
O ensaio discute a Educação Ambiental (EA) como campo interdisciplinar e político-pedagógico, abordando sua pluralidade epistemológica e as diferentes tendências que configuram suas práticas educativas. Defende-se que a EA não é neutra nem monolítica, mas resultado da confluência de múltiplas concepções de natureza, sociedade e educação, influenciadas por contextos históricos, sociais e ideológicos. O texto apresenta um mapeamento detalhado das correntes político-pedagógicas em EA — das clássicas, como naturalista, conservacionista e resolutiva, às contemporâneas e pós-críticas, como feminista, decolonial, ecofeminista, estético-ambiental e socioambiental — evidenciando suas concepções de meio ambiente, estratégias pedagógicas e objetivos. O trabalho aponta críticas às abordagens tradicionais por sua superficialidade e ausência de crítica às estruturas sociais que sustentam a crise ambiental. Propõe uma EA crítica, dialógica e transformadora, que integre justiça social, afetividade, diversidade cultural e participação política, alinhando-se à perspectiva pós-crítica que valoriza o sensível, o corpo e a subjetividade. Conclui-se que a EA deve ser compreendida como dimensão essencial da educação, comprometida com a formação de sujeitos críticos, atuantes e capazes de transformar a realidade socioambiental de forma ética e democrática.
Este trabalho objetiva analisar as contribuições do filme WALL-E (2008) para a promoção da Educação Ambiental, identificando as mensagens e reflexões que suscita sobre a sociedade de consumo e a sustentabilidade. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de natureza interpretativa, que utiliza a análise de conteúdo como procedimento analítico, a partir da definição prévia das seguintes categorias temáticas: consumismo, manejo e disposição irregular dos resíduos sólidos, falta de gestão ambiental e implicações para a saúde pública. As cenas do filme foram selecionadas, classificadas e interpretadas à luz de autores que discutem a crise socioambiental sob uma perspectiva crítica, considerando suas dimensões sociais, políticas, econômicas e culturais. Os resultados evidenciam que WALL·E (2008) constrói uma crítica contundente ao modelo hegemônico de produção e consumo, associando o consumismo à geração excessiva de resíduos, à ausência de políticas públicas eficazes de gestão ambiental e à deterioração das condições de saúde e qualidade de vida humana. Além disso, a obra revela processos de alienação, dependência tecnológica e fragilização da autonomia dos sujeitos, reforçando a necessidade de uma educação ambiental comprometida com a formação crítica e emancipatória. Conclui-se que o filme apresenta elevado potencial educativo, constituindo-se como um importante mediador pedagógico para o desenvolvimento de práticas de Educação Ambiental voltadas à problematização da crise socioambiental e à construção de uma consciência ética, política e transformadora.
Este estudo analisa como o conteúdo das Unidades de Conservação (UC) é apresentado em livros didáticos de Ciências do 9º ano aprovados pelo PNLD 2024, destacando sua relevância para a conservação da biodiversidade e para a formação ambiental dos estudantes. A pesquisa, de natureza qualitativa, bibliográfica e documental, examinou 12 obras de diferentes coleções por meio da análise de conteúdo, organizada em seis categorias temáticas: conceito e tipos de UC; preservação da biodiversidade; proteção do patrimônio natural e cultural; populações humanas e atividades sustentáveis; ameaças às UC; e Educação Ambiental e cidadania. Os resultados mostram que o tema aparece na maioria dos livros, porém de modo superficial e fragmentado, com pouca integração entre dimensões ecológicas, sociais e culturais. Observou-se variação na qualidade das abordagens e escassez de relações com populações tradicionais, conflitos socioambientais e práticas educativas críticas, indicando a necessidade de materiais mais contextualizados, integradores e formativos no ensino básico.
