
O objetivo do estudo foi analisar a implantação das Equipes de Saúde Bucal (eSB) modalidades I e II nos estados brasileiros, em relação ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Gini e ao tamanho populacional, no período de 2002 a 2020. Trata-se de um estudo ecológico, retrospectivo e longitudinal, com análise de dados secundários, coletados na base de dados do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, IBGE e e-Gestor AB. Foi realizada análise espacial descritiva e, para investigar a associação com os indicadores socioeconômicos, ajustaram-se modelos lineares mistos com efeitos aleatórios. As análises foram conduzidas no software R, utilizando os pacotes lme4 e lmerTest, com nível de significância de 5%. A modalidade I apresentou crescimento expressivo ao longo do período analisado, enquanto a modalidade II teve uma expansão mais modesta. Apenas a associação entre a modalidade I e o IDH foi estatisticamente significativa (β = 6,44; p = 0,0359), indicando que o aumento de uma unidade no IDH está associado a um acréscimo de 6,44 unidades na taxa de cobertura da modalidade I, considerando as variações entre os estados e os anos. As regiões Sul e Sudeste apresentaram, majoritariamente, combinações de alto IDH com coberturas médias ou altas de eSB mod. I, indicando uma associação positiva entre o nível de desenvolvimento humano e a oferta dos serviços. O Nordeste, apesar de abrigar diversos estados com baixo IDH, revelou casos como Maranhão e Piauí com elevada cobertura de eSB, sugerindo a atuação de políticas compensatórias. Já no Norte, predominou a combinação de baixo IDH com coberturas baixa ou média de eSB mod. I, refletindo maiores desafios em termos de desenvolvimento e acesso aos serviços. O estudo reforça a expansão dos serviços com a Política Nacional de Saúde Bucal e destaca a necessidade de promover equidade na oferta, especialmente em contextos de vulnerabilidade.
O cuidado humanizado na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) é um tema importante, que reflete na assistência de enfermagem. O objetivo do estudo foi de compreender a percepção dos enfermeiros sobre humanização numa Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, e para tanto, foi realizada uma pesquisa de campo, descritiva e exploratória, com abordagem qualitativa, realizada em um hospital público de referência no oeste do Paraná. Participaram três enfermeiras atuantes na UTIN. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas, e os conteúdos foram analisados segundo a técnica de análise de conteúdo proposta por Minayo (2012), permitindo a categorização das falas e sua interpretação à luz da literatura científica. Como resultados, a análise revelou três categorias principais: (I) desconhecimento acerca da humanização e da capacitação da equipe; (II) dificuldades enfrentadas na prática assistencial; e (III) estratégias utilizadas para tornar o cuidado humanizado. Observou-se que a Política Nacional de Humanização é pouco difundida entre os enfermeiros, sendo aplicada de modo empírico. As principais dificuldades referem-se à limitação estrutural, à falta de recursos e à alta rotatividade de profissionais. Contudo, destacam-se práticas sensíveis, como o contato pele a pele, a colostroterapia e o uso de ninhos e polvos, que fortalecem o vínculo mãe-bebê e humanizam o cuidado. Evidencia-se que a humanização depende tanto de condições estruturais e institucionais quanto da disposição afetiva e ética da equipe. Conclui-se que a humanização na UTIN é um processo em construção, que requer investimentos contínuos em capacitação, valorização profissional e adequação estrutural. A criação de espaços de escuta, o fortalecimento da educação permanente e a gestão participativa são estratégias essenciais para consolidar práticas humanizadas, garantindo o bem-estar do neonato, da família e da equipe de enfermagem.
