
A educação no Ensino Superior têm distintos caminhos que se entrecruzam e interdependem, quais sejam: ensino, pesquisa e extensão. Apresentamos experiências dos Cursos de Licenciatura em Geografia da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), vivenciadas na organização do Laboratório de Ensino de Geografia (LAEG), do Centro de Humanidades, cujas ações se pautam no entrelaçamento das ações que constituem os interesses da Universidade, no que concerne o que chamam de tripé, mas percebemos como ações indissociáveis. Esse Laboratório vem, ao longo da última década, realizando ações de educação geográfica seguindo a perspectiva interdisciplinar, interseccional e inclusiva aprimorando o debate acerca da educação inclusiva. A metodologia envolve levantamento fotográfico, histórico, sistematização de informações do Laboratório, observação de cadernos de visitas, catalogação de materiais presentes no laboratório, entrevistas semiestruturadas junto aos educandos do curso de Licenciatura em Geografia, da UFCG, a fim de verificar como o laboratório mencionado vem colaborando na formação acadêmica em Geografia, assim como na formação continuada de professores do Mestrado Profissional em Rede Nacional em Geografia PROFGEO, bem como junto à comunidade externa, desde a Educação Básica ao Ensino Superior, de outras Instituições de Ensino Superior (IES) que realizam, continuamente, visitas nesse espaço educador. A pesquisa tem recorte temporal no período de 2018 a 2025 e o referencial bibliográfico envolve autores que discutem educação geográfica, extensão, educação inclusiva e formação acadêmica e continuada de professores. Os resultados indicam a importância da atuação desse laboratório na formação acadêmica e continuada docente, bem como no atendimento interno e externo à comunidade acadêmica, contribuindo sobretudo na formação dos sujeitos, segundo os pressupostos da educação geográfica e educação inclusiva.
Este trabalho apresenta resultados parciais de pesquisa de mestrado que está sendo desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Geografia-PPGEO da Universidade Federal do Norte do Tocantins. E investiga a aplicação das Tecnologias no ensino de Geografia em Salas de Recursos Multifuncionais (SRM) em Araguaína-TO. A abordagem qualitativa participante busca entender como as tecnologias digitais podem ser aliadas na personalização do ensino e no desenvolvimento das habilidades de estudantes com deficiência. Os resultados revelam desafios significativos, como a falta de capacitação docente, as dificuldades estruturais, a escassez de recursos tecnológicos e a formação inadequada dos docentes. Isto evidencia a urgência de políticas públicas que promovam a formação de professores e investimentos em tecnologias assistivas. Com base nas coletas de dados realizadas no ano de 2024 e início de 2025, esta investigação contribui para o debate sobre inclusão educacional, apontando direções para o aprimoramento das práticas pedagógicas com o uso das TIC.
O ensino-aprendizagem em Geografia exige práticas que favoreçam a compreensão e a análise crítica da realidade. Para isso, torna-se fundamental a adoção de metodologias inovadoras e dinâmicas, capazes de promover um saber instituinte que estimule a criação contínua de novas formas de interpretar o mundo e de produzir conhecimentos. A integração do ensino de Geografia com outros campos do saber e com diversas linguagens, como cinema, artes, jogos e cartografia, amplia a capacidade dos estudantes de ler e compreender o espaço vivido. Esse diálogo interdisciplinar possibilita reconhecer a si mesmo e ao outro como sujeitos inseridos em um contexto social e espacial, favorecendo ressignificações que alimentam o desenvolvimento de ideias críticas e reflexivas. O estudo apresentado discute essa abordagem a partir de referencial bibliográfico e dos resultados obtidos com o PIBID – Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência do Curso de Licenciatura em Ciências Humanas/Geografia da UFMA, desenvolvido em escolas de Grajaú. Conclui-se que tais estratégias de ensino-aprendizagem mostram-se adequadas e eficazes, contribuindo de maneira significativa para a formação dos discentes.
