
A pesquisa teve como objetivo caracterizar a implementação das Políticas Públicas de Educação Especial no âmbito da Educação Inclusiva e analisar sua interface com a Educação do Campo em uma escola pública estadual localizada no contexto amazônico do nordeste paraense. Buscou-se compreender a realidade da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Patalino, no município de Bragança (PA), enfatizando as mudanças ocorridas nos últimos anos e discutindo possibilidades para a inclusão de estudantes do Ensino Fundamental com deficiência a partir de uma perspectiva anticapacitista. O estudo foi desenvolvido por meio da análise documental das matrículas, de entrevistas semiestruturadas com estagiárias do Apoio Escolar que atuam com o público-alvo da Educação Especial e da aplicação de um questionário de caracterização dos sujeitos envolvidos. Consideraram-se, ainda, as legislações e diretrizes que orientam práticas inclusivas nos espaços educativos e que contribuem para o enfrentamento do capacitismo nas escolas do campo. Os resultados indicam a ausência de formação específica das estagiárias para atuar com estudantes com deficiência, a sobrecarga de responsabilidades atribuídas a essas profissionais em formação e a precariedade da estrutura física da escola, que compromete a mobilidade de estudantes cadeirantes e evidencia a inexistência de sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE). Conclui-se destacando a necessidade de fortalecimento das políticas públicas e da luta pelos direitos das pessoas com deficiência, garantindo-lhes acesso e permanência em escolas de suas próprias comunidades rurais em condições dignas e inclusivas.
O objetivo deste artigo é apresentar um recorte de uma pesquisa doutoral que investigou uma das instituições de Educação Profissional no Brasil que adotam a Pedagogia da Alternância com o público da Educação de Jovens e Adultos, o Instituto Federal do Pará, Campus Castanhal. A pesquisa buscou compreender como os professores narram sua experiência com a Pedagogia da Alternância, evidenciando saberes, desafios e sentidos formativos que emergem de suas trajetórias. Fundamentam o estudo, autores como Silva (2018), Gimonet (1998), Shulman (2014), Mizukami (2010), D’Ávila (2022) e Freire (1996). Metodologicamente, adotou-se a Entrevista Narrativa (Jovchelovitch; Bauer, 2008) e, como estratégia analítica, a Análise Textual Discursiva, em suas três etapas: unitarização, categorização e produção de metatexto. Os resultados evidenciam que os saberes experienciais constituem o núcleo da aprendizagem docente no PROEJA, articulando-se em três dimensões: a integração entre saberes disciplinares e pedagógicos ao contexto da Alternância, a sensibilidade às histórias, contextos e linguagens dos estudantes e o trabalho coletivo entre os pares. Os relatos docentes destacaram a necessidade de transformar os conteúdos a partir das realidades dos alunos do campo, compreender a Alternância como prática formativa que une teoria e vida e reconhecer o caráter inacabado da docência. Também foram evidenciados desafios estruturais e organizacionais, reforçando a importância de formação continuada colaborativa. Como desdobramento, elaborou-se o Círculo de Saberes-Formação sobre EJA-EPT na Perspectiva da Pedagogia da Alternância, ação formativa que fortalece processos coletivos e emancipatórios de formação docente na Rede Federal.
Este artigo tem como objetivo geral analisar em que medida a escola investigada constitui-se como espaço de empoderamento ou de invisibilidade para estudantes quilombolas da Comunidade Olhos D’Água do Badu. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, fundamentada na análise de conteúdo de Bardin. Foram utilizados questionários e grupos focais com oito estudantes quilombolas do 2º e 3º ano do ensino médio, além de entrevistas com três professoras da instituição. Os resultados revelaram que os/as estudantes não se sentem representados/as nos conteúdos escolares, identificando uma ausência de práticas pedagógicas que valorizem a cultura quilombola. Essa invisibilidade impacta negativamente sua autoestima e senso de pertencimento. Por outro lado, as professoras reconhecem a importância da valorização da identidade quilombola, mas apontam dificuldades de formação para implementar metodologias inclusivas. Conclui-se que, embora haja esforços pontuais, a escola ainda carece de ações estruturais que fortaleçam identidades quilombolas. O estudo reforça a necessidade de um currículo intercultural, de práticas pedagógicas participativas e de capacitação docente voltada à diversidade. Somente assim a escola poderá se consolidar como espaço de resistência, empoderamento e emancipação social.