Mapear na literatura científica as percepções dos profissionais de saúde em relação à tentativa de suicídio em crianças e adolescentes.Trata-se de uma revisão de escopo desenvolvida conforme metodologia do Joanna Briggs Institute (JBI) e relatada segundo diretrizes PRISMA-ScR. O protocolo foi registrado no Open Science Framework (DOI: 10.17605/OSF.IO/3NMUB). A busca sistemática foi realizada nas bases PubMed, Web of Science, SCOPUS, Embase e Biblioteca Virtual da Saúde, além de literatura cinzenta. A questão norteadora seguiu estratégia PCC: "Quais são as percepções dos profissionais da saúde sobre tentativa de suicídio infantojuvenil?". Foram incluídos estudos qualitativos em português, inglês e espanhol. De 750 estudos identificados, 10 foram incluídos na análise final, representando pesquisas do Reino Unido, Nicarágua, Holanda, Brasil, França, Austrália e Estados Unidos. Nove estudos apresentaram nível de evidência IV e um nível III segundo classificação JBI. A análise revelou percepções profissionais heterogêneas, evidenciando desafios na capacitação, presença de estigmas, dificuldades no manejo clínico e necessidade de protocolos específicos para populações infantojuvenis. Os profissionais relataram sentimentos de despreparo, ansiedade e frustração ao atender casos de tentativa de suicídio em jovens. Identificaram-se barreiras relacionadas à comunicação com pacientes pediátricos, falta de treinamento específico e recursos inadequados nos serviços de saúde. O estudo evidenciou lacunas significativas na formação dos profissionais de saúde para manejo adequado de situações de risco suicida infantojuvenil, destacando a necessidade de estratégias de educação permanente e desenvolvimento de protocolos clínicos específicos no âmbito do SUS.
O diabetes mellitus (DM) é uma condição crônica de alcance mundial, com aumento significativo de casos nos últimos anos. Embora a educação e o suporte para o autogerenciamento sejam fundamentais para melhorar os resultados relacionados ao diabetes, barreiras como recursos escassos e acesso limitado dificultam os cuidados. A teleducação surge como estratégia viável para promover a equidade e o empoderamento das pessoas com DM, utilizando tecnologias de informação e comunicação para oferecer educação a distância. Este estudo teve como objetivo realizar uma análise conceitual do termo "Teleducação em diabetes mellitus" pelo método evolucionário de Rodgers. A pesquisa envolveu revisão de literatura nas bases SciELO, LILACS, PubMed e Scopus, Google Scholar, CAPES e BBDTD, analisando antecedentes, atributos e consequentes do conceito. A amostra final consistiu em 10 estudos publicados entre 2003 e 2024. Os resultados destacaram benefícios como melhoria do autocuidado, controle glicêmico, redução de custos e acesso ampliado à educação em saúde, especialmente em áreas remotas. A discussão ressaltou que a teleducação em diabetes promove o aprendizado, empoderamento e qualidade de vida, integrando novas tecnologias ao manejo da doença. No entanto, limitações relacionadas à escassez de estudos indicam a necessidade de pesquisas futuras. Conclui-se que a teleducação, ao integrar estratégias personalizadas e acessíveis, representa uma abordagem eficaz para o cuidado integral em diabetes.
O autocuidado assume papel central na formação médica contribuindo para a preservação da saúde física e mental dos estudantes e reduzindo riscos de adoecimento relacionados ao estresse, à ansiedade e ao burnout. Este estudo, conduzido como revisão integrativa, buscou evidências sobre o autocuidado no curso médico, visando elevar a qualidade de vida e a satisfação acadêmica entre estudantes. A busca foi realizada nas bases de dados PubMed, SciELO, LILACS e BVS, resultando em 148 registros, dos quais 11 estudos foram incluídos na síntese final. Os trabalhos selecionados abordaram modelos teóricos de bem-estar, intervenções de mindfulness, programas institucionais e contextualizações socioculturais, evidenciando efeitos consistentes, como redução de 25–30% nos níveis de estresse, burnout e ansiedade, além de ganhos em satisfação acadêmica e percepção de apoio institucional. Persistem, contudo, lacunas estruturais apontando que apenas 18% dos estudantes brasileiros relatam sentir-se preparados para gerenciar o próprio estresse. Observa-se que a maioria das intervenções indica apenas indicadores imediatos, sem contemplar competências centrais de autocuidado, como autocompaixão, gestão do tempo e definição de limites éticos. Entre as barreiras recorrentes estão currículos sobrecarregados, cultura de sacrifício, recursos limitados e estigma em saúde mental, o que evidencia a necessidade de políticas institucionais explícitas, capacitação docente e integração transversal do tema ao currículo. Considera-se que o autocuidado deve constituir um eixo transversal da formação médica, sustentado por governança acadêmica, tecnologias educacionais e métricas robustas, a fim de formar profissionais resilientes e empáticos.
