
O Grupo de Estudos em Medicina Felina (GEFel - UFRPE), coordenado pelas professoras Daniela Maria Bastos de Souza, Lilian Sabrina Silvestre de Andrade e Roseane Tereza Diniz de Moura, realizou com grande dedicação a segunda edição do simpósio "FELIS IN RECIFE". O evento foi cuidadosamente planejado para atender estudantes e profissionais da área, contando também com a participação e apoio de outros grupos de estudos da universidade. Com foco em Medicina Felina, a programação incluiu a submissão de trabalhos científicos, sessões de apresentação de banners e a oferta de minicursos. O simpósio aconteceu nos dias 11 e 12 de novembro, no anfiteatro do CEGOE, na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE – sede), reunindo cerca de 200 participantes. O encontro proporcionou um ambiente de integração entre discentes e profissionais, além de estimular a troca de experiências entre diferentes instituições, empresas e membros da comunidade acadêmica. Os anais desta edição reúnem trinta e seis trabalhos aprovados, contemplando desde revisões de literatura até relatos de experiências práticas na área de medicina felina. Este conjunto de produções representa um convite a todos que veem na medicina uma prática que une ciência e sensibilidade, com o objetivo de garantir o bem-estar dos gatos com excelência técnica.
A X Semana Acadêmica de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) constituiu-se como um evento acadêmico-científico voltado à difusão de conhecimentos e ao fortalecimento das relações entre a comunidade acadêmica, o meio profissional e a pesquisa científica. Organizada por discentes e docentes do curso de graduação em Medicina Veterinária, a programação incluiu palestras, minicursos e apresentações científicas, com o objetivo de promover a atualização técnico-científica e a capacitação profissional. O evento também buscou favorecer a integração entre estudantes, pesquisadores e profissionais da Medicina Veterinária e áreas afins, proporcionando um ambiente propício para networking e possibilitando o intercâmbio entre diversas instituições, empresas e profissionais. Os Anais do evento, publicados como Suplemento Científico da Revista Medicina Veterinária, reúnem contribuições em diversas áreas de relevância para a profissão, incluindo anestesiologia veterinária; clínica e cirurgia de grandes e pequenos animais; cirurgia e manejo de animais silvestres e exóticos; doenças infecciosas e parasitárias; epidemiologia; imaginologia veterinária; medicina veterinária preventiva e saúde pública; microbiologia; morfofisiologia, parasitologia animal, medicina integrativa e medicina do coletivo. A Comissão Organizadora e a Comissão Científica expressam seus agradecimentos aos docentes da UFAL pelo apoio e dedicação, aos congressistas pela participação, aos autores pelos trabalhos submetidos, aos avaliadores e palestrantes pela colaboração, e aos patrocinadores pelo incentivo à realização do evento.
A estenose mitral é uma doença cardíaca rara em cães, geralmente associada a raças de grande porte, com escassos relatos envolvendo Golden Retrievers. Este trabalho descreve o caso de uma cadela da raça Golden Retriever com sinais de insuficiência cardíaca congestiva (ICC), como taquicardia, taquipneia, e abafamento pulmonar. O manejo inicial incluiu oxigenoterapia, diuréticos, analgesia e drenagem pleural. Exames complementares evidenciaram remodelamento cardíaco, dilatação atrial, fibrilação atrial e sinais de congestão. Após a estabilização, foi instituído tratamento com pimobendan, benazepril, espironolactona e furosemida. A necropsia confirmou a estenose mitral, com espessamento das válvulas, fusão das cordas tendíneas, dilatação das câmaras esquerdas e edema pulmonar. Apesar de ser uma condição mais comum em outras raças, este é um dos primeiros relatos em um Golden Retriever. A idade da paciente foi compatível com diagnósticos anteriores descritos entre 8 semanas e 6 anos. A ecocardiografia com Doppler foi essencial para o diagnóstico. Embora o tratamento clínico tenha permitido o controle dos sintomas, a literatura destaca limitações terapêuticas, sendo a cirurgia uma alternativa com resultados ainda inconsistentes. Este caso destaca a raridade da estenose mitral em Golden Retrievers e a importância do diagnóstico precoce e do manejo clínico cuidadoso, dado o prognóstico reservado.