O estudo tem por objetivo analisar como o conceito de Projeto de Vida tem sido abordado na produção científica brasileira, especialmente no contexto da reforma do Ensino Médio, destacando sua relação com a condição humana e a formação integral dos sujeitos. Fundamentado na psicologia histórico-cultural, considera a existência humana como processo inacabado, no qual a educação desempenha papel central como fenômeno mediado por interações sociais e culturais. A pesquisa adota o Estado da Questão para analisar artigos publicados entre 2014 e 2024 na base de dados do Portal de Periódicos da CAPES, identificando abordagens teóricas e metodológicas, bem como reflexões sobre as relações entre Projeto de Vida e o campo educacional. Esses dados são articulados às principais concepções de ser humano elaboradas ao longo da história do pensamento ocidental. Os resultados apontam para a diversidade de enfoques e ausência de consenso conceitual, além de indicarem a importância do tema para a saúde mental dos estudantes e a construção de sentido frente às demandas sociais. Destaca-se também que o estudante deve ser reconhecido em sua capacidade de recusar conscientemente sentidos impostos, afirmando sua autonomia na construção do próprio projeto de vida. A relevância do estudo está em contribuir para o debate sobre a educação como espaço de humanização, reforçando a necessidade de práticas pedagógicas que valorizem o desenvolvimento subjetivo e crítico dos jovens, evitando abordagens reducionistas ou instrumentais do conceito. Além disso, considera as transformações do mundo contemporâneas como pano de fundo para a emergência e centralidade do tema na educação.
Este artigo apresenta os principais percursos de uma pesquisa qualitativa do fenômeno designado fake news e de seus impactos na sociedade contemporânea, tema que, considerando como a cultura digital se infiltra em nossa sociedade e dissemina informações com velocidade considerável, apresenta grande relevância. Seu objetivo principal é refletir sobre os desdobramentos de um ciclo de palestras voltadas ao enfrentamento às fake news em espaços informais de educação, verificando, assim, como os sujeitos participantes podem tornar-se mais questionadores; mais atentos às informações recebidas e à verificação de suas fontes; e mais conscienciosos às suas futuras replicações. Ressaltamos que o ciclo de palestras intitulado “O combate às fake news”, que foi realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME/RJ), ocorreu em três Naves do Conhecimento, iniciativas do município que oferecem à população contato com o universo digital. De natureza qualitativa, a pesquisa adotou, como instrumento de coleta de dados, o método entrevista presencial semiestrutura, método que foi aplicado aos participantes do ciclo de palestras com o intuito de aferir conhecimentos adquiridos a respeito das fake news. Os resultados obtidos apontam a efetividade do ciclo de palestras e permitem identificar lacunas e desafios impostos ao palestrante e aos pesquisadores.
O objetivo deste artigo é descrever as práticas educativas desenvolvidas por mulheres Tupinambá no Maranhão entre 1612-1614. São indígenas que estiveram em contato com os padres Yves d’Evréux e Claude d’Abbeville. Além disso, busca-se fazer uma análise comparativa com o relato de Hans Staden. É uma pesquisa documental onde as análises foram feitas a partir dos próprios viajantes, Yves d’Évreux (2009) e Claude d’Abbeville (2002), além de autores, como Florestan Fernandes (1963), Verônica Mendes (2021) e Marcia Kambeba (2020). As pesquisas apontaram para uma divisão do trabalho, onde as mulheres desenvolviam atividades especificas desde seu nascimento até a velhice. Observa-se que as meninas iniciavam sua vida nas brincadeiras, já direcionadas para aprenderem as atividades quando mais velhas. As mulheres eram importantes alicerces para o funcionamento da comunidade indígena. Os saberes da gastronomia, função essencialmente das mulheres, era parte chave dos processos educativos tupinambá. Suas atividades estavam relacionadas ao preparo dos alimentos e bebidas, as plantações e colheita, preparo de utensílios para cozimento, como é o caso das panelas de barro, preparo para as atividades ritualísticas, cuidavam dos prisioneiros, cuidavam das crianças e marido.