Esta revisão narrativa teve como objetivo analisar criticamente a literatura recente sobre intervenções baseadas em exercício físico aplicadas a indivíduos com paralisia cerebral (PC), com ênfase na melhora da função motora e nas implicações clínicas. A partir da análise de estudos publicados entre 2015 e 2025, foram identificadas evidências consistentes de que o exercício físico estruturado contribui significativamente para ganhos em força muscular, equilíbrio, controle motor, marcha e qualidade de vida, tanto em crianças quanto em adultos com PC. Intervenções como treinamento de força, realidade virtual, exercícios de estabilidade de core e programas aeróbicos demonstraram impacto positivo na funcionalidade. Contudo, os achados também indicam limitações metodológicas em parte da literatura, bem como a necessidade de maior inclusão de adultos com PC e o fortalecimento da continuidade do cuidado ao longo da vida. Conclui-se que o exercício físico deve ser considerado um direito terapêutico fundamental, e futuras pesquisas devem ampliar o rigor metodológico e a diversidade populacional dos estudos.
A revascularização pulpar (RP) consiste no restabelecimento do fluxo sanguíneo intrapulpar, após desinfecção da cavidade pulpar, por indução de sangramento apical, por meio do qual as células-tronco da região periapical alcançam o espaço do canal radicular e se diferenciam em um novo tecido conjuntivo semelhante à polpa. Objetivo: Descrever a técnica de RP utilizando cimento biocerâmico em incisivo central superior com rizogênese incompleta de paciente adulto. Relato de caso: Paciente do gênero feminino com 37 anos de idade procurou tratamento endodôntico para um dente com ápice aberto. O exame radiográfico revelou lesão periapical radiolúcida extensa. O tratamento de RP foi realizado em duas sessões, utilizando clorexidina (CLX) 2% como única solução antimicrobiana, EDTA 17% como solução quelante, agitação ultrassônica passiva dos irrigantes, e pasta de hidróxido de cálcio Ultracall XS® como medicação intracanal entre sessões por 7 dias. Na segunda consulta, após confirmação da ausência de sinais e sintomas de infecção secundária ou persistente, o sangramento intracanal foi induzido por instrumentação excessiva com uma lima manual K #25 posicionada 2 mm além do forame apical. Sobre o coágulo sanguíneo, foram colocados sequencialmente uma esponja hemostática de colágeno reabsorvível (Hemospon®), um tampão cervical de MTA Angelus® e uma base de cimento de ionômero de vidro. A cavidade de acesso foi restaurada com resina composta Master Fill®. Conclusão: Doze meses após conclusão da RP, o dente estava assintomático e com sinais de reparo da lesão periapical e de fechamento do ápice radicular, demonstrando sucesso do tratamento.
