabilization in patients older than 15 years with a low risk of bleeding, as well as in pubertal patients younger than 15 years who have sustained severe trauma and have a low bleeding risk.
RESUMO Objetivo: A crescente inovação tecnológica representa um avanço para tomada de decisões médicas. Entretanto, o vultoso número de tomografias computadorizadas (TC) realizadas no setor de emergência é preocupante em virtude dos custos gerados ao hospital e da exposição dos pacientes à radiação ionizante. A disponibilidade e realização do exame, todavia, não significa necessariamente aumento de diagnósticos, podendo uma parcela desses exames não apresentar nenhuma patologia ou alteração. Assim, nosso estudo objetiva avaliar a acurácia entre hipótese diagnóstica do emergencista e resultado da tomografia solicitada dos segmentos crânio, tórax e abdome. Metodologia: Estudo transversal prospectivo entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024. A amostra foi 331 pacientes, sendo os critérios de inclusão: maioridade, ter realizado exame tomográfico de crânio, tórax ou abdome e ter assinado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). A análise estatística foi realizada através do software IBM SPSS Statistics 27.0. Resultados: Foram analisadas 409 tomografias, das TCs realizadas 49,74% foram desprovidas de achados agudos. Proporção de concordância com hipótese diagnóstica clínica inicial foi 39,5% no crânio, 40,3% no abdome e 43,7% no tórax. Conclusão: Este estudo identificou baixa concordância entre hipóteses clínicas formuladas no pronto atendimento de um hospital terciário e achados agudos tomográficos, evidenciando situações nas quais o uso da TC foi considerado dispensável à formulação do diagnóstico final. Entretanto, é pertinente ressaltar as limitações do estudo, sobretudo, a impossibilidade de avaliar diretamente as razões pelas quais cada exame foi solicitado dentro das nuances subjetivas da prática clínica.
RESUMO Racional: A trombose da artéria hepática (TAH) é a complicação vascular mais comum e grave em pacientes submetidos ao transplante hepático (TH), com incidência entre 2% e 9% e mortalidade variando de 11% a 60%. Apesar de sua relevância clínica, as publicações brasileiras sobre o tema ainda são escassas. Objetivos: Avaliar o diagnóstico, o tratamento e os desfechos da TAH em pacientes submetidos a TH em três hospitais brasileiros (Hospital Santa Isabel, Blumenau, Santa Catarina; Hospital das Clínicas, Curitiba, Paraná; e Hospital Nossa Senhora das Graças, Curitiba, Paraná). Métodos: Estudo observacional, longitudinal e retrospectivo, que incluiu pacientes com diagnóstico de TAH após transplante hepático entre setembro de 1991 e dezembro de 2023, em três centros médicos de grande porte no Brasil. Os dados foram obtidos por meio da revisão de prontuários eletrônicos e protocolos institucionais. Resultados: Entre os 1.362 transplantes realizados, 35 pacientes apresentaram TAH, correspondendo a uma incidência de 2,6%. Em 43,8% dos casos, o diagnóstico foi feito nas primeiras 48 horas por meio do Doppler. A avaliação intraoperatória do pulso arterial isoladamente não se associou à mortalidade (p = 0,16). Pacientes submetidos a retransplante apresentaram tendência à menor mortalidade (p = 0,076). Conclusões: O retransplante está relacionado à redução da mortalidade nos casos de TAH, sendo considerado o tratamento padrão-ouro. O uso do Doppler intra-operatório deve ser considerado não apenas como ferramenta de triagem, mas também como auxílio na tomada de decisões cirúrgicas.
RESUMO Introdução: A doença pilonidal (DP) é uma condição inflamatória crônica que acomete a pele e o tecido subcutâneo da região sacrococcígea, afetando predominantemente adultos jovens. Apesar dos avanços consideráveis na abordagem cirúrgica, os dados epidemiológicos nacionais sobre DP no Brasil ainda são escassos. Métodos: Foi realizado um estudo retrospectivo e descritivo incluindo todos os procedimentos cirúrgicos para DP registrados no Brasil, no SUS, entre janeiro de 2014 e dezembro de 2023. Os dados foram extraídos da plataforma DATASUS, utilizando códigos de procedimento específicos. As taxas de prevalência por 100.000 habitantes foram calculadas com base em estimativas populacionais fornecidas pelo IBGE. As tendências temporais foram avaliadas por análise de regressão linear, e as comparações regionais foram realizadas utilizando o teste do qui-quadrado de Pearson. Resultados: Durante o período de dez anos, 45.915 pacientes foram submetidos à cirurgia para DP, com uma prevalência média de 2,42 casos por 100.000 habitantes. A maior prevalência foi observada no Sul, enquanto o Norte apresentou as menores taxas. Observou-se uma tendência geral de aumento nas taxas de intervenções cirúrgicas, especialmente entre 2014 e 2019, com um declínio temporário durante a pandemia de COVID-19 e recuperação subsequente. Disparidades regionais significativas foram identificadas. Conclusão: A doença pilonidal (DP) vem apresentando um crescimento contínuo no número de cirurgias no Brasil, com destaque para as regiões Sul e Sudeste. Embora a prevalência nacional ainda seja inferior à observada em países de alta renda, a trajetória ascendente revela não apenas um problema emergente de saúde pública, mas também desigualdades regionais significativas..