
Este artigo analisa os movimentos normativos adotados na Gramática do português brasileiro escrito (2023), elaborada pelos linguistas Francisco Eduardo Vieira e Carlos Alberto Faraco. Partindo de uma perspectiva glotopolítica (cf. Arnoux, 2016), o estudo busca comparar a abordagem normativa adotada pela gramática no trato da colocação pronominal com a abordagem apresentada em quatro gramáticas tradicionais brasileiras: Almeida (2009), Bechara (2019), Cegalla (2008) e Rocha Lima (2011). Baseada nos quatro princípios gerais da colocação pronominal do português brasileiro apresentados em Vieira e Faraco (2023), a análise aponta para deslocamentos em relação à tradição gramatical, tais como o estabelecimento da próclise como regra geral do português brasileiro e a não recomendação da mesóclise. Além disso, enquanto as obras tradicionais tendem a priorizar exemplos criados pelo próprio gramático ou extraídos do cânone literário, a obra analisada adota em seu exemplário a escrita acadêmica e jornalística contemporânea, o que reforça o compromisso glotopolítico de (re)construção da norma-padrão brasileira.
É com grande satisfação que apresentamos os trabalhos aprovados que compõem o dossiê temático intitulado Cognição e Tradução/Interpretação em/para Línguas de Sinais. Os estudos aqui reunidos reiteram a centralidade das investigações sobre a linguagem no âmbito das ciências linguísticas, evidenciando o contínuo empenho dos pesquisadores em compreender o funcionamento das línguas, descrever a faculdade da linguagem e analisar suas estruturas em diferentes níveis de organização. No campo específico da tradução e da interpretação, somam-se a essas preocupações os esforços voltados à análise e descrição dos processos tradutórios e interpretativos, frequentemente marcados por elevada demanda cognitiva e por tomadas de decisão realizadas de modo simultâneo ou consecutivo, em contextos de alta complexidade.
El presente artículo es el resultado de una investigación que se centra, dentro de los procesos estandarizadores, en la presencia de la enseñanza gramatical en Chile, en especial en la Universidad de Chile y, en ello, el artículo se enfoca en las producciones gramaticales usadas para enseñar, para la enseñanza y para el uso de estudiantes y profesores desde mediados del siglo XIX hasta finales del siglo XX.
O volume temático Gramaticografia Ibero-americana reúne dezesseis estudos dedicados à análise das tradições gramaticais no espaço ibero-americano, ancorados no campo da Historiografia da Linguística. Os trabalhos resultam, em grande parte, das atividades do I Encontro de Gramaticografia Ibero-americana, realizado na Universidade Federal de Uberlândia, e da cooperação entre o Núcleo de Estudos da Norma Linguística (NormaLi/UFU), o Centro de Documentação em Historiografia da Linguística (CEDOCH/USP) e o projeto HISPANAGRAMA (Universidades de Córdoba e Granada). O dossiê examina gramáticas missionárias, escolares e acadêmicas, manuais de ortografia, debates metalinguísticos e instrumentos normativos em português e espanhol, evidenciando os processos históricos de descrição, normatização e ensino das línguas. Ao recuperar continuidades, rupturas e reconfigurações locais em diálogo com modelos europeus, o volume contribui para a consolidação de uma perspectiva historiográfica transnacional sobre a gramaticografia ibero-americana.
Originalmente publicado em inglês. Referência: ALVES, Fabio; SILVA, Igor A. Lourenço da. Bridging paradigms to approach expertise in cognitive translation studies. In: MUÑOZ MARTÍN, Ricardo; SUN, Sanjun; LI, Defeng (ed.). Advances in cognitive translation studies. Singapore: Springer, 2021. p. 89–108. Os Estudos Cognitivos da Tradução (ECT) têm utilizado a abordagem da performance especializada (APE) para investigar a expertise por aproximadamente duas décadas (Ericsson, 2000; Shreve, 2002). No entanto, os debates atuais sobre a tradução como uma atividade incorporada, estendida, emergente, situada e afetiva desafiam o status quo da APE, especialmente devido ao seu foco principal em explicar a expertise apenas em condições laboratoriais (ver Muñoz, 2014, 2017). Além disso, apelos por revisitações epistemológicas levaram pesquisadores a questionar a clareza, adequação, consistência e eficácia de alguns construtos e tradições de pesquisa na disciplina, incluindo a própria noção de expertise (ver Marín, 2017, 2019). Este capítulo apresenta nossas primeiras reflexões sobre uma possível reconciliação entre a APE e uma abordagem de orientação sociológica, nomeadamente a abordagem da expertise interacional (AEI), que se fundamenta nas noções de linguagem e socialização como aspectos essenciais da expertise (ver Collins & Evans, 2007). O quadro teórico resultante pretende fornecer aos ECT uma base necessária para investigar a tradução tanto em condições laboratoriais quanto em situações reais. Espera-se também que ele avance nossa compreensão da expertise, ancorando-a em uma fundamentação epistemológica que seja consistente com os ECT e inter/transdisciplinar – ou seja, capaz de dialogar e fornecer contribuições a outras disciplinas igualmente interessadas no estudo da expertise.