Objetivos A LLA early T é um subtipo da leucemia linfoblástica aguda T introduzida recentemente na classificação da WHO, que se caracteriza por prognóstico adverso, apresentando marcadores da linhagem linfoide e mieloide. Ela está associada a menor taxa de resposta à indução, menor sobrevida global e maiores índices de recaída. O objetivo do trabalho é relatar um caso LLA T early com boa resposta à quimioterapia (protocolo HyperCVAD), com aumento de dose à medida que a paciente vinha melhorando sua performance status (PS). Material e método Relato de caso. Resultados SEMS, feminina, 47 anos, apresentou em novembro de 2023 queda do estado geral, adinamia e petéquias em membros inferiores. Procurou a Unidade de Pronto Atendimento, onde foi evidenciado hemograma com bicitopenia + leucocitose (Hemoglobina 6,3 mg/dL, plaquetas 22.000 e leucócitos de 88.000. A paciente foi transferida para o nosso hospital (HUAP) onde foi observado também caquexia, hepatoesplenomegalia e presença de 71% de blastos no sangue periférico e 80% na medula óssea, que a imunofenotipagem evidenciou marcadores positivos de células blásticas mieloides e linfoides, sendo os marcadores positivos: CD3, CD5, CD7, CD13, CD33, CD34, CD38, CD45, CD71, CD99, CD123 em uma amostra total de 84.900 células/mm3. O cariótipo estudado evidenciou 20 metáfases, sem anormalidades e com líquor normal. Desta forma, iniciou protocolo mini-Hypercvad devido à baixa PS, evoluindo com intensa toxicidade pós ciclo IA e múltiplas complicações como: aspergilose invasiva, tetraparesia do corticoide e enterorragia intensa, para as quais foram manejadas durante a internação. A paciente apresentou significativa melhora do estado geral nos ciclos subsequentes e por isto o regime Hyper CVAD foi modificado para a dose padrão a partir do ciclo IIA. Evoluiu com boa resposta e DRM negativa após o Ciclo IIIB, no momento aguardando a realização do transplante de medula óssea alogênico. Discussão Apenas 15% de todos os casos da LLA T cursam com o subtipo early T, o qual apresenta células mais imaturas, contendo marcadores mieloides fracos em sua diferenciação. Diante do caso, podemos ver uma excelente resposta da paciente ao protocolo HyperCVAD, conforme orientado pelo NCCN, mesmo com redução de dose nos 2 primeiros ciclos. Por possuir marcadores mieloides e linfoides, novas combinações terapêuticas envolvendo agentes como inibidores de BCL2 e anticorpos monoclonais podem ser promissores no tratamento da LLA early T, porém por ainda estarem indisponíveis no SUS, a opção foi de quimioterapia de alta dose padrão. Conclusão Em geral no contexto de doenças agressivas utilizamos protocolos baseados em quimioterapia intensa, mas é importante respeitar as condições do paciente, para que os eventos adversos não sejam fatais.