No Brasil, o crescimento das Instituições de Ensino Superior (IES) ampliou significativamente o número de pessoas inseridas no cotidiano acadêmico, o que tem suscitado discussões sobre os impactos desse ambiente na saúde e no bem-estar dos estudantes. Contudo, ainda são limitados os estudos que investigam a relação entre o contexto acadêmico e a qualidade de vida (QV) de estudantes de Enfermagem. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo avaliar a qualidade de vida de estudantes de Enfermagem em diferentes períodos acadêmicos, identificando fatores que a influenciam e suas associações com dados sociodemográficos. Quanto aos métodos, trata-se de um estudo descritivo, observacional e quantitativo, realizado com estudantes de Enfermagem de uma universidade privada do estado de São Paulo, Brasil. A coleta de dados ocorreu durante uma semana no primeiro semestre de 2023, por meio de um formulário eletrônico aplicado presencialmente. Utilizou-se o instrumento WHOQOL-BREF, validado no Brasil, e um questionário sociodemográfico. Todos os participantes foram informados sobre os objetivos do estudo e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Em relação aos resultados, dos 458 estudantes elegíveis, 137 participaram do estudo. A maioria exercia atividade laboral (79,6%), sendo 17,5% com mais de um vínculo empregatício. Os menores escores de qualidade de vida foram observados nos domínios psicológico (54,3) e ambiental (50,1), enquanto os domínios: físico (60,0) e relações sociais (60,2) apresentaram valores mais elevados. Conclui-se que a sobrecarga acadêmica e o trabalho associaram-se a pior qualidade de vida entre os estudantes, reforçando a necessidade de estratégias de suporte institucional.
O presente estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico da neoplasia maligna do estômago no Brasil, entre os anos de 2020 e 2024, considerando variáveis como faixa etária, sexo, raça/cor, número de internações e óbitos. A análise buscou identificar padrões regionais e demográficos da doença, a fim de subsidiar estratégias de saúde pública voltadas à prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado. A metodologia consistiu em um estudo descritivo, de abordagem quantitativa, com dados extraídos do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Os resultados indicaram maior prevalência de casos nas regiões Sudeste e Sul, especialmente entre indivíduos com idade superior a 50 anos, do sexo masculino e autodeclarados brancos ou pardos. O número de internações e óbitos foi expressivo, com variações anuais que apontam para possíveis oscilações na capacidade de diagnóstico e tratamento da doença ao longo do período analisado. A discussão evidenciou que a distribuição regional da neoplasia pode estar relacionada não apenas à incidência real da doença, mas também a fatores como desigualdade no acesso aos serviços de saúde e diferenças estruturais regionais. Ademais, aspectos como envelhecimento populacional, hábitos de vida e determinantes sociais da saúde foram destacados como influências relevantes na ocorrência e nos desfechos da doença. Conclui-se que o câncer gástrico permanece como uma importante causa de morbimortalidade no Brasil. A análise reforça a necessidade de políticas públicas que promovam o diagnóstico precoce, o tratamento oportuno e a redução das desigualdades regionais no acesso à atenção oncológica. Sugere-se, ainda, o desenvolvimento de estudos futuros que integrem variáveis clínicas, sociais e territoriais para uma compreensão mais abrangente do problema.
Objetivo: identificar e analisar as práticas tradicionais de cuidado no ciclo gravídico-puerperal indígena no contexto latino-americano. Metodologia: revisão integrativa conduzida nas bases de dados MEDLINE, LILACS e MOSAICO, a partir dos descritores “Gravidez”, “Parto”, “Período Pós-parto” e “Cultura Indígena”. Os critérios de elegibilidade foram artigos originais publicados entre 2020 e 2025, em português, inglês ou espanhol, que abordavam práticas tradicionais no ciclo gravídico-puerperal. A amostra final abrangeu 22 estudos provenientes de nove países latino-americanos. Resultados: os achados destacam o predomínio do parto natural, a centralidade das parteiras tradicionais, o uso de ervas, rituais espirituais e normas alimentares específicas no puerpério. Identificou-se a dimensão sagrada do corpo feminino, a espiritualidade do nascimento e a participação comunitária como fundamentos do cuidado. Persistem tensões entre saberes tradicionais e práticas biomédicas nos serviços públicos de saúde. Conclusão: as práticas tradicionais indígenas constituem sistemas complexos de cuidado à saúde materno-infantil, que transcendem o corpo biológico e reforçam vínculos comunitários e espirituais. Os resultados subsidiam a formação intercultural em saúde e orientam políticas públicas que reconheçam e integrem os saberes ancestrais de forma respeitosa e equitativa.
