
A pesquisa teve como objetivo analisar como o desamparo se manifesta no discurso de fiscais de Vigilância em Saúde do trabalhador do Estado de Goiás sobre seu trabalho. Os objetivos específicos foram caracterizar a organização do trabalho destes trabalhadores, identificar as estratégias utilizadas pelos trabalhadores para lidarem com as dificuldades no seu cotidiano, descrever as vivências de desamparo suscitadas pelo trabalho e identificar os riscos relacionados ao trabalho. Procurou-se mapear e compreender quais os limites, desafios, possibilidades, atravessamentos ideológicos, políticos e interferências da gestão a que o fiscal de Vigilância em Saúde do Trabalhador está exposto ao ser chamado a intervir nos ambientes e processos de trabalho de empresas alvo de ações fiscais. Foram realizadas treze entrevistas com trabalhadores que atuam ou atuaram como fiscais de Vigilância em Saúde do Trabalhador. As narrativas testemunhais sobre o trabalho foram submetidas à Análise do Discurso. Evidenciando-se o desamparo no trabalho dos fiscais, composto pelos acidentes, ameaças e violências, a precarização das condições, ampliada pela insuficiência de pessoal, a fragilidade da atuação e pelas interferências políticas no trabalho, as manifestações sintomáticas, a percepção de valor da sociedade sobre o trabalho da Vigilância e as estratégias dos trabalhadores para lidar com essas adversidades.
Este artigo buscou investigar a percepção dos profissionais da gestão de recursos humanos sobre os fatores que geram adoecimento mental nos trabalhadores dentro das organizações a partir das suas observações e vivências no contexto laboral. Foi realizado um estudo de campo com uma abordagem qualitativa, com delineamento não experimental e caráter descritivo e exploratório com a participação de 14 profissionais da gestão de recursos humanos de diferentes lugares do Brasil. Foram utilizadas entrevistas individuais norteadas pelos objetivos do estudo. A análise das informações aconteceu por meio da análise de conteúdo temática com o auxílio teórico da psicodinâmica do trabalho. Como resultado, destaca-se que o mau relacionamento com os líderes se apresenta como o fator que mais afeta o bem-estar nas organizações e como desencadeador de vivências de assédios, solidão e de sobrecarga. Os profissionais de recursos humanos vivenciam e testemunham contextos adoecedores com o peso da responsabilidade sobre a qualidade de vida no trabalho, o que gera sofrimento nos dilemas da sua atuação. Ressalta-se a importância do investimento em práticas de promoção de saúde nos subsistemas de recursos humanos por meio da abordagem da psicodinâmica do trabalho.
As características estruturais do mundo do trabalho têm consequências para a saúde mental do trabalhador, advindas da organização do trabalho em si e das relações interpessoais que são estabelecidas no âmbito laboral. O preconceito etário é uma das possíveis características das relações entre as pessoas que se manifesta no trabalho, com repercussões para a saúde mental. Assim, este estudo tem o objetivo de investigar as produções científicas dos últimos seis anos que tratam sobre este tema para demonstrar como o etarismo é identificado na prática do trabalho, utilizando a metodologia de revisão integrativa de literatura. Como resultado, foi possível classificar os artigos em três principais categorias de manifestação do etarismo: nas práticas de gestão e de empregabilidade, nas relações interpessoais no trabalho e na percepção de quem sofre o preconceito. As implicações do etarismo envolvem desde os níveis de desemprego à saúde mental do trabalhador mais velho, gerando danos individuais e sociais. O etarismo ocorre no trabalho geralmente a partir dos 35, 40 anos, o que exige ações para melhorar as relações intergeracionais no trabalho. É urgente que os profissionais que atuam nas relações de trabalho sejam atentos a essa realidade.
O artigo traz reflexões de escutas clínicas realizadas numa clínica-escola da região amazônica com demandas de sofrimento relacionadas ao trabalho. A prática de experiência em Clínica do Trabalho (CT) faz parte do estágio supervisionado do curso de Psicologia de uma instituição pública de ensino superior. Foram atendidas duas trabalhadoras, com idades entre 31 e 41 anos, durante o período de nove meses. Ambas tinham ensino superior completo e desenvolviam atividades no serviço público, uma em um setor da administração e outra numa entidade de fiscalização de exercício profissional. Na escuta clínica, foram utilizados dispositivos ao desenvolvimento de um processo terapêutico acolhedor, transferencial e político, capaz de questionar o assujeitamento psíquico às situações de violência e assédio moral, numa perspectiva de gênero no trabalho. Observou-se entre as trabalhadoras uma sujeição dos corpos femininos à servidão no trabalho, sobreposta às funções domésticas, familiares e de gênero. O caráter político e social da Clínica do Trabalho se opõe a esse modelo assujeitador das relações de poder e dominação de gênero no trabalho, reposicionando-as perante sua demanda, transformando de alguma maneira a situação de subordinação imposta por chefias autoritárias, machistas e abusivas.