
O agronegócio enfrenta transformações profundas, como a crescente digitalização das operações e a migração de jovens para áreas urbanas, que ampliam a lacuna entre as exigências tecnológicas do mercado e a qualificação da mão de obra disponível. Essas transformações foram a motivação deste estudo, que teve como objetivo demonstrar como ocorre o processo de construção do perfil profissional para atuar no agronegócio. Para tanto, adotou‐se a Grounded Theory de Strauss e Corbin (2008). A análise seguiu etapas de codificação aberta, axial e seletiva, até alcançar a saturação teórica. Emergiram cinco categorias centrais: fatores externos, fatores motivacionais, desafios, planejamento de carreira e aprendizado contínuo. Os achados indicam que, além de conhecimentos técnicos, as relações sociais e a experiência prática são determinantes para o desenvolvimento profissional. Esse esquema teórico fornece subsídios para que instituições acadêmicas e profissionais do setor alinhem a formação às demandas reais do mercado.
Este artigo discute a necessidade de se buscar maior visibilidade política à agricultura familiar junto a poderes públicos, a partir de um projeto de pesquisa e extensão desenvolvido junto a populações residentes no meio rural de Queimados-RJ, região da Baixada Fluminense. Considera-se que, apesar da existência do Plano Diretor Municipal, o poder público não possuía até então informações mais consistentes sobre a realidade dos(as) moradores de suas áreas rurais, intensificando-se a invisibilidade política dos(as) agricultores. O projeto buscou romper com essa invisibilidade, sendo seu relatório final um instrumento de apoio para promoção de ações que contemplem as demandas de suas populações, por oferecer conhecimento mais aprofundado sobre condições socioeconômicas, produtivas, políticas e ambientais de várias localidades. Perspectivas teóricas sobre campesinato e sobre agricultura familiar são abordadas, ressaltando-se a relevância social dos(s) trabalhadores rurais.
No Brasil, estima-se a existência de mais de 2.900 comunidades remanescentes de quilombo distribuídas por todas as regiões. A invisibilidade social em relação às comunidades rurais, favorece para que o percentual de vulnerabilidade social seja mais grave. Isso está estritamente associado à situação da insegurança alimentar das famílias, sendo potencializado por questões relativas a gênero, raça, etnia e geração, concentrando os maiores índices de pessoas nessa condição em regiões com povos indígenas e comunidades remanescentes de quilombos. Este manuscrito tem o objetivo de discutir as definições de Povos e Comunidades Tradicionais e Comunidades Remanescentes de Quilombo, em seu contexto histórico e sua ressignificação na Constituição Federal, e as políticas públicas voltadas para as comunidades remanescentes de quilombo, no âmbito do Plano Brasil Sem Miséria. A construção deste trabalho se deu por meio de uma revisão narrativa de literatura. A partir da compreensão do contexto histórico e social das comunidades é possível compreender a necessidade de proposições de políticas públicas para melhoria da qualidade de vida destas populações que, historicamente, foram marginalizadas da sociedade. Desta forma, é importante destacar as políticas públicas que visam o desenvolvimento das comunidades remanescentes de quilombo, auxiliando na superação da pobreza, com inclusão social e produtiva e promoção da segurança alimentar e nutricional.
O estudo trata da importância da atividade leiteira na agricultura familiar, municípios com predominância rural, como Boa Ventura de São Roque no Estado do Paraná, têm a agricultura familiar como importante setor produtivo, já que neste município 72,21% dos estabelecimentos são familiares, nos quais é destaque a produção de leite. Neste aspecto questiona-se: qual o papel da atividade leiteira para estabelecimentos da agricultura familiar no município de Boa Ventura de São Roque/PR? O objetivo da pesquisa é analisar a importância da atividade leiteira para um grupo de agricultores familiares de Boa Ventura de São Roque/PR integrantes do projeto denominado “leite competitivo”. Metodologicamente a pesquisa é exploratória e descritiva, com natureza qualitativa, se figura como um estudo de caso sobre 18 agricultores familiares do projeto “leite competitivo”. Os resultados indicam que a atividade leiteira é a principal fonte de receitas, gerando 64,4% do produto bruto dos estabelecimentos, o leite permite maior renda agrícola já que a parcela do produto bruto que fica com os agricultores é de 57,61%, percentual superior aos 47,53% quando se considera as demais atividades. A atividade ainda desconcentra a renda, já que os 50% dos produtores mais ricos concentram 64,38% da renda agrícola, montante inferior aos 66,67% concentrados quando se avalia o conjunto de atividades dos estabelecimentos.