Objetivos: Descrever um caso de Leucemia Mieloide Crônica (LMC) que apresentou hepatite por Imatinibe e discutir a monitorização e conduta terapêutica. M aterial e métodos: Relato do caso de um paciente com LMC em fase crônica que desenvolveu hepatotoxicidade pelo Imatinibe, com recidiva após reintrodução do medicamento com dose reduzida. Análise do prontuário e pesquisa sobre o tema na base científica EMBASE. Resultados: Homem, 52 anos, sem comorbidades, assintomático, diagnosticado com LMC em fevereiro 2022, Sokal baixo risco, foi tratado com Hidroxiureia até junho, quando iniciou inibidor de tirosina quinase (TKI) Imatinibe 400 mg/dia. O hemograma mostrava anemia discreta e exames bioquímicos normais. Evoluiu com câimbras, artralgias e náuseas, que foram controlados. Em dezembro relatou piora das náuseas. Estava corado, anictérico e afebril e não apresentava adenomegalias ou hepatoesplenomegalia. Os exames mostraram hemograma normal, com provas de função hepática alteradas: TGO 109U/L, TGP 328U/L, GamaGT 37U/L, bilirrubinas normais. O Imatinibe foi suspenso e após ser afastada a possibilidade de hepatites virais, foi prescrita Prednisona 20 mg/dia. A resposta molecular não chegou a ser avaliada. A Ultra-sonografia abdominal mostrou esteatose hepática. O paciente negou uso de bebida alcoólica ou de outro medicamento, exceto bromoprida e permaneceu assintomático, em remissão hematológica até junho de 2023 quando, já com a função hepática normal, reiniciou Imatinibe na dose de 300 mg/dia. Após 45 dias foram observadas elevação das transaminases, com TGP mais de 20 vezes acima do normal: TGO 362U/L, TGP 841U/L, GamaGT 84U/L, Bilirrubinas normais. O Imatinibe foi suspenso novamente e foi reiniciada a Prednisona. Discussão: O Imatinibe foi a primeira droga da classe dos TKI, para o tratamento da LMC, capaz de bloquear o produto do gen de fusão BCR-ABL e sua ação oncogênica, mudando a história natural da doença. A medicação, de uso contínuo, causa diversos efeitos colaterais, como a hepatotoxicidade, que costuma ser assintomática, transitória e geralmente observada no primeiro ano de tratamento, entretanto há relatos de casos graves com falência hepática e morte. Quando ocorre toxicidade pelo uso do Imatinibe é necessário monitorar a função hepática e afastar outras causas como interações medicamentosas que elevam o nível sérico de medicamentos, a exemplo do Paracetamol, abuso de álcool e reativação da hepatite B. A decisão de reiniciar o Imatinibe ou de trocar por um TKI de nova geração é uma questão difícil e pouco discutida na literatura. Uma meta-análise recente indicou que Nilotinibe, Ponatinibe e Bosutinibe estão associados com risco mais alto que o Imatinibe de causar lesão hepática, ao contrário do Dasatinibe. A escolha do TKI de segunda linha dependerá não só do potencial de hepatotoxicidade da droga, mas do perfil de efeitos adversos esperados, das comorbidades dos pacientes, da existência de mutações do BCR-ABL e da resposta molecular alcançada. Conclusão: Não há consenso na conduta a ser adotada nos casos de hepatotoxicidade grave aos TKI e estratégias de monitorização da função hepática, descontinuação da medicação, redução da dose, tratamento com corticosteroides e/ou troca para TKI de segunda ou terceira geração devem ser individualizadas.
Introdução: O envolvimento extranodal dos linfomas normalmente é um evento que ocorre geralmente em associação com a doença disseminada, sendo mais comum no linfoma não-Hodgkin (LNH) do que no Linfoma de Hodgkin (LH), mais raro ainda quando este envolvimento é no trato genitourinário. Desta forma, o conhecimento desse padrão de disseminação do LH e suas possíveis formas de envolvimento extranodal, facilita o diagnóstico, o estadiamento e o planejamento do tratamento. Objetivo: Relatar caso de entidade atípica de LH manifestando-se em órgão extralinfático, com acometimento em bexiga. Materiais e métodos/Resultados: relato de caso. Caso clínico: Paciente, 39 anos, LH tipo esclerose nodular III-B, HIV negativo. Apresentava espessamento de bexiga ao diagnóstico, não biopsiada. Fez 1ª linha de tratamento com protocolo ABVD finalizado em julho/22. PET-CT após tratamento demonstrava remissão. Em janeiro/23 iniciou quadro de tontura, náuseas, oligúria e aumento de volume abdominal em hipogástrio. TC de reestadiamento evidenciou hidronefrose bilateral com bexiga espessada e irregular. Após tentativa sem sucesso de passagem de catéter duplo J, evoluiu para diálise por anúria e piora de função renal. Imunohistoquímica de biopsia de bexiga do dia 06/02/23 evidenciou moderado infiltrado leucocitário com presença de eosinófilos, células grandes de permeio positivas para CD30 e células positivas para PAX5 atenuadas. Marcação