Este artigo analisa a evasão escolar no Brasil a partir de uma abordagem qualitativa, ancorada em análise documental e análise de conteúdo temático. Busca compreender como marcos legais, indicadores oficiais, desigualdades estruturais e políticas públicas de permanência configuram o fenômeno da evasão entre 2019 e 2024. A investigação utiliza documentos normativos, relatórios institucionais e sínteses técnicas produzidas pelo IBGE, INEP, MEC, UNICEF e organizações da sociedade civil, interpretados à luz de referências teóricas sobre direito à educação, desenvolvimento regional, desigualdades territoriais e interseccionalidades. Os resultados foram organizados em cinco categorias analíticas: (i) determinantes socioeconômicos e interseccionais, como pobreza, racismo estrutural e insegurança alimentar; (ii) condicionantes territoriais, que evidenciam a influência de desigualdades urbano-rurais e da infraestrutura municipal; (iii) fragilidades institucionais e crise de legitimidade da escola, expressas em currículos pouco contextualizados e relações frágeis entre escola, família e comunidade; (iv) arquitetura e limitações das políticas de permanência escolar, incluindo alimentação, transporte, jornada ampliada, transferências condicionadas e busca ativa; e (v) convergência entre essas políticas e as metas 4 e 10 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A análise revela que, apesar de avanços pontuais, a efetividade das políticas de permanência depende de condições de governança, financiamento sustentável e articulação intersetorial que ainda não se consolidaram. Conclui-se que enfrentar a evasão escolar requer compreender suas múltiplas dimensões sociais e territoriais, além de fortalecer políticas públicas integradas capazes de reduzir desigualdades e garantir o direito à educação com equidade.
A diarreia aguda permanece como uma das principais causas de morbidade pediátrica mundial, exigindo estratégias terapêuticas eficazes para prevenir a desidratação e suas complicações. Esta revisão sistemática sintetiza as evidências científicas brasileiras sobre a eficácia da terapia de reidratação oral (TRO) associada ao uso de probióticos específicos no manejo da diarreia em crianças (1). Os resultados demonstram que a TRO permanece como a base do tratamento, sendo capaz de reduzir drasticamente a mortalidade quando iniciada precocemente (2). Além disso, a administração de cepas probióticas selecionadas, como Saccharomyces boulardii e Lactobacillus rhamnosus GG, apresenta impacto positivo na redução da duração do quadro diarreico (3). Conclui-se que o manejo deve ser centrado na hidratação adequada, com a suplementação de probióticos atuando como estratégia adjuvante segura para a recuperação da microbiota intestinal e melhora dos sintomas, desde que prescrita de forma racional e baseada em evidências (4,5,6).
O retinoblastoma é a neoplasia intraocular maligna mais comum na infância e, apesar das elevadas taxas de sobrevida alcançadas nas últimas décadas, a preservação do globo ocular e da função visual permanece um importante desafio terapêutico. Objetiva-se analisar as principais abordagens oncológicas integradas empregadas no tratamento do retinoblastoma, com ênfase nas estratégias de salvamento ocular, preservação visual e terapias emergentes. Para tanto, realizou-se uma revisão narrativa da literatura na base PubMed, utilizando os descritores MeSH “Retinoblastoma” e “Therapeutics”, com seleção de estudos em português ou inglês pertinentes à temática. Observou-se que a integração entre quimioterapia intravenosa, intra-arterial e intravítrea e métodos de consolidação focal ampliou significativamente as possibilidades de controle tumoral e preservação ocular. A quimioterapia intravenosa associada à terapia focal apresenta taxas de salvamento ocular de 90% a 100% nos grupos A a C, enquanto a administração intravítrea possibilita taxas de erradicação de sementes vítreas de 90% a 100%. Além disso, terapias moleculares e imunológicas emergentes, incluindo inibidores de histona desacetilases e estratégias direcionadas ao antígeno GD2, apresentam resultados pré-clínicos promissores. Conclui-se que o manejo contemporâneo do retinoblastoma deve integrar controle oncológico, preservação anatômica e reabilitação visual, mediante abordagem individualizada e multidisciplinar, enquanto novas terapias direcionadas apresentam potencial para ampliar a eficácia e reduzir a toxicidade dos tratamentos.
O atendimento ao paciente politraumatizado constitui um desafio complexo na medicina de emergência, exigindo abordagem estruturada para mitigar a resposta inflamatória sistêmica, a coagulopatia e a instabilidade hemodinâmica. Este trabalho analisa os protocolos contemporâneos de atendimento e tratamento ao politraumatizado na emergência, destacando as diretrizes de ressuscitação de controle de danos, o manejo não operatório de lesões viscerais, a estabilização cirúrgica de fraturas costais e os parâmetros assistenciais em incidentes com múltiplas vítimas. As evidências reforçam a importância de integrar a padronização inicial do algoritmo xABCDE à reavaliação contínua e à individualização terapêutica, alinhando a fase pré-hospitalar, a emergência e a UTI.
Background:Contrast-induced nephropathy (CIN) is a complication of iodinated contrast media use that can lead to worsening of renal function, increased morbidity and mortality, and the need for renal replacement therapy. Objectives:To evaluate the incidence of CIN after angioplasty and identify associated factors, including variations in creatinine, glomerular filtration rate (GFR), contrast volume, procedure time, and comorbidities. Methods:Retrospective study of 305 patients undergoing angioplasty. Clinical and laboratory variables, including serum creatinine and GFR before and after the procedure, were analyzed. CIN was defined as an absolute increase in creatinine ≥ 0.3 mg/dL or a relative increase ≥ 50% within 48 hours. Logistic regression was applied to identify independent predictors. Results:The incidence of CIN was 10.5% (n = 32/305). Patients with CIN showed a significant reduction in GFR (pre: 73.79 ± 22.5 vs. post: 34.32 ± 11.8 mL/min; p < 0.0001) and increased creatinine (pre: 1.12 ± 0.3 vs. post: 1.78 ± 0.6 mg/dL; p < 0.001). CIN was associated with stroke (p = 0.014), peripheral arterial occlusive disease (p = 0.007), diabetes mellitus (p = 0.002), chronic kidney disease (p = 0.005), and heart failure (p = 0.004). Multivariate analysis confirmed DM (OR = 2.45; 95% CI: 1.12-4.38; p = 0.022) as the main risk factor. Conclusions:CIN occurred in 10.5% of patients, with DM, CKD, and HF being the main risk factors. These findings reinforce the importance of monitoring to reduce the impact of CIN and optimize clinical outcomes.