Este artigo discute a relevância da Educação Ambiental no contexto da educação básica e da formação continuada de professores. Eventos extremos, como as enchentes históricas no Rio Grande do Sul e os incêndios florestais no Pantanal e na Amazônia, evidenciam fragilidades estruturais e lacunas nas políticas públicas de prevenção e mitigação. A partir de uma pesquisa qualitativa de natureza bibliográfica e descritiva, buscou-se analisar como a Educação Ambiental, articulada a processos formativos docentes, pode contribuir para a construção de uma consciência crítica, emancipatória e voltada à sustentabilidade. Os resultados apontam que a formação de professores é fundamental para inserir temáticas ambientais no cotidiano escolar de forma interdisciplinar, crítica e contextualizada, fortalecendo o protagonismo dos estudantes diante da crise climática. Conclui-se que a escola, enquanto espaço de resistência e inovação, deve assumir papel central na promoção de uma cidadania ambiental capaz de responder aos desafios socioambientais contemporâneos.
O avanço da desinformação científica, especialmente sobre mudanças climáticas, representa um dos maiores desafios da contemporaneidade para a educação e para a sustentabilidade planetária. Este artigo propõe e fundamenta uma sugestão didática inovadora que integra a alfabetização científica e midiática, com ênfase na análise crítica de eventos climáticos extremos e na investigação de conteúdos digitais sobre meio ambiente. Por meio do estudo de casos emblemáticos – como ondas de calor, secas, inundações e incêndios florestais – os estudantes são levados a explorar as causas e consequências desses fenômenos em escala global e local, estabelecendo conexões entre ciência, mídia e sociedade. A proposta valoriza o ensino por investigação, a análise comparativa entre fontes confiáveis e desinformativas e o uso de redes sociais como espaços educativos. Como resultado, busca-se desenvolver competências para o discernimento de informações verídicas, o fortalecimento do pensamento crítico e o engajamento estudantil em ações de enfrentamento à crise climática e à desinformação digital. Os dados indicam que essa abordagem, ao dialogar com temas socioambientais urgentes, potencializa a formação de sujeitos críticos, capazes de atuar de forma ética e fundamentada diante de desafios globais.
A percepção sobre morcegos ainda é influenciada por mitos, e tal fato é consequência do consumo de obras que corroboram a imagem negativa desses mamíferos. A falta de informações sobre esses animais em Livros Didáticos (LD), considerados essenciais para o processo de sensibilização ambiental, prejudica o processo de preservação desses animais. Desse modo, abordar o tema morcegos em ações de Educação Ambiental, tem a finalidade de desmistificar e ressignificar a importância ecológica da ordem Chiroptera. Objetivando analisar a percepção de educandos do 2º ano do Ensino Médio de um Colégio Estadual na cidade de Ilhéus-BA, foi realizada uma análise do LD sobre o conteúdo morcegos, e um levantamento acerca das representações desses animais. A pesquisa qualitativa, alinhada como pesquisa participante, demonstrou que nos LD a abordagem sobre o tema é superficial, enquanto as percepções dos alunos sobre os morcegos eram dúbias.
A crise socioambiental contemporânea exige repensar práticas educativas no contexto escolar, de modo a fomentar conscientização ambiental. Nesse cenário, a horta escolar destaca-se como espaço formativo privilegiado para a educação ambiental. Este estudo teve como objetivo analisar as práticas educativas em hortas escolares na Bahia, por meio de uma revisão sistemática da literatura no Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES (2014–2024), a partir dos descritores "horta escolar" AND "educação ambiental" OR "prática educativa" OR "prática pedagógica". Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, sete dissertações foram selecionadas. Os resultados indicaram abordagens interdisciplinares que articulam projetos, oficinas, sequências didáticas e atividades práticas. Entretanto, foram observadas práticas ainda limitadas a conteúdos disciplinares e atividades operacionais, sem aprofundamento crítico das questões socioambientais. Conclui-se que a horta escolar constitui espaço privilegiado para a educação ambiental, mas requer práticas contextualizadas, dialógicas e transformadoras.
