
RESUMO | INTRODUÇÃO: A literatura sobre saúde reprodutiva tem tradicionalmente associado o abortamento a transtornos mentais. Entretanto, estudos recentes apontam uma associação do abortamento com a sensação de alívio. OBJETIVO: Descrever as experiências emocionais de mulheres brasileiras em abortamento de gravidez indesejada e verificar se impactam positiva ou negativamente na saúde mental, a partir de suas percepções. MÉTODO: Pesquisa de abordagem quali-quantitativa, por meio da análise descritiva de um survey online. Foram analisados 69 formulários preenchidos por mulheres acima de 18 anos que haviam realizado pelo menos um abortamento induzido clandestino. Para a análise quantitativa foi usado o SPSS para estabelecer frequência, percentual e correlações. Para realizar a parte qualitativa, foi utilizada análise de conteúdo temática interpretativa das questões abertas do questionário. Foram considerados como indicadores de saúde mental as capacidades de harmonizar desejos, ideias e impulsos, de trabalhar de forma produtiva e colaborativa, lidando com os desafios do cotidiano, sem sobrecargas. RESULTADOS E DISCUSSÃO: O afeto mais frequente no pós-abortamento foi o alívio e houve uma associação entre a experiência do alívio e bem-estar com reação positiva às exigências da vida. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O estudo corrobora com as pesquisas mais recentes, que não encontraram associação entre abortamento induzido e transtornos mentais e sim indicativos de saúde mental, mesmo em circunstâncias de insegurança e ameaça à saúde e à vida. Vale destacar que a criminalização do abortamento impõe limitações às pesquisas na área saúde mental e saúde reprodutiva, no entanto, esses limites precisam ser enfrentados com a realização de novos estudos.
RESUMO | INTRODUÇÃO: O trabalho noturno é uma realidade vivenciada por muitos profissionais da enfermagem, a escolha por este turno de trabalho é motivada por questões estruturais aliadas à precarização do trabalho que é exacerbada devido ao processo de mercantilização da saúde vivenciado dentro do cenário mundial. Esta temática traz à luz a necessidade de debates sociológicos sobre as disparidades sociais e a comercialização dos serviços de saúde. OBJETIVO: Analisar as motivações do trabalho noturno e suas implicações para o bem-estar físico, psicológico e social para os profissionais de enfermagem. MÉTODO: Foi realizado um estudo de metodologia mista, por meio de uma revisão integrativa da literatura, sobre as implicações do trabalho noturno para os profissionais de Enfermagem, seguido de um estudo de campo, com entrevista com os profissionais. RESULTADOS: Evidenciou-se que o trabalho noturno implica em repercussões para o profissional da enfermagem, principalmente problemas relacionados à saúde e sono. Entretanto, outros fatores podem estar relacionados como quantidade de turnos e horas trabalhadas. A possibilidade de conciliar outro vínculo empregatício e aumento de renda foram citadas como a maior motivação e os benefícios do trabalho noturno. A maioria dos trabalhadores relataram que há implicação na vida social (44,4%), sono (55,6%) e saúde (77,8%), nesse quesito o sintoma de estresse (66,7%) foi o problema mais citado. CONCLUSÃO: Os resultados em conjunto evidenciaram que é necessário o fortalecimento de Políticas Públicas que promovam intervalos adequados de descanso, ferramentas de suporte biopsicossocial, valorização salarial, visando a valorização e melhoria das condições de trabalho.
INTRODUÇÃO: Bem-Estar Subjetivo (BES) constitui-se como um importante indicador de saúde mental e compreende a avaliação cognitiva de satisfação com a vida e o equilíbrio entre afetos positivos e negativos. Em estudantes universitários, principalmente os inseridos na área da saúde, fatores individuais, relacionais e institucionais podem influenciar essa experiência. OBJETIVO: Analisar fatores de risco e de proteção relacionados ao Bem-Estar Subjetivo de estudantes de Psicologia a partir de sua experiência acadêmica. MÉTODO: Estudo qualitativo, exploratório-descritivo e transversal com sete alunos do quarto ano de um curso de Psicologia de uma universidade federal do Sul do Brasil. Dados foram resultado de entrevistas semiestruturadas e caracterização sociodemográfica, utilizou-se o WHOQOL-bref como instrumento complementar para contextualizar a amostra. As entrevistas foram analisadas utilizando a Análise Temática de Braun e Clarke. RESULTADOS: Três temas emergiram em relação aos fatores associados ao BES: 1) características individuais, como autocobrança, autoexigência e reconhecimento dos próprios limites; 2) vínculos interpessoais, como presença ou ausência da rede de apoio acadêmica e pessoal; e 3) contexto universitário, incluindo demandas acadêmicas, competitividade e infraestrutura institucional. DISCUSSÃO: Os temas indicaram a coexistência de fatores de risco e fatores de proteção que influenciam como os estudantes enfrentam as exigências da formação. CONCLUSÃO: O BES dos estudantes demonstrou ser influenciado pela interação entre características individuais, vínculos interpessoais e contexto universitário. Os achados reforçam a importância do desenvolvimento de estratégias institucionais voltadas para promover a saúde mental e fortalecimento de fatores protetivos durante a formação em Psicologia.
INTRODUÇÃO: A prevalência de jogos online na vida cotidiana de jovens e adultos pode influenciar comportamentos como a procrastinação, caracterizada pelo adiamento de tarefas importantes, podendo ter efeitos prejudiciais na vida acadêmica, profissional e pessoal dos indivíduos. OBJETIVO: Investigar a relação entre procrastinação e jogos online, com um enfoque particular em como o tempo dedicado aos jogos, a idade e a modalidade de jogo influenciam o nível de procrastinação dos jogadores. MÉTODOS: Estudo transversal com dados coletados online, via Google Forms, com jogadores ativos. RESULTADOS: A procrastinação esteve significativamente associada ao maior tempo gasto em jogos online (p=0,001), assim como à preferência por jogar em equipe (p=0,031). Além disso, a idade dos participantes influenciou a experiência de procrastinação, com os mais jovens (18 a 23 anos) apresentando médias mais altas de procrastinação em comparação aos grupos etários mais velhos (p=0,020). CONCLUSÃO: Em síntese, compreende-se que a procrastinação se associa ao tempo gasto em jogos online, a modalidade de jogo e a idade dos jogadores, sendo assim, embora os jogos online possam proporcionar lazer e interação social, seu uso em excesso, por muitas horas, pode estar associado a dificuldades na autorregulação do comportamento, contribuindo para a procrastinação.
OBJETIVO: Analisar os sentidos e significados atribuídos por psicólogas/os à sua trajetória profissional nas políticas públicas e à posterior transição para a clínica privada. MÉTODO: Com base na Psicologia Sócio-Histórica, a pesquisa utilizou sete depoimentos de psicólogas/os que vivenciaram o deslocamento das políticas públicas para a clínica privada. Os dados foram analisados por meio da construção de núcleos de significação. RESULTADOS: A entrada na rede pública é marcada por desejo, encantamento e compromisso ético-político. Com o tempo, entretanto, a precarização, a sobrecarga e as exigências produtivistas geram frustração, sofrimento e afastamento. A saída da rede é vivida com ambivalência, mas também como possibilidade de reinvenção da clínica como espaço de resistência. DISCUSSÃO: As experiências nas políticas públicas são reconhecidas como fundamentais para a construção de uma escuta sensível às determinações sociais do sofrimento, apontando para a possibilidade de uma clínica ampliada e socialmente comprometida. CONCLUSÃO: O estudo aponta para a importância de retomar a dimensão coletiva do cuidado como horizonte ético-político da atuação psicológica.