
RESUMO Este artigo analisa a trajetória da atriz Taís Araújo como protagonista negra da teledramaturgia brasileira, tomando como eixo central a telenovela Da cor do Pecado e seus desdobramentos em Viver a Vida e no remake de Vale Tudo. A pesquisa investiga como essas personagens articulam disputas simbólicas em torno da visualidade negra, da memória televisiva e das formas contemporâneas de racialização na mídia brasileira. Partindo das contribuições de Jéfferson Balbino sobre protagonismo feminino negro na televisão, o artigo mobiliza também os estudos de bell hooks, Stuart Hall, Muniz Sodré, Leda Maria Martins, Nicholas Mirzoeff e Joel Zito Araújo para compreender a televisão como arquivo racializado e espaço de disputa pela representação. Metodologicamente, a pesquisa articula análise cultural da narrativa televisiva, análise discursiva das representações raciais e levantamento de documentação de imprensa especializada, incluindo críticas televisivas, entrevistas e matérias publicadas em periódicos nacionais entre 2004 e 2025. O corpus documental é composto pelas telenovelas Da cor do Pecado, Viver a Vida e Vale Tudo (2025), bem como por reportagens e debates públicos sobre a recepção das personagens interpretadas por Taís Araújo. Argumenta-se que a trajetória da atriz evidencia as ambiguidades da representação negra na televisão brasileira: ao mesmo tempo que amplia o campo da visibilidade e da identificação racial positiva, revela permanências do branqueamento simbólico e do controle narrativo da negritude. O estudo conclui que as protagonistas interpretadas por Taís Araújo operam como marcos históricos da disputa pela memória visual negra no Brasil contemporâneo.
RESUMO Este artigo analisa a evolução visual das comissões de frente da Camisa Verde e Branco, do pós-abolição à espetacularização contemporânea. O objetivo é investigar como os trajes operam como agência política e afirmação social para a população negra paulistana. A fundamentação teórica articula Stuart Hall, Hans Belting e Alfred Gell para discutir a transição da “tecnologia de respeitabilidade” para a virada estética de Cláudio Quartucci. A metodologia qualitativa baseia-se em análise iconográfica e bibliográfica. Conclui-se que o traje transforma o corpo em lugar da imagem, desafiando estereótipos de subalternidade e consolidando-se como arquivo vivo de resistência estética pós-colonial.
RESUMEN El Primer Congreso Femenino Hispanoamericano y de las Filipinas (1951), organizado por la Sección Femenina, se analiza en el contexto de la reorientación internacional del franquismo tras la Segunda Guerra Mundial. Este estudio revela la tensión entre el mandato de la nueva diplomacia -basada en el hispanismo y el nacionalcatolicismo- y la lealtad de la Sección Femenina al legado falangista. A través del congreso, el grupo buscó crear y exportar un modelo tradicional de mujer hispánica, centrado en la religión, la familia y un papel público limitado, que mixturaba el mandato franquista y el falangismo, consolidando una red de influencia en América Latina.
RESUMEN Este artículo examina el origen, la evolución y la desaparición de la Legión Nacional Revolucionaria-Sindicalista, considerada la asociación cubana que, durante el período de entreguerras, concentró con mayor claridad rasgos fascistas y constituyó una expresión de desarrollo autóctono con marcados componentes sincréticos. Su aspiración de edificar una “Cuba mejor” al margen de la influencia estadounidense se articuló con un programa de reformas socioeconómicas y políticas que no se apartaba sustancialmente de los postulados del nacionalismo reformista dominante. Sin embargo, el acelerado proceso de radicalización del grupo terminó por precipitar su ilegalización. De este modo, el trabajo contribuye a llenar un vacío existente en la historiografía cubana y latinoamericana en torno a la dimensión transnacional del fenómeno fascista.
RESUMO Este artigo é um primeiro esforço de caracterização da Falange Espanhola como portadora de uma teologia política própria, entendida como laboratório ideológico que articula tensões entre catolicismo e modernidade totalitária conforme concebidos por José Antonio Primo de Rivera. A partir dos conceitos de religião política e sacralização da política, analisa-se a reconfiguração simbólica do nacional-sindicalismo, que mobiliza o catolicismo como matriz autoritária. Argumenta-se que o falangismo constitui uma síntese paradoxal mesclando modernidade fascista e tradição ibérica. Após a morte do líder, o movimento é instrumentalizado pelo franquismo. Examina-se ainda sua difusão na América Latina, influenciando o peronismo e o integralismo brasileiro
RESUMEN Este artículo se centra en analizar cómo Falange, el partido fascista español, siguió el proceso que culminó con la instauración del Estado Novo en Brasil entre 1937 y 1938. La evaluación se ha realizado a partir de los textos publicados en los periódicos del partido, en los que se pone especial atención al papel de Getúlio Vargas y de la Ação Integralista Brasileira (AIB) durante estos meses. Una de las principales conclusiones de este texto es que Falange, como hiciera la AIB en sus lecturas sobre la Guerra Civil Española, priorizó el equilibrio dentro de sus propios “compromisos autoritarios” nacionales a una hipotética camaradería fascista transnacional.
