Extensive urbanized areas, characterized by waterproofed soils, increase runoff, which reduces the rainwater infiltration into the ground. However, water, sewer, and rainwater distribution systems leak, as there is excess irrigation in green areas, resulting in anthropic recharging in urban aquifers larger than in rural areas with equivalent climates. This scenario occurs in the Upper Tiete Watershed (UTW), an area of 5,868 km(2) that drains the principal rivers of the Sao Paulo's metropolitan region in Brazil, where groundwater plays a complementary role for domestic, industrial, and agricultural supplies, totalizing extraction rates higher than 11 m(3)/s. In this paper, a Geographical Information System (GIS) was established to assess regional groundwater availabilities using adaptations of classic recharge methods such as soil water budget calculations and estimation of minimum sustainable river flow. For this, a surface runoff map, based on soil and slope terrain data, was evaluated using the information on water and sanitation infrastructure and meteorological data. We found that recharge in urban areas (with water and sewer mains) was 437 mm/yr and 106-407 mm/yr in rural areas. Considering the need to maintain a minimum historical flow of 20 m(3)/s in the hydrographic basin of the Tiete River, the total exploitable groundwater is 33 m(3)/s. The compilation of various GIS methods can help decision-makers develop alternative water security management plans in complex urbanized-regions such as in the metropolis of Sao Paulo.
O abastecimento por agua, em grandes centros urbanos brasileiros e uma preocupacao atual devido a diversos fatores, tais como o aumento da demanda e as lacunas no conhecimento do potencial hidrologico. Nesse contexto, o uso da modelagem numerica de fluxo de aguas subterrâneas se destaca no auxilio da gestao dos recursos hidricos, por permitir o entendimento da dinâmica de sistemas complexos de hidrogeologia, simular cenarios futuros de explotacao e, com isso, permitir que decisoes importantes no planejamento sejam tomadas embasadas em uma tecnica bem definida. Este artigo envolve a elaboracao e resultados de modelo numerico de fluxo, em regime estacionario, que auxiliam na gestao das aguas subterrâneas dos municipios paulistas: Guarulhos, Bauru, Sao Jose do Rio Preto, Sao Jose dos Campos, Cacapava e Jacarei. Os resultados da situacao atual de explotacao dos aquiferos e dos cenarios prospectivos sao capazes de antecipar problemas relacionados ao stress do aquifero, alem de auxiliar na definicao de vazao de pocos, na melhor localizacao para perfuracao de novos pocos, em programas de incentivo ao uso ou a restricao, a programas de beneficios ou compensacoes financeiras, controle de uso do solo, entre outros beneficios para a gestao dos recursos hidricos.
O nitrato é um problema que afeta importantes aquíferos paulistas. O enfrentamento desse problema requer ações preventivas e corretivas, mas é necessário o reconhecimento por parte dos gestores dos recursos hídricos e da saúde de que a contaminação por nitrato existe e causa problemas à saúde, à disponibilidade da água, além de ocasionar um sério impacto econômico. As ações preventivas são as que apresentam as melhores relações de custo-benefício, entretanto, requerem ações de planejamento, dos quais incluem: i) reconhecimento do perigo da contaminação; ii) instalação de rede de esgoto antes da ocupação urbana; iii) instalação de poços de abastecimento público fora das áreas urbana e rural; e iv) aplicação do conceito de perímetro de proteção do poço. Já entre as medidas corretivas, destacam-se: i) mescla de água com baixa concentração de nitrato; ii) utilização de água subterrânea de estratos mais profundos; iii) tratamento da água pós-extração; iv) aumento da recarga do aquífero com águas limpas, associado a um programa de uso de água subterrânea contaminada para usos não nobres; e iv) locação de novos poços urbanos dentro de áreas verdes preservadas.
Em 2003 o Brasil aprovou o texto da Convencao de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes, no qual um dos compromissos assumidos visa a eliminacao e/ou restricao desses poluentes, alem da identificacao e gestao de areas contaminadas por essas substâncias. O acido perfluoroctanosulfonico (perfluorooctane sulfonic acid – PFOS) faz parte do Anexo B da Convencao. O objetivo deste estudo foi avaliar areas contaminadas com potencial de apresentarem PFOS como contaminantes, por meio do levantamento das areas contaminadas da Unidade de Gerenciamento de Recurso Hidricos da Baixada Santista (UGRHI -07) e dos processos industriais que o Programa das Nacoes Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) e a Agencia de Protecao Ambiental Americana (EPA) classificaram com historico de uso dos PFOS. As analises possibilitaram identificar que, dentre 58 areas contaminadas na UGRHI -07 por uso industrial; uso relacionado ao gerenciamento de residuos e acidentes; 26 areas foram identificadas com atividades com potencial de presenca de PFOS, sendo que dentre estas 16 sao lixoes e aterros sanitarios. No Brasil existem poucos estudos a respeito dos PFOS, inclusive inexistem valores orientadores nacionais, entretanto recomenda-se que diversas industriais, alem de lixoes, aterros e areas onde ocorreram acidentes de alta complexidade, devem incluir inicialmente o PFOS como substância quimica de interesse no gerenciamento e investigacoes de areas contaminadas.
