
O artigo apresenta um panorama dos podcasts de história nos Estados Unidos, enfatizando seu rápido crescimento enquanto ferramenta de divulgação histórica para públicos não especializados. A autora explica por que os podcasts são eficazes para comunicar história, destacando a intimidade da narração oral, a conveniência da escuta e a predisposição humana para histórias. O texto descreve também o aumento exponencial de ouvintes e programas, analisando exemplos de podcasts independentes e institucionais e mostrando como historiadores profissionais e amadores usam o formato. O artigo ainda examina o uso dos podcasts como recurso pedagógico e como estratégia de museus e instituições de memória para engajar o público. Por fim, o artigo conclui que os podcasts fortalecem a compreensão histórica, ampliam o alcance dos historiadores e oferecem um meio poderoso de comunicação do passado.
Este artigo analisa resistências à vacinação como fenômeno histórico e de História Pública, destacando a permanência de discursos antivacinais do século XIX à pandemia de COVID-19. Desde a introdução da vacina jenneriana, circularam rumores e críticas – religiosas, morais e médicas – que moldaram percepções sociais sobre saúde e ciência. No contexto da COVID-19, esses enunciados foram reatualizados e amplificados pelas redes sociais, instrumentalizados politicamente e associados à disseminação de fake news. A comparação entre fontes históricas, como Gazeta de Lisboa e Correio Braziliense, e produtos contemporâneos de divulgação científica e institucional da Fiocruz: Radis, ENSP, Museu da Vida, evidencia como boatos e memórias coletivas constituem usos do passado que afetam políticas de saúde. Ao articular cultura histórica e comunicação pública da ciência, o estudo demonstra que a memória da vacinação é constantemente reconfigurada, sendo fundamental para enfrentar desinformação e fortalecer a confiança social em práticas de saúde coletiva.
O presente artigo trabalha com a construção do conceito de Cultura Histórica, surgido na Didática da História (Geschichtsdidaktik) na Alemanha nos anos 1970, que busca compreender como as sociedades lidam com o passado. Inicialmente focado em instituições acadêmicas e escolares, o conceito expandiu-se para incluir a interação entre narrativas históricas, performances, infraestruturas mnemônicas e concepções subjacentes da área da História. Tal expansão são essenciais para um estudo intercultural e inclusivo pensando a expansão sobre os estudos históricos e suas fontes, especialmente nas dinâmicas contemporâneas multiculturais. Destaca-se também os desafios das abordagens tradicionais, como a exclusão de concepções não ocidentais e a tendência de deslegitimar narrativas divergentes da cultura escrita como as estruturas orais e mitos. Destaca-se ainda mudanças no regime de historicidade, como o presentismo, que influenciam a relação atual com o passado. Este trabalho busca enfatizar a importância da Cultura Histórica para refletir criticamente sobre práticas das construções dinâmicas da História, promovendo diálogo intercultural e reconhecimento de diferentes experiências históricas.
O presente artigo analisa a aproximação entre História Pública e Ensino de História a partir de atividades desenvolvidas por graduandos Guarani e Kaiowá do curso de História da UEMS, no Mato Grosso do Sul, por meio do PIBID. No Brasil, a História Pública tem se consolidado com base em experiências colaborativas e no princípio da autoridade compartilhada ao envolver diferentes sujeitos na construção do conhecimento. Defendemos que o diálogo entre História Pública e Ensino de História contribui para repensar o papel social dos historiadores no Brasil contemporâneo, especialmente no processo de formação de professores indígenas. A observação de atividades realizadas no âmbito do PIBID revelou um terreno fértil de aprendizagens conjuntas, estimulando debates sobre docência, ensino e identidade. Nesse contexto, a experiência evidenciada neste artigo aponta alternativas pedagógicas que valorizaram a sala de aula a partir da coautoria dos atores envolvidos, visando a uma educação mais plural e inclusiva.
Produziu-se na Mesopotâmia um vasto corpus literário que inclui crônicas, anais, presságios, inscrições reais, listas de reis e lamentos pela cidade. Alguns historiadores e assiriólogos consideram que, dentre o corpus literário e gêneros mencionados, é possível encontrar também historiografia. A principal objeção a esta hipótese reside na tese do Sattelzeit, que propõe a consciência da historicidade como uma conquista da modernidade e que a história pré-moderna seria caracterizada somente pela história exemplar, historia magistra vitae. Este trabalho visa, a partir de revisão bibliográfica exploratória e análise documental, problematizar a referida tese alemã e sugerir alguns caminhos para a questão: havia consciência histórica e historiografia na Mesopotâmia? Conclui-se, provisoriamente, que os povos mesopotâmicos possuíam consciência histórica e que havia historiografia na Mesopotâmia, enquanto escrita da história, embora indissociável de outros gêneros nas mesmas composições textuais.