
O artigo analisa relatos sobre as bebidas alcoólicas utilizadas pelos povos indígenas e negros no Brasil holandês, durante o século XVII. O estabelecimento neerlandês no nordeste do Brasil modificou as dinâmicas das sociedades que compuseram a região e a utilização dos licores foi registrada pelos flamengos. A preparação das bebidas, quando e como eram usufruídas são elementos que favorecem a compreensão de práticas de diferentes grupos sociais no contexto colonial. Palavras-chave: bebidas; escravizados; Brasil holandês; povos indígenas.
Este artigo aborda as práticas alimentares coloniais no Brasil provocadas pelos deslocamentos dos diferentes agentes no processo de colonização implementado pelo modelo moderno-colonial. Nos relatos de viajantes, entre 1550 e 1690, destaca como se deram as confluências de conhecimentos culinários afro-pindorâmicos na promoção de uma “geoalimentação” brasileira. Dessa maneira, intenciona historicizar como a circularidade de ingredientes, técnicas e expertises promoveu um fluxo transregional de sistemas alimentares. Palavras-chave: história; alimentação; conhecimentos afro-pindorâmicos; geoalimentação.
O estudo analisa como a colonialidade moldou as narrativas de memória dos palacetes Facióla, Bolonha e Montenegro em Belém (PA). Ao privilegiar as características da estética europeia, perpetuam-se visões estereotipadas sobre a belle époque e silenciam-se outras memórias sociais significativas. A pesquisa concluiu que é necessário descolonizar essas interpretações do patrimônio, superando o eurocentrismo e incorporando narrativas que revelem as múltiplas camadas do patrimônio histórico. Palavras-chave: narrativas; memória; contranarrativas; colonialidade; Belém (PA).
Resenha do livro Projeto Memória – Lélia Gonzalez: caminhos e reflexões antirracistas e antissexistas, de Sueli Carneiro. Brasília: Associação Amigos do Cinema e da Cultura, 2024. Disponível em: https://aacic.com.br/leliagonzalez/fotobiografia/.
José Claudio Mattar e Vitor Fonseca atuaram juntos, respectivamente, como editor executivo e editor científico da revista Acervo no período de 2010 a 2015. Dentre as atuações exitosas dos editores do periódico ao longo de sua história, destacamos sua gestão da revista nos percalços da transição do impresso para o digital. Além do desafio da migração do periódico para o ambiente digital por meio do Open Journal System (OJS), eles fizeram as primeiras tentativas da Acervo na candidatura aos indexadores e às bases de dados e estiveram juntos em um momento de criação das editorias científica e executiva da revista, com a consolidação de uma estrutura que deu base para seu fortalecimento institucional. José Claudio Mattar inicia sua trajetória na revista em 1993, como revisor de texto. Foi editor executivo de 2010 a 2015 e permaneceu atuando na edição de texto do periódico até a sua aposentadoria, em 2024. O nome de Vitor Fonseca aparece nos créditos da Acervo desde 1990, quando atuou na tradução dos resumos dos artigos. Desde então, exerceu outras funções no periódico, como membro da comissão editorial, editor científico e editor de dossiê.
Analisa a relação entre documentos arquivísticos digitais, memória social e preservação digital na perspectiva da arquivologia. A partir de um estado da arte, problematiza-se a fragmentação de abordagens sobre memória no ambiente digital, frequentemente dissociada das práticas arquivísticas. Argumenta-se que a memória social materializada em documentos produzidos em contextos institucionais tem a sua perenidade condicionada ao êxito das políticas e ações de preservação digital. Palavras-chave: arquivologia; memória social; documento arquivístico digital; preservação digital.
O grupo Oito Batutas rompeu barreiras sociais de classe e raça ao se apresentar no Cine Palais, um estabelecimento de elite decisivo para a alavancagem de sua carreira. A análise da trajetória e do papel de Isaac Frankel no processo que culminou na consagração de músicos negros e suas canções traz à tona encontros que se revelaram cruciais na formação da cultura brasileira, enquanto promove reflexões sobre dinâmicas de distinção e ascensão social de negros e judeus no Rio de Janeiro. Palavras-chave: música popular; Isaac Frankel; Oito Batutas.