O objetivo deste estudo é investigar os impactos da pandemia de Covid-19 nos aspectos acadêmicos e psicológicos de estudantes negras (autodeclaração de pretas e pardas) no Brasil. A abordagem foi quantiqualitativa com a aplicação de um questionário a 1.528 participantes, sendo 1.152 mulheres pardas e 376 pretas, de todas as regiões do Brasil, durante o período de isolamento social. Os resultados revelam que o acesso à pós-graduação está fortemente relacionado a fatores socioeconômicos, evidenciando desigualdades no sistema educacional, especialmente em relação à população negra, que enfrenta barreiras históricas. Além disso, identificamos altos índices de ansiedade e depressão, principalmente entre mulheres jovens, que relataram desmotivação, falta de concentração e dificuldades em conciliar as atividades acadêmicas com a vida pessoal. Essas estudantes enfrentaram desafios no cumprimento de prazos e na produtividade e demonstraram resiliência diante de um futuro incerto. Embora estejam em um nível avançado de ensino, a maioria das participantes não buscou apoio de profissionais especializados e não recebeu o suporte necessário das instituições de ensino. É crucial que os cursos de pós-graduação brasileiros reconheçam a crise de saúde mental e implementem medidas de apoio no período pós-pandêmico, como espaços de acolhimento e ações para promover a equidade. Este estudo enfatiza a necessidade urgente de políticas afirmativas robustas para garantir uma trajetória acadêmica saudável e plena para todas as estudantes negras brasileiras.
Este estudo qualitativo interpretativo examina as perspectivas, o conhecimento e as experiências de professores rurais da Região de Maule, no Chile, em relação à educação ambiental, agroecologia e transformação territorial. Por meio de entrevistas semiestruturadas e grupos focais com 12 professores, identificou-se uma mudança paradigmática, passando de abordagens antropocêntricas tradicionais para perspectivas ecocêntricas e biocêntricas que integram o conhecimento ancestral camponês e práticas pedagógicas territorialmente enraizadas. Os resultados revelam que os professores rurais constituem agentes críticos de transformação, articulando experiências vividas relacionadas a problemas ambientais específicos (escassez de água, gestão de resíduos, perda de biodiversidade) com propostas pedagógicas inovadoras centradas em metodologias participativas, aprendizagem situada e restauração ecológica. Destaca-se a importância do senso de pertencimento territorial, da identidade comunitária e da resiliência como dimensões essenciais da educação rural sustentável. A análise também revela uma forte crítica ao currículo nacional por sua desconexão com as realidades rurais e a necessidade urgente de flexibilidade curricular, formação continuada de professores em educação ambiental e agroecologia, e o fortalecimento de redes interinstitucionais para consolidar projetos educacionais territoriais de longo prazo que influenciem políticas públicas inclusivas. Este estudo contribui para o debate latino-americano sobre educação rural a partir de perspectivas decoloniais e socioambientais.
Este artigo é recorte de uma pesquisa de mestrado, e tem como objetivo analisar as práticas socioculturais no cultivo do cacau e o uso da Matemática, na obra Cacau de Jorge Amado, e explicitar a possibilidade de articular a literatura com a Matemática, com base na dimensão política e histórica da Etnomatemática. Para obtenção de informações foi realizada a leitura na íntegra do livro. Os trechos extraídos foram analisados por meio da Análise Textual Discursiva. Observou-se no livro que na narração e falas dos personagens, sob o olhar da Etnomatemática, há uso da Matemática pelos trabalhadores das roças de cacau; conhecimento e características da cultura cacaueira, assim como denúncias socais. Diante dos resultados obtidos considera-se que a obra Cacau constitui-se uma possibilidade pedagógica sob a perspectiva inter e transdisciplinar. Nessa direção, com a literatura regional é possível promover o reconhecimento da cultura local ao descrever características históricas e socioculturais.
