Buscou-se avaliar a associação entre a aparência vulvar e a libido feminina em pacientes atendidas em duas clínicas privadas do sul catarinense. Foram coletados 97 questionários de pacientes ginecológicas maiores de 18 anos por meio de instrumento elaborado pelas pesquisadoras, contendo dados epidemiológicos e questões sobre aparência física, estética vulvar, libido e sexualidade. Foram excluídos 35 questionários (36.1%) por preenchimento incompleto ou inconsistente em pelo menos um dos itens necessários à análise, resultando em amostra final de 62 mulheres. A média de idade foi de 32.65 anos; 53.2% eram casadas e 62.9% tinham ensino superior completo. A maioria estava satisfeita com a aparência da vulva, enquanto 19.4% estavam insatisfeitas. Não foi identificada associação estatisticamente significativa entre satisfação com a aparência vulvar e os indicadores de libido ou qualidade da relação sexual. Entretanto, a insatisfação vulvar associou-se à crença de que procedimentos estéticos poderiam melhorar a aparência genital e a satisfação sexual (p < 0.001). Os achados devem ser interpretados como exploratórios, considerando o uso de instrumento não validado e o tamanho reduzido da amostra.
A organização da Assistência Farmacêutica no Sistema Único de Saúde apresenta influência direta sobre a atuação clínica do farmacêutico, determinando a qualidade do cuidado relacionado ao uso de medicamentos. A estruturação administrativa, os fluxos internos e os protocolos institucionais permitem que os profissionais desenvolvam ações de acompanhamento farmacoterapêutico, orientação aos usuários e monitoramento de resultados terapêuticos, sendo que a descentralização das atividades favorece a proximidade dos serviços com a população, possibilitando adaptações das práticas às necessidades locais e contribuindo para o cuidado individualizado. A formação e a atualização contínua do farmacêutico ampliam competências técnicas e comunicacionais, fortalecendo a identificação de problemas relacionados à farmacoterapia e a proposição de intervenções adequadas. A atuação em equipes multiprofissionais e a utilização de ferramentas tecnológicas de gestão de medicamentos aumentam a abrangência e a segurança das práticas clínicas. Assim, estudos indicam que o alinhamento entre políticas públicas, gestão de serviços e desenvolvimento profissional é determinante para consolidar a atuação clínica dentro do SUS, onde compreender essas relações oferece subsídios para aprimorar estratégias de organização e qualificação da Assistência Farmacêutica, contribuindo para o cuidado integral e seguro dos usuários do sistema de saúde.
Autism spectrum disorder (ASD) is a heterogeneous neurodevelopmental condition characterized by persistent deficits in social communication and interaction, restricted and repetitive patterns of behavior, and sensory processing alterations, frequently accompanied by anxiety, emotional dysregulation, and other psychiatric comorbidities. Despite advances in behavioral and pharmacological interventions, effective treatments for core ASD symptoms remain limited. Psychedelic compounds have recently emerged as potential therapeutic agents in psychiatry because of their ability to modulate serotonergic and glutamatergic signaling, enhance neuroplasticity, reorganize large-scale brain networks, and influence neurobiological pathways implicated in ASD. In this narrative review, we examine the mechanistic rationale supporting psychedelic-based approaches in ASD, including 5-HT2A receptor activation, oxytocin-serotonin interactions, excitation-inhibition dynamics, functional connectivity, and glutamatergic modulation associated with ketamine and related compounds. We also summarize current clinical and preclinical evidence involving substances such as psilocybin, lysergic acid diethylamide, 3,4-methylenedioxymethamphetamine, and ketamine. Particular attention is given to the distinction between core ASD symptoms and associated symptom domains. Current evidence does not support the direct treatment of core social communication deficits or restricted and repetitive behaviors; however, psychedelics may hold greater potential for dimensions such as social anxiety, emotional dysregulation, cognitive rigidity, and co-occurring mood symptoms. Ethical, regulatory, and developmental safety considerations are also discussed, particularly regarding neurodivergent populations and the absence of robust pediatric evidence. Although direct clinical studies in ASD remain scarce, psychedelic-assisted interventions represent a promising translational avenue that warrants further rigorous investigation through carefully designed clinical trials.
A transformação digital dos sistemas de saúde tem impulsionado a expansão da Telessaúde como estratégia para qualificar a assistência na Atenção Primária à Saúde (APS), tornando relevante analisar seus impactos no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS). Objetivou-se analisar as evidências científicas sobre os impactos da Telessaúde na qualidade da assistência na APS, identificando benefícios, desafios e perspectivas para o fortalecimento do SUS. Para tanto, realizou-se uma Revisão Integrativa da Literatura, fundamentada em Whittemore e Knafl (2005) e conduzida conforme PRISMA 2020, com busca nas bases PubMed, MEDLINE, SciELO, LILACS e BVS, utilizando descritores DeCS/MeSH combinados por operadores booleanos. As evidências demonstraram que a Telessaúde amplia o acesso, fortalece a coordenação do cuidado, aumenta a resolutividade da APS, reduz encaminhamentos desnecessários e apoia a educação permanente, com destaque para o protagonismo da Enfermagem. Persistem, porém, desafios relacionados à infraestrutura, conectividade, exclusão digital, interoperabilidade, segurança da informação, capacitação e financiamento. Conclui-se que a Telessaúde é estratégia essencial para a transformação digital do SUS, desde que implementada com investimentos estruturais e políticas públicas voltadas à consolidação da Saúde Digital.