Este artigo analisa as abordagens de Educação Ambiental presentes nos livros didáticos do 1º ao 5º ano dos anos iniciais do Ensino Fundamental, distribuídos pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD). O objetivo é investigar como as perspectivas naturalista/conservacionista, pragmática e crítica se manifestam e evoluem ao longo do ciclo inicial. A metodologia adota uma análise documental qualitativa, com abordagem sincrônica e diacrônica dos conteúdos, atividades e linguagens dos materiais. A fundamentação teórica baseia-se nas correntes clássicas da Educação Ambiental e nos pressupostos da teoria curricular crítica. Os resultados indicam que os anos iniciais priorizam uma abordagem conservacionista e higienista, os intermediários consolidam uma lógica pragmática centrada na gestão técnica de resíduos e, apenas no 5º ano, emerge uma perspectiva crítica, com ênfase em justiça socioambiental e ação comunitária. Contudo, persiste a individualização da responsabilidade ambiental e a ausência de problematizações estruturais, revelando limites na efetivação de uma Educação Ambiental transformadora.
Este artigo analisa criticamente a reprovação escolar, a progressão automática e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), evidenciando as tensões entre políticas de regulação educacional e o direito à aprendizagem significativa. Fundamentado em autores da pedagogia crítica e da sociologia da educação, o estudo problematiza a reprovação como mecanismo historicamente associado à meritocracia e à reprodução das desigualdades sociais, ao mesmo tempo em que questiona a progressão automática quando desvinculada de condições pedagógicas efetivas. Argumenta-se que, no contexto da gestão por resultados, a avaliação escolar tende a priorizar indicadores quantitativos, produzindo uma “gestão da aparência” que mantém os estudantes institucionalmente presentes sem assegurar aprendizagens essenciais. Conclui-se que o fracasso escolar não reside na reprovação isolada, mas na incapacidade estrutural das políticas públicas de garantir formação crítica, equidade e justiça educacional.
Este ensaio teórico analisa a transição da implementação linear para a Teoria da Atuação (Policy enactment) em políticas públicas, com ênfase na educação. A problemática reside na superação da dicotomia entre formulação e execução, reconhecendo a política como campo dinâmico. O objetivo é revelar como normas são interpretadas, traduzidas e recreadas por atores sociais na prática cotidiana. Metodologicamente, baseia-se em revisão densa da literatura, articulando o Ciclo de Políticas de Stephen J. Ball com modelos analíticos de implementação. Os resultados evidenciam que a política não é processo automático, mas de disputas e recontextualizações constantes. Conclui-se que a atuação de profissionais, especialmente professores como criadores de sentido, é fundamental para a efetividade das políticas, exigindo compreensão não linear, contextualizada e criativa dos processos educativos e governamentais.
O ensaio discute a Educação Ambiental (EA) como campo interdisciplinar e político-pedagógico, abordando sua pluralidade epistemológica e as diferentes tendências que configuram suas práticas educativas. Defende-se que a EA não é neutra nem monolítica, mas resultado da confluência de múltiplas concepções de natureza, sociedade e educação, influenciadas por contextos históricos, sociais e ideológicos. O texto apresenta um mapeamento detalhado das correntes político-pedagógicas em EA — das clássicas, como naturalista, conservacionista e resolutiva, às contemporâneas e pós-críticas, como feminista, decolonial, ecofeminista, estético-ambiental e socioambiental — evidenciando suas concepções de meio ambiente, estratégias pedagógicas e objetivos. O trabalho aponta críticas às abordagens tradicionais por sua superficialidade e ausência de crítica às estruturas sociais que sustentam a crise ambiental. Propõe uma EA crítica, dialógica e transformadora, que integre justiça social, afetividade, diversidade cultural e participação política, alinhando-se à perspectiva pós-crítica que valoriza o sensível, o corpo e a subjetividade. Conclui-se que a EA deve ser compreendida como dimensão essencial da educação, comprometida com a formação de sujeitos críticos, atuantes e capazes de transformar a realidade socioambiental de forma ética e democrática.
