As perfurações gastrointestinais constituem emergências cirúrgicas potencialmente fatais, caracterizadas pela ruptura da parede do trato gastrointestinal e consequente extravasamento de conteúdo para a cavidade peritoneal. Essa condição pode evoluir rapidamente para peritonite, sepse, choque e disfunção de múltiplos órgãos. Etiologias como doença ulcerosa péptica, diverticulite, neoplasias, isquemia, trauma e complicações iatrogênicas estão frequentemente envolvidas. Nesse contexto, avanços nos métodos diagnósticos e nas técnicas cirúrgicas têm possibilitado intervenções mais precoces e individualizadas. Objetivo: Analisar as evidências científicas acerca das atualizações no diagnóstico e no tratamento cirúrgico das perfurações gastrointestinais, enfatizando estratégias relacionadas à redução da morbimortalidade. Métodos: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, realizada nas bases PubMed, SciELO, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Cochrane Library. Foram considerados artigos publicados entre 2019 e 2025, nos idiomas português e inglês, além de diretrizes internacionais referentes às perfurações gastrointestinais. Os estudos selecionados foram analisados qualitativa e descritivamente. Resultados: As evidências demonstraram que o diagnóstico precoce, fundamentado na avaliação clínica e na tomografia computadorizada, é determinante para melhores desfechos. O tratamento inclui estabilização hemodinâmica, antibioticoterapia de amplo espectro e controle precoce do foco infeccioso. A laparotomia permanece fundamental em pacientes instáveis, com peritonite difusa ou extensa contaminação abdominal. Entretanto, abordagens laparoscópicas têm apresentado resultados favoráveis em pacientes selecionados, associando-se a menor trauma cirúrgico, redução da dor, menor incidência de complicações da ferida e recuperação mais rápida. Técnicas endoscópicas também apresentam crescente aplicação em perfurações selecionadas e iatrogênicas. Conclusão: O manejo das perfurações gastrointestinais exige diagnóstico rápido, estabilização clínica e controle adequado do foco. A incorporação de técnicas minimamente invasivas amplia as possibilidades terapêuticas, porém a escolha da abordagem deve considerar localização e extensão da perfuração, estabilidade hemodinâmica, grau de contaminação e experiência da equipe, visando reduzir complicações e mortalidade.
Introdução: as fraturas do estiloide radial desviadas podem ser manejadas cirurgicamente por diversas técnicas de osteossíntese já descritas. O objetivo deste estudo biomecânico foi comparar duas técnicas de fixação utilizadas no tratamento das fraturas do estiloide radial, uma delas com dois fios de Kirschner convergentes, a outra com parafuso cortical e arruela. Métodos: foram criados 10 modelos de extremidade distal do rádio reproduzindo a fratura do estiloide radial, tipo AO/OTA 2R3 B1.1, por meio de impressora 3D e dimensões idênticas às do modelo Sawbones® 3047 utilizado em ensaios biomecânicos prévios. Os modelos foram divididos em 2 grupos contendo de 5 unidades cada. Um dos grupos foi fixado com 2 fios de Kirschner 1,5 mm convergentes, o outro grupo com um parafuso cortical 3,5 mm e arruela. As variáveis comparadas foram força máxima, deflexão e rigidez durante os ensaios mecânicos de compressão axial. Resultados: observou-se que força máxima, deflexão e energia são, em média, maiores nos corpos de prova fixados com fio de Kirschner do que nos corpos de prova com um parafuso e arruela (Teste t de Student, p<0,05). Por sua vez, a rigidez foi maior na avaliação dos corpos de prova fixados com um parafuso e arruela do que com fio de Kirschner (Teste t de Student, p<0,05). Conclusão: ambas as técnicas permitem a mobilização precoce, com rigidez adicional com o uso de parafuso compressivo.