Este artigo analisa de que modo o perfil sociocultural e demográfico de estudantes do 6º ano influencia a apropriação do conceito de Lugar em uma intervenção didática que utiliza metodologias lúdicas mediadas pelo jogo “Encano e Encantos: movimentar para entender o lugar”. A pesquisa, de abordagem qualitativa e caráter de estudo de caso, foi realizada em uma escola pública do bairro Encano, em Indaial (SC), no âmbito do Mestrado Profissional em Ensino de Geografia (PROFGEO). Foram aplicados dois questionários (pré e pós-jogo) e realizada observação participante durante as partidas. As respostas abertas foram analisadas por meio de análise de conteúdo, apoiada em uma matriz de níveis de aprendizagem do conceito de Lugar, enquanto os dados fechados foram tratados por estatística descritiva. Os resultados evidenciam que a turma é marcada por forte heterogeneidade de idade, origem, tempo de residência e familiaridade com jogos, o que condiciona formas diferenciadas de engajamento com a proposta. Observou-se deslocamento de respostas pouco elaboradas para compreensões mais significativas de Lugar e mudanças na forma de enxergar o bairro e a escola. As cartas de perguntas emergem como núcleo da mediação didática. Conclui-se que o jogo pode ampliar e ressignificar experiências espaciais quando articulado à mediação docente intencional.
O presente artigo representa a necessidade pessoal de refletir a respeito do processo de inclusão escolar para então, poder se falar em ensino de Geografia. Vale ressaltar que no Brasil até a década de 1990 a história de atendimento educacional à pessoa com deficiência era marcada por segregação e/ou exclusão social. A partir de então, a política educacional prevê a inclusão de todos os alunos no ensino regular, considerando suas distintas condições físicas, linguísticas, sociais e emocionais. Embora isto tenha representado um avanço em termos quantitativos, ainda estamos longe de alcançar a qualidade no ensino para todos. Então, ao integrar alunos com deficiência em escolas e turmas regulares, podemos estar reforçando processos de exclusão e de segregação. Portanto, fazemos algumas perguntas: Como pensar a cidadania reafirma as necessidades dos alunos com deficiência, mas também, dos demais agentes no processo de ensino-aprendizagem que se quer inclusivo? O que dizem as políticas públicas na forma de leis? A partir desses questionamentos, temos por objetivo considerar a noção de cidadania como um elemento chave para o processo de inclusão escolar. Como objetivos específicos, esclarecer a diferença entre integração e inclusão; transcorrer sobre a noção de cidadania pertinente a esta problemática; destacar algumas legislações intervenientes. Para tal, pretendemos apresentar as nossas compreensões a respeito das políticas públicas de inclusão na forma de leis; sobre inclusão e integração tendo como referência Mantoan (2003), entre outros autores; sobre deficiência de acordo com Vygotsky (2011) quando este expõe a respeito da defectologia; a respeito da noção de cidadania com Palma Filho (1998) e Manzini-Couvre (1991).
O uso das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) é um tema que tem possibilitado debates quando se discute sobre recursos didáticos e tecnológicos na escola. No contexto da Geografia Escolar, considerando um ensino que desenvolva o raciocínio geográfico e voltado para a cidadania, essas tecnologias abrem inúmeras possibilidades para discutir o espaço geográfico, oportunizando aprendizagem reflexiva e transformadora da realidade. No entanto, a efetiva inserção das TDIC no cotidiano escolar ainda enfrenta desafios ligados à formação docente, à infraestrutura das escolas e à superação de um ensino baseado unicamente nos métodos tradicionais. Sendo assim, este trabalho tem como objetivo compreender como docentes de Geografia na educação básica significam e utilizam as TDIC na escola a partir de suas experiências, desafios enfrentados e estratégias metodológicas desenvolvidas. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa com base na escuta de docentes de Geografia dos anos finais do ensino fundamental e médio do município de Caicó/RN, por meio de entrevistas semiestruturadas. Os participantes foram selecionados de forma intencional, considerando disponibilidade, interesse em colaborar e atuação na rede pública municipal ou estadual. A coleta dos dados ocorreu por meio de questionário estruturado, aplicado digitalmente via Google Forms e/ou WhatsApp. A análise foi realizada a partir da leitura e transcrição integral das respostas fornecidas. Espera-se construir uma reflexão crítica sobre a presença das TDIC na Geografia escolar, destacando como os docentes se apropriam dessas ferramentas em sua prática. Como contribuições, busca-se apontar caminhos para o fortalecimento da formação continuada e para o desenvolvimento de práticas pedagógicas inovadoras, valorizando a escuta dos docentes e o reconhecimento de suas experiências.