O presente texto aborda a relevância para a segurança alimentar e nutricional (SAN) dos alimentos produzidos para autoconsumo por agricultores e que são transferidos regularmente para os familiares que residem fora da propriedade rural. Os dados resultam de pesquisa quantitativa realizada em 112 municípios do oeste de Santa Catarina, obtidos pela aplicação de questionário junto a 381 famílias de agricultores. Do ponto de vista analítico adotou-se a noção de famílias multilocalizadas, ainda pouco difundida no Brasil. Inicialmente o texto faz uma breve caracterização da região em questão e das famílias dos agricultores entrevistadas, discute a produção para o autoconsumo e a sua relação com a SAN, apresenta e analisa os dados sobre a produção para o autoconsumo e os valores monetários por grupo de alimentos que os agricultores estimam transferir para os familiares que residem nas cidades da região pesquisada. Conclui-se que a produção para autoconsumo desempenha um papel importante do ponto de vista socioeconômico e que a transferência de tais alimentos dos estabelecimentos rurais para familiares que moram e trabalham nas cidades da região contribui significativamente para a segurança alimentar e nutricional das mesmas.
O objetivo desse artigo é analisar as práticas e abordagens do Pluralismo institucional aplicadas nas ações extensionistas voltadas para o desenvolvimento da vitivinicultura no município de Curitibanos, localizado no território do Planalto Catarinense. A viticultura é uma atividade em expansão na região, impulsionada por políticas públicas municipais e pela inclusão do território na Indicação Geográfica (IG) para os vinhos finos de altitude de Santa Catarina. A presença do Centro de Ciências Rurais (CCR) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) no município de Curitibanos, por meio do Núcleo de Estudos da Uva e do Vinho (NEUVIN) em parceria com outras instituições, tem contribuído para o desenvolvimento da vitivinicultura por meio de atividades de pesquisa e extensão. Em termos metodológicos, o artigo apresenta uma reflexão teórico-metodológica acerca das ações extensionistas realizadas e suas aderências à abordagem do pluralismo institucional. Como resultados, as ações extensionistas conduzidas sob a abordagem do pluralismo institucional e ancoradas na interdisciplinaridade, têm contribuído para os processos de inovação social em termos de produtos e processos e, por conseguinte, colaborado para o desenvolvimento do território do Planalto Catarinense. Com isso, infere-se que tanto a interdisciplinaridade quanto a abordagem do pluralismo institucional são fundamentais para a sustentação do papel esperado para o extensionismo na atualidade.
Objetivou-se examinar as relações das Farmácias Vivas (FV) de Fortaleza com a Economia Solidária (ES). A investigação parte do contexto geral (da planta medicinal à Política Pública de Plantas Medicinais e Fitoterápicos - PPMFCE) para o particular (FV), em que os conceitos e categorias de estudo emergem dessa aproximação sucessiva, tendo como critérios de análise as abordagens pedagógicas da PPMFCE e os atributos da ES. A trajetória da planta medicinal à PPMFCE sugere o reconhecimento das plantas medicinais e seus agentes sociais na atenção básica em saúde, em especial dos menos favorecidos e, simultaneamente, uma adesão à lógica capitalista demandada por empresas de fármacos e agrícolas. A Política incorporando uma abertura a um diálogo entre visões econômicas divergentes. O modo como essa interfase se expressa depreende-se de sua estrutura operativa e organizacional, a qual aponta a especialização produtiva, a difusão de tecnologia e a cadeia de produção como enfoques pedagógicos, os quais favorecem o desenvolvimento econômico pela troca capitalista. Simultaneamente, o estado utiliza mecanismos de fomento às FVs e de redistribuição do fitoterápico pelo Sistema Único de Saúde (SUS) que, combinados com as inovações das FVs, oportunizam relações de solidariedade. Tais inovações implicam na retroalimentação de conhecimentos e modos de vida históricos e se expressam numa visão ampliada de FV, onde a diversidade biológica e de produtos, de objetivos e de função social estão no cerne de suas práticas
Desde o ingresso nos primeiros anos do século 21 vem se consolidando uma transição para uma economia de baixo carbono, baseada no uso de fontes renováveis de energia, destacando-se, no extremo sul do Brasil, o cenário da implantação do Complexo Eólico Campos Neutrais. O presente artigo tem por objetivo analisar como se deu a atuação do Estado, através dos seus agentes, quando da implantação do Complexo Eólico Campos Neutrais. Uma análise dessa atuação desvendou que apesar de o Estado ter dado incentivos aos proprietários para a realização dos contratos com as empresas e ter tido uma participação importante durante a implantação do Complexo Eólico Campos Neutrais, isso não foi suficiente para gerar mudanças efetivas por parte dos administrados no que tange às questões socioambientais.
