O teor de óleo em grãos de soja constitui um dos principais caracteres de interesse econômico, influenciando diretamente a qualidade industrial e o valor agregado da cultura. Entretanto, esse caracter quantitativo é fortemente influenciado pela interação genótipo x ambiente (GxA), dificultando a seleção de cultivares superiores, especialmente em condições edafoclimáticas variáveis, como no estado do Tocantins. Assim, estudos de adaptabilidade e estabilidade são fundamentais para identificar genótipos com desempenho previsível e consistente. O objetivo deste trabalho foi avaliar a adaptabilidade e estabilidade do teor de óleo em cultivares de soja submetidas a diferentes épocas de semeadura na região central do Tocantins. Foram conduzidos seis ensaios de competição de cultivares nos anos agrícolas 2023/24 e 2024/25, em delineamento de blocos casualizados com três repetições. Os ambientes foram constituídos por diferentes épocas de semeadura, sendo cada ensaio considerado um ambiente distinto. O teor de óleo foi determinado pelo método de Soxhlet, após a colheita em estádio R8. As análises estatísticas incluíram análise de variância conjunta, teste de agrupamento de Scott-Knott e o método de Eberhart e Russell (1966) para adaptabilidade e estabilidade. A interação GxA foi significativa, evidenciando comportamento diferencial das cultivares frente às variações ambientais. Houve predominância da fração complexa da interação, indicando dificuldade na seleção de materiais de ampla adaptação. As cultivares DM 82i78 IPRO, M8644 IPRO, NEO 790 IPRO e SOY AMPLA IPRO apresentaram adaptação a ambientes favoráveis, enquanto DM 79i81 IPRO, EXTREMA IPRO, FORTALEZA IPRO, OLIMPO IPRO e SOY COMBATE IPRO destacaram-se em ambientes desfavoráveis. Conclui-se que o ambiente de cultivo exerce forte influência sobre o acúmulo de óleo, e que os métodos utilizados foram eficazes para identificar cultivares com maior previsibilidade produtiva e potencial para recomendação em diferentes épocas de semeadura para a região de baixa latitude do Tocantins.
A soja (Glycine max), devido à sua expressiva relevância econômica em múltiplas cadeias produtivas, expandiu-se amplamente pelo território brasileiro, incluindo o Estado do Tocantins. Neste contexto, as particularidades climáticas da região, distintas em relação a outras áreas produtoras, tornam necessários estudos sobre o desempenho das cultivares em diferentes épocas de semeadura, visando otimizar a produtividade e a sustentabilidade da cultura no bioma Cerrado. Assim, no ano 2024/25 foram instalados três ensaios de competição de cultivares de soja na região Central do Estado do Tocantins, onde cada ensaio representava uma época de semeadura (11/11/2024, 05/12/2024 e 06/01/2025). O delineamento experimental utilizado, em cada ensaio, foi de blocos casualizados, com três repetições e 12 cultivares oriundos dos diversos programas de melhoramento de instituições públicas e privadas. As características avaliadas foram: dias para o florescimento e maturação, altura de planta, altura da 1° vagem, número de sementes por vagem, número de vagens por planta, peso de mil sementes e produção de grãos(kg.ha-1). A semeadura no período tradicional e recomendado de cultivo (11/11), em decorrência de uma melhor distribuição de chuvas e da ocorrência de temperaturas mais amenas, proporcionou um melhor desenvolvimento das plantas, refletindo em maiores produtividades de grãos para todas as cultivares. Na época tradicional de cultivo (novembro), as cultivares DM82i78 IPRO (4254 kg.ha-1), DM83Ix84 RSF12X (4573 kg.ha-1), EXTREMA IPRO (4518 kg.ha-1), FORTALEZA IPRO (4419 kg.ha-1), M8644 IPRO (4379 kg.ha-1) e OLIMPO IPRO (4422 kg.ha-1) foram as que mais se destacaram. Em semeaduras tardias (dezembro e janeiro), M 8644 RR foi a mais produtiva com, respectivamente, 3624 (kg.ha-1 ) e (2999 kg.ha-1.).