RESUMEN Este artículo analiza el Movimiento Nacional-Radical Falanga (1935-1939), la expresión más importante del fascismo polaco de entreguerras. A pesar de su carácter minoritario, este movimiento constituye un caso paradigmático para descentralizar los estudios sobre fascismo y explorar sus variantes marginales. Inspirado en los modelos italiano, alemán y español, integró el catolicismo, antisemitismo y un proyecto de Estado totalitario, adaptándolos al contexto polaco. Su palingenesia se expresó en la idea de una “Estado católico” e incluso de un “imperio cristiano”. El estudio de este movimiento revela cómo los considerados fascismos menores también formaron parte de redes transnacionales y de dinámicas sociopolíticas propias.
RESUMO A historiografia recente sobre o integralismo brasileiro tem destacado sua inserção em redes transnacionais, superando leituras que o reduziam à derivação periférica dos fascismos europeus. Este artigo revisita esse debate por meio de uma abordagem comparativa e transnacional, examinando definições de fascismo e interpretações do integralismo. Argumenta-se que a Ação Integralista Brasileira (AIB) deve ser compreendida como parte de um campo internacional de direitas ultranacionalistas, no qual símbolos, práticas e discursos circulavam e eram traduzidos localmente. Conclui-se que o movimento foi ator ativo nesse processo, embora persistam lacunas sobre vínculos interamericanos e mediadores culturais.
This article examines the origins, evolution, and dissolution of the National Revolutionary Syndicalist Legion, regarded as the Cuban association that, during the interwar period, most clearly exhibited fascist traits and constituted an expression of autochthonous development with marked syncretic components. Its aspiration to build a "better Cuba" independent of the United States influence was articulated through a program of socioeconomic and political reforms that did not substantially diverge from the tenets of dominant reformist nationalism. However, the group's rapid process of radicalization ultimately precipitated its outlawing. In this way, the article contributes to filling a gap in Cuban and Latin American historiography concerning the transnational dimension of the fascist phenomenon.
This article deepens the analysis of the Falange Espa & ntilde;ola as a singular ideological laboratory, exploring the complex tensions between Catholic religious tradition and totalitarian modernity, as conceived by Jos & eacute; Antonio Primo de Rivera. Using the concepts of "political religion" and "sacralization of politics," it investigates how Falangist national-syndicalism symbolically reconfigured traditional Catholicism, transforming it into a powerful discursive matrix for authoritarian mobilization. The text demonstrates that Falangism represented a paradoxical synthesis, blending elements of fascist modernity with Iberian Catholic traditionalism. However, after Primo de Rivera's death, the movement's destiny was its instrumentalization by the Francoist apparatus, which emptied it of its original revolutionary content. Furthermore, the article traces the transnational diffusion of its symbolic codes in Latin America, where they were adapted by other movements, such as Argentine Peronism and Brazilian Integralism, illustrating this ideology's capacity for resonance and metamorphosis in different cultural and political contexts.
The First Hispanic American and Philippines Women's Congress (1951), organized by the Women's Section, is examined in the context of the international reorientation of Francoism after WWII. The study reveals the tension between the new diplomacy-based on Hispanism and National Catholicism-and the Women's Section's loyalty to the Falangist legacy. During the congress, the Women's Section aimed to create and export a traditional model of Hispanic womanhood, centered on religion, family, and limited public roles, blending Francoist mandate and Falangism to consolidate an influence network in Latin America.
This study analyses how authoritarian 'stabilisation' became publicly thinkable in Portugal from 1922 to 1928 via a connected press. Using Di & aacute;rio de Not & iacute;cias and O S & eacute;culo as primary sources (1922-1928) and the Italian Corriere della Sera as an external counterpoint, it reconstructs the framings through which Italian fascism circulated as a repertoire of order, discipline, and executive insulation. This study shows that regime change hinged less on activist minorities than on shifts within mainstream arenas of legitimacy targeting urban literate audiences. It argues that repeated press narration normalised exceptional solutions as national 'corrections', facilitating the passage from parliamentary crisis to dictatorship and foreshadowing Salazar's consolidation.