Apesar dos esforços do Governo de Moçambique na melhoria da produtividade agrária, o nível de aplicação de tecnologias melhoradas pelos produtores é muito baixa e são escassos os estudos que avaliam os fatores que influenciam a fraca utilização das tecnologias. Com base nos dados do Inquérito Agrário Integrado (IAI2020), foi usada a regressão logística binária para avaliar os fatores que determinam a aplicação dos conhecimentos transmitidos pelos serviços de extensão rural. Os principais resultados mostram que os produtores que têm acesso aos serviços de extensão rural aplicam as tecnologias melhoradas. Igualmente, o estudo mostra que os fatores socioeconômicos, institucionais e fatores ligados à área de produção estão associados à aplicação dos conhecimentos transmitidos pela extensão rural, nomeadamente: sexo, idade, escolaridade, formação em agropecuária, realização de trabalho remunerado e/ou trabalho por conta própria, associativismo, acesso ao crédito e tamanho da área de produção agrária.
No século XXI, os podcasts emergiram como um eficiente meio de comunicação com a população rural, impulsionados pelo aumento da utilização de dispositivos móveis e pela expansão da conectividade à internet nas áreas rurais. Este estudo envolveu a criação e análise de podcasts em plataformas como Spotify e Anchor/Spotify for Podcasters, com o objetivo de adaptar o conteúdo às necessidades dos agricultores. A análise dos episódios selecionados demonstrou que os podcasts desempenham um papel fundamental na disseminação de informações relevantes para os produtores rurais. No contexto do Spotify, temas recorrentes incluíram o controle biológico de pragas, a gestão de resíduos rurais e os créditos de carbono. Essas descobertas indicam que os podcasts no Spotify têm um considerável potencial para fortalecer a comunicação nas áreas rurais, facilitando a partilha de conhecimentos e práticas por meio de plataformas digitais. Portanto, é essencial investir em estratégias de comunicação direcionadas aos agricultores, com canais como o Spotify apoiados por assistência técnica, a fim de promover a troca de informações e o acesso a conteúdo relevante.
La búsqueda de nuevos enfoques para la extensión y desarrollo rural ha sido una constante en América Latina desde mediados del siglo XX. En los paradigmas más recientes, destaca la prominencia del denominado enfoque territorial. El propósito de este artículo es identificar los conceptos y estrategias recurrentes en las experiencias de extensión rural desarrolladas en Argentina entre 2000 y 2018. La metodología se basó principalmente en el análisis del contenido de investigaciones, experiencias y ensayos presentados en once Jornadas Nacionales de Extensión Rural durante dicho período. En relación con los resultados, se identificaron las principales estrategias de intervención y los marcos conceptuales más frecuentes. Ejemplos de estos cambios que caracterizaron la perspectiva y las estrategias de los extensionistas incluyen la noción de innovación como construcción social, la importancia de la agricultura familiar y la adopción del enfoque agroecológico.
Este ensaio problematiza a temática da pobreza experimentando levar a sério as vozes de mulheres negras assentadas, reconhecendo-as como teorias locais. O desafio foi o de juntar pistas sobre os modos como as noções de pobreza eclodem no cotidiano de mulheres que vivem em territórios associados a uma pobreza invariavelmente decodificada como destituição. Por meio de entrevistas em profundidade, sete mulheres que vivenciam a experiência da luta pela terra junto ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no assentamento Filhos de Sepé, no sul do Brasil, narram suas noções de pobreza, miséria, riqueza e vida digna. Revisitando suas memórias, as mulheres tramam teorias ancoradas em lutas cotidianas que ressoam uma ética comunitária de sustentação da vida que se deseja. Conectadas com a terra e ao bom gosto de viver, suas reflexões indicam a importância de um investimento epistêmico sobre os conceitos de pobrezas e misérias, bem como suas abissais diferenças.