Existem grandes ameaças à integridade e qualidade das reservas do Sistema Aquífero Guarani (SAG). A porção mais vulnerável ao reservatório transfronteiriço está nas zonas de recarga. Apesar de existirem numerosas propostas para gestão integrada e proteção da qualidade dessas estratégicas águas subterrâneas, a maioria carece de implementação pelo poder público. O Programa educativo de divulgação, valorização e geoconservação do SAG objetiva divulgar ações indispensáveis para conter ameaças, com suporte administrativo e educativo do Museu de Mineralogia Aitiara (Botucatu/SP). Este trabalho descreve palestras, debates, documentos, folders e placas, bem como o trailer recentemente inaugurado, que começou a percorrer praças públicas e escolas, com teatro, exposição e oficinas sobre a formação geológica do SAG. A apresentação teatral intitula-se Proteção das Águas, Opção pela Vida: Aquífero Guarani, Patrimônio Geológico; a exposição inclui amostras de arenito e basalto, minerais, maquetes, réplicas de pegadas de animais do Paleodeserto Botucatu e painéis. Duas estruturas permitem realizar oficinas artísticas, de desenho com areias e poesia sobre as águas. Não basta porém estimular a reflexão sobre geoconservação; geólogos precisam ser incluídos nas prefeituras municipais, para valorizar o patrimônio geológico singular das áreas de afloramento e estimular aproveitamento consciente das reservas fósseis do SAG na parte confinada.
A região sudoeste do vale do rio Paraíba do Sul, na Bacia de Taubaté tem uma elevada dependência de água subterrânea, fazendo necessária a melhor compreensão dessas águas para a sua gestão. São águas de dois ambientes hidrogeológicos distintos: o aquífero Cristalino e o Sistema Aquífero Taubaté. Neste trabalho foram caracterizadas e classificadas quatro zonas hidroquímicas: Taubaté1, Bicarbonatadas sódicas; Taubaté2, Bicarbonatadas potássicas; Taubaté3, Bicarbonatadas sódicas a Bicarbonatadas cálcicas; e Cristalino, Bicarbonatadas sódicas a Bicarbonatadas cálcicas. Esta caracterização permitiu observar uma interação de águas do aquífero fraturado Cristalino com águas dos aquíferos granulares do SAT. Foram verificadas ocorrências anômalas de nitrato e cloreto nas águas, decorrentes de interferência antrópica, que embora tenham sido pontuais e abaixo dos limites de referência aplicáveis, alertam para a necessidade de melhorias na gestão dos aquíferos.
O Departamento de Aguas e Energia Eletrica - DAEE contratou um diagnostico hidrogeologico do municipio de Bauru, visando a proposicao de medidas para gestao sustentavel e protecao da qualidade das aguas subterrâneas. Em grande parte da zona urbana de Bauru, um alto estrutural coloca o Sistema Aquifero Bauru (SAB) em contato direto com o Sistema Aquifero Guarani (SAG), sem a ocorrencia dos basaltos da Formacao Serra Geral. A elevada dependencia das aguas subterrâneas do SAG e a contaminacao por nitrato do SAB levaram a importante questao sobre a conexao hidraulica entre os sistemas aquiferos. A caracterizacao da hidroestratigrafia, das potenciometrias, da hidrogeoquimica e da assinatura isotopica evidenciaram o isolamento hidraulico entre o SAB e o SAG na area da janela de basalto.
Este trabalho resultou do projeto “Diagnóstico de disponibilidade hídrica subterrânea da Região Metropolitana de São Paulo - RMSP”, coordenado pelo CEPAS-IGcUSP, que visou contribuir com o plano de contingência de abastecimento de água da SABESP. Aqui, são descritos os métodos e resultados obtidos para os aquíferos fraturados das áreas atendidas pelos sistemas Cantareira e Alto Tietê. A identificação de critérios de seleção de pontos de perfuração de novos poços, inicialmente, contemplou uma análise regional com o objetivo de delimitar áreas com potenciais variáveis de exploração de água subterrânea. Esta análise utilizou cadastro de poços e mapa de polígonos estruturais elaborados neste projeto, bem como mapa geológico compilado. A análise resultou em mapa de áreas de interesse elevado, bom, moderado e baixo, que indicam, em ordem decrescente, os diferentes potenciais de produção presentes na RMSP. A seleção de pontos de perfuração foi iniciada pelas áreas de maior interesse, sendo seguida pelas áreas de interesse médio ou baixo. Espera-se que as melhores vazões sejam obtidas em locais de cruzamento de lineamentos de drenagens, associados a planícies aluviais bem desenvolvidas, bem como em unidades geológicas contendo rochas com grande número de descontinuidades, tais como contatos litológicos, bandamento e foliação.