Este artigo apresenta e analisa narrativas sobre atividades de campo que fizeram parte de um curso de formação de dinamizadores ambientais, voltado para servidores públicos do município de Monte Alto/SP. Tais atividades analisadas consistiram em visitas à Cooperativa Acácia e ao Centro Municipal de Educação Ambiental do Parque Basalto, em Araraquara. Os dados foram constituídos a partir de sete narrativas elaboradas pelos organizadores do curso. Como metodologia de análise, utilizamos a Análise de Conteúdo, e elaboramos três categorias a posteriori (A - Reflexão Crítica, B - Formação e Processo Educativo, C - Memórias, Percepções e Afetividade). Ao todo, foram categorizadas 18, 12 e 14 unidades de registro, em cada categoria, respectivamente. Os resultados, validados às cegas por quatro analistas, destacaram a importância da reflexão crítica, da formação e das experiências de campo na formação dos participantes. As atividades de campo na Cooperativa Acácia e no CMEA-Basalto despertaram reflexões críticas e afetivas nos participantes, na concepção da equipe pedagógica. A imersão no local, com trocas e diálogos, favoreceu uma percepção mais profunda e múltipla da realidade, contrastando com a lógica individualista e unilateral do ensino tradicional. Tais consideram apontam para o potencial transformador das experiências de campo, fundamentais para uma educação ambiental dialógica e problematizadora.
Este estudo analisa as contradições presentes na formulação da Política Municipal de Educação Ambiental de Campo Grande-MS, à luz da perspectiva marxista e da Educação Ambiental Histórico-Crítica. A pesquisa parte do reconhecimento de que a crise ambiental é expressão de uma crise societária mais profunda, enraizada nas estruturas do modo de produção capitalista, que subordina a natureza e o trabalho humano da acumulação do capital à necessidade contínua de expansão do capital em si mesmo. A partir dos aportes teóricos de Marx, Engels, Mészáros, Gramsci, Saviani e Loureiro, o estudo problematiza a atuação do Estado como expressão das correlações de forças entre as classes sociais e examina o veto institucional ao projeto de lei municipal como manifestação concreta da hegemonia neoliberal. O artigo adota como categorias de análise o trabalho e a educação, entendidos, na tradição marxista, como processos ontológicos e históricos constitutivos da formação humana. A análise evidencia que a educação ambiental, longe de ser neutra ou meramente técnica, constitui um campo de disputa ideológica, no qual se confrontam projetos antagônicos de sociedade. Nesse cenário, a alienação socioambiental, expressa no fetichismo das políticas públicas, bloqueia a construção de uma consciência crítica capaz de articular a defesa da vida à luta pela transformação social. A Educação Ambiental Histórico-Crítica, nesse contexto, emerge como instrumento de mediação e emancipação, ao afirmar o caráter ontológico entre trabalho, natureza e formação humana. Conclui-se que a superação das barreiras institucionais à implementação de políticas públicas ambientalmente justas requer a ampliação da mobilização social, a radicalização da crítica e a afirmação da educação como práxis transformadora.
Paulo Freire é uma figura central na educação ambiental, não só por sua conduta exemplar perante a vida, a natureza e a sociedade, mas principalmente porque suas principais categorias político-pedagógicas, como dialogicidade, problematização e conscientização, fornecem o alicerce para uma educação ambiental comprometida com os segmentos sociais oprimidos. Este artigo tem como objetivo investigar as dimensões de natureza presentes na obra Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire no sentido de fundamentar uma educação ambiental humanizadora e crítica. Para tanto, dá um enfoque ao segundo momento da vida do autor (1964-1979) que corresponde ao seu período de exílio, devido à instauração da ditadura civil-militar no Brasil que durou cerca de 16 anos. Desse momento, destaca-se a obra Pedagogia do Oprimido, escrita por Freire em 1968, enquanto ainda estava no Chile. Essa obra foi analisada por meio da Análise Textual Discursiva (ATD), que possibilitou a emergência de quatro categorias fundamentais: a) Natureza enquanto “mundo” da adaptação, b) Natureza enquanto mundo da transformação, c) Natureza enquanto dimensão de significação da experiência humana e, d) Natureza como dimensão constituinte e elementar do mundo. Desse modo, Freire nos ajuda, por meio de seu diálogo amoroso com o mundo e pela consideração do outro como sujeito de sua própria história, a superar as dicotomias intensificadas pela crise civilizatória, que apaga subjetividades, materializa a violência como política de estado e nega existências de seres humanos na relação que estabelecem com a sociedade e a natureza.
