Resumo O objetivo deste artigo teórico é estabelecer relações entre a colonialidade a que o povo brasileiro sempre esteve sujeito e seu parco conhecimento de línguas que não o brasileiro, bem como pensar soluções para esse problema, denominado colonialidade linguística. Primeiro, apresenta-se o conceito de colonialidade, conforme Quijano (2005, 2009) e Mignolo (2008, 2011); então, aprofunda-se esse conceito em uma reflexão sobre as políticas linguísticas brasileiras (García, 2019; Sousa Santos, 2007). Essa discussão é complementada pela busca de intersecções entre o conhecimento dos poderosos e o conhecimento poderoso no Brasil (Young, 2008). Argumenta-se que a força da ideologia monolíngue em nosso país vem do monolinguismo do colonizador (Veronelli, 2015). Com base em uma breve retomada histórica das políticas linguísticas no Brasil (Freire, 2018; Grilli, 2018), propõe-se a noção de que a colonialidade linguística em nosso país tem duas faces. São sugeridos alguns passos no sentido de combater o fenômeno.
Retomando no título o termo proposto por Queixalós & Renault-Lescure (2000, pp. 9-11), este artigo tem como objetivo estabelecer relações entre a história colonial do Brasil e as políticas para o ensino de línguas em nosso país desde o início da colonização, a fim de analisar vestígios da colonialidade linguística presentes ainda hoje. Por meio de uma análise da história do ensino de línguas no Brasil (BESSA FREIRE, 2018; GRILLI, 2018; LUCCHESI, 2017; SAVIANI, 2007; SILVA & FAVORITO, 2018), com embasamento teórico no pensamento decolonial (FANON, 2008; SOUSA SANTOS, 2019; VERONELLI, 2015), são delimitados três efeitos da colonialidade linguística. Argumenta-se que esses três efeitos tiveram início com a exclusão abissal dos povos não-brancos durante o período colonial, mas perduram firmemente no Brasil atual. Por fim, defende-se a educação linguística como alternativa emancipadora ao monolinguismo civilizatório, acolhendo a multiplicidade de saberes e falares do povo brasileiro. Palavras-chave: colonialidade linguística; monolinguismo; educação linguística.
Este trabalho retoma pontos da pesquisa de mestrado da autora (Grilli 2018) e tem como objetivo explorar o conceito de Ensino Integrado de Língua e Conteúdo (CLIL) e suas possíveis aplicações nos cursos de graduação em Letras/Alemão brasileiros. Na primeira seção, são apresentadas a história daquilo a que chamamos ensino bilíngue e as principais características da abordagem CLIL. Na segunda seção, voltada à realidade brasileira, são recuperadas as diretrizes que regem a educação bilíngue em nosso país, e os documentos que regem os cursos de Letras/Alemão. Maior foco é conferido à USP, instituição na qual foi realizada a pesquisa empírica aqui descrita e discutida, que se ocupa das dificuldades percebidas ao longo do curso por egressos. Após apresentar os resultados da pesquisa, discute-se como unir a teoria do CLIL à realidade dos cursos de Letras/Alemão no Brasil, relacionando as cinco dimensões do CLIL e a taxonomia de Bloom à grade curricular desses cursos. Na conclusão, defende-se que um trabalho baseado na abordagem CLIL pode conferir aos graduandos maior autonomia no uso da língua alemã em todas as suas dimensões, e, consequentemente, maior autonomia em seu futuro trabalho docente.
