
O tema inteligência artificial, complexidade real é atual e transformador. Uma reflexão necessária para o uso adequado das novas ferramentas, como catalisadoras do avanço da ciência e da pesquisa em saúde. Ressaltando a valorização da educação científica para estimular o pensamento crítico e a curiosidade. Mas o grande mérito dessa semana científica é trazer esse assunto para o dia-a-dia do hospital, ou seja, discutir a inteligência artificial na nossa prática diária, com temas na área assistencial, na área de gestão hospitalar e no ensino. Ressaltar as iniciativas que existem em nosso meio de uso da inteligência artificial e ao mesmo tempo incentivar a discussão sobre a sua adoção em diferentes contextos. Pois a inteligência artificial, como qualquer outro avanço que a humanidade desenvolveu, traz consigo desafios e esperança. Ela nos auxilia na análise de problemas complexos, mas apenas se soubermos usar a nossa inteligência e experiência para fazer as perguntas certas. Ela pode reduzir as tarefas burocráticas e nos dar mais tempo, inclusive para usufruir do contato humano. Mas ela também pode tomar decisões equivocadas, ser discriminatória e contribuir para o aumento da desigualdade. Cabe a nós, definir como ela será usada. Neste ponto, toda a estratégia de comunicação da 45a Semana Científica merece uma menção à parte. Desde uma instalação com notícias positivas e negativas dos impactos da inteligência artificial, até as peças de divulgação ressaltando preconceitos subjacentes. As imagens para divulgação foram feitas em três programas de inteligência artificial, utilizando o mesmo prompt que não especificava gênero, idade ou etnia. Todas as três imagens geradas eram de pessoas brancas, de olhos azuis, magras e jovens. Apenas quando especificamente demandada, a inteligência artificial foi capaz de introduzir diversidade às imagens. Usamos esse ponto para ressaltar o papel da ação humana e donosso olhar crítico sobre os resultados. Esse olhar crítico tão necessário para a ciência, que estimula o desejo de melhorar e transformar a nossa sociedade. Desde 2020 a Semana Científica tem sido exclusivamente virtual e, assim como em outras áreas, temos debatido a questão do novo normal versus o antigo habitual. E esse ano tentamos unir o melhor dos dois mundos, realizando sessões presenciais com transmissão, para que as pessoas possam assistir em outros momentos ao final do evento. Temos um programa bastante robusto, com quatro conferências, cinco mesas redondas e sete cursos que abrangem uma ampla gama de interesses para as diferentes áreas do nosso hospital. O evento conta com palestrantes dos Estados Unidos, Canadá, Colômbia e de diversos estados do Brasil e também do HCPA. Esse ano também temos duas atividades aninhadas na Semana: a Feira de Iniciação Científica Jr e o 2o HCPA Summit. Esses eventos ocorrem no Espaço da Arena, montado no saguão do segundo andar do HCPA, em um ambiente informal e acolhedor para os participantes. A Feira de Iniciação Científica Jr, organizada em colaboração com a Diretoria de Ensino e a Faculdade de Medicina da UFRGS, traz alunos e professores do ensino médio para discutir o letramento científico e estimular a formação de novos pesquisadores. Já o 2o HCPA Summit, realizado em colaboração com o Núcleo de Inovação e Transferência de Tecnologia, reúne start-ups e agentes de inovação em um espaço de trocas. Como sempre, uma parte importante das atividades da semana são os temas livres, apresentados na forma de e-posters. Esse ano tivemos 1339 resumos inscritos na semana, que foram analisados por 290 avaliadores e resultaram em 1109 trabalhos selecionados. A plataforma de e-posters permite a visualização e comentário dos trabalhos. E, para os selecionados para apresentação oral, há a já tradicional atividade de escolha dos melhores trabalhos por um coletivo de divulgadores científicos. A Semana Científica chega a sua 45a edição renovada, vibrante e com fôlego para manter sua trajetória ascendente.