Os jogos de tabuleiro demonstram eficácia no engajamento dos usuários no aprendizado sobre doenças, ao incentivar hábitos saudáveis, adesão à terapia e melhoria da qualidade de vida. Objetivo: Descrever o processo de construção de um jogo educativo para educação, promoção da saúde e melhoria da qualidade de vida de indivíduos com Hipertensão Arterial. Materiais e métodos: Pesquisa metodológica seguindo as etapas: revisão da literatura, adaptação temática, organização de dados, construção do jogo e validação por experts. A validação ocorreu pela pesquisa dos juízes na plataforma do Curriculum Lattes e envio do formulário pelo Google forms. Aplicou-se o Índice de Validade de Conteúdo (IVC) nos critérios de “abrangência”, “pertinência”, “clareza” e “aparência” nos itens do jogo. Resultado: Foi criado um jogo de tabuleiro com 43 casas, incluindo 14 perguntas, 11 coringas, quatro dicas de enfermeiro, quatro punições, uma frase motivacional e nove setas. Treze juízes avaliaram o jogo, a partir de 36 itens no formulário de validação, analisando o IVC. Desses, os itens dois e 34 não atingiram IVC ≥0,80; os itens seis e 12 não atingiram IVC ≥0,80 para “clareza”. O item 35 não obteve IVC ≥0,80 para “aparência”. Os demais atingiram o IVC (≥0,80). A segunda versão do jogo, resultado de modificações aceitas, inclui um tabuleiro, cinco peões e 30 flashcards, mantendo a mecânica original. A tecnologia foi considerada válida nos aspectos avaliados. Conclusão: foi possível construir e validar o jogo de tabuleiro “Sobre Pressão” com abordagem dinâmica e lúdica para o público-alvo.
Objetivo: Apresentar um estudo de caso sobre o a construção e utilização de um modelo analítico para estimar custos variáveis hospitalares na Rede SUS, integrado a múltiplas bases de dados dos sistemas de informação em saúde. Metodologia: o modelo foi construído com base na exportação e análise dos relatórios de custos unitários do Sistema de Apuração e Gestão de Custos do SUS (APURASUS); compatibilização da produção com o sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses, Próteses e Materiais Especiais do SUS (SIGTAP) e Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES); consolidação de dados de pagamento e análise dos incentivos; inclusão da metodologia de Grupos de Diagnósticos Relacionados (DRG) para ajuste de complexidade. A coleta de dados ocorreu em janeiro de 2025, contemplando nove hospitais contratualizados e dados referentes ao período entre janeiro de 2022 e dezembro de 2024. Resultados: O modelo construído permitiu estimar custos variáveis por paciente-dia, identificar discrepâncias entre hospitais contratualizados do SUS e avaliar a eficiência operacional ajustada à complexidade assistencial. Foram observadas variações significativas nos custos operacionais entre unidades, identificação de discrepâncias por paciente-dia e utilidade do modelo para renovação de contratos, planejamento de oferta e avaliações epidemiológicas. Conclusão: a experiência mostrou que o uso de ferramentas analíticas contribui para maior eficiência, sustentabilidade e qualidade na gestão hospitalar, podendo servir de referência para outras instituições de saúde pública.