CD15 e CD45 inconclusivas, compatível com infiltração da bexiga por LH clássico. Liberada 2ª linha de tratamento com protocolo ICE e, após 2° ciclo, paciente evoluiu com melhora importante da função renal e retorno de débito urinário, sendo suspensa diálise. Em nova TC para reavaliação, foi visualizada redução significativa de espessamento da bexiga. Atualmente, aguarda transplante autólogo para seguimento do tratamento. Discussão: Existem poucos relatos de casos sobre o linfoma do trato urinário. Quando há acometimento em órgãos extranodais pelo LH, geralmente o envolvimento é associado ao HIV e acontece no sistema nervoso central, tecido musculoesquelético, pleura ou trato gastrointestinal, mas no caso exposto o acometimento foi na bexiga em paciente HIV negativo, o que é uma situação rara. O que poderia ter sido feito neste caso era a abordagem da bexiga no momento inicial do diagnóstico. Caso confirmada a presença do linfoma neste órgão, eventuais alterações evolutivas poderiam ser abordadas de forma mais precoce, evitando possivelmente uma recaída mais grave, como neste paciente que evoluiu para diálise. Conclusão: A apresentação extranodal na bexiga foi um cenário clínico incomum na história natural dessa doença, o que pode ser um desafio inesperado para diagnóstico e manejo. Portanto, devemos estar cientes dessas apresentações incomuns para que os quadros sejam investigados de forma correta e em tempo hábil a fim de identificar e evitar complicações secundárias, permitindo planos de terapias apropriadas a serem aplicadas.
Introdução: A Leucemia/Linfoma de células T do adulto (ATLL) é uma neoplasia maligna que apresenta associação direta com o vírus HTLV tipo 1, este agente apresenta formas de transmissão por via parenteral, sexual, vertical e lactação. O início da ATLL é tipicamente retardado em 20-30 anos após a infecção viral, porém a exposição ao vírus no início da vida aumenta o risco de eventual desenvolvimento de ATLL. Objetivo: Apresentar 2 casos de ATLL, de mãe e filha, soropositivas para HTLV, com possível infecção vertical/lactação há pelo menos 25 anos. Materiais e métodos: Relato de casos Resultados: Caso 1- LPM, feminina, 25 anos, apresentou em julho de 2021 aumento de linfonodo em região axilar esquerda, seguido do aparecimento de novas adenomegalias em regiões cervical, axilar e inguinal, associado a sintomas B. Em dezembro de 2021, foi internada por queda do estado geral, hepatoesplenomegalia, bicitopenia, além das linfonodomegalias. Foi realizada imunofenotipagem constatando o diagnóstico de Doença Linfoproliferativa Crônica de Células T e por isto foi transferida para o INCA, em 21/12/2021, onde a biópsia de gânglio cervical finalizou o diagnóstico de Leucemia/linfoma de células T do adulto, após confirmação do exame positivo para HTLV. Iniciou tratamento com CHOP em dezembro de 2021, e após 6 ciclos, vem em manutenção com Zidovudina e Interferon, em remissão, há 1 ano, documentada com PET scan TC e avaliação de transplante alogênico. Caso 2: FBP, 45 anos, feminina, mãe da paciente LPM (caso 1), sabidamente portadora de infecção por HTLV-1 desde o diagnóstico da filha. Iniciou quadro de linfonodomegalias difusas e grande lesão expansiva em região retroperitonial, de 20 x 9,8 x 9,6 cm, que causou suboclusão intestinal em fevereiro de 2023. Associado ao quadro, apresentava síndrome consumptiva e sudorese noturna, além de intensa xerodermia, dermopatia descamativa e prurido. Realizada biópsia da lesão retroperitoneal que evidenciou também tratar-se Leucemia/linfoma de células T do adulto. Foi iniciado tratamento com DA-EPOCH em maio de 2023 e após 2 ciclos de quimioterapia a TC demonstrava redução importante da massa retroperitonial 11 x 9 x 8 cm, no entanto após quadro de choque séptico de foco abdominal, a paciente evoluiu para óbito em 01/08/23. Discussão: Apenas 4-5% dos pacientes portadores de HTLV desenvolvem ATLL e desses pacientes, apenas 20 - 25% desenvolvem a forma linfomatosa. Desta forma, optamos por relatar dois casos raros da mesma doença, ATLL na forma linfomatosa, em mãe e filha, que se contaminaram há pelo menos 25 anos, possivelmente por via vertical ou lactação, fato este que ainda ocorre por ser uma infecção negligenciada com falta de rastreio populacional, como abordado em estudo de Maria S. Pombo de Oliveira et al., 2001. O acompanhamento mais próximo desses pacientes pode evitar o que aconteceu no caso 2 relatado, em que a paciente fez um diagnóstico da doença em fase de estadiamento muito avançado causando um desfecho fatal. Conclusão: Dessa maneira, é importante que sejam implementadas medidas de saúde pública que visem o rastreio, diagnóstico precoce e acompanhamento de pacientes acometidos pelo HTLV.