Introduction: Multiple Sclerosis (MS) presents a variety of signs and symptoms, such as muscle weakness, fatigue, spasticity, interfering with quality of life. These symptoms cause some disabilities as the disease progresses. Objective: To identify the prevalence of disabilities in patients with multiple sclerosis of the relapsing-remitting type at the Neuroimmunology Outpatient Clinic of the Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), between the years 2016 and 2022. Methodology: Retrospective longitudinal epidemiological study, with a follow-up period it was 2 (Group A), 3 (Group B) and 4 to 6 (Group C) years, according to the period between the evaluation and reevaluation of physiotherapy. Data on fatigue, muscle strength, tone, functional mobility, independence and quality of life were analyzed. Descriptive statistics were performed with analysis of frequencies and central tendency and dispersion. Results: 35 patients were studied (A, n= 14; B, n=11; C, n= 10). The median EDSS (Expanded Disability Status Scale) at reassessment in the three groups was 2.5. The time to diagnosis ranged from 7.9±5.5 to 13.9±7.9 at reevaluation. There was a change in muscle tone and strength in all patients. Most patients reported a feeling of fatigue in both assessments. Functional mobility remained preserved in most cases, while there was an improvement in quality of life over time in all groups. Conclusion: This study made it possible to identify the presence of disabilities in patients with multiple sclerosis, showing that the most common changes were muscle weakness, feelings of fatigue and spasticity.
Introdução: A pandemia de COVID-19 trouxe instabilidade à cadeia de suprimentos à medida que as internações hospitalares aumentavam de forma exponencial. Dentre os recursos consumidos pelos pacientes, os medicamentos representam parte significativa deste custo. Objetivos: Descrever os custos acerca dos medicamentos utilizados durante a internação por COVID-19. Métodos: Estudo transversal retrospectivo com coleta de dados do prontuário de 356 pacientes hospitalizados com COVID-19 no período de 17 de março de 2020 a 15 de setembro de 2021 em hospital público, universitário e referência para casos graves de COVID-19 no RS. O custo dos medicamentos foi coletado em reais e convertido para dólar. Resultados: O custo mediano total do tratamento farmacológico foi de US$ 203.76 (IIQ 25-75% US$ 73.36 – US$ 1,245.53) e o custo/dia mediano foi de US$ 16.06 (IIQ 25-75% 8.13 - US$ 54.49) por paciente. Foi observado maior custo nos medicamentos em homens (p=0.003), doentes crônicos (p=0.023), que necessitaram de cuidados de terapia intensiva (p<0.001) e que foram a óbito (p<0.001). O medicamento de maior consumo e impacto financeiro foi o fentanil. Bloqueadores neuromusculares e antimicrobianos foram responsáveis por significativo impacto no custo total. Conclusão: A terapia medicamentosa apresentou impacto importante nos custos hospitalares. A alta heterogeneidade dos custos pode ser associada às diferenças nas características clínicas dos pacientes e gravidade da doença
Introduction: Cancellation of planned operations on the day of surgery causes psychological trauma for patients and their families. Cancellations have very severe undesirable effects and huge financial consequences for patients and hospitals. The people who suffer most are those of low income, who depend exclusively on the public health sector. This study aims to determine the prevalence of cancellation of elective surgical procedures and to investigate the reasons for cancellation of elective operations, which may increase the awareness of surgeons, theatre team and hospital administration to make possible solutions at Mankweng Hospital. Method: A cross sectional retrospective descriptive study conducted for cancellations of elective surgical operation from February 2022-November 2022. Result: Total of 2812 patients booked for elective surgery and 540 operations were cancelled from 5 major departments namely General surgery, Orthopaedics, Paediatric Surgery, Gynaecology, and Plastic surgery. Overall cancellation rate:19.2%. The top reasons for cancellation were prolonged operative time (31.3%), poor preparations (24.6%) and emergencies (22.8%). When correlating with number elective booking and cancelling with each department, the highest number of cancelation rate was found in paediatric surgery (27%) and lowest number of cancellations in Gynaecology (6,9%). Conclusion: Many cancellations of the operations could be avoided if proper planning of elective surgical booking were made. Surgeons should consider organizing efficient operating time while planning for elective schedule booking in the theatre. Preoperative assessment of the patient by the surgical team is vital before booking the theatre list. Provision of readily accessible emergency theatre in daytime is paramount important.