Introdução: A resistência antimicrobiana (RAM) é caracterizada pela capacidade dos microrganismos de sobreviverem à ação de medicamentos anteriormente eficazes, dificultando o controle das infecções e comprometendo os resultados terapêuticos. Esse fenômeno é impulsionado pelo uso impróprio, frequente ou excessivo de antimicrobianos, favorecendo a seleção de cepas resistentes. Durante a pandemia de COVID-19, observou-se um aumento expressivo na prescrição indevida de antibióticos, com destaque para a azitromicina, amplamente utilizada mesmo na ausência de evidências científicas que comprovassem sua eficácia contra o SARS-CoV-2. Esse uso indiscriminado contribuiu para o agravamento da RAM, consolidando-a como um dos principais desafios atuais da saúde pública global. Metodologia: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, cujo objetivo foi avaliar as mudanças na RAM durante a pandemia de COVID-19 e o papel do uso excessivo de antibióticos no aumento da resistência, com foco na azitromicina. Foram consultadas as bases de dados Medline e BVSALUD, por meio de amostragem intencional, resultando na identificação de 95 artigos, dos quais 7 foram incluídos. Os critérios de inclusão contemplaram estudos que relacionassem a COVID-19 à resistência à azitromicina, sendo excluídas pesquisas com modelos animais. Resultados: Os estudos analisados evidenciam que o uso indiscriminado de antibióticos durante a pandemia, especialmente da azitromicina, contribuiu para o avanço da resistência antimicrobiana, com impacto negativo no tempo de internação hospitalar e no perfil das infecções nosocomiais. Três dos sete estudos incluídos relataram aumento da resistência associado ao uso desse fármaco. Conclusão: A pandemia de COVID-19 acelerou o consumo inadequado de antimicrobianos, evidenciando a necessidade urgente de estratégias voltadas ao monitoramento, à prescrição racional e à restrição da dispensação de antibióticos sem indicação médica.
O tendão calcâneo é o maior e mais forte tendão do organismo, sujeito a tendinopatias. O foco de estudos desse tipo de tecido fica restrito às lesões e aos possíveis tratamentos e, portanto, é fundamental que a coleta dos tendões e o preparo das lâminas sejam cautelosas a fim de não perder as amostras. Na literatura não há estudos que apresentem detalhadamente esses protocolos. Sendo assim, o objetivo desse trabalho foi o estabelecimento do melhor protocolo de coleta e preparo de lâminas do tendão calcâneo de ratos Wistar. Para tal, 80 ratos Wistar foram submetidos à eutanásia e imediata coleta do tendão. Os animais foram divididos em 16 grupos variando quanto à associação do tendão com pele, grupo muscular e articulação tíbio-társica, além do posicionamento do tecido no bloco de parafina (topo ou fundo do bloco). As amostras foram fixadas em formol a 10%, processadas por técnica histológica convencional e coradas por hematoxilina e eosina. A avaliação histológica foi realizada por meio de escores ordinais referentes à presença de fibroblastos, arranjo das fibras colágenas, disposição do estroma e organização celular. Os dados foram submetidos ao teste de Kruskal–Wallis, seguido do pós-teste de Dunn (p<0,05). Os resultados indicaram variação descritiva na qualidade histológica entre os diferentes protocolos avaliados, especialmente relacionada à organização celular e ao arranjo do colágeno. O posicionamento do tendão com pele no fundo do bloco apresentou melhor preservação estrutural de forma descritiva. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre as espessuras de corte de 2 µm e 5 µm. Conclui-se que a padronização do posicionamento do tecido no bloco e da orientação de corte é o principal fator determinante para a qualidade e reprodutibilidade da avaliação histopatológica do tendão calcâneo.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é marcado por danos na interação social, desordem na comunicação e comportamentos repetitivos. O objetivo do estudo é verificar a influência da gameterapia sobre o equilíbrio, imagem corporal e interação social em crianças com TEA. Metodologia: Participaram do estudo 27 crianças com diagnóstico de TEA com níveis de suporte 1 e 2, de 3 à 11 anos, atendidos no Centro de Reabilitação e Organização Neurológica do Pará - IONPA, durante 12 sessões por 30 minutos cada atendimento, 3 vezes na semana com gameterapia utilizando de jogos Wii Sport e Just Dance e avaliados antes, durante e após tratamento por meio do Questionário de Comunicação Social - SCQ; da Escala de Equilíbrio Pediátrica - EEP e