
As zonas de amortecimento (ZA) desempenham um papel importante para o alcance de resultados positivos de conservação em áreas protegidas (AP), ao estabelecerem regras de uso da terra para minimizar os impactos negativos causados pelas atividades antrópicas. Entretanto, desafios persistem quanto à efetividade de sua gestão. Este estudo analisou as mudanças nas condições da paisagem no entorno de 25 AP localizadas no estado de São Paulo (Brasil), no período de 1985 a 2022. Quando identificadas, as dinâmicas de uso e ocupação da terra também foram avaliadas. Para tanto, foram quantificadas as porcentagens de habitat natural nas ZA e nas respectivas zonas externas (ZE). Os resultados indicaram que, na maioria dos casos, não houve alteração na condição da paisagem das ZA ao longo do período analisado. Uma única AP – a Estação Ecológica de Ribeirão Preto – apresentou mudanças na ZA, neste caso positivas. Entre as ZA estáveis, 14 apresentaram condições positivas e 10 apresentaram condições negativas para a conservação da biodiversidade. Quanto às ZE, somente 3 AP apresentaram alterações na condição da paisagem. A comparação entre as duas zonas proporcionou a percepção de que, na maioria dos casos, as ZA apresentaram condições da paisagem iguais ou inferiores às respectivas ZE, o que contradiz com o esperado para essas zonas. As alterações observadas, tanto nas ZA quanto nas ZE, estiveram predominantemente associadas à expansão agropecuária, com destaque para a cana- de- açúcar. Espera-se que os resultados contribuam para o aprimoramento da gestão territorial no entorno das AP, subsidiando a formulação de ações específicas voltadas à mitigação das vulnerabilidades identificadas.
Comunidades urbanas podem estar expostas a eventos de origem tecnológica repentina, como explosões, ou recorrentes, como poluentes no ar. O município de Paranaguá, na costa do Estado do Paraná, apresenta atividades portuárias e industriais imbricadas a núcleos habitacionais. Em 2024, o município inicia a elaboração do Plano Municipal de Redução de Riscos, que visa propor e implementar ações relacionadas à prevenção e à mitigação de desastres nas periferias urbanas. No referido município, a presente pesquisa destaca a potencial exposição de residentes de bairros da área portuária e retroportuária, ao perigo abrupto de explosão e ao risco recorrente da produção de baixa qualidade do ar. A metodologia envolveu a seleção de variáveis dos respectivos processos. Os resultados demonstram que quatro dos nove bairros estudados se destacam dos demais pela presença dos tanques de armazenamento de líquidos inflamáveis, suas vias e dutos de transporte, o que evidencia a exposição a potenciais explosões. Da mesma forma, outros três bairros se destacam pela presença dos armazéns de grãos e fertilizantes e a intensidade da circulação diária de caminhões, fatores que evidenciam a exposição à baixa qualidade do ar. Os resultados podem auxiliar no processo de investigação, elaboração de propostas de intervenção e políticas públicas locais.
O presente artigo apresenta resultados da pesquisa “O mapeamento colaborativo como forma de produção de dados sobre assentamentos precários", que investiga estratégias de aplicação dessa metodologia nesses territórios. Os assentamentos precários são áreas predominantemente residenciais, habitadas por famílias de baixa renda, caracterizadas pela precariedade das condições de moradia e por uma origem histórica marcada pelas estratégias utilizadas pela população de baixa renda para suprir suas necessidades habitacionais de forma autônoma, em um contexto de urbanização desigual. Uma maneira de lidar com tal realidade é produzir informações completas e de qualidade, importante insumo para o planejamento de políticas e de programas sociais. Entretanto, as informações existentes que permitem a quantificação ou a caracterização dos assentamentos são frequentemente frágeis e limitadas. Nesse sentido, o mapeamento colaborativo, no qual cidadãos comuns apropriam-se dos meios de representação cartográfica incluindo populações locais na produção de mapas, apresenta-se como uma alternativa promissora. Assim, o artigo busca, por meio de uma revisão da literatura, examinar as características, a exequibilidade, os impactos, as limitações e as potencialidades da aplicação do mapeamento colaborativo em assentamentos precários.
Frente às aceleradas mudanças nos contextos agrícolas mundiais, com tendência ao monocultivo, à homogeneização e à perda da variabilidade genética das espécies cultiva das, o presente estudo teve como objetivo demonstrar a importância dos conhecimentos dos povos indígenas no manejo da agrobiodiversidade, com ênfase na familiarização da mandioca. A pesquisa foi de natureza predominantemente qualitativa, através de uma abordagem interdisciplinar. Propusemos uma discussão sobre a familiarização da mandioca, em diálogo com as discussões antropológicas sobre o tema, considerando que o conceito de domesticação apresentou algumas lacunas para explicar a relação dos povos indígenas do Oiapoque com as plantas, sobretudo com a mama maiõk (mandioca selvagem da montanha). Dentre as principais conclusões da pesquisa, ficou evidente que a roça indígena é mais que um espaço cultivado, é um locus de produção do conhecimento e de socialização indígena, com múltiplas dimensões que fortalecem as relações sociais dentro e fora da terra indígena. Com isso, esperamos ter contribuído para estabelecer o necessário diálogo entre os conhecimentos indígenas e o conhecimento científico, além de fortalecer a produção científica amazônida.
La urbanización extendida se comprende como un fenómeno que incide tanto a nivel físico como simbólico en el territorio y la sociedad, expandiendo las prácticas urbanas hacia territorios antes ajenos a estos procesos. El enfoque se centra en parroquias como San Francisco de Chinimbimi, en Morona Santiago, donde la mayoría poblacional es infantil. En este contexto, se exploran las características socio-espaciales que favorecen o limitanel desarrollo de las infancias, mostrando cómo los espacios en la Amazonía se configuran como áreas marginadas tanto en infraestructura como en significado y cotidianidad. El objetivo es establecer estrategias de inclusión en las políticas públicas que favorezcan el desarrollo integral de las infancias de territorios indígenas. Con un enfoque descriptivo se analiza información de la parroquia e interpretan las respuestas obtenidas en entrevistas yobservaciones a la población. Los resultados muestran que la precariedad en la infraestructura educativa y en los servicios básicos genera una constante búsqueda de modernización. Así, los niños se ven confrontados a realidades divididas, entre la tradición y los desafíos queimplica un entorno en transformación. Si bien, el avance del capital impacta estos territorios, las luchas locales y la reivindicación de los derechos de las infancias permiten cuestionar las narrativas de la urbanización.