Atualmente o Brasil é o maior produtor, consumidor e exportador da acerola no mundo, fruta que se destaca pelos seus altos teores de vitamina C. Estudos evidenciam que 78% de toda produção da fruta no país é originária da região nordeste do Brasil e indicam que grande parte dos pomares estão localizados em propriedades familiares, as quais, muitas vezes, devido a diversos fatores, possuem baixa produtividade e altos índices de perdas na produção. Desse modo, existem preocupações sobre o cultivo da acerola em propriedades familiares, as quais, diversas vezes, não realizam a adoção de técnicas de gestão e planejamento necessárias para garantir a viabilidade econômica do empreendimento. Sendo assim, o objetivo deste trabalho foi analisar a viabilidade econômica do sistema produtivo da acerola em propriedade familiar no estado de Sergipe. Para tanto, foi realizada em fevereiro de 2022, no município de São Domingos/SE, uma pesquisa do tipo estudo de caso, de abordagem quanti-qualitativa, com coleta de dados realizada por meio da aplicação de questionário semiestruturado. Os dados foram submetidos à análise de componentes de custo de produção. Os principais custos de produção identificados foram aqueles relacionados com mão de obra e a compra de matéria orgânica e fertilizantes, representando 58,78% e 18,43% do Custo total, respectivamente. Foi possível concluir que o cultivo da acerola apresentou viabilidade econômica no período avaliado, proporcionando uma lucratividade de 9,44%.
Este artigo tem como objetivo compreender o papel da cooperação e da solidariedade no processo formativo desenvolvido pela Escola Família Agrícola da Região Sul (EFASUL), junto às/aos jovens do campo do Território Zona Sul do Rio Grande do Sul (RS). A metodologia empregada é qualitativa, com características de um estudo de caso e as técnicas utilizadas foram: pesquisa bibliográfica, pesquisa documental e observação participante. A EFASUL é uma escola comunitária, pautada pelos princípios da Agroecologia, da Educação do Campo e da Pedagogia da Alternância. Os temas da cooperação e da solidariedade perpassam todo o fazer pedagógico da EFASUL, contemplando diversos momentos, tais como: as práticas desenvolvidas na área agrícola experimental, os mutirões realizados em propriedades parceiras, os coletivos de trabalho para manutenção e higienização dos ambientes, a construção coletiva de acordos, a convivência das/os educandas/os durante o período em que estão na escola, a realização de rodas e assembleias para as tomadas de decisões, o desenvolvimento do componente curricular “Economia Solidária e Cooperação Agrícola” e o incentivo às/aos educandas/os para a realização de seus estágios profissionais em espaços de trabalho coletivo. Concluímos que, a cooperação e a solidariedade são eixos estratégicos para um processo formativo realmente diferenciado que possibilite a construção de alternativas para permanência das/os jovens no campo.
Na cadeia produtiva de alimentos são adotados distintos modelos de comunicação do conhecimento, acerca de inovações agrícolas. Esses modelos de comunicação variam desde modelos unidirecionais de disseminação de conhecimento, a modelos bidirecionais que buscam promover o engajamento e a participação pública. Nesse processo de tradução e compartilhamento de conhecimento, os modelos bidirecionais têm se mostrado mais eficientes em relação aos unidirecionais, pois promovem o diálogo e a aproximação entre distintos sistemas de conhecimento. Isso significa que a escolha do modelo de comunicação adotado por técnicos e pesquisadores, pode influenciar na tomada de decisão pelos agricultores, na adoção de práticas agrícolas. Visando identificar oportunidades para promover transições para sistemas agrícolas mais sustentáveis, investigamos os modelos de comunicação mediados pelos diferentes atores sociais e as práticas agrícolas sustentáveis adotadas pelos cafeicultores(as) no Arranjo Produtivo Local (APL) do café na Chapada Diamantina-Ba. O protagonismo dos(as) cafeicultores(as) à frente das iniciativas e experiências na adoção de práticas agrícolas sustentáveis, somado às parcerias entre instituições de ensino, organizações sociais e redes de articulação comunitária têm facilitado a aprendizagem social e o diálogo entre os sistemas de conhecimento tradicional, empírico e acadêmico.
A pesca, em especial a artesanal, se constitui em uma das atividades econômicas mais importantes dos municípios do litoral amazônico brasileiro, visto que gera postos de trabalho e renda para uma parcela significativa da população local. O objetivo deste estudo foi evidenciar aspectos tecnológicos desta atividade e socioeconômicos dos pescadores artesanais nos municípios de Bragança e Augusto Corrêa, estado do Pará. Os dados foram provenientes de 1.145 entrevistas com esses atores sociais entre os anos de 2015 e 2016, com a análise de dados ocorrendo por meio de estatística descritiva. Constatou-se que 71% dos pescadores atuava na captura de peixes, adotando a rede de emalhar, o espinhel e o curral de pesca como apetrechos, enquanto 29% praticava a pesca de crustáceos, com puçá de arrasto, muruada, braceamento e gancho. A idade média era de 39 anos, a escolaridade predominante era o Ensino fundamental incompleto e a maioria contava com residência própria. A baixa renda, a organização social pouco atuante no sentido de prover alternativas de capitalização aos pescadores e a forte dependência aos intermediários eram os principais desafios a serem superados, o que perpassa obrigatoriamente pela atuação eficiente de órgãos de fomento, assistência técnica e extensão rural e agentes financeiros.