Objetivou-se relatar um caso de um cão, macho, de 10 anos de idade, com 5,55kg, com hepatite e colecistite enfisematosa, histórico de tosse e uso contínuo de corticoides com poliúria, polidipsia e polifagia. No exame radiográfico, foi observada a presença de conteúdo gasoso sobreposto ao parênquima hepático e em vesícula biliar. Ao exame ultrassonográfico, foi visibilizado parênquima hepático hiperecogênico, com dimensões aumentadas e ecotextura heterogênea, vesícula biliar com paredes espessadas e discreto conteúdo gasoso intraluminal, além de presença de efusão peritoneal e mesentério reativo. Diante das alterações, suspeitou-se de ruptura de vesícula biliar, confirmada em laparotomia exploratória, na qual o paciente foi a óbito. Durante a cirurgia, foi visibilizado material purulento em tecido hepático, o qual foi coletado e enviado para cultura e antibiograma, com consequente isolamento de Escherichia coli multirresistente. O diagnóstico da hepatite enfisematosa é dificultado devido a sinais clínicos sutis e inespecíficos, quando presentes. Por fim, reforça-se crescentes relatos de cepas bacterianas multirresistentes, as quais dificultam o manejo do paciente e resolução do caso.
Apesar da baixa ocorrência de distocia em suínos, esta geralmente está relacionada à estática fetal ou à atonia uterina secundária. Este trabalho relata dois casos não usuais de distocias em suínos. O primeiro caso relata a ocorrência de uma distocia relacionada à persistência de membrana himenal, apresentando sua resolução e posterior sucesso no transcorrer do parto. O segundo caso relata a ocorrência de uma distocia relacionada à inércia uterina primária em fêmea não-toxêmica, apresentando seu desenvolvimento e tratamento farmacológico, com a preservação da integridade materna. Os dois casos demonstram possibilidades de manejo obstétrico em suínos em situações passíveis de ocorrer em suinocultura de modelo extensivo ou semiextensivo praticado por pequenos produtores.
A ingestão de plásticos por aves é uma ameaça crescente à fauna silvestre, especialmente em ambientes urbanos e rurais próximos a centros urbanos. Enquanto os efeitos do plástico em aves marinhas são amplamente estudados, ainda há lacunas no conhecimento sobre os impactos em aves terrestres, incluindo rapinantes. Este estudo buscou preencher essa lacuna ao investigar a presença de plástico no trato digestivo de corujas das espécies Athene cunicularia, Asio clamator, Megascops choliba, Tyto furcata, Strix virgata, Asio stygius e Bubo virginianus. Foram analisadas 64 amostras provenientes de espécimes encontrados mortos em rodovias e áreas urbanas de Santa Catarina. Fragmentos de plástico foram detectados em todas as sete espécies estudadas, com predominância de fibras plásticas. Athene cunicularia (coruja-buraqueira) foi a espécie com maior número de ocorrências (33,33%), seguida por Megascops choliba (corujinha-do-mato) (25,92%). Os resultados indicam que a contaminação por plástico já afeta significativamente as aves de rapina noturnas na região, evidenciando a necessidade de estudos ecotoxicológicos mais aprofundados e ações de mitigação da poluição plástica.
O presente relato descreve um caso de leucemia linfocítica crônica (LLC) em periquito-de-colar (Psittacula krameri) fêmea, de 9 anos, encaminhada pelo Laboratório de Criação e Incubação de Animais Alternativos, Silvestres e Exóticos (LACRIAS-UFPR) ao Hospital Veterinário da Universidade Federal do Paraná (HV-UFPR) para exames de rotina. O diagnóstico de LLC foi estabelecido com base na identificação de linfocitose persistente, com número de linfócitos superior a 900 mil, e, na medula óssea, predomínio de linfócitos maduros com morfologia uniforme e características compatíveis com LLC. Após o diagnóstico da neoplasia, foram realizadas mais duas coletas para acompanhamento clínico através de hemograma e testes bioquímicos, em que se verificou anemia arregenerativa, hiperfosfatemia, e aumento da enzima lactato desidrogenase (LDH), possivelmente associados ao quadro neoplásico. Sem apresentar sinais clínicos, a ave veio a óbito antes do início do manejo terapêutico, sete meses após o diagnóstico inicial. Esse caso destaca a raridade do diagnóstico da LLC em psitacídeos e reforça a importância do hemograma e da citologia de medula óssea como ferramentas diagnósticas essenciais. Por sua vez, a escassez de dados referentes ao quadro ressalta a necessidade de mais estudos para compreender a epidemiologia, a patogênese e o manejo dessa neoplasia hematopoiética, contribuindo para o avanço da medicina de aves.