Em contextos de ensino médio público, ainda são limitadas as investigações que analisam os efeitos da aprendizagem colaborativa no ensino de conteúdos matemáticos estruturantes, como a Análise Combinatória, especialmente sob a perspectiva da equidade. Este artigo tem como objetivo analisar de que modo estratégias de organização do trabalho coletivo, associadas à escuta da professora e à construção conjunta de soluções, podem favorecer o raciocínio combinatório, reconfigurar formas de participação em sala de aula e ampliar o envolvimento dos estudantes com a aprendizagem matemática. A investigação foi realizada em uma escola estadual do interior paulista, com duas turmas da 2ª série do Ensino Médio, por meio de um relato de experiência ancorado em abordagem qualitativa. Os dados, registrados em diário de campo, foram analisados com base na Análise de Conteúdo. Os resultados indicam que a definição intencional de papéis nos grupos contribuiu para ampliar a participação discente, enquanto a mediação sensível da professora promoveu ajustes pedagógicos atentos às interações da turma. A pesquisa destaca o potencial das práticas colaborativas para integrar conhecimento, escuta e equidade no cotidiano escolar.
Partindo da reflexão didática sobre o ensino dos Fundamentos Sociológicos da Educação (FSEs), o artigo, com embasamento teórico-prático, propõe uma pedagogização da sociologia da educação, problematizando as razões, as finalidades e os conteúdos da disciplina. Para tanto, inicia com os pressupostos epistemológicos da pedagogia como a ciência da educação, e da práxis pedagógica, como finalidade da formação docente, sendo a didática sua disciplina-eixo. Na segunda parte, procura-se responder às problematizações propostas, tratando das razões, finalidades, sujeitos, conteúdos e métodos da disciplina, no contexto contemporâneo, isto é, para além das abordagens dos clássicos da sociologia, enquanto no terceiro momento, sugerimos elementos para sua sequência didática. À guisa de conclusão, enfatizamos as possibilidades de um ensino de FSEs que proporcione uma pedagogização da sociologia da educação.
O presente artigo apresenta o movimento histórico da implantação das Escolas Famílias Agrícolas (EFAs), a partir de seus primeiros passos na França até os dias atuais no Brasil, bem como sua contribuição para a valorização da formação integral dos camponeses do Semiárido Brasileiro (SAB) e os desafios fundantes para sua continuidade e funcionamento/financiamento. Está ancorado na pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa, tendo em vista que foram realizadas consultas as obras de Garcia Marirrodriga e Puig-Calvó (2010), Chapoulie e Briand (1994), Nosella (2012), Vasconcelos (2004), Varela e Alvarez-Uria (1992) e Popkewitz (1997) entre outros. Aborda as bases epistêmicas da proposta pedagógica da Pedagogia da Alternância (PA), destaca as implicações referentes a implementação da BNCC nas EFAs, assim como os impactos da intervenção do estado na matriz curricular da Escola Família Agrícola Serra da Capivara - PI e seus efeitos sobre o ensino aprendizagem. Advoga por uma educação holística de formação integral que considera as especificidades dos sujeitos e dos saberes locais objetivando construir uma educação contextualizada que rompe com padrões hegemônicos de natureza universalista.
Este estudo trata de um artigo analítico a respeito do letramento digital docente para a interação com a inteligência artificial (IA) generativa de texto nas práticas pedagógicas. Considera-se que, na delimitação deste tema, o desafio do professor da educação profissional e tecnológica (EPT) é o de fazer uso de diferentes abordagens e metodologias para o desenvolvimento e execução de seus planos de aula. Tem-se como objetivos, neste estudo, trazer as contribuições recentes de Chomsky sobre a IA generativa; discutir argumentos teóricos sobre tecnologias e linguagens; e, refletir sobre o letramento digital docente, à luz dos estudos da linguagem. No ensejo da similitude lexical entre os verbetes “Gerativista” e “Generativa”, apresenta-se uma revisão teórica sobre a intersecção entre ‘humanidade e tecnologia’ em decorrência da aquisição da linguagem pela mente humana e do aprendizado de máquina (machine learning) da inteligência artificial generativa. Trata-se de uma pesquisa exploratória, de abordagem qualitativa, por meio da qual foi empregado o método de pesquisa de análise temática sobre o assunto. A discussão sinaliza os limites da IA nomeados tecnicamente como ‘alucinações’ e aponta para o letramento digital e o pensamento crítico docente como alternativas para se discutir a interação com a inteligência artificial generativa para a produção textual.