Post-Critical Environmental Education: overcoming dualisms and fragmentation in teaching Este artigo propõe uma reflexão crítica sobre a emergência da Educação Ambiental (EA) pós-crítica como paradigma teórico-metodológico alternativo às abordagens tradicionais ainda presentes no contexto escolar, caracterizadas por visões conservadoras, fragmentadas e instrumentalizadas do meio ambiente. Busca-se compreender como a EA pós-crítica rompe com os dualismos fundantes da modernidade — como natureza/cultura, corpo/mente e sujeito/objeto — ao propor uma perspectiva ontológica relacional, sensível e politicamente engajada. Tal abordagem valoriza a incorporação da corporeidade, da estética, da afetividade e das experiências vividas no território como dimensões essenciais da formação crítica dos sujeitos. Ao ressignificar o currículo escolar, a EA pós-crítica contribui para a valorização de saberes locais, de epistemologias plurais e da ecologia dos saberes, abrindo espaço para práticas pedagógicas emancipatórias e ecologicamente comprometidas. Conclui-se que, diante das policrises contemporâneas — ambientais, sociais e civilizatórias —, essa abordagem se mostra essencial para a construção de novos imaginários educativos orientados por justiça socioambiental, cuidado e interdependência.
A vida dos professores da educação básica no Brasil é marcada por desafios decorrentes da desvalorização da profissão. Este artigo, buscou identificar as características fundamentais da vivência professoral, utilizou uma abordagem qualitativa, analisando o trabalho do comediante Diogo Almeida, que retrata os dramas da vida dos professores através do stand-up comedy. A análise de núcleos de significação revelou que o humor pode ser uma forma de resistência e denúncia. Os resultados indicam que os professores enfrentam desafios sérios nas condições de trabalho, questões sociopolíticas e problemas de saúde mental. A pesquisa demonstra a importância de reconhecer e abordar as dificuldades enfrentadas pelos professores no cotidiano escolar.
O artigo analisa as políticas públicas educacionais a partir da articulação entre a abordagem do ciclo de políticas, proposta por Stephen J. Ball e colaboradores, e a Teoria da Atuação, formulada por Ball, Maguire e Braun. Com base em uma perspectiva crítica e contextualizada, o estudo questiona modelos tradicionais e linearizados de formulação e implementação de políticas, evidenciando que estas não são meramente executadas, mas constantemente reinterpretadas e traduzidas pelos atores que as vivenciam. A abordagem do ciclo de políticas propõe um modelo analítico composto por cinco contextos interdependentes: influência, produção do texto, prática, resultados e estratégia política. Esses contextos permitem compreender a política como um processo dinâmico e disputado, atravessado por múltiplos interesses, arenas e subjetividades. Em diálogo com essa abordagem, a Teoria da Atuação enfatiza o papel ativo dos sujeitos, sobretudo os profissionais da educação, como agentes estratégicos que interpretam e traduzem as políticas de acordo com suas culturas profissionais, experiências e condições institucionais. O conceito de “atuação” desloca o foco da política como produto textual para a política em ação, considerando os processos criativos e situados pelos quais os atores escolares ressignificam as diretrizes normativas. A partir dessa perspectiva, o contexto da prática é compreendido como espaço central para a análise, uma vez que nele as políticas ganham concretude e são moldadas pelas interações entre sujeitos, discursos e estruturas. O artigo demonstra que essa articulação entre o ciclo de políticas e a teoria da atuação contribui para uma leitura mais complexa e plural da política pública, superando visões tecnocráticas e valorizando as práticas e os sentidos construídos nos cotidianos institucionais. Por fim, destaca-se que reconhecer a política como processo não linear e contingente é também reconhecer sua potência transformadora — ou excludente — conforme as disputas e traduções que a conformam nos diversos níveis e espaços sociais.