Diante da atual emergência climática e da intensificação dos impactos socioambientais globais, a educação ambiental crítica configura-se como um caminho estratégico para a formação de professores comprometidos com a construção de sociedades sustentáveis. Neste contexto, o presente artigo analisa as contribuições do programa EducaTrilha na Escola – desenvolvido na Estação Experimental de Tupi, em Piracicaba-SP – para a formação de professores a partir da perspectiva dos docentes participantes. Nesse sentido, foi aplicado um questionário a professores participantes e os dados foram analisados utilizando-se a análise de conteúdo temática. Foram identificadas, pois, sete categorias de contribuições: “mudanças na visão, postura e hábitos” (48%), “metodologias, vivências e práticas” (36%), “aprendizagem e aprimoramento profissional” (28%); “conhecimentos e informações” (20%); “trabalho em equipe e interdisciplinar” (12%); “trocas entre profissionais e escolas” (8%); e “passeios culturais” (4%). Estes resultados reforçam que o programa tem promovido não apenas a atualização de conhecimentos, mas também a reflexão crítica e a mobilização de valores e atitudes alinhados aos princípios da educação ambiental crítica e ao desenvolvimento profissional docente. Assim, destaca-se a importância de políticas públicas e programas de formação que valorizem processos formativos que favoreçam a interdisciplinaridade, o trabalho coletivo e a articulação entre teoria e prática, superando modelos pontuais ou meramente transmissivos, bem como as visões acríticas e despolitizadas de educação ambiental.
Este artigo apresenta os resultados de um estudo que investigou as contribuições da proposta teórico-metodológica “ComVivência Pedagógica” na formação de educadores ambientais, tendo as Unidades de Conservação (UCs) como espaços educativos não formais. O curso “Formação de Educadores Ambientais em espaços não formais”, ofertado pela Escola de Extensão da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, serviu de base para a pesquisa. Fundamentado na perspectiva crítica da Educação Ambiental, o processo formativo articulou teoria, prática e vivências imersivas em duas UCs da Baixada Fluminense. Desenvolvida pelo grupo de estudos GEPEADS/UFRRJ, a ComVivência Pedagógica baseia-se em princípios formativos e componentes pedagógicos, cujo intuito é provocar rupturas com os paradigmas dominantes e estimular processos de reconstrução de sentidos. A pesquisa, de natureza qualitativa e interventiva, teve sua fase de análise dos dados ancorada na Análise Textual Discursiva e mostrou que a experiência formativa ampliou o desenvolvimento de uma consciência socioambiental, favorecendo e ressignificando as práticas pedagógicas dos participantes. Entre os resultados da pesquisa, as Unidades de Conservação revelaram-se potentes espaços para reflexão crítica, o fortalecimento do sentimento de pertencimento e de construção de novas formas de se relacionar com a natureza e em sociedade. Além disso, a articulação entre as vivências em ambientes naturais e as práticas educativas críticas se mostrou uma estratégia relevante na formação de educadores comprometidos com a transformação socioambiental. Conclui-se que a proposta ComVivência Pedagógica contribui para a construção de uma educação ambiental mais preocupada com os territórios, com os sujeitos e com os desafios contemporâneos.
A era chamada de Capitaloceno se desdobra em diferentes crises contemporâneas, sendo a climática uma de grande alerta devido ao seu caráter global e de alto impacto na vida humana. As mudanças climáticas têm origem antropogênica e já são responsáveis por diferentes eventos climáticos extremos, alterações na biodiversidade mundial e pela exposição de milhares de indivíduos a inseguranças sociais, econômicas e ecológicas. As cadeias alimentares capitalistas no Brasil correspondem à principal área geradora de gases do efeito estufa e devem ser o foco quando se fala na mitigação e na adaptação da crise climática. A educação ambiental se torna, portanto, uma importante aliada na introdução desses tópicos no meio escolar por intermédio dos professores, sendo as hortas escolares agroecológicas uma ferramenta imprescindível para a formação de uma nova geração preocupada e atuante. Nessa senda, este trabalho busca realizar um Estado da Questão em busca de publicações que reflitam acerca da percepção dos docentes sobre o uso das hortas escolares agroecológicas como forma de ensino referente às mudanças climáticas. Mediante a busca em diversas bases de dados, contatou-se uma lacuna de pesquisa sobre tal tópico tão importante para o desenvolvimento de formações e políticas públicas, dado que, apesar de haver um consenso na relevância do uso das hortas escolares como formação científica, promoção de hábitos saudáveis e espaço lúdico, não há uma correlação direta entre a produção agrícola e a crise climática.