RESUMO: O Estado do Tocantins é responsável por 70% de todo o biodiesel produzido na região Norte do País, sendo a cultura da soja a matéria prima mais utilizada para este fim. A produção de biodiesel a partir da soja requer cultivares com elevado potencial de produtividade de óleo, fator influenciado por variabilidade genética, condições climáticas e época de semeadura. Assim, em virtude da escassez de informações sobre o desempenho de cultivares de soja, em diferentes épocas de semeadura, visando a produção de biodiesel, foram conduzidos três experimentos na safra 2023/24, na região Central do Estado do Tocantins, representados por três épocas de semeadura (17/11/2023, 19/12/2023 e 06/01/2024). O delineamento experimental utilizado, em cada ensaio, foi de blocos casualizados, com três repetições e 12 cultivares. Foram avaliados o teor de óleo (%) e a produtividade de óleo (kg/ha). A época de semeadura e as condições climáticas, sobretudo a distribuição das chuvas e temperaturas, influenciaram significativamente na produtividade de óleo. A cultivar NEO 820 IPRO (1012 kg/ha-1) apresentou a maior produtividade de óleo na época tradicional de cultivo e a DM 82i78 IPRO (1041 kg/ha-1) um melhor desempenho em semeadura mais tardia. O comportamento variável entre cultivares confirma a significância da interação época × cultivar e evidencia a importância do zoneamento climático e escolha de genótipos adaptados para cada janela de semeadura.
No Estado do Tocantins, a soja é a principal cultura em termos de participação no PIB (produto interno bruto). Entretanto, são escassos estudos envolvendo o comportamento diferencial dos cultivares em função das épocas de semeadura no cerrado tocantinense. Neste sentido, ensaios regionalizados devem ser realizados. Assim, no ano 2023/24 foram instalados três ensaios na região Central do Estado do Tocantins, onde cada ensaio representou uma época de semeadura (17/11/2023, 19/12/2023 e 06/01/2024). O delineamento experimental utilizado, em cada ensaio, foi de blocos casualizados, com três repetições e 12 cultivares, oriundos dos diversos programas de melhoramento de instituições públicas e privadas, quais sejam: DM 79i81 IPRO; DM 82i78 IPRO; DM 83iX84 RSF 12X; EXTREMA IPRO; FORTALEZA; M 8644 IPRO; NEO 790 IPRO; NEO 820 IPRO; OLIMPO IPRO; SOY AMPLA; SOY COMBATE; SOY MURALHA. As características avaliadas foram: dias para o florescimento e maturação, altura de planta, altura da primeira vagem, número de sementes por vagem, número de vagens por planta, peso de cem sementes e produção de grãos (kg/ha-1). A cultivar NEO 820 IPRO (4413.3 kg/ha-1) apresentou melhor desempenho na época tradicional de cultivo e a SOY AMPLA (4494.6 kg/ha-1) em semeadura mais tardia.
No Brasil, a produção do milho está concentrada na safra de verão (primeira safra) e na safra da seca (safrinha) onde, nestas épocas, o ajuste na população de plantas e a escolha do híbrido estão entre as práticas mais importantes empregadas na cultura visando um melhor aproveitamento dos recursos disponíveis. Neste sentido, o presente trabalho teve como objetivo avaliar o efeito de populações de plantas em dois híbridos de milho, nos cultivos de safra e de safrinha, visando a produção de etanol. Foram realizados dois experimentos, sendo instalados em 14/12/2021 (safra) e 06/02/2022 (safrinha), na área experimental da Universidade Federal do Tocantins, município de Palmas-TO. O delineamento experimental utilizado, foi o de blocos casualizados (DBC), com 10 tratamentos e quatro repetições. Os tratamentos foram dispostos em um esquema fatorial 2 x 5, representado por dois híbridos simples (2A401 PW e MG580 PW) e cinco populações de plantas (42000, 49500, 57000, 64500, e 72000 plantas.ha-1). Foram avaliados os teores de carboidrato (%). As populações e os períodos de semeadura (safra e safrinha) afetaram o teor de carboidratos. As populações de 57000 plantas.ha-1 (70,97%) e 49500 plantas.ha-1 (73,06%) resultaram em maiores produções de etanol para os híbridos 2A401 PW e MG580P, respectivamente.