Portadores oncohematológicos são suscetíveis a infecções graves e potencialmente fatais devido a imunossupressão relacionada às doenças de base e seus tratamentos. Em Março de 2020, a OMS declarou a COVID-19 uma pandemia e pouco se sabia do comportamento da infecção nesses pacientes. Avaliar características de pacientes adultos oncohematológicos hospitalizados por COVID-19; identificar variáveis na admissão preditoras de óbito; e comparar os pacientes durante as duas primeiras ondas e a terceira onda da pandemia. Estudo observacional, retrospectivo, multicêntrico, que incluiu pacientes acima de 18 anos com neoplasias hematológicas hospitalizados por COVID-19. Foram avaliadas variáveis demográficas, relacionadas a doença de base e à infecção, medicações, admissão em UTI e necessidade de ventilação mecânica. Os grupos de sobreviventes e não sobreviventes foram comparados utilizando o teste X2 ou o teste de Fisher para variáveis categóricas e o teste de Mann-Whitney para variáveis numéricas. Variáveis com p-valor<0,1 foram consideradas para análise multivariada através de regressão logística. Os grupos da 1ª/2ª onda e 3ª onda foram comparados utilizando os mesmos testes. A análise estatística foi realizada no software R versão 3.6.3. Foram avaliados 126 pacientes, com uma idade mediana de 57 anos. 66 pacientes (52%) eram do sexo masculino e os linfomas foram o grupo de doença mais frequente (41%). 57 pacientes (45%) faleceram na internação. Na análise bivariada, variáveis associadas a óbito foram doença de base ativa, OS ≥ 2, dispneia, anemia, trombocitopenia, PCR, D-Dimero e TGO elevados, baixa sO2 e vidro fosco na TC de Torax. Na análise multivariada, hemoglobina baixa, PCR-t elevada e dispneia mantiveram relação com óbito na internação. Dos 126 pacientes, apenas 18 (14%) foram admitidos na 3ª onda. A letalidade nesse grupo foi de 33% versus 47% no grupo da 1ª/2ª onda (p = 0,4). As principais diferenças entre os grupos foram que 97% dos pacientes da 3ª onda receberam ao menos 1 dose de vacina, tiveram menos dispneia (22% × 49%; p = 0,04), maior sO2 (mediana 98% × 94%; p = 0,02), DDimero mais baixo (mediana 714 × 1563; p = 0,03), foram menos anticoagulados (0 × 21%; p = 0,04) e tiveram menos admissões em UTI (11% × 38%; p = 0.03) e necessidade de ventilação mecânica (11% × 37%; p = 0,03). Nesse estudo, quase metade (45%) dos pacientes oncohematológicos hospitalizados por COVID-19 faleceu durante a internação, evidenciando alta letalidade dos quadros moderados ou graves da infecção. As variáveis na admissão associadas a maior mortalidade foram a hemoglobina, PCR-t e a presença de dispneia. Apesar da alta infectividade da variante Omicron, responsável pela 3ª onda da pandemia, apenas 18 pacientes internaram nesse período. Quase todos (97%) haviam recebido ao menos 1 dose de vacina. Esses pacientes apresentaram quadros menos graves e menos complicações, necessidade de suporte ventilatório invasivo e admissão em CTI, apontando para um provável efeito benéfico da vacina em reduzir a gravidade da infecção. A letalidade nesse grupo foi menor que na 1ª/2ª onda, porem sem significância estatística. Pacientes oncohematológicos hospitalizados por COVID-19 apresentam alta letalidade relacionada a infecção, mas a comparação entre as 2 primeiras e a 3ª onda aponta para um efeito benéfico da vacina na redução da necessidade de internação e da gravidade da infecção nos pacientes que internam.