Este número da InterEspaço reúne textos selecionados a partir do VII Encontro Regional de Práticas de Ensino em Geografia (EREPEG), evento que se constitui como um importante espaço de socialização científica, reflexão crítica e intercâmbio de experiências no campo do Ensino de Geografia. A última edição do EREPEG, realizada entre os dias 02 e 04 de julho de 2025, nas dependências da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em São Luís, teve como tema “Práticas geográficas: construindo saberes com inclusão”, o evento evidenciou a centralidade do Ensino de Geografia frente aos desafios contemporâneos da educação, especialmente no que se refere à construção de práticas pedagógicas voltadas à educação inclusiva.
Concebeu-se a Iconografia como um vasto método a ser explorado pela geografia, para a possibilidade de compreensão e representação do espaço. Considerando que esta traz uma análise aguçada da simbologia nas representações visuais com as quais nos deparamos. Assim sendo, o presente trabalho objetivou destacar como a Iconografia possibilita o ensino da Geografia, em específico a categoria Lugar no Ensino Fundamental – Anos finais, no livro didático de Geografia do Colégio Universitário da Universidade Federal do Maranhão, correlacionando a percepção dos elementos da Iconografia com o conteúdo do livro didático e o espaço vivido pelos alunos, sendo uma pesquisa de análise a nível teórico e não de caráter prática aplicada. Adotamos como método o Materialismo Histórico Dialético, com uma abordagem de caráter qualitativo, houve levantamento de dados bibliográficos e documentais, além disso, realizou-se a análise do livro didático trabalhado na série e na escola em questão, a fim de investigar se a temática da iconografia se faz presente na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), no Componente Curricular Geografia e na aplicação da disciplina em sala de aula Constatou-se que a maneira como as imagens são apresentadas aos alunos não desperta neles um olhar crítico para sua área de vivência, o que poderia permitir a percepção do lugar como um espaço de pertencimento.
Tendo em vista que a Geografia Escolar deve se inserir no desafio coletivo da inclusão, buscando contribuir para a aprendizagem de todos os estudantes, surge para este estudo o seguinte questionamento: qual é o panorama das pesquisas no Brasil sobre o ensino da Geografia para alunos com o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH)? Em resposta, no âmbito de um mestrado em curso, estruturou-se uma investigação de abordagem qualitativa, do tipo estado da arte, cujo objetivo consistiu no levantamento das produções acadêmicas sobre o tema na última década (2015-2024). Para isso, foram realizadas buscas nas bases de dados: Google Acadêmico, Portal de Periódico da Capes, SciELO, BDTD e repositórios das Universidades Federais; considerando aceitos artigos científicos, trabalhos de conclusão de curso, dissertações ou teses disponibilizados na íntegra. Os resultados permitem apontar que, em geral, as produções trazem à tona o despreparo docente para trabalhar com o tema da inclusão escolar de alunos com TDAH, decorrente da ausência ou pouca ênfase do tema nas grades dos cursos de licenciatura em Geografia. As investigações também apresentam diversas propostas metodológicas e recursos que podem favorecer a aprendizagem desses estudantes. No entanto, o levantamento também revelou um hiato quanto aos modelos de avaliação realizados, mesmo diante da crescente presença desse grupo discente no ambiente escolar. Por fim, a baixa produtividade acadêmica sobre o assunto nos últimos anos levanta questionamentos sobre a efetiva inclusão de estudantes com TDAH nas aulas de Geografia e infere a urgência da realização de novas pesquisas relacionadas.
