
This article aims to address the philosophical relevance of the Spiritual Bakery. In the second half of the 19th century, Fortaleza experienced its belle époque with the emergence of artistic and cultural movements inspired by the ideals of European modernity, such as the French Academy (1873) and the Literary Club (1886). The Spiritual Bakery emerged in 1892 as an “association of young men of letters and arts” in opposition to the bourgeois literary movements (30 years before the Semana de 22), with a modernizing ideal, the valorization of popular culture and national identity, but in a jocular and playful tone typical of the people of Ceará. The “Pão” (newspaper) of the Spiritual Bakery would be the “Panis philosophicus”, the motto for a popular, playful and non-academic philosophy from Ceará. The bakers of this irreverent association are the “bards of the rabble”, averse to intellectual coquetry and the prevailing xenophilia.
This article proposes a convergent conception of world through technique, based on the dialogue between Martin Heidegger and Gilbert Simondon. Instead of a dichotomous reading between art and technique, or nature and artificiality, we seek to understand technique as a possibility of disclosing being, articulated to the notion of world as image and horizon of meaning. With Heidegger, we investigate the dangers of Gestell and the transformation of the world into image; with Simondon, we contrast the idea of a mediating technique, coextensive to the associated milieu and to the processes of individuation. Finally, we propose a non-fatalist interpretation of modern technique, capable of integrating art, nature, and technique in a unified ontological movement of emergence, opening possibilities for new modes of relation and technical experience of the world.
Este texto é uma defesa e uma exposição do significado, características e funcionamento do perspectivismo, entendido como uma posição acerca da noção de verdade. Com base no axioma perspectivista – “Não há fatos, apenas interpretações” –, analisa-se as relações entre as verdades múltiplas e o relativismo, a objetividade, a lógica e a violência e as palavras e as coisas. Em seu ponto alto, o texto constitui uma aplicação do modelo clássico dos regimes de poder ao processo de produção das verdades. Em conclusão, o perspectivismo se delineia como uma arma bastante útil na luta contra o absolutismo, seja do poder, seja do saber.
O presente artigo analisa a concepção de método na filosofia de René Descartes, com o objetivo de investigar as relações entre as formulações presentes nas Regulae ad Directionem Ingenii e no Discurso do Método. Parte-se da hipótese de que, apesar das diferenças de exposição e do grau de sistematização entre essas obras, há uma unidade fundamental na doutrina metodológica cartesiana. A relevância do estudo reside na possibilidade de esclarecer o papel do método como eixo estruturante do projeto filosófico de Descartes, contribuindo para a compreensão de sua proposta de fundamentação da ciência moderna. O referencial teórico adotado baseia-se na leitura direta das obras de Descartes, sobretudo na edição de Œuvres de Descartes, articulada com a interpretação de comentadores clássicos como Martial Guéroult, Henri Gouhier e Lewis White Beck. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza teórico-analítica, centrada na análise conceitual das quatro regras do método expostas no Discurso, examinadas em correlação com passagens das Regulae. A investigação evidencia que os princípios de evidência, análise, ordem e enumeração, fundamentais no Discurso, já se encontram delineados nas Regulae, indicando uma continuidade estrutural entre as duas obras. Conclui-se que o método cartesiano apresenta uma coerência interna que ultrapassa as diferenças de forma e de contexto, configurando-se como um elemento central para a compreensão da unidade da filosofia de Descartes.