Resumo Este estudo investigou o sentido das mensagens subliminares presentes em memes sobre educação compartilhados em redes sociais no Brasil. Partindo da hipótese de que esses memes transmitiriam uma visão negativa dos objetivos educacionais, foi aplicada uma abordagem quantiqualitativa a uma amostra aleatória de memes. A análise revelou um equilíbrio entre mensagens positivas (54%) e negativas (46%), sem diferença estatisticamente significativa. As críticas enfatizam a desmotivação e imaturidade dos alunos, enquanto as mensagens positivas valorizam o compromisso escolar, o papel dos professores e as conquistas acadêmicas. Os resultados evidenciam tensões socioculturais e apontam para a necessidade de reflexões sobre melhorias no ambiente educacional.
This article presents an overview of Brazilian researches on Environmental Education with Phenomenology in the first twenty years of the 21(st) century, based on the following question: What are the characteristics of Brazilian researches on Environmental Education with Phenomenology published in Brazil? In view of that, the data were extracted from articles, dissertations and thesis, collected from electronic libraries. The data organization and analysis were performed with software support, and the results were quantitatively approached and demonstrated with Descriptive Statistics, to compose the bibliometry of the set of publications. The results showed that the peak of publications on the theme was in 2013. S & atilde;o Paulo is the state that most researches the theme, although the South region has more publications. The main subject of research is Environmental Perception and Merleau-Ponty is the main author of reference in research on Education with Phenomenology.
Este artigo apresenta um panorama das pesquisas brasileiras em Educação Ambiental com Fenomenologia dos vinte primeiros anos do século XXI, a partir da seguinte pergunta: Quais são as propriedades das pesquisas brasileiras em Educação Ambiental com Fenomenologia publicadas no Brasil? Em vista disso, os dados foram extraídos de artigos, dissertações e teses, coletadas a partir de bibliotecas eletrônicas. A organização dos dados e sua análise foram realizados com apoio de softwares; os resultados foram abordados quantitativamente e demonstrados com a Estatística Descritiva, para compor a bibliometria do conjunto das publicações. Os resultados demonstraram que o pico de publicações da temática foi em 2013. São Paulo é o estado que mais pesquisa a temática, embora a região Sul compute mais publicações. O principal assunto de pesquisa é a Percepção Ambiental e Merleau-Ponty é o principal autor de referência nas pesquisas em Educação com Fenomenologia.
Esta investigação apresenta a temática da metanálise como uma técnica de análise de dados em pesquisa de abordagem qualitativa, na qual o pesquisador adota um novo enfoque ao reunir resultados e conclusões de análises primárias. Teve por objetivo descrever e sugerir indicações para a realização da Metanálise como uma possibilidade para analisar dados qualitativos. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa do tipo bibliográfica realizada em artigos, livros, teses e dissertações. A partir do estudo realizado, são recomendados cuidados na aplicação com relação à tendenciosidade dos dados e à sua adequação aos objetivos estimando maior precisão os efeitos dos tratamentos, ajustando-os à heterogeneidade do corpus de análise. Conclui-se que, como toda técnica, a Metanálise não é uma panaceia ou que justifique-se por si só, sem considerar as relações internas da estrutura de uma pesquisa, mas apresenta óbvias vantagens na relação custo/benefício, trazendo maior rigor e credibilidade aos resultados.
Nesta pesquisa são apresentados os resultados da análise da produção acadêmica e da inserção da Educação Ambiental no Programa de Pós-Graduação em Formação Científica, Educacional e Tecnológica da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Teve por objetivo responder a seguinte questão: “Quais são as referências à Educação Ambiental e à temática ambiental nas produções acadêmicas do Programa de Pós- Graduação em Formação Científica, Educacional e Tecnológica da Universidade Tecnológica Federal do Paraná?”. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza quali-quantitativa com análise bibliométrica a partir do método estatístico descritivo. Detectou-se um crescimento significativo da Educação Ambiental nas pesquisas mostrando um indicativo para a consolidação da Educação Ambiental na Universidade Tecnológica Federal do Paraná e para o alinhamento com as tendências de pesquisas no Brasil.