O estudo tem por objetivo de comparar o resultado econômico-financeiro das culturas de tabaco, trigo e soja desenvolvidas em uma propriedade rural do município de Rio Dos Índios, Rio Grande do Sul. Quanto à metodologia utilizada, trata-se de uma pesquisa descritiva, realizada por meio de estudo de caso e análise de abordagem qualitativa. A partir das visitas realizadas, identificou-se o patrimônio e os custos inerentes à cultura da soja, trigo e tabaco. Elaborou-se a partir do levantamento patrimonial e dos custos a demonstração de resultado exercício, referente a dois períodos: safra 2019/2020 e 2020/2021. Posteriormente, realizou-se a análise dos investimentos, por meio do playback, taxa interna de retorno e valor presente líquido. Os resultados indicam na safra 2019/2020, que a cultura do tabaco apresentou margem líquida de 55,44%, o trigo 31,50% e a soja de 50,44%. Na safra 2020/2021, a cultura do trigo apresentou margem de 56,52%, o tabaco de 16,31% e a soja de 53,04%. Com relação ao tempo de retorno dos investimentos, a soja apresentou payback de 1,65 anos, o trigo de 5,65 anos e o tabaco 16,88 anos, e embora as 3 culturas demonstrem a viabilidade econômico-financeira, o retorno dos investimentos é menor na produção de soja e trigo. De modo geral, os resultados indicam, a importância da contabilidade como suporte para controle e gestão dos custos no meio rural, permitindo a identificação dos resultados por atividade desenvolvida e a análise dos investimentos realizados.
O objetivo deste trabalho é discutir a correlação entre os tipos de solos e os sistemas de produção em assentamentos rurais, tendo como campo de referência o Núcleo de Assentamentos no município de Sant’Ana do Livramento. Destaca-se neste trabalho que tipo de solo não é um critério para a distribuição dos lotes nos assentamentos de reforma agrária do Brasil e que áreas sob solos distróficos podem interferir negativamente no desenvolvimento dos cultivos. Através do banco de dados do SIGRA 2016, foram obtidas informações produtivas dos assentamentos que compõem o Núcleo Operacional Sant’ana do Livramento, bem como as coordenadas geográficas dos assentamentos, para elaborar os mapas de localização e dos tipos de solos. Os dados produtivos e número de famílias de três assentamentos selecionados foram atualizados em 2022. A distinção dos solos em assentamentos rurais, predizer seus comportamentos e limitações é uma importante ferramenta para definir o potencial agrícola das áreas. Independentemente do tipo de solo, os assentamentos apresentaram diversidade no sistema produtivo, porém aspectos negativos ligados ao tipo de solo como exigências em corretivos e adubos pode ser uma inferência para o declínio na produção. Os tipos de solos podem determinar ou limitar os sistemas de produção, definir as áreas dos assentamentos levando em consideração o solo pode ampliar o potencial produtivo das famílias assentadas.
O objetivo deste trabalho é discutir a correlação entre os tipos de solos e os sistemas de produção em assentamentos rurais, tendo como campo de referência o Núcleo de Assentamentos no município de Sant’Ana do Livramento. Destaca-se neste trabalho que tipo de solo não é um critério para a distribuição dos lotes nos assentamentos de reforma agrária do Brasil e que áreas sob solos distróficos podem interferir negativamente no desenvolvimento dos cultivos. Através do banco de dados do SIGRA 2016, foram obtidas informações produtivas dos assentamentos que compõem o Núcleo Operacional Sant’ana do Livramento, bem como as coordenadas geográficas dos assentamentos, para elaborar os mapas de localização e dos tipos de solos. Os dados produtivos e número de famílias de três assentamentos selecionados foram atualizados em 2022. A distinção dos solos em assentamentos rurais, predizer seus comportamentos e limitações é uma importante ferramenta para definir o potencial agrícola das áreas. Independente do tipo de solo, os assentamentos apresentaram diversidade no sistema produtivo, porém aspectos negativos ligados ao tipo de solo como exigências em corretivos e adubos pode ser uma inferência para o declínio na produção. Os tipos de solos podem determinar ou limitar os sistemas de produção, definir as áreas dos assentamentos levando em consideração o solo pode ampliar o potencial produtivo das famílias assentadas.