El presente artículo forma parte del proyecto de investigación “Discursos y prácticas en torno a la interculturalidad: la experiencia de los actores educativos”, desarrollado en la Universidad Nacional de Educación (Ecuador) con la colaboración de la Universidad Autónoma de Bucaramanga (Colombia). Su propósito es analizar las percepciones y representaciones de los docentes indígenas sobre la interculturalidad, considerando su comprensión conceptual, el conocimiento de las normativas vigentes, así como los alcances, limitaciones y desafíos de las políticas institucionales orientadas a promover una sociedad intercultural en escenarios de educación bilingüe. A partir de un enfoque cualitativo y mediante el análisis documental y de entrevistas en profundidad, se examinan las tensiones entre la interculturalidad planteado desde el Estado como política de inclusión, y la interculturalidad crítica defendida desde los pueblos indígenas como proyecto político, epistémico de descolonización. Los resultados muestran que la educación intercultural bilingüe constituye un espacio de resistencia frente a la colonialidad del saber y que las voces de los docentes indígenas reconfiguran el sentido de la interculturalidad desde la práctica cotidiana. Se concluye que la interculturalidad debe asumirse como un proceso ético-político orientado a la justicia cognitiva y al Sumak Kawsay o Buen Vivir, más allá de los marcos normativos, los enfoques teóricos de las lógicas del multiculturalismo.
Este artigo analisa a condição juvenil em contexto periférico urbano, com foco nas percepções de jovens da Grande Santa Maria da Codipi, em Teresina-PI, acerca do significado de ser jovem e de suas experiências relacionadas ao acesso ao trabalho. Parte-se do pressuposto de que a juventude é uma construção social, atravessada por marcadores como classe, raça, gênero e território. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório, baseada em observação de campo e na escuta das narrativas juvenis, articuladas à análise teórica. O referencial fundamenta-se em Pais (2016), Dayrell (2003; 2007) e Margulis (2001). Os resultados indicam que a juventude é percebida como um período de possibilidades e responsabilidades, no qual o trabalho ocupa lugar central. Evidencia-se a inserção precoce no mundo do trabalho e a influência do território na configuração dessas experiências. Conclui-se que a condição juvenil deve ser compreendida em sua pluralidade e em suas determinações sociais.
O presente artigo analisa a performance profissional e a construção da identidade do pedagogo docente no ensino de matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A pesquisa parte do pressuposto de que a relação entre a formação matemática recebida por esses profissionais e as exigências da prática docente apresenta distanciamentos significativos, impactando na constituição da identidade profissional e no desempenho em sala de aula. A investigação fundamenta-se em uma perspectiva teórica que articula os campos da educação matemática, da formação docente e dos estudos sobre identidade profissional. Os resultados evidenciam que a construção da identidade profissional do pedagogo para ensinar matemática é um processo contínuo, marcado pelas experiências formativas iniciais, pelas vivências práticas e pela formação continuada. Identificamos que os cursos de Pedagogia, em geral, oferecem uma formação matemática insuficiente, o que afeta a confiança e a competência dos docentes. Contudo, observamos que práticas reflexivas, o investimento em formação continuada e a valorização do saber experiencial constituem-se como elementos potencializadores da performance profissional.
O artigo comunica os resultados da pesquisa “Dimensões educacionais das Jornadas de 2013”, mais especificamente a respeito das Jornadas no estado de São Paulo. Seu objetivo é conhecer e interpretar as narrativas e memórias de seis ativistas e militantes que atuaram nas Jornadas de 2013 em São Paulo, que concederam entrevistas semiestruturadas para nossa pesquisa, a respeito dos temas: formação política, experiências nas Jornadas e trajetórias sociais após 2013. O trabalho se fundamenta na concepção de formação política desenvolvida a partir dos conceitos de socialização política, segundo Tomizaki, e subjetivação política, segundo Rancière, bem como na noção de trajetórias sociais de Dubar e na de interseccionalidade de Collins. Traz como resultados, primeiro, uma indicação da complexidade das Jornadas paulistas, mesmo no campo progresegundo om experiências socialistas, culturais e de ocupações ao lado do autonomismo do Movimento Passe-Livre, tendo em vista também os diferentes marcadores de classe, raça e gênero, bem como diferentes dinâmicas no interior do estado em comparação com a capital; segundo, o grande impacto das Jornadas nas trajetórias sociais de ativistas e militantes paulistas, que ressignificaram suas concepções e práticas políticas, trajetórias que tomaram, entretanto, diversos sentidos.