A Educação Ambiental vem se consolidando numa rede de concepções, perspectivas e abordagens por meio de diálogos e disputas de sentidos diante da relação ser humano, sociedade e natureza. Assim, este artigo teve como objetivo descrever um panorama da Educação Ambiental de acordo com as suas concepções e tendências epistemológicas que vem permeando o discurso dos profissionais educadores ambientais. As várias concepções sobre o ambiente propiciam uma diversidade que pode ser enriquecida, em perspectiva sincrônica, pela combinação dos elementos entre as concepções eminentemente complementares que apresentam diversos caminhos, resultados da evolução histórica da própria institucionalização da Educação Ambiental. Considera-se que a Educação Ambiental está construindo novas formas de pensar e agir diante das suas múltiplas correntes, as quais têm permeado as discussões do processo formativo formal, informal e não-formal da Educação Ambiental e no campo das políticas públicas.
O artigo tem como objetivo apresentar os pontos em comum da Educação Ambiental Crítica, Desenvolvimento Sustentável e cidades sustentáveis e desvelar características que integram e são fundamentais para garantir um futuro mais equilibrado e saudável para as próximas gerações. Nesse contexto, compreende-se que a Educação Ambiental como dimensão da educação é uma das principais ferramentas para que se possa aprofundar os limites, potencialidades e desafios entre Educação Ambiental Crítica e Desenvolvimento Sustentável para se alçar sociedade sustentáveis. Concluísse que a Educação Ambiental deve ser pautada sob a égide dos aspectos histórico-culturais, sociais e políticos buscando a integração dos conhecimentos, tendo enfoque uma temática transversal com abordagem interdisciplinar e transdisciplinar.
Frequentemente, noticiários informam sobre problemas ambientais ocasionados por determinados produtos de origem industrial. O que comumente não se percebe é que os impactos ambientais destes produtos não começam onde se tornam visíveis, isto é, na fase de pós-consumo quando estão poluindo o ar, contaminando água e solo, locais usados como descarte ao término da vida útil destes materiais. Os danos ambientais têm início na fase do projeto, ou seja, na concepção, no desenvolvimento e na seleção dos materiais. O objetivo do presente trabalho é apresentar, através de um levantamento bibliográfico, a definição de análise do ciclo de vida (ACV) de um produto e avaliar os impactos ambientais causados durante todo o ciclo de vida do produto desde a extração da matéria-prima até a disposição do produto e seu retorno ao meio ambiente (do berço ao túmulo). Esta pesquisa teórica foi realizada por estudantes do segundo ano do Ensino Médio da Rede Estadual de Ensino do Paraná do Colégio Estadual Zumbi dos Palmares no município de Colombo - PR. O material selecionado para o estudo da ACV foi pilha alcalina, comum em uso doméstico, sendo que, o conteúdo de Eletroquímica está inserido no currículo básico dos educandos. Esta análise teve suas limitações por se tratar somente de uma pesquisa bibliográfica, porém, os discentes compreenderam, através da construção da ACV das pilhas, a importância da inter-relação entre a ACV e a sustentabilidade ambiental no Ensino de Química.
Taking into account that cartography is one of the basic contents in the geography teaching, the present article reveals "What the researches in stricto sensu level point about cartography in the initial training of the geography teacher? In order to answer the question presented, a state-of-the-art review study was conducted based on the Brazilian Digital Library of Theses and Dissertations -BDTD. The descriptors Teaching and Geography were used, establishing as final criterion of temporality the year 2020. It was found 2187 references, from which, applied the exclusion criteria, 850 were left. These were analyzed in the ATLAS.ti software and codified from the areas of knowledge proposed by CAPES. The results point to the scarcity of research on the theme and the need to reflect on what is taught in the initial training and in basic education.