Este ensaio relata uma experiência de estágio em docência do Ensino Superior na Universidade de São Paulo (USP), e tem como objetivo principal discutir a formação de professores de alemão sob uma perspectiva crítica e decolonial. Essa discussão serve como pano de fundo para uma reflexão sobre o aperfeiçoamento político-pedagógico de uma doutoranda em um estágio de docência sob condições atípicas. A introdução traz um rápido panorama do ensino de alemão no Brasil e das possibilidades para a formação de professores. Em seguida, apresenta-se o funcionamento do curso de Letras com Habilitação em Alemão na USP, com enfoque nas incumbências do bacharelado e da licenciatura. A seção a seguir descreve o Programa de Aperfeiçoamento de Ensino da USP, no âmbito do qual foi realizado o estágio em docência do ensino superior que deu origem a este relato. Então, introduz-se a disciplina de Metodologia do Ensino de Língua Alemã, na qual foi realizado o estágio. Posteriormente, são retomadas as especificidades do ensino universitário ao longo do ano de 2020, caracterizado pela substituição das aulas presenciais pelas remotas, devido à pandemia do covid-19. Por fim, amplia-se a discussão sobre a dimensão política na formação de professores de alemão no Brasil, e as considerações finais defendem que se retome essa dimensão, para que os futuros professores de alemão ajam de maneira cada vez mais autônoma e consciente. Pretende-se, assim, mostrar que a formação docente é feita em etapas diferentes, na graduação e na pós-graduação, e defender que um entendimento melhor desse mosaico é imprescindível para quem se prepara para atuar como formadora de professores.Referências:ALMEIDA FILHO, José Carlos Paes de; FERNÁNDEZ, Gretel Eres Fernández (Orgs.). RENIDE. Referencial de níveis de desempenho em línguas estrangeiras. Campinas: Pontes, 2019.BARBOSA, José Roberto Alves. Aspectos da interlíngua: contribuições para a aquisição de L2. 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Neste artigo, defende-se a substituição de muitas práticas de ensino de alemão já consolidadas no Brasil pela educação linguística crítica em alemão. Primeiro, revisita-se o lugar ocupado pela língua alemã na história do Brasil desde 1824, passando por todas as mudanças nas leis que regem o ensino de línguas nas escolas até chegar ao estágio da globalização em que estamos hoje, argumentando que a língua alemã, apesar de ocupar uma posição global hegemônica, não desfruta do status de língua hegemônica no Brasil. Então, é apresentada a definição daquilo que se entende por línguas enquanto invenção da colonialidade europeia, definição essa contrastada com os conceitos de decolonialidade e translinguismo, sempre com o objetivo de estabelecer um diálogo entre esses conceitos e o ensino de alemão no Brasil. Discute-se ainda a concepção de colonialidade linguística, num esforço de explicitar sua forte presença nas práticas de ensino de línguas no Brasil. A partir de definições dos termos educação e ensino, chega-se a uma definição de educação linguística. A quarta seção apresenta provocações práticas para a educação linguística em alemão para o povo brasileiro, e as considerações finais reforçam que uma tal educação linguística só pode ser construída a partir de uma perspectiva translíngue e decolonial.
Uma questão recorrente com a qual se deparam os professores de língua estrangeira (LE) é oque fazer quando os alunos se expressam em sua língua materna (LM) durante a aula. Esteartigo apresenta argumentos em favor do uso LM como recurso para a aprendizagem de LE.Ainda que a não exclusão da LM na sala de aula de LE não seja uma proposta inovadora, acomunicação integralmente em LE desde a primeira aula ainda é considerada uma vantagemem muitos cursos de LE, em oposição àqueles que aumentam progressivamente o inputconforme a evolução do aluno. De fato, o input linguístico e as oportunidades de mobilizaçãooral e escrita da LE têm maior relevância para a aprendizagem do que explicações sobre aestrutura da língua; entretanto, é possível e desejável empregar a LM como recurso paraotimizar a aprendizagem de qualquer LE. Assim, apresento aqui alguns modelos de ensinoplurilíngue elaborados para a realidade europeia e os repensamos de acordo com a realidadebrasileira. Defende-se, desse modo, a perspectiva translíngue para o ensino de LE, superandoa ideia de plurilinguismo enquanto conhecimentos separados de línguas não relacionadasentre si.
A conferência define os conceitos de literacia e pensamento crítico, demonstrando o impacto da primeira sobre o segundo e sobre outras capacidades cognitivas, como a memória e a compreensão da linguagem. A pesquisa relatada, em andamento, trabalha com a hipótese de que a literacia contribui para elevar a qualidade e a profundidade do pensamento crítico, recurso de autodefesa intelectual em relação às fake news e a outras manobras de desvirtuação dos fatos ou de propaganda mentirosa. São apresentados os resultados de estudos realizados anteriormente por outros pesquisadores e os resultados preliminares de um projeto experimental que a conferencista integra, no qual diversos grupos de adultos subletrados realizam testes de literacia, literacia de mídia, pensamento crítico, habilidade de leitura de emoções e identificação com valores fascistas. Conclui-se que, quanto maior o nível de literacia, maior a capacidade de pensamento crítico.
O objetivo deste trabalho é defender a importância do pensamento decolonial para superar as atuais e futuras consequências da crise causada pela pandemia da doença Covid-19. Procura-se demonstrar a relação entre a ausência de reconhecimento das Ciências Humanas, sobretudo quando orientadas pelo pensamento decolonial, e a catástrofe que tem se abatido sobre o Brasil durante a pandemia atual. O referencial teórico que orienta o trabalho combina o viés histórico e o viés sociológico, complementados por notícias recentes sobre os desdobramentos da pandemia no Brasil. Argumenta-se que deixar de lado as Ciências Humanas para, supostamente, priorizar os investimentos nas Ciências Biológicas não passa de um engodo do Poder Público.