Este artigo apresenta um recorte de uma pesquisa de doutorado que analisa as compreensões expressas por professoras da Educação Infantil acerca do desenvolvimento da linguagem oral e suas implicações para a intencionalidade pedagógica. Fundamentado na perspectiva Histórico-Cultural, o estudo parte da compreensão da linguagem como função psicológica superior e de mediação do desenvolvimento humano que demanda organização intencional das interações pedagógicas no contexto da Educação Infantil. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza interpretativa, realizada com treze professoras que atuam em turmas de maternal I e II em quatro instituições da rede municipal de Educação Infantil do Oeste Potiguar (RN). Os dados, produzidos por meio de entrevistas semiestruturadas, foram analisados à luz da Análise de Conteúdo. A análise permitiu identificar cinco compreensões das professoras acerca do desenvolvimento da linguagem oral: indicador de desenvolvimento intelectual; produto social e cultural; objeto de intervenção pedagógica intencional; afetividade como facilitadora da oralidade; e processo cuja compreensão antecede a verbalização. Essas compreensões coexistem de forma não homogênea e ora se aproximam de perspectivas mediadoras, ora reproduzem lógicas espontaneístas. Conclui-se que a intencionalidade pedagógica incide sobre pressupostos conceituais e se materializa nas decisões didático-pedagógicas relacionadas ao trabalho com a linguagem, evidenciando a necessidade de aprofundamento teórico e de processos formativos que articulem concepção e ação pedagógica na Educação Infantil. O estudo contribui ao oferecer um quadro analítico das compreensões das professoras que pode subsidiar políticas de formação continuada e a reestruturação curricular dos cursos de Pedagogia.
Este artigo compartilha e reflete sobre uma experiência de formação realizada com a disciplina Educação Rural e Educação do Campo na América Latina, coordenada pela Rede Latino-Americana de Pesquisa em Educação do Campo, Cidade & Movimentos Sociais (REDE PECC-MS). Os encontros formativos ocorreram semanalmente em ambiente virtual de videoconferência, o que permitiu a participação de diferentes docentes e pós-graduandos de diversas universidades brasileiras como a UNEB, UECE, UESB, UFPB, UFPA, UFRB e UTP; e de professores e estudantes de inúmeras universidades da América Latina, afirmando o caráter interinstitucional e internacional da experiencia formativa. O foco da reflexão aborda a participação e a produção de estudantes e docente do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFPA, destacando a importância do intercâmbio de experiências, do trabalho em rede e da colaboração entre as Universidades brasileiras e latino americanas para o fortalecimento da política de internacionalização implementada nos Programas de Pós-graduação no Brasil; e do Movimento da Educação do Campo, em sua dimensão epistemológica; construída com os movimentos e organizações sociais populares do campo, nos processos de mobilização pela garantia do Direito à Educação dos povos do campo, das águas e das florestas em todo território brasileiro.
O objetivo deste trabalho é problematizar a educação em territórios camponeses, no contexto da América Latina, com o intuito de indicar aproximações entre a Educação Rural Latinoamericana e a Educação do Campo do Brasil. É oriundo de estudo bibliográfico e documental em pesquisa de caráter exploratório. Toma como referência o Movimento da Educação do Campo no Brasil e as demandas em relação à escola pública, à formação de professores e às políticas. Orienta-se pelo conceito de território camponês e de território e cidadania, considerando a perspectiva de classe. Reforça-se o entendimento da educação como direito social e imprescindível à efetivação da cidadania, mediante políticas públicas que garantam a escolarização e que sejam elaboradas em diálogo com os coletivos de povos do campo. Conclui-se que há aspectos em comum entre os países latino-americanos, em particular no que tange à oferta de educação escolar, à formação inicial e continuada de professores, ao planejamento das políticas e práticas em escolas multisseriadas, ao diálogo entre sociedade civil e Estado no planejamento das políticas públicas e, por fim, à reformulação dos projetos políticos de campo na América Latina, com atenção às políticas para a agricultura familiar e camponesa.