da Escala de Desenvolvimento Motor - EDM. Utilizou-se para normalidade dos dados o teste Shapiro Wilk seguido do Teste de ANOVA de Friedman (p ≤ 0,05). Resultados: Observou-se aumento dos valores médios significativos durante e após o tratamento se comparado ao pré-tratamento e entre a 6 ª sessão e a 12 ª sessão para os escores totais da EEP e teste de rapidez pela EDM (p < 0.001), bem como na EEP das 14 atividades 5 mostraram valores maiores entre o pré e o pós-tratamento (p < 0.001). No SCQ houve uma frequência maior de respostas “geralmente” em todos os domínios no pós tratamento (p < 0.001). Ademais, como resultado qualitativo, ao final das 12 sessões, o depoimento dos responsáveis no que se refere a mudança na rotina dos pacientes após os atendimentos foi relatado que despertou o interesse nas crianças tanto pela música como pela dança, assim como redução no tempo de telas em casa, na irritabilidade e maior participação social na escola, o que gerou interesse por novas atividades. Conclusão: Desse modo, o protocolo de gameterapia proposto gerou resultados positivos e benéficos para o equilíbrio, imagem corporal e interação social das crianças com TEA, sendo então considerada um método mais ativo no tratamento dessas crianças, uma vez que é lúdico e chama atenção das mesmas, fazendo com elas tenham ainda mais interesse durante o tratamento e sejam mais adeptas do que nos tratamentos tradicionais.
A literacia para a saúde constitui elemento essencial para a compreensão e utilização de informações relacionadas ao bem-estar e à qualidade de vida, assumindo relevância crescente no campo da formação médica. Este estudo teve como objetivo avaliar os níveis de literacia para a saúde e suspeição de transtornos mentais comuns em estudantes de Medicina, bem como investigar sua associação com fatores sociodemográficos. Trata-se de pesquisa quantitativa, descritiva e transversal, realizada com 163 estudantes, por meio de questionário sociodemográfico, escala validada de literacia para a saúde e Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20). Os resultados indicaram que 95% dos participantes apresentaram nível suficiente de literacia para a saúde, com associação significativa entre literacia e percepção de estar bem-informado (p<0,001), mas sem correlação com variáveis como gênero, idade ou renda. Quanto aos transtornos mentais comuns, 39,3% apresentaram indicadores de sofrimento psíquico, com maiores médias entre mulheres e pessoas em tratamento psicológico. Não foi identificada associação significativa entre literacia para a saúde e transtornos mentais comuns. Conclui-se que os estudantes avaliados apresentam elevados níveis de literacia para a saúde, o que pode influenciar positivamente a futura prática médica.
Os Agentes de Combate às Endemias desempenham papel relevante na vigilância e controle de doenças, estando frequentemente expostos a múltiplos fatores de risco laboral e psicossocial. O presente estudo teve como objetivo descrever o perfil sociodemográfico e as condições de saúde autorreferidas desses profissionais. Trata-se de um estudo epidemiológico, transversal e descritivo, realizado entre julho e agosto de 2024, no município de Montes Claros (MG), com 304 Agentes de Combate às Endemias em exercício da função. Os dados foram coletados por meio de questionário estruturado e autoaplicável, elaborado com base em instrumentos validados e nas diretrizes do Ministério da Saúde (2009). As análises foram conduzidas no software SPSS 20.0, utilizando estatística descritiva. Os resultados evidenciaram predominância do sexo masculino (82,2%) e concentração na faixa etária entre 40 e 59 anos (50,7%), com ensino médio completo ou superior (80,6%) e renda familiar entre dois e cinco salários-mínimos (80%). A maioria apresentava mais de dois anos de atuação profissional (63,5%) e vínculo consolidado com o serviço público. Em relação à saúde, as condições foram autorreferidas, com maior frequência de ansiedade, problemas na coluna vertebral e hipertensão arterial. Conclui-se que os Agentes de Combate às Endemias de Montes Claros apresentam perfil sociodemográfico caracterizado por vínculos laborais consolidados e elevada frequência de condições de saúde autorreferidas, o que reforça a necessidade de ações institucionais voltadas à promoção da saúde, à vigilância em saúde do trabalhador e à melhoria das condições de trabalho. Ressalta-se a importância de estudos multicêntricos que ampliem a compreensão sobre as condições de vida, trabalho e saúde desses profissionais.