Recent historiography on Brazilian integralism has emphasized its integration into transnational networks, moving beyond interpretations that reduced it to a peripheral derivative of European fascisms. This article revisits this debate through a comparative and transnational lens, examining definitions of fascism and interpretations of Integralism. It argues that the Brazilian Integralist Action (AIB) should be understood as part of an international field of ultranationalist right-wing movements, in which symbols, practices, and discourses circulated and were locally translated. The article concludes that the movement was an active actor in this process, although research gaps remain concerning inter-American connections and cultural mediators.
Resumen Este artículo aborda el problema de la caracterización del franquismo en relación con las dictaduras de derecha del siglo XX, en especial con el fascismo. Se trata de analizar la relación entre ambos fenómenos teniendo en cuenta, especialmente, lo que el estudio del franquismo aporta al conocimiento de todas las dictaduras de derechas, fascistas o no. De hecho, fue la única dictadura en la que estuvieron presentes de principio a fin, a lo largo de cuarenta años, todos los actores políticos y sociales protagonistas en estas dictaduras. Por ello, en tanto que dictadura fascistizada, el régimen franquista puede considerarse como paradigmático y como referencia inexcusable para el estudio del conjunto de las dictaduras.
RESUMO O artigo tem como propósito apresentar os avanços recentes nas pesquisas acerca da relação entre empresas e regimes ditatoriais no século XX, com ênfase no período da ditadura empresarial-militar brasileira (1964-1988). O tema compõe uma pauta internacional de pesquisas, que teve, no Brasil, um crescimento significativo a partir de dois editais do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF) da Unifesp, nos quais 13 empresas foram estudadas em sua responsabilidade por violações cometidas durante a ditadura inaugurada em 1964. Problematizamos, portanto, as mais recentes contribuições nessa agenda de pesquisa acerca da responsabilidade das empresas nas violações e nos benefícios econômicos obtidos no período analisado.
RESUMO Atualmente consolidada na historiografia brasileira, a História das Mulheres é uma área cuja produção aumenta cada vez mais. Diante do crescimento do interesse nesse campo, é importante conhecer o percurso de sua formação, bem como as tendências, debates e diálogos que foram parte desse movimento. Nesse sentido, este artigo busca, por meio de uma revisão historiográfica, contextualizar, de forma não exaustiva, a trajetória da História das Mulheres no Brasil, abordando os pontos principais de sua constituição entre as décadas de 1970 e 2010.
RESUMO Este artigo revisita um rol reduzido de obras do pensamento brasileiro que apareceram entre os anos 1910 e o final da década de 1920, lavradas por três dos seus mais celebrados personagens, a saber, Alberto Torres, Oliveira Vianna e Paulo Prado. A hipótese que perpassa o trabalho é que, em que pesem as críticas contumazes que dirigem ao alardeado caráter inautêntico da modernização brasileira e de sua vida intelectual, as próprias cogitações desses pensadores constituem vetores ativos de certa cronopolítica cara ao imaginário hegemônico da modernidade, em cujos termos seus ensaios não apenas codificam os inúmeros ingredientes do tecido social brasileiro, como também reservam ao país uma posição retardatária na história mundial.
RESUMO A abordagem é composta por indagações sobre a experiência temporal na “operação historiográfica”, de acordo com Michel de Certeau. Escrito em forma de ensaio e tomando partido a favor da explicitação dos lugares políticos de produção do saber, o artigo propõe discussões em torno dos modos pelos quais o passado torna-se o “ausente”, na medida em que certo presente é delimitado. Relações entre História, Museu e Literatura na escrita de Gustavo Barroso são analisadas com base nesse modo de ler a “operação historiográfica”, relacionando-a diretamente com indicações, ou sugestões, para a pesquisa sobre os usos do tempo.
RESUMO Azevedo Amaral ficou conhecido como um dos ideólogos do Estado Novo, defensor da chamada democracia autoritária. Também defendeu ideias racistas e eugênicas e flertou com o antissemitismo. Porém, em 1937, escreveu o ensaio “A questão judaica” no Almanack Israelita, publicação organizada por Samuel Wainer. O livro tinha como objetivo mostrar ao público geral a história, as realizações e a inserção dos judeus no mundo e no Brasil. O objetivo deste artigo é analisar o referido ensaio de Azevedo Amaral, buscando iluminar outra faceta do autor de O Estado autoritário e a realidade nacional, obra pela qual ficou mais conhecido.