Objetivos: Escolha de fórmula off-label que possa ser reproduzida para uso em pacientes com mucosite oral e estabelecer, através de revisão de literatura, uma lista de formulas farmacêuticas de uso magistral para o tratamento de mucosite. Material e métodos: Realizou-se busca ativa em sites específicos de banco de dados UpToDate, Micromedex, Stabilis Data Base e PubMed para todos os estudos publicados em Inglês no período de fevereiro de 2021. Os termos utilizados foram “oral mucositis extemporaneous formulations”AND/OR, oral liquid AND/OR, suspension AND/OR, compounding AND/OR, mucositis therapy AND/OR, treatment of mucositis AND/OR, mucositis agent”out, para comprovar as informações existentes na literatura nacional e internacional a respeito da estabilidade após o preparo da formulação. Resultados: 35 fórmulações foram encontradas para uso no tratamento da mucosite. Benzidamina; Borato de sódio, lidocaína e mel rosado; Clobetasol e nistatina; Clorexidina, lidocaína e nistatina; Difenidramina, lidocaína, misoprostol e triamcinolona; Hidrocortisona 1 mg/mL, tetraciclina 25 mg/mL e nistatina 25.000 unidades/mL colutorio; Lidocaína composta suspensão bucal; Lidocaína viscosa 2% gel; Misoprostol 0,0024% e lidocaína 1% colutorio; Nistatina 100.000 unidades/mL e lidocaína 2% colutorio; Tetraciclina 2,5%, dexametasona 0,1%, clorfeniramina 0,2% e sucralfato 2% colutorio; Tetraciclina 1,25%, difenidramina 0,125% e nistatina 20.000 unidades/mL enxaguatório bucal; Triamcinolona 0,1% gel adesivo oral; Triamcinolona 0,5% e lidocaína 1% gel adesivo oral; Nistatina suspensão oral, bicarbonato de sódio, complexo B solução oral e soro fisiológico; Lidocaína 200 mg/mL, nistatina suspensão, neomicina solução 25 mg/mL, metilcelulose 1%. Mepivacaína 1%, Hidrocortisona, Gentamicina, nistatina, bicarbonato de sódio; Clorexidina, lidocaína, nistatina e água; Difenidramina 2,5 mg/mL, nistatina, bicarbonato de sódio e água; Sucralfato 20 g, nistatina 2 milhões de unidades e metilcelulose 1%; Lidocaína 2% e difenidramina 2,5 mg/mL; Lidocaína 5% e carbomelose 2%; Difenidramina, misoprostol, glicerol, lidocaína, metilose, menta e água; Difenidramina 0,25 g, lidocaína 2 g, h hidróxido de alumínio e água; Clorexidina 0,12%, lidocaína 1%, nistatina 100.000 unidades e água; Lidocaína, nistatina, sorbitol 70% e água. Discussão: Mucosites são inflamações da mucosa da boca, que podem provocar ulcerações, desconforto e dor forte. A maioria dos quimioterápicos pode causar mucosite, e os que mais podem ocasionar esse efeito colateral são: capecitabina, 5-FU, doxorrubicina, docetaxel, paclitaxel. Conclusão: Os pacientes usam estas fórmulas preparadas a partir de apresentações farmacêuticas disponíveis no Serviço de Farmácia e/ou a partir de ampolas, comprimidos ou cápsulas e nossa experiência com o preparo e a administração destas formulações extemporâneas, comprova que temos obtido resultados similares a outros hospitais nacionais e internacionais, cujos dados foram publicados na literatura médica. Palavras-chave: Hematologia; Boas práticas de manipulação de medicamentos; Uso off-label; Segurança do paciente.