O Projeto de Extensão Retratos do Cotidiano em Saúde busca promover qualidade de vida por meio da promoção da saúde, da prevenção de agravos e da redução de danos através de ações educativas. Um dos campos de atuação do projeto é um Albergue, localizado em uma cidade de Minas Gerais, que oferece aos moradores de rua acolhimento e suporte básico, com capacidade para atender 23 pessoas. Visto que o acesso aos cuidados básicos e a exclusão social estão entre as maiores dificuldades enfrentadas por essa população, foram realizadas diversas atividades visando maior atenção, cuidado e promoção de saúde aos moradores. As atividades foram avaliadas positivamente pelos moradores, pelos funcionários e pelas acadêmicas. A ação se baseou na identificação e satisfação das necessidades básicas de uma população normalmente negligenciada, que se encontra numa situação de vulnerabilidade social. Dessa forma, as dinâmicas possibilitaram a ampliação do conhecimento dessa população às questões sobre saúde, como higiene pessoal, DSTs, malefícios do tabagismo e importância do perdão pessoal para a saúde mental. Visto os benefícios para todos os envolvidos na atividade, propõe-se a continuação e ampliação de ações como esta, visando uma maior inclusão dessa população na sociedade, tornando-os capazes de adotar mudanças de comportamentos e práticas, além de dispor de meios necessários para a operacionalização dessas mudanças.
Background Atrial fibrillation (AF) is an arrhythmia that involves structural and electrophysiological abnormalities. Many of the AF-related clinical conditions are associated with an increase in inflammatory and oxidative factors. Haptoglobin (Hp) is an acute phase protein whose biological role is to promote clearance of free hemoglobin (Hb). In addition, for being considered an inflammatory marker, Hp represents a protective mechanism against the oxidative effects of Hb. The Hp1-Hp2 polymorphism at Hp locus can lead to three phenotypes related to structural and functional differences in the protein. The objective of this study were to evaluate Hp levels and Hp1-Hp2 polymorphism at Hp locus in patients with AF compared to a control group. Methods and results This study included 65 patients with AF and 54 individuals without the arrhythmia. Biochemical parameters were determined using Vitros system, plasma levels of Hp were measured in serum samples by using ELISA method and polymorphisms were verified by PCR technique. Plasma Hp levels, as well as allelic and genotypic frequency, were not associated with AF. The levels of Hp also did not differ among the genotypes according to the applied models. Conclusions The results suggest that Hp levels and Hp1-Hp2 polymorphism are not associated to AF.
Patients with atrial fibrillation (AF) present hyperactivation of both platelets and coagulation leading to a hypercoagulable state which contributes to an increased risk of thromboembolism. Therefore, one of the main strategies for treatment of AF is prevention of these events through the use of oral anticoagulants (OAC). The aim of this study was to evaluate hemostasis as a whole in patients with non-valvular AF undergoing warfarin or rivaroxaban by thrombin generation test (TGT), in addition to monocyte-platelet aggregates (MPA), glycoprotein IIb/IIIa (GPIIb/IIIa), and platelet (PMP) and endothelium (EMP) microparticles, compared to age and sex matched controls. PT/INR for OAC use was also determined. In patients taking OAC, compared to control group, a decrease in TGT (p = 0.000 for all parameters) were observed. Patients taking warfarin showed to be more hypocoagulable, presenting lower levels of ETP (p = 0.000) and peak (p = 0.002) than patients using rivaroxaban. Patients on warfarin use with INR > 3 had also lower levels of ETP (p = 0.01) and peak (p = 0.006). A decrease in ETP (p = 0.03) and peak (p = 0.02) values was also observed in patients using rivaroxaban with PT > 21.4 s. Patients using warfarin (p = 0.000) and rivaroxaban (p = 0.000) presented lower levels of MPA in relation to control group. It was also observed in patients using warfarin, lower GPIIb/IIIa levels in relation to control group (p = 0.011). Patients taking rivaroxaban (p = 0.003) and warfarin (p = 0.001) had higher PMP levels compared to control group. There was no difference in levels of EMP between the groups (p = 0.0536). The present study reinforces the usefulness of OAC in AF, which decisively contribute to a better management of the disease preventing possible complications.