A baixa visão, ou visão subnormal, é um tipo de deficiência visual que se caracteriza como a redução parcial da visão, podendo se apresentar de maneiras diferentes. Dessa forma, representa um desafio para o ensino da Geografia, tornando necessária a existência de metodologias e práticas pedagógicas que possibilitem uma melhor compreensão das temáticas geográficas e que respeitem a individualidade de cada aluno, de acordo com suas habilidades e limitações. Nesse contexto, o Plano Educacional Individualizado (PEI) se torna uma ferramenta importante para facilitar a aprendizagem e a inclusão de alunos com diversos tipos de condições e deficiências, incluindo alunos com baixa visão, sendo realizado de forma conjunta por diversos profissionais de uma escola e a família, baseados na idade, série escolar, competências prévias e grau de desenvolvimento desse aluno. Assim, o trabalho analisa suas características e potencialidades a fim de demonstrar sua relevância para um ensino inclusivo de alunos com visão subnormal na disciplina de Geografia. A metodologia adotada é de caráter qualitativo, com fundamentação teórica acerca dos assuntos abordados, como propostas pedagógicas para a inclusão no ensino de Geografia e a relevância do PEI. Como resultado, torna-se clara a importância e a necessidade da elaboração do PEI de forma colaborativa, bem como sua aplicação nas escolas, com o intuito de integrar alunos de baixa visão nos processos de aprendizagem e auxiliar sua integração na sociedade, o tornando um instrumento essencial para a educação geográfica brasileira, contribuindo para um ensino de qualidade e inclusivo para todos.
O presente trabalho tem como objetivo analisar as percepções dos jovens sobre os problemas ambientais em Maceió e propor estratégias educativas que fomentem a cidadania territorial. A investigação seguiu pressupostos qualitativos e exploratórios, combinando pesquisa documental, revisão bibliográfica sobre Educação Geográfica e cidadania territorial e a execução do projeto “Nós Propomos”, realizado com estudantes do Ensino Médio de uma escola pública em Maceió/AL. Os principais autores que orientaram o estudo foram Callai (2018), Castrogiovanni (2017), Cavalcanti e Souza (2014), Cavalcanti (2023), Santos e Souto (2018) e Souto e Claudino (2019). A oficina “Cidadania e Educação Ambiental no Espaço Urbano” promoveu a construção de olhares críticos sobre o espaço vivido. Por meio da produção de cartazes, registros fotográficos e rodas de conversa, os estudantes identificaram problemas ambientais no entorno escolar e propuseram intervenções simples, porém significativas. Os resultados indicam que a atividade ampliou o senso de pertencimento, estimulando a consciência sobre a responsabilidade na transformação do meio em que vivem. A prática pedagógica colaborativa evidenciou os jovens como sujeitos ativos no território, reforçando a importância da Educação Ambiental na formação cidadã. Muitos estudantes manifestaram interesse em desenvolver projetos de melhoria local, demonstrando que a Educação Geográfica crítica mobiliza saberes e práticas voltadas à construção de espaços urbanos mais justos e sustentáveis. Ao trabalhar questões socioambientais com jovens de escolas públicas, evidencia-se que esses sujeitos percebem sensivelmente os conflitos urbanos, revelando a urgência de cidades ecologicamente equilibradas. Assim, a Educação Geográfica ultrapassa os muros da escola, promovendo uma leitura crítica do espaço e contribuindo para mudanças efetivas na realidade social e ambiental.
O patrimônio cultural é um dispositivo ligado à história e memória de um grupo/comunidade. É um objeto que emerge de disputas de saberes e poderes, dentro de um território. Considerando que esse dispositivo tem sido pouco visibilizado frente às questões suscitadas pela construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte, em Altamira-Pará, esta pesquisa objetivou interrogar a dinâmica atual entre memória coletiva e patrimônio cultural, nessa cidade. Trata-se de pesquisa documental com referencial teórico e metodológico foucaultiano. Foram realizadas seis entrevistas semiestruturadas, questionando-se a relação dos sujeitos com o dispositivo patrimonial. Os materiais discursivos produzidos foram analisados com base na arqueogenealogia. Os resultados referendam a literatura sobre patrimônio cultural e memória, apontando que, em Altamira, os sujeitos construíram, ao longo de suas vivências, relações patrimoniais com determinados fazeres e objetos do território habitado, mesmo não havendo nessa cidade lugares e fazeres reconhecidos pela legislação patrimonial vigente. Esses patrimônios culturais afirmam suas histórias e memórias, feitas e refeitas, mediante processos de reterritorialização provocados pela UHE de Belo Monte.
