
Este artigo apresenta os resultados da pesquisa “Caminho fabril: patrimônio industrial da cidade do Rio Grande” sobre o mapeamento do patrimônio industrial da cidade do Rio Grande/RS. A investigação teve por intuito mapear os estabelecimentos industriais locais entre o período de 1873-2000, bem como registrar as memórias sobre o passado e a rotina fabril rio-grandina. Neste texto buscamos compreender sobre como era a rotina de trabalho nas fábricas e de que forma esse passado industrial é narrado e caracterizado. Esta análise foi feita através de depoimentos escritos coletados durante a pesquisa. Em termos conclusivos, este artigo demonstra a complexidade da memória sobre o trabalho, que permeia entre dores, saudades, alegrias e tristezas. Tais memórias são vistas como parte intangível do patrimônio industrial e parte de uma identidade local.
Nas últimas décadas, prédios de antigas fábricas – em sua maioria, tecelagens – têm sido aproveitados para outras funcionalidades. Assim, os patrimônios culturais associados ao trabalho fabril perdem não somente a sua função original, mas, também, como propiciador da construção de uma memória e identidade da classe trabalhadora. Em Sorocaba, cidade do interior paulista, conhecida no passado como “Manchester Paulista”, as construções das antigas tecelagens, em arquitetura inglesa, converteram-se em shopping centers ou hipermercados. O presente artigo procura discorrer sobre o patrimônio cultural dos trabalhadores e como produzir outras articulações para a constituição de uma memória emancipadora da classe operária a partir de estratégias outras que abarcam, inclusive, a constituição de patrimônios imateriais.
O presente artigo aborda os usos do passado operados por Oswaldo Lamartine de Faria em seus ensaios etnográficos sobre o sertão do Seridó, publicados entre as décadas de 1960 e 1980. O sertanista encontra no modelo ensaístico um espaço estratégico onde articular, à sua maneira, experiências de vida e de escrita. O ensaísmo oswaldiano registra a etnografia de uma dominação, condicionando a existência do sertão do Seridó à permanência de uma memória elitista e conservadora.
Este trabalho avalia, a partir de uma visão materialista, sobretudo a de K. Marx, como a ascensão da burguesia e da organização produtiva capitalista estão ligadas à uma forma específica de ver a lei e as instituições dentro de um contexto histórico determinado: o início da modernidade. Por um lado, demonstra, através de uma análise histórica e bibliográfica, os pressupostos jurídico-morais subjacentes à legitimação da política burguesa e, por outro, analisa os efeitos decorrentes dessa legitimação para a formação da superestrutura jurídico-moral da modernidade. Pretendemos, com isso, apresentar uma visão geral desse movimento histórico e de suas consequências.
Este trabalho recupera a história das mães e da maternidade no Ocidente com foco na contestação do mito da boa mãe (BADINTER, 1980). Partindo da Grécia antiga e de figuras como Deméter, deusa da fertilidade, o texto passa pela Idade Média, em que se dissemina a imagem de Maria, pelo Iluminismo, com o advento do mito da boa mãe, e pelo século XX, com os movimentos feministas em prol de uma maternidade menos idealizada, chegando, por fim, ao século XXI. Como procuramos indicar, chegamos aos anos 2000 com uma herança dupla: por um lado, a maternidade passou a ser encarada cada vez mais como uma escolha deliberada, e não um destino incontornável; por outro, muitas mulheres seguem assombradas pelo fantasma da boa mãe.