O artigo realiza uma cartografia da imprensa LGBTQIAPN+ no Brasil entre as décadas de 1960 e 2010, mapeando mais de sessenta periódicos voltados às dissidências sexuais e de gênero. Por meio de revisão bibliográfica e análise documental, a pesquisa evidencia como essas mídias atuaram na construção de identidades, resistência política e preservação de memórias coletivas. O estudo destaca a diversidade regional, com foco em experiências muitas vezes ignoradas pela memória oficial. Palavras-chave: mídia alternativa; imprensa LGBTQIAPN+; memória dissidente; comunicação comunitária; cartografia editorial.
The Brazilian National Library holds the most significant and comprehensive nineteenth century photographic collection of brazilian and foreign images. Partly inacessible up to this date, the collection is being submitted to an extensive work which includes the automated technical treatment, conservation and reproduction, from techniques developed by the project staff.
Beyond furnishing a profile of the Funarte/Ibac Center of Conservation and Preservation of Photography, this article presents the history of that Center, showing its subordination to the National Program of Freservation and Research of Photography, which originated it and dictates the lines on which are based its activities both on the internal as on the national level.
The Data Base System - Setor Memória Fotográfica da Cidade de São Paulo do Instituto Cultural Itaú has the objective to show all thecity evolution process through its streets, avenues and public areas since 1680 till nowdays.
Este artigo investiga a utilização das redes sociais e plataformas digitais para organizar, arquivar e recuperar memórias pessoais e como essas práticas refletem os princípios da ciência da informação na gestão da memória individual. Os resultados demonstram que as redes sociais desempenham um papel importante na formação e reinterpretação de histórias individuais e coletivas. Palavras-chave: memória digital; redes sociais; organização de conteúdo pessoal on-line; impacto das redes sociais; preservação da memória.
O artigo analisa o método de produção e tratamento documental do Serviço Nacional de Informações (SNI), principal órgão de inteligência da ditadura militar no Brasil. A pesquisa mostra que o SNI criou um sistema próprio de arquivamento, baseado na formação de dossiês denominados Arquivos Cronológicos de Entrada. Vigente de 1964 a 1990, o método permitiu administrar o grande volume de informações produzidas rotineiramente. Palavras-chave: ditadura militar; Serviço Nacional de Informações; Arquivos Cronológicos de Entrada; arquivos da repressão.
The author in his direct and vibrating style, defends the acess release to Brazilian public archives, similarly as it occurs in the United States, where this question was long ago settled, according to the democratic ideals of their Constitution.
The Brazilian State, even having created the public archives during the Regency, according to the authors, didn’t have developed an archival conciousness because only in the Constitution of 1946 it was made the first explicit reference to record protection. It was just in the 1980 decade, with the dev.elopment or our archival institulions, that discution about citizen’s rights and public documentation becomes important. Within this context, the archival law 8.159 is a progress towards the regulation of the Brazilian documental policy.
This article analyscs the censorship effects to the information, exemplified by the restrictive attitude towards historical research adopted by the Historical Archives of Itamarati (RJ). Hereto, to ‘mask’ history is a State matter and the historiographical production becomes watched over, repressed. The memory is ‘protected’ by government institutions that try to safeguard, doing so, its credibility and its image before the society. The censorship is an expedient to ‘mask the truth’ creating myths and occulting facts, besides perpetuating tabus consecrated as truths that, without proof, aren t thought over.
The author defends the archivists’ new posture regarding the social function of archives, that should always look for new usuaries, withoul distinction or privilege, advertising aggresively their holdings. According to the author, archives have to diversify the offer or their outputs to every social class, breaking the old and conservative policy of preferential attendance to historians and administrative usuaries.
This article intends to discuss the relationship between the Citizen and public documentation, specifically in the National Archives, based on the experience and performance of the Consultation Room. This relationship is approached in three intercommunicated leveis: the possibility of proving the citizen rights and, doing so, to ransom the citizenship; the citizen memory — social, collective, recognizing and having consciousness of itself — and the discourse of the individual as historical class, present in the documental sources and that enlarges this concept, contributing critically to the rescue of the memory.
This article reports the impacts caused by the expansion of History and academic research on archives and the archivists’ methods of work in Western Europe and North America, onginated by the new approaches of History and the affirmation of interdisciplinarity. The new historians diversity of interests and the development of new technologies in records reproduction demanded the archivists new postures regarding the tasks of arrangement and implementation of modern research instruments. The authors report in an advice to professionals of the countries that havent passed tnrough this process yet.
The self-reflection about the archivists' role and their relationship with the usuaries of archives are the central themes of this article. The authors propose these professionalsgive up their old elite positions of preferential attendance to traditional clienteles. The new attitude demands that archival institutions cease to be their "proprieties” to become new usuaries’ patrimony.