Os transtornos do neurodesenvolvimento (TNDs), como o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (TDC), são frequentemente caracterizados por déficits cognitivos, sociais e comportamentais. Contudo, evidências científicas recentes, especialmente de estudos publicados entre 2024 e 2025, têm sugerido que as disfunções motoras podem ser dimensões intrínsecas e fundamentais desses transtornos, e não apenas comorbidades. Este artigo, configurado como uma revisão narrativa, argumenta que a psicomotricidade, fundamentada na cognição incorporada e apoiada por estudos recentes, pode ser considerada um pilar relevante, e não apenas complementar, no tratamento de indivíduos com TNDs. A intervenção psicomotora, ao focar na relação entre corpo, movimento e mente, oferece uma via terapêutica promissora para aprimorar não apenas as habilidades motoras, mas também as funções cognitivas, o desempenho em atividades diárias e, potencialmente, os sintomas nucleares dos próprios transtornos.
A obesidade é uma doença crônica caracterizada por acúmulo excessivo de gordura corporal, associado a alta morbidade e mortalidade. O tratamento da obesidade envolve abordagens nutricionais, medicamentosas e mudança de estilo de vida, além de intervenções mais invasivas, como cirurgia metabólica e bariátrica (CMB). A CMB é uma estratégia de controle da obesidade apresentada a pacientes já submetidos a outras formas de tratamento e com resultados pouco significativos. O presente estudo foi concebido para descrever o comportamento da pressão arterial e da variabilidade da frequência cardíaca (VFC) em pessoas obesas submetidas a tratamento com CMB. Trata-se de uma revisão bibliográfica narrativa, de caráter exploratório, realizada a partir de consulta às seguintes bases de dados: PUBMED, SCIELO, Google Scholar e Periódicos Capes. Foram considerados artigos completos publicados entre os anos de 2002 e 2025. A partir dos estudos analisados, foi possível notar que a CMB pode impactar diferentes aspectos morfofuncionais, além de resultar em efeitos na secreção de hormônios intestinais, controle da pressão arterial e da VFC. Faz-se necessário que mais investigações sejam realizadas em diferentes delineamentos, para que se estabeleçam evidências confiáveis que sirvam de suporte para a tomada de decisão em saúde, especialmente quando se trata dos desfechos a longo prazo da cirurgia.
O acesso venoso é crucial em urgências para rápida administração de fármacos e fluidos. Em pediatria, devido a particularidades anatômicas, o acesso periférico pode falhar; nesses casos, a punção intraóssea, não sujeita a colapso vascular, é alternativa eficaz. Objetivo: avaliar o papel da equipe de enfermagem nas infusões intraósseas em emergências pediátricas intra-hospitalares. Método: revisão integrativa (2015–2025) em SciELO, PubMed, BVS e Google Acadêmico, nas línguas português, inglês e espanhol; amostra final: 16 estudos. Resultado: em situações críticas a punção intraóssea é rápida, indicada após falha nas punções venosas, embora sua efetividade dependa de adequada escolha do sítio, treinamento e protocolos institucionais. Conclusão: a punção intraóssea é eficaz, rápida e segura, porém subutilizada por falta de capacitação e protocolos institucionais; recomenda-se ampliar treinamentos e padronização institucional.