Objetivos: Desenvolvimento de um blog com o objetivo de disponibilizarmos informações existentes sobre a estabilidade e manipulação de medicamentos oncológicos. Método: A página web foi desenvolvida no blogger, sendo uma home-page de acesso simples, construída com links, com apresentação destas informações, bibliografia, informações sobre o autor do site, links para outras instituições farmacêuticas, links para consulta de algumas formulações farmacêuticas. É atualizado mensalmente e quando necessário, e foi desenvolvido para consulta da estabilidade das formulações farmacêuticas. Resultados: 73.464 visitas ao site desde janeiro de 2011. As postagens mais visitadas: Citostáticos versus extravasamento (2.260), Ciclofosfamida: estabilidade após diluição (1.940), Metotrexato: estabilidade em seringas (1.010). Visitas por país: Brasil (22.700), Rússia (16.300), Estados Unidos da América (11.700), Portugal (2.400), Alemanha (2.210), França (2.070). Discussão: A administração de um medicamento citostático, na maioria das vezes, requer previamente um processo de reconstituição e posterior diluição a partir da apresentação farmacêutica. A criação de um Serviço de Terapia Antineoplásica, com a finalidade de preparação de citostáticos obriga a um aperfeiçoamento praticamente em tempo integral e a um profundo conhecimento das condições ideais para a obtenção de dados científicos para a estabilidade das soluções preparadas assim como as suas limitações. Conclusão: Foi disponibilizado um blog de caráter técnico e informativo http://manipulacaodecitostaticos.blogspot.com, simples e de fácil acesso, para a divulgação de métodos científicos normatizados, que irão contribuir para a garantia da qualidade na informação técnica sobre manipulação de medicamentos oncológicos. Palavras-chave: Hematologia; Boas práticas de manipulação de medicamentos; Segurança do paciente.
Objetivos: Escolha de fórmulas magistrais da morfina, através de revisão narrativa de literatura, e preparar uma lista de fórmulas farmacêuticas de uso magistral que possa ser reproduzida no ambiente hospitalar para uso no alívio de dor aguda que não responde a outros analgésicos em pacientes hospitalizados ou em cuidados paliativos oncológicos. Material e métodos: Realizou-se busca ativa em sites específicos de banco de dados UpToDate, Micromedex, Stabilis Data Base e PubMed para todos os estudos publicados em Inglês no período de março de 2021. Os termos utilizados foram “morphine extemporaneous formulations”AND/OR, oral liquid AND/OR, suspension AND/OR, compounding morphine AND/OR, morphine cancer therapy AND/OR, compounding morphine gel AND/OR, morphine agents”out, para comprovar as informações existentes na literatura nacional e internacional a respeito da estabilidade após o preparo da formulação. Resultados: 11 tipos diferentes formulações foram encontradas. 1. Uso oral: Morfina (100 mg), Água Destilada qs.100 mL. Estabilidade de 7 dias em temperatura ambiente e 28 dias sob refrigeração. 2. Uso oral: Morfina (4 g), Água Purificada (750 mL), Nipagin (0,8 g), Nipazol (0,2 g), Xarope Simples qsp...1000 mL. Estabilidade de 30 dias sob refrigeração. 3. Uso oral: Morfina (1 g), Xarope Simples (30 g), Água Purificada qs.100 mL. Estabilidade de 15 dias sob refrigeração. 4. Uso oral: Morfina (2 g), Água Purificada (750 mL), Nipagin Sódico (0,8 g), Nipazol Sódico (0,2 g), Xarope Simples qsp...1000 mL. Estabilidade de 180 dias em temperatura ambiente. 