O estudo objetiva explorar as contribuições oferecidas pela Abordagem Temática para a inserção e problematização das questões socioambientais em aulas de Química na Educação Básica, a partir da análise de trabalhos apresentados em eventos dos campos da Educação em Ciências e da Educação Ambiental. Para tanto, foi realizada uma investigação documental em que foram analisados treze trabalhos publicados nos anais das últimas cinco edições do ENPEC e do ENEQ, selecionados a partir de um critério previamente estipulado. Os autores desses trabalhos relatam que a abordagem de temas socioambientais em aulas de química através da Abordagem Temática instiga o desenvolvimento dos conhecimentos nos estudantes, tornando-os mais motivados para o trabalho em sala de aula e contribuindo com a sua formação crítica e cidadã.
Nas últimas décadas, a educação ambiental tem sido marcada por abordagens centradas em mudanças individuais, frequentemente desprovidas de um substrato sociopolítico capaz de enfrentar a crescente complexidade ambiental e social. Diversos autores têm apontado a necessidade de repensar seus fundamentos e ampliar o diálogo com comunidades e grupos populares subalternizados, fortalecendo suas lutas por justiça socioambiental. Este artigo apresenta uma narrativa fotográfica construída a partir de pesquisa realizada junto a uma rede de agricultores da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A pesquisa contribui ao destacar a fotografia como pilar metodológico, não apenas como recurso ilustrativo, mas como documento autêntico capaz de cristalizar vivências e produzir representações. Nesse sentido, amplia as possibilidades de compreender e comunicar processos educativos vinculados às lutas sociais e ambientais.
O objetivo do estudo foi apresentar o perfil dos Grupos de Pesquisa em Ecologia no Brasil por meio de um mapeamento geográfico, institucional e de linhas de pesquisa. Trata-se de um estudo sistemático e descritivo, de análise documental, e de análise do conteúdo feito com os dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Foram identificados recentes 1.266 Grupos, presentes em todos os estados do Brasil e do Distrito Federal, a maioria em instituições públicas na Região Nordeste e Sudeste, tendo como principal área do conhecimento as Ciências Biológicas. As pesquisas dos Grupos apresentam amplas possibilidades, mas estarão voltadas principalmente sobre a conservação e manejo da biodiversidade de ecossistemas aquáticos. Conclui-se que os Grupos de Pesquisa estão em expansão por todo o país podendo realizar uma ampla área de investigação. Espera-se que as informações apresentadas promovam o fortalecimento da pesquisa em Ecologia e o desenvolvimento sustentável.
Vivemos uma crise ambiental que nos atravessa não apenas racionalmente, mas também afetivamente. Repensar nossa forma de estar no mundo e nossa relação com a Terra torna-se urgente e envolve a educação. A partir das perguntas 'O que sentimos diante das cenas da crise?' e 'Como sensibilizar para enfrentá-la?', buscamos identificar como estudantes do ensino superior se afetam pela crise ambiental e quais concepções constroem sobre essa problemática. Esse trabalho tem como contexto de geração de dados uma aula da disciplina eletiva de graduação Natureza e Sustentabilidade oferecida na Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2023 e 2024. Após um ritual pedagógico que incluiu a exibição de um material audiovisual, os estudantes responderam às perguntas: “Como você se sente?” e “Quais problemas ambientais você identificou no vídeo? Eles têm a ver com o local onde você mora?”. A partir da análise do conteúdo das respostas identificamos as seguintes categorias: sentimentos, sensopercepções e posicionamentos em relação à problemática ambiental, problemas situados, problemas gerais e aspectos sociais e políticos. A predominância da tristeza e do imobilismo indica que os estudantes se afetam, estão atentos e conscientes dos desafios ambientais, reconhecendo inclusive os problemas mais presentes em seu cotidiano. O material audiovisual provocou diferentes sensações, reflexões e posicionamentos diante da crise, evidenciando o potencial da dimensão estética na formação docente. Assim, a inserção da arte audiovisual no ensino contribui para o engajamento afetivo e político dos estudantes, favorecendo a emergência da subjetividade e da agência frente à crise ambiental.