A construção e implementação de fundos ambientais vem sendo considerado como um significativo instrumento para promoção de uma agenda ambiental global. A estratégia (geo)política global considera tais fundos como mecanismos de enfrentamento e resiliência as mudanças climáticas, por meio de financiamento de projetos e programas ambientais. Logicamente tais fundos ambientais também vêm sendo marcados por diversos interesses e usos: no campo econômico, político e contra-hegemônico. Os fundos comunitários amazônicos (campo contra-hegemônico), por exemplo, tornaram-se um mecanismo e uma ferramenta para fortalecer (a autonomia e) movimentos de luta e resistência os povos indígenas e comunidades tradicionais – ao mesmo tempo tornando-lhes protagonistas do combate a crises e justiças socioambientais sistêmicas, históricas e estruturais. Outros fundos, criados por multinacionais no contexto da responsabilidade social e compensação de crimes socioambientais cometidas, mostram na prática as tensões entre autonomia, dependência, fortalecimento e divisão nas comunidades. Face a isso o objetivo do artigo é descrever e analisar a origem da criação do Fundo Sustentabilidade Hydro e do Fundo Comunitário Ambiental Barcarena-Abaetetuba, assim como os objetivos dos fundos, os grupos sociais beneficiados e os resultados já alcançados.
A infraestrutura verde desempenha um papel muito importante para qualidade ambiental das cidades, especialmente relacionados ao combate da fragmentação de habitats naturais. Diante disso, o presente estudo buscou avaliar a condição da fragmentação florestal na sub-bacia do Córrego Meladeiro, em Sorocaba-SP, a partir de índices espaciais de paisagem. Para tanto, a partir de imagens do satélite Landsat 8, realizou-se: o mapeamento do uso do solo na sub-bacia, o cálculo do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) e das métricas: área, distância do vizinho mais próximo, índice de circularidade e área central para os fragmentos de florestas. Verificou-se que florestas e pastagem ocupam a maior parte da sub-bacia e encontra-se sob fragmentação florestal e fortemente sujeita ao efeito de borda. Isto é evidenciado pelo alto número de fragmentos florestais muito pequenos, com formato moderadamente alongado e baixo índice de área central. Diante disso, ressalta-se a necessidade de planos de gestão para manejo e preservação destas áreas remanescentes, dada sua importância, principalmente em termos de serviços ecossistêmicos.
Propõe-se uma discussão sobre o papel ocupado pela economia brasileira na economia política do sistema mundo a partir de uma ordem global em transição. Esta ordem em transição consiste no arrefecimento do poder global norte-americano observado nas últimas décadas e, por outro lado, no expressivo crescimento econômico da China e o espraiamento territorial de seus investimentos e de seu comércio. Consiste em problematizar o modelo econômico vigente no Brasil, também denominado padrão de acumulação, calcado na expansão da produção de produtos primários e na sua nítida dependência em relação à pauta de exportações.
Resgatar os clássicos da geografia é fundamental para a renovação da ciência, reconstrução e criação de novas leituras de mundo, visto que releituras (re)produzem conhecimento contemporâneo a partir das ideias herdadas. Em outras palavras, o novo, hoje, na ciência geográfica, pode ser produto de releituras de seus clássicos. No âmbito da formação dos geógrafos é de sumária importância que conheçam os clássicos para do herdado retraçar o novo. Pensando em tais questões, o grupo de pesquisa GEPES/Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual do Centro-Oeste/UNICENTRO, em parceria com as atividades proporcionadas pelo Programa Nacional de Pós-Doutorado – PNPD (na figura do bolsista PNPD vinculado aos mencionados grupo de pesquisa e programa de pós-graduação), propôs o curso de extensão “Ideias herdadas para a produção do novo: dez clássicos da Geografia para ler em 365 dias” a Pró-reitora de Extensão e Cultura (PROEC) da UNICENTRO. Assim, foram realizados dez encontros entre os meses de março e dezembro de 2019, nas instalações da UNICENTRO, Campus de Guarapauava/PR, para debater clássicos da Geografia, por meio de seminários coletivos. Deste modo, o objetivo do artigo é versar sobre as atividades desenvolvidas no mencionado curso de Extensão, mais especificamente sobre suas origens, as dinâmicas realizadas e os resultados obtidos.