5. Uso oral: Sulfato de Morfina (0,125 g), Propilenoglicol (10 mL), Hidroxietilcelulose (2 g), Água Purificada com Conservantes qs.100 mL. Estabilidade de 28 dias em temperatura ambiente. 6. Gel tópico: Sulfato de Morfina (0,125 g), Carbomelose (2 g), Água Purificada com Conservantes qs.100 mL. Estabilidade de 60 dias em temperatura ambiente. 7. Gel tópico: Sulfato de Morfina (5 g), Etoxidiglicol (5 mL), Lecitina + Palmitato de Isopropila (22 mL), Gel Pluronic F-127 a 20% qs.100 mL. 8. Solução para nebulização: Sulfato de Morfina (1 g), Ácido Cítrico (100 mg), Água para Injeção qsp...100 mL. 9.Gel tópico: Cloridrato de Morfina Trihidratada (500 mg), EDTA Dissódico (100 mg), Água Purificada (12 mL), Gel de Hidroxietilcelulose a 6% qsp.100 g. Estabilidade de 30 dias em temperatura ambiente. 10. Uso colutório: Sulfato de Morfina (200 mg), EDTA (20 mg), Metabissulfito de Sódio (50 mg), Sorbato de Potássio (200 mg), Água Purificada qs.100 mL. Estabilidade de 180 dias em temperatura ambiente. 11. Supositório: Sulfato de Morfina (50 mg), Sílica Gel (25 mg), Supositório Polietilenoglicol.q.s. Estabilidade de 90 dias sob refrigeração. Discussão: A morfina é uma medicação essencial dentro da abordagem dos Cuidados Paliativos (CP), trata-se de uma analgésico opioide forte, e que está indicado principalmente para o tratamento de dor moderada à intensa. No contexto do câncer, os objetivos do controle da dor incluem maior sensação de conforto e melhor capacidade de desempenho para funções cotidianas. É necessária uma abordagem abrangente, uma vez que a dor geralmente deve-se a múltiplos fatores e requer mais de uma intervenção. Conclusão: Os pacientes usam estas fórmulas preparadas a partir de ampolas ou comprimidos e nossa experiência com pesquisas, preparo e administração destas formulações extemporâneas, comprova os resultados similares a outros hospitais nacionais e internacionais.
Objectives: To compare the epidemiology, clinical presentation, diagnosis, treatment, and outcome of haematologic patients with invasive aspergillosis (IA) or invasive fusariosis (IF). Methods: We retrospectively reviewed the charts of 36 patients with IA and 26 with IF diagnosed between 2006 and 2017 in haematologic patients, and compared baseline characteristics, coexisting exposures, clinical manifestations, treatment, and the outcome. Results: Fever was more frequent in IF (96.2% vs. 63.9%, p 0.003), whereas pneumonia (88.9% vs. 50.0%, p 0.001) and sinusitis (63.9% vs. 38.5%, p 0.048) were more frequent in IA. Skin lesions and positive blood cultures occurred exclusively in patients with IF. Among patients with pneumonia, the halo sign was more frequent in IA (62.5% vs. 23.1%, p 0.02). Serum galactomannan was positive in 88.6% of patients with IA and in 73.3% with IF (p 0.18), with no differences in the median number of positive tests and galactomannan values. Positive serum galactomannan plus lung infiltrates was the predominant clinical presentation in IA and occurred in four of 13 patients with IF and lung involvement. The 30-day survival was 77.7% in IA and 46.1% in IF (p 0.01). Conclusions: IA and IF share the same epidemiologic scenario but different clinical presentations in the majority of cases, with disease in the airways in IA, and fever, metastatic skin lesions, and positive blood cultures in IF. However, a substantial proportion of patients with IF present with a clinical picture similar to IA, with fever, lung infiltrates, and positive serum galactomannan. (C) 2018 European Society of Clinical Microbiology and Infectious Diseases. Published by Elsevier Ltd. All rights reserved.