
O presente artigo constitui um texto introdutório à tradução do quarto capítulo da obra Nostra signora del mar dolce: missioni e paesaggi di Amazzonia, intitulado “Jambú-Assú e a aldeia”, publicado em 1901 e fruto da viagem empreendida por Gemma Ferruggia ao Pará e ao Amazonas em 1898. No trecho em questão, a autora narra os oito dias que passa no atual município de São Francisco do Pará e aproveita que não pode participar da ida à aldeia Maracanã para se concentrar na descrição da paisagem, dos hábitos e da cultura local. Além de apresentar a autora, os motivos de sua viagem e os temas de que trata no capítulo, com especial atenção à intertextualidade da narrativa de Ferruggia e à sua visão eurocêntrica e exotizante do Brasil, o texto também discute algumas das escolhas tradutórias feitas, que visam principalmente à exotização do texto de partida para que sua leitura possa ser percebida como uma viagem cultural e uma viagem no tempo para o leitor contemporâneo (segundo indicações de Santos, 2014). Também são apresentadas as fontes bibliográficas dos cantos populares transcritos por Ferruggia.
No presente artigo, buscamos discorrer sobre a tradução para o português do Brasil do capítulo “Haute-Amazone”, que compõe o livro Voyage aux Provinces Brésiliennes du Pará et des Amazones en 1860, précédé d'un rapide coup d'oeil, sur le littoral du Brésil, de Alejandro de Belmar. Originalmente escrito em francês, o livro é publicado em Londres em 1861 e apresenta os relatos desse viajante pelo litoral brasileiro até a região do Alto Amazonas. Nesse sentido, buscamos evidenciar os desafios inerentes à tradução de um relato de viagem de um explorador francês publicado no século XIX bem como apresentar uma leitura crítica sobre o olhar exógeno e colonizatório que permeia o pensamento e as reflexões de Belmar e de sua recepção crítica.
O objetivo desse trabalho é considerar, por meio das trilhas tradutórias do texto de Emilie Snethlage, algumas reflexões sobre os impasses e os deleites das experiências desafiadoras e instigantes construídas pela autora em seu percurso expeditório pelos rios Iriri e Curuá. Através da tradução, pudemos refazer as trilhas da autora, percorrendo, por um lado, caminhos tortuosos e, por outro, prazerosos, mas principalmente, absorvendo aprendizados mais humanos e valiosos para o nosso caminhar. A título de exemplo, o respeito às diversas formas de vida em sua singularidade. Por meio dessa tradução, aprendemos a construir pontes, diálogos e aventuras cheias de desafios e pedras no meio do caminho, porém com sabores diversos e fôlegos de fortes emoções. Pelo olhar desbravador de Snethlage, temos a oportunidade de ampliar as estreitas fendas de nossa visão sobre o mundo e, assim, aprendemos mais e melhor sobre a vida e a natureza, tendo, ademais, a chance de conviver de maneira leve e respeitosa com outros seres viventes.
Esta ecotradução comentada apresenta descrições e uma leitura crítica sobre o processo tradutório do texto “Aspects of Amazonian Vegetation and Animal Migration”, capítulo XXIII do livro de Richard Spruce, Notes of a Botanist on the Amazon and Andes, escrito durante a segunda metade do século XIX e publicado em 1908. O texto é aqui traduzido para o português brasileiro sob o título “Aspectos da Vegetação Amazônica e da Migração Animal”. Os comentários sobre o processo tradutório do texto apresentam uma leitura histórico-crítica, levando em conta questões temporais e sociais observadas sobre a exploração florestal, justificada pela necessidade de pesquisa da fauna e flora da Amazônia, e de observações humanísticas e sociais sobre os sujeitos envolvidos na exploração à época. São levados em consideração, também, o contexto histórico atual e uma breve descrição de quem foi Spruce, objetivando captar aspectos estilísticos do autor que possam ter influenciado as escolhas tradutórias. Objetivamos reforçar o valor documental, histórico e de preservação ambiental por meio da tradução de textos que retratem a exploração e a pesquisa na Amazônia em período colonial.
Entre setembro de 1873 e março de 1875, o geólogo britânico Charles Barrington Brown, acompanhado de outros pesquisadores, embarcou em uma expedição com o objetivo de explorar a região amazônica. O resultado dessa jornada foi o relato Fifteen Thousand Miles on the Amazon and Its Tributaries, publicado em 1878, o qual é o objeto da tradução proposta neste artigo. Baseada nas expedições de Brown pela bacia amazônica, a obra descreve a extensa rede de rios da região, suas paisagens deslumbrantes e as vivências do autor durante a travessia, incluindo os desafios enfrentados e as interações com as comunidades indígenas. Este artigo apresenta sua obra, comentários sobre nossa proposta de tradução do prefácio e do primeiro capítulo, com ênfase para as epifanias do autor, analisadas através da lente teórica da ecotradução.