A população de plantas pode afetar a produtividade e a composição química dos grãos de soja, por ocorrer competição intraespecífica pelos recursos ambientais disponíveis. Assim, objetiva-se com o estudo identificar o efeito da população de plantas, em duas cultivares de soja, semeadas em dois anos agrícolas, no rendimento de óleo e de proteína em soja cultivada sob cerrado. Os experimentos foram implantados no município de Palmas, Tocantins (latitude: 10º 45 sul; longitude: 47º 14 oeste; e altitude: 220 m), um na safra 2018/19, em semeadura realizada em 08/12/2018, e outro na safra 2019/20, em semeadura efetuada em 17/12/2019. O delineamento experimental utilizado em cada ensaio foi o de blocos casualizados (DBC), com 10 tratamentos e quatro repetições. Os tratamentos foram dispostos em esquema fatorial 2 x 5, representado por dois cultivares de soja (BÔNUS 8579 RSF IPRO e NS 8383 RR) e cinco populações de plantas (200, 250, 300, 350 e 400 mil ha-1). Foram avaliados os rendimentos de óleo e de proteína (Kg ha-1). As populações de plantas promoveram variações nos rendimentos de óleo e proteína. Os anos agrícolas influenciaram nos rendimentos de óleo e proteína. Maiores rendimentos de proteína flutuaram entre as populações de plantas de 273,9 mil plantas ha-1 (Bônus) e 306 mil plantas ha-1 (NS 8383 RR), e rendimento de óleo variou entre as populações de plantas de 266,7 mil plantas ha-1 (Bônus) e 310,8 mil plantas ha-1 (NS 8383 RR). A cultivar NS 8383 RR apresentou os maiores rendimentos de óleo e proteína nas diferentes populações.
A identificação do arranjo de plantas que resulte menor competição intraespecífica permite melhor aproveitamento dos recursos disponíveis para o crescimento, composição e rendimento de grãos de soja. Assim, o presente estudo foi realizado com o objetivo de identificar o efeito de populações de plantas, em duas cultivares de soja, semeadas em dois anos agrícolas, nos teores de óleo e proteína. Foram instalados dois ensaios, sendo um no ano agrícola 2018/19, em semeadura realizada em 08/12/2018, e outro no ano 2019/20, em semeadura efetuada em 17/12/2019, na área experimental da Universidade Federal do Tocantins, Palmas (TO). O delineamento experimental utilizado, em cada ensaio, foi o de blocos casualizados (DBC), com 10 tratamentos e quatro repetições. Os tratamentos foram dispostos em esquema fatorial 2 x 5, representados por dois cultivares de soja (BÔNUS 8579 RSF IPRO e NS 8383 RR) e cinco populações de plantas (200, 250, 300, 350 e 400 mil ha-1). Foram avaliados os teores de óleo (%) e proteína (%) dos grãos. Populações entre 305 e 316 mil plantas ha-1, para a cultivar 8579 RSF IPRO, e próximas a 313 mil plantas ha-1, para NS 8383 RR, resultaram maior conteúdo de óleo e proteína nos grãos. Temperaturas altas e menor disponibilidade hídrica favoreceram o acumulo de óleo nos grãos. Menor disponibilidade de água na fase de enchimento de grãos proporcionou um maior teor de proteína. A cultivar NS 8383 RR apresentou o maior teor de proteína.
As características agronômicas e a composição química dos grãos na cultura da soja são dependentes das épocas de semeadura e/ou disponibilidade de nutrientes, que pode resultar em diferentes agrupamentos nos estudos de diversidade genética. Nesse sentido, visando determinar os efeitos das épocas de semeadura e das doses de potássio na diversidade genética em cultivares de soja, foram realizados dois ensaios (29/11/15 e 14/01/16), em Palmas (TO), Brasil. O delineamento experimental, em cada ensaio, foi em blocos casualizados, com 60 tratamentos e três repetições. Os tratamentos foram dispostos em esquema fatorial 10 X 6, representados por dez cultivares de soja (BRS 325 RR; M 9144 RR; BRS 33871 RR (SAMBAIBA); TMG 1288 RR; BRS 333 RR; P 98Y70; TMG 1180; BRS 9090 RR; M 8766; e BRS 8990 RR) e seis doses de adubação potássica (0, 40, 80, 120, 160, 200 kg ha-1). Foram estudadas características agronômicas e químicas dos grãos. Foi realizada análise de variância para cada ensaio e, para cada dose, foi aplicado o método de agrupamento de Tocher e o critério de Singh para quantificar a contribuição relativa dessas características para a divergência genética. As doses de potássio e épocas de semeadura resultaram em agrupamentos diferentes de cultivares. A dose de 120 kg ha-1, que foi a recomendada pela análise de solo, proporcionou as maiores diferenças genéticas entre os cultivares, podendo ser utilizada em trabalhos futuros de melhoramento em estudos de divergência genética. A produtividade de grãos foi a característica que, de modo geral, mais contribuiu para a divergência genética.