Esta palestra apresenta razões pelas quais deveríamos descartar dicotomias tradicionais na pesquisa em Linguística, como monolíngue versus plurilíngue, nativo versus não-nativo, inato versus aprendido, fatores biológicos versus culturais. Argumenta-se que, em vez disso, deveríamos entender o plurilinguismo como um continuum, indo do menos plurilíngue ao mais plurilíngue. A razão para tanto é que o monolinguismo tem se tornado cada vez mais raro, pois cada vez mais pessoas aprender outras línguas ou são simplesmente expostas ao multilinguismo em sociedade. Consequentemente, o plurilinguismo é considerado aqui de modo amplo, enquanto sinônimo da capacidade de lidar com mais de uma língua em qualquer idade, e não apenas desde o nascimento. A conferencista conclui, novamente, que não faz sentido tomar o falante nativo como modelo a ser seguido pelo aprendiz de uma língua.
This work aims at defending the relevance of decolonial thinking towards overcoming the current and future consequences of the crisis caused by the Covid-19 pandemic. It is an attempt to demonstrate the relation between the lack of acknowledgement of the Human Sciences, especially concerning decolonial thinking purposes, and the catastrophe that falls on Brazil during the current pandemic. The underlying theoretical framework combines historical and sociological guidelines, complemented by recent news on the pandemic’s progression in Brazil. It is argued that leaving Human Sciences behind in order to allegedly prioritize investments in Biological Sciences is nothing more than a trap by the public authorities.
Este artigo discute o papel em potencial do Ensino Integrado de Língua e Conteúdo (CLIL) na graduação em Letras/Alemão. No Brasil, muitos estudantes iniciam a graduação sem conhecimento prévio da língua alemã, e é sempre um desafio melhorar suas habilidades de leitura em cinco semestres de ensino de idiomas, ao menos até o nível B1. A pesquisa empírica parte da hipótese de que frequentar uma disciplina CLIL pode auxiliar os alunos a melhorar sua competência de leitura em alemão. Para tanto, examinou-se a competência de leitura de estudantes de Letras/Alemão em uma universidade brasileira. Após a categorização de seus erros, foram definidos os fatores que podem ter levado à melhoria da alfabetização.
Este trabalho revisita a história do ensino de línguas no Brasil sob um olhar questionador. O objetivo é fornecer subsídios para um posicionamento histórico-crítico dos professores de línguas no Brasil. A introdução contribui para situar a época em que essas reflexões estão sendo realizadas, entre novos movimentos de globalização facilitados pelas novas tecnologias, de um lado, e o desmonte da educação pública brasileira, de outro lado. A seguir, delineamos um panorama histórico do ensino de línguas no país, situando três aspectos em paralelo: as línguas ensinadas nas escolas desde o início da colonização, as políticas linguísticas concernentes a esse ensino e os métodos de ensino de línguas vigentes em cada época. Então, observamos algumas relações entre esses aspectos e as condições atuais de ensino de línguas nas escolas brasileiras. Na conclusão, defendemos uma mudança de perspectiva acerca do ensino de línguas hegemônicas na escola.
This work gathers and compares research reports published in Brazil and in Germany which deal with multilingual constellations, in which German is one of the three or more spoken or learned languages in the analyzed context. It is a bibliographical research of quantitative character, inasmuch as the number of articles published on the theme in the last ten years is considered, and also of qualitative character, for consonance and dissonance points between the articles and recent theoretical recommendations are sought, as well as consonance and dissonance points among the articles themselves. First of all, a link among three key points of the multilingual education is established. Then a general overview of the analyzed articles is presented, followed by three sections in which the key points are confronted with the articles where each one of them is approached. Thereon, perspectives of German teaching in multilingual contexts of other countries are discussed. The closing remarks resume some theoretical points highlighted throughout the text and present suggestions for improving German teaching in Brazil
This work gathers and compares research reports published in Brazil and in Germany which deal with multilingual constellations, in which German is one of the three or more spoken or learned languages in the analyzed context. It is a bibliographical research of quantitative character, inasmuch as the number of articles published on the theme in the last ten years is considered, and also of qualitative character, for consonance and dissonance points between the articles and recent theoretical recommendations are sought, as well as consonance and dissonance points among the articles themselves. First of all, a link among three key points of the multilingual education is established. Then a general overview of the analyzed articles is presented, followed by three sections in which the key points are confronted with the articles where each one of them is approached. Thereon, perspectives of German teaching in multilingual contexts of other countries are discussed. The closing remarks resume some theoretical points highlighted throughout the text and present suggestions for improving German teaching in Brazil.