Os principais reservatorios de agua de abastecimento da Regiao Metropolitana de Sao Paulo (RMSP) encontram-se, nos dias atuais (marco de 2015), com estoques proximos dos limites baixos, porem em processo de leve recuperacao por conta das chuvas de verao. Nestes tempos, a imprensa tem publicado diariamente a situacao da crise hidrica e a sociedade mantem-se atonita com as noticias das variacoes diarias dos estoques de agua e atenta as discussoes sobre o racionamento que pode ou nao ocorrer em algum momento ao longo de 2015.
O abastecimento público de água no município de São José do Rio Preto depende em grande parte da exploração de água subterrânea do Aquífero Bauru. Com a finalidade de delimitar áreas de restrição e controle da captação e uso das águas subterrâneas, foi desenvolvido um modelo numérico para estudo de cenários de exploração dos recursos hídricos subterrâneos na área de estudo. Neste artigo são apresentados o modelo conceitual, construção do modelo numérico, cenário pré-exploração e simulação com bombeamento para avaliação dos impactos no sistema. De acordo com os resultados obtidos, nas regiões topograficamente mais baixas, onde a concentração de poços de bombeamento é maior, os cursos d’água alimentam o aquífero, contribuindo para o abastecimento dos poços. O balanço hídrico indica que a recarga total de 76.544.173 m3/a corresponde a uma taxa de recarga média de aproximadamente 200 mm/a para a área de estudo. Aproximadamente 10.123.000 m3/a representam o volume de água elevado pelos poços, que retorna ao aquífero devido às perdas nas redes de distribuição de água e coleta de esgotos. Dessa forma, a taxa de exploração dos recursos hídricos subterrâneos renováveis é de aproximadamente 33,5% na área de estudo.
Os resultados sintetizados neste artigo foram apresentados no Relatório Final dos estudos referenciados, contratados pela ANA. Este estudo concluiu que de forma geral, a RMN possui elevadas potencialidades de águas subterrâneas do SAB para o suprimento das demandas, entretanto, regionalmente contaminadas por nitrato, oriundas dos baixos índices de saneamento na região. Embora haja um razoável equilíbrio entre as retiradas e o volume de recarga urbana, a diminuição desta pela ampliação do esgotamento sanitário e aumento da eficiência dos sistemas de abastecimento de água, provocaria um déficit quantitativo e depleção local das cargas hidráulicas. Desta forma, para uma recarga urbana sustentável torna-se necessário além das ações indicadas, aumentar a contribuição da drenagem urbana por meio de lagoas de águas pluviais, e principalmente, aumentar o controle e a fiscalização sobre o uso das águas subterrâneas.
Este trabalho objetivou avaliar a integração entre a vulnerabilidade dos aquíferos, através do método GOD, e a classificação das indústrias com potencial de degradar osolo e águas subterrâneas, pelo método POSH, tendo em vista o risco de desabastecimento público pela contaminação dos aquíferos. Embora existam trabalhos que avaliem o perigo de contaminação, este é um dos primeiros a validar essa metodologia no Brasil, a partir da análise de casos comprovados de degradação de aquíferos. Os resultados mostraram que os aqüíferos apresentam média a altavulnerabilidade devido aos elevados níveis freáticos e à litologia de média permeabilidade. O trabalho cadastrou 3.905 atividades potencialmente contaminantes, classificando 2.490 como de elevado índice. Para a avaliação dos perigos de contaminação, definida pela integração desses dois parâmetros, um novo método foi proposto e aplicado com sucesso. A região foi dividida em células de 500x500m e a densidade da ocupação industrial de elevado índice foi avaliada em cada uma delas. Isso permitiu identificar áreas onde existem perigos elevados, quando a alta densidade deatividades encontrava-se sobre aqüíferos vulneráveis. A avaliação individual das 84 áreas comprovadamente contaminadas da CETESB indicou que essas se localizavam nas áreas de maior perigo, mostrando o sucesso da metodologia desenvolvida.
Este trabalho apresenta uma metodologia para a definição de áreas de restrição e controle de uso de água subterrânea na região do canal do Jurubatuba. A região está contaminada por compostos organoclorados nas zonas de maior densidade de ocupação industrial. As características de mobilidade, solubilidade e persistência dos contaminantes os fizeram alcançar a rede de poços de produção. O cenário hidrogeológico e ambiental foi caracterizado e os dados foram trabalhados num SIG. A metodologia ora propostacaracteriza pequenas áreas similares em seus níveis de contaminação potenciais e reais, distinguindo-as em três conjuntos, a partir dos quais são traçadas áreas de Alta, Média e Baixa restrição. O método permite definir medidas de controle para cada nível de restrição e possibilita readequar os limites das áreas de restrição se houver alteração de cenário.