Keywords— Glycine max, stability and adaptability, stratification and dissimilarity. Abstract— This study aimed at evaluating the interaction cultivar × environments for the oil and protein yield of the grains, in soybeans grown under different levels of potassium fertilization, in two sowing times, in the state of Tocantins. In the agricultural year of 2013/14, were performed twelve soybean cultivars competition trials in Palmas/TO. In each season, each test represented a distinct environment and consisted of a level of potassium fertilization (0, 40, 80, 120, 160, or 200 Kg K2O ha). The experimental design used in each test was a randomized block with 10 cultivars and three replications. Analyzes of stability and adaptability, stratification and environmental dissimilarity were performed. Potassium levels and sowing times resulted in differential performance of soybean cultivars. The BRS 333RR cultivar was presented as potentially promising for oil yield and BRS 9090RR for protein. The evaluation tests of soybean cultivars can be performed using low levels of potassium fertilization, providing reduced costs and less contamination of the water table.
O objetivo do trabalho foi avaliar o efeito de dois niveis de adubacao potassica (40; 200 kg ha-1) e de duas epocas de semeadura (dez/13; jan/14) na divergencia genetica e no desempenho de sete cultivares de soja, quando ao teor de oleo e proteina, em Palmas-TO. O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso com tres repeticoes. A colheita das plantas foi realizada no estadio R8. O teor de oleo foi obtido pelo metodo de Soxhlet e o de proteina pelo metodo de Kjeldahl. Os dados foram submetidos a analise de variância conjunta (sete cultivares; quatro ensaios). O estudo de divergencia genetica foi realizado, separadamente, para o teor de oleo e para o de proteina. Cada ensaio representou uma variavel distinta no modelo multivariado e, foi aplicado o metodo de agrupamento de Tocher. Os cultivares TMG 1180 (22,9%), MSOY 9144 (22,6%), MSOY 8766 (22,5%) e BRS 333 (22,2%) foram os que apresentaram os maiores teores de oleo e, o cultivar P98Y70 (41,6%), o maior teor de proteina. O cultivar P98Y70 foi o mais divergente dos demais, seguido pelo cultivar TMG 1180. A adubacao potassica nao promoveu diferencas significativas nos teores de oleo e proteina dos cultivares, enquanto que, a semeadura tardia promoveu aumento do teor de proteina e reducao do de oleo.
A cadeia produtiva do biodiesel gera coprodutos, como o melaço, com potencial para produção de biodiesel e que pode agregar valor e gerar outras fontes de renda para os produtores. Neste sentido, no presente estudo foram avaliados cultivares em diferentes épocas de semeadura quanto à eficiência de uso de potássio para teor e rendimento de carboidratos, visando à produção de etanol na região centro-sul do Estado do Tocantins. No ano agrícola de 2013/2014, foram realizados quatro ensaios de competição de cultivares, dois instalados em 05/12/2013 e dois em 23/01/2014. Em cada época, foram utilizadas duas doses de potássio, sendo uma alta (200 kg.ha-1 de K2O) e outra baixa (40 kg.ha-1 de K2O). Foi utilizado o delineamento de blocos casualizados com quatro repetições e sete tratamentos: BRS 333, BRS 33871, BRS 325, M 9144, P 98Y70, TMG 1180 e TMG 1288. Em semeaduras tardias e sob alta dose de potássio (200 kg.ha-1 K2O), houve um maior acúmulo de açúcares redutores totais nos grãos. Altas temperaturas e baixos índices pluviométricos; a fase de enchimento de grãos favorece o acúmulo de açúcares redutores totais nos grãos. Os cultivares TMG 1288 RR, sob alto e baixo potássio, e TMG 1180 RR, sob baixo potássio, são promissores para produção de etanol, sendo este último também eficiente quanto ao uso de potássio.