Este estudo objetiva analisar a tendência climática da chuva, da temperatura do ar e da variabilidade de eventos de seca em quatro regiões do Rio Grande do Sul. Foram utilizados dados mensais de temperatura e chuva de 1970 e 2020. A análise de dados foi feita em relação aos meses de seca distribuídos na escala temporal decadal. O teste de Mann-Kendall foi usado para avaliar a tendência mensal e anual de temperatura e da chuva, enquanto os eventos de seca foram analisados pela frequência. As características de seca estudadas foram: o número de meses e eventos secos, a maior quantidade de meses de seca seguidos (duração máxima), a média de meses de seca (duração média) e sua intensidade máxima. Com a tendência de aumento das temperaturas e a maior frequência de eventos de seca, mais longos e de maior intensidade, associados com a quase inexistência de tendências na chuva, pressupõe-se que o mesoclima destas regiões está tendendo para um ambiente mais quente, seco e de chuvas irregulares.
A hanseníase é uma doença crônica, de alta infectologia, embora de baixa patogenicidade. Essas propriedades estão relacionadas com o agente etiológico, hospedeiro e o grau de endemicidade do meio. O município de Buriticupu e o Maranhão possui histórico de endemicidade. Entre 2010 e 2014, em Buriticupu, registrou-se total de 272 casos, entre 2015 e 2017 a média anual de foi de 35 casos, reforçando questões de relação das características socioambientais com a doença. Utilizou-se método quantitativo descritivo, modelos estatísticos e análise multivariada, com questionários, pesquisa de campo e geoprocessamento nas representações espaciais. Evidenciou associação direta das formas mais graves da hanseníase com baixo grau de escolaridade e renda da população. Do total de entrevistados, 42% são aposentados e 38% agricultores. A variável educação foi determinante no diagnóstico e no tratamento, impactando nas políticas de redução da hanseníase. No serviço de saúde, identificaram-se barreiras no diagnóstico, diagnóstico tardio ou abandono do tratamento. Limitações econômicas dos pacientes e falta de conhecimento permitem que a hanseníase se mantenha na área, assim como características sociais do município.
Visceral leishmaniasis is a neglected tropical disease and a public health issue. The present study analyzed the spatial-temporal behavior of human visceral leishmaniasis in Brazil. This ecological study used secondary data from DATASUS between 2010 and 2020. Male individuals, with brown skin color, and young adults with low education level were the most affected. The disease was reported in all Brazilian regions. The Annual Increase Rate was upwards in the South and downwards in the Midwest. The Northern and Northeastern regions had the worst rates of sanitary overload, illiteracy, and Gini Index. Social and health public policies must be established, aiming at improvements in the socio-economic and environmental conditions of vulnerable populations, which are at a higher risk of falling ill to human visceral leishmaniosis. Improving these conditions shall help with the goals of the 2030 Agenda, which shall result in quality healthcare and wellbeing for the population, regardless of Brazilian region.
This article deals with the rural electrification policy in the state of Maranhão, Brazilian Amazon. The purpose of the research was to analyze the spatial distribution of municipalities of this state, of which some residents, according to results of the 2017 Agricultural Census, declared they had access to electricity, while others declared they did not have access to electricity. It is known that the Amazonregion is the largest producer of hydropower in Brazil. The analytical basisof the article was carried out through an approach on land use planning, rural electrification policies, and energy generation in the Amazon. For the data survey, the results of the Agricultural Census (Excel format) were used, as well as the Municipal Agricultural Production and the energy generation data from ANEEL (National Electric Energy Agency). The combination of these data was included in the ArcGIS software, generating a map of spatial distribution of rural electrification in municipalities of the state of Maranhão. The results indicate that the diffusion of electric energy in the rural areas of Maranhão is predominantly distributed in municipalities that produce soy. It is concluded that the policy of land use planning, based on rural electrification in the Amazon, favored agribusiness territories and produced areas with and without electricity.