Frente ao atual cenário de emergência climática, o estabelecimento de Áreas Protegidas (APs) é concebido como uma estratégia promissora, visto que a degradação ambiental é compreendida como uma das principais causas das mudanças no clima. Contudo, o estabelecimento dessas, ao ocasionar transformações nas dinâmicas socioambientais e territoriais locais, pode ser precursor de desigualdades ambientais, implicando em direitos à e da natureza. Diante desse contexto, tecendo contribuições da Análise Crítica do Discurso para a EA, o presente artigo apresenta uma análise sobre as forças ideológicas atuantes nas agendas e políticas ambientais nacionais e internacionais relacionadas às APs, a fim de compreender como essas se estabelecem em discursos de atores locais e externos relacionados ao processo de concessão do Parque Estadual do Ibitipoca (MG), bem como apreender educabilidades que emergem dos discursos pesquisados. A partir da análise dos discursos referenciados, a disputa de interesses em torno da concessão do parque revela uma assimetria de poder e contradições socioambientais instauradas no contexto local, uma vez que os discursos favoráveis, ancorados em ideais hegemônicos, acabam por ocultar desigualdades ambientais locais e entraves para a consolidação de uma participação social efetiva, os quais são enunciados nos discursos contrários. Sendo assim, a EA crítica assume um importante papel nesse contexto, ao buscar compreender e construir educabilidades que emergem das realidades locais, as quais evidenciam sentidos e interesses outros sobre as questões ambientais e potencializam a consolidação de soluções concretas e mais justas na busca por transformações sociais.
Este artigo parte da compreensão de que a crise ambiental é resultado das formas como a sociedade moderna se relaciona com a natureza e de que é imprescindível, portanto, a valorização dos saberes dos povos indígenas, que resistiram e resistem aos ideais civilizatórios, e demonstram, através de seus modos de vida, possibilidades mais saudáveis e equilibradas de ser e estar na Terra. Através de um ensaio teórico, defende-se a realização de uma Educação Ambiental que valorize a sensibilidade e a criticidade como importâncias equivalentes, ressaltando-se a oportunidade de incorporação de saberes indígenas nos processos educativos com vistas ao desenvolvimento da consciência ecológica e da consciência política. São apresentadas algumas sugestões de práticas de Educação Ambiental buscando estabelecer diálogo entre elas e os saberes indígenas a partir da articulação entre as dimensões estética, ética e política, expressa nos pilares: 1) valorização do contato com a natureza, 2) descentralização da perspectiva antropocêntrica, e 3) organização coletiva em ações políticas.
Nosso objetivo com essa pesquisa foi o de compreender os significados e sentidos atribuídos pelos pesquisadores do campo da pesquisa em Educação Ambiental (EA) à formação oportunizada pelas vivências ocorridas no âmbito do PIBID. Para tanto, realizamos uma pesquisa de natureza qualitativa do tipo estado da arte que reuniu, através de uma investigação empreendida na Plataforma Fracalanza do Projeto EArte, sete dissertações de mestrado defendidas entre 2013 e 2020 em Programas de Pós-Graduação de mestrado acadêmico e profissional. A partir da leitura de passagens que dialogam com o objetivo da pesquisa, realizamos recortes dos enunciados procurando explorar as possíveis significações do texto, tendo em vista os referenciais teóricos adotados quanto à construção da identidade docente e o habitus e o campo da EA. A identidade profissional docente é associada a um contínuo devir, articulada em encantos e desencantos, caracterizando um habitus que surge da internalização subjetiva das regras desse campo, com elementos tanto do processo educativo quanto da temática socioambiental. No entanto, alguns elementos parecem ser perenes, como a dimensão política, a ética, o contraste entre o olhar global e contextualizado, a sensibilidade, e a capacidade de transversalidade, tendo o coletivo como potência e necessária articulação da dimensão teórica e prática para uma verdadeira práxis. Assim, compreendemos que o PIBID é um importante espaço para a relação entre teoria e prática e a contínua constituição da identidade docente à medida que esta é resultante de sucessivas interações sociais situadas cultural e historicamente.