Este artigo analisa a atuação da gestão democrática em uma Escola Cidadã Integral da Rede Estadual de Ensino da Paraíba submetida à Tecnologia de Gestão Educacional (TGE). A investigação articula a Teoria do Discurso de Laclau e Mouffe (2015) com a Teoria da Atuação (Ball; Maguire; Braun, 2021) para compreender as políticas curriculares como processos discursivos contingentes que se constituem nas práticas por meio das quais são interpretadas, traduzidas e colocadas em ação. O estudo mobiliza análise de registros produzidos através de entrevistas realizadas em 2024 com doze sujeitos que atuam na unidade investigada. Nessa perspectiva, a TGE é compreendida como uma política educacional, cuja inteligibilidade se produz no próprio processo de atuação na medida em que os sujeitos recontextualizam suas diretrizes nas rotinas e nas relações que organizam o espaço-tempo escolar. A análise evidencia que a gestão emerge como ponto nodal na articulação dos sentidos atribuídos à política, produzindo leituras da democracia frequentemente associadas à participação orientada pela organização e pelo funcionamento institucional da escola. Ao mesmo tempo, as evidências indicam que essas tentativas de estabilização não se realizam de forma plena, uma vez que diferentes interpretações e posicionamentos reabrem continuamente a disputa pelos significados da gestão e da democracia. Desse modo, a atuação da TGE revela-se como processo de articulação contingente no qual diferentes projetos disputam a hegemonização dos sentidos que passam a organizar a vida escolar.