Relata-se o caso de um cão, macho, 8 anos, Poodle, com queixa de regurgitação e tosse crônica que foi submetido a estudo radiográfico e tomográfico, os quais evidenciaram presença de nódulos ósseos poliostóticos de radiopacidade mista. A partir dos exames de imagem observou-se exostose partindo da primeira costela direita, projetando-se para dentro do tórax e causando deslocamento do mediastino cranial, com consequente deslocamento esofágico e traqueal. Devido a compressão neoplásica, o cão apresentava marcante desvio do mediastino cranial, deslocamento traqueal e dilatação gasosa do esôfago acompanhado de desvio ventrolateral e tortuosidade. Com base nos achados radiográficos suspeitou-se de osteocondroma (exostose cartilaginosa múltipla) como diagnóstico presuntivo, sendo posteriormente confirmado após análise histopatológica. Destaca-se a rara ocorrência dessa doença em cães e os sinais clínicos atípicos neste paciente, sinais estes inéditos na literatura veterinária. Enfatiza-se também a importância dos exames de imagem e histopatológicos para conclusão diagnóstica, planejamento terapêutico e estabelecimento do prognóstico. A cirurgia de remoção do osteocondroma foi bem-sucedida; até o momento, não houve retorno dos sinais clínicos e recidiva tumoral.
A defumação é uma prática antiga para conservar alimentos, proporcionando aroma, cor, sabor e textura específicos. Tradicionalmente, envolve a exposição do alimento à fumaça de madeira, mas esta pode conter compostos tóxicos e dificultar a padronização dos produtos. Como alternativa, a indústria de carnes tem utilizado a fumaça líquida, cujos efeitos são pouco estudados. O presente estudo avaliou as características físico-químicas e microbiológicas de linguiças defumadas convencionalmente (DC), com fumaça líquida (DL) e sem defumação (SD). Foram analisados três lotes de linguiças, formuladas com carne suína, toucinho e temperos, e submetidas a 80°C por três horas. As análises microbiológicas incluíram contagem de coliformes, bactérias aeróbias mesófilas e psicrotróficas, bactérias ácido láticas (BAL), Staphylococcus coagulase positivo e presença de Salmonella. As análises físico-químicas mediram proteína, gordura, umidade, cinzas e pH. Não houve diferenças significativas entre os tratamentos quanto às características físico-químicas e microbiológicas, indicando que a defumação, seja convencional ou com fumaça líquida, não altera a composição das linguiças. Em linguiças sem defumação foram encontradas contagens de coliformes a 30°C e BAL acima do limite mínimo de detecção da técnica. A defumação líquida mostrou ser uma alternativa viável ao método convencional, mantendo a qualidade e segurança das linguiças.
Nos felinos domésticos, as neoplasias de vias biliares são mais comuns do que os tumores hepatocelulares, com prognóstico desfavorável para as formas malignas. A ultrassonografia é normalmente a primeira modalidade de exame de imagem requisitada no diagnóstico de alterações hepatobiliares em gatos devido à sua alta sensibilidade para tais afecções, além de fatores como fácil acesso ao exame e seu relativo baixo custo. Este trabalho evidencia os achados ultrassonográficos de um gato diagnosticado com colangiocarcinoma, um tumor maligno de origem no epitélio das vias biliares e localmente invasivo. O paciente era um felino, macho, sem raça definida, de oito anos e 3,05kg, com perda de peso, abdominalgia, êmese e icterícia. O exame ultrassonográfico foi sugestivo de obstrução biliar extra-hepática e o paciente foi submetido à colecistectomia que evolui à hipotensão refratária e eutanásia. O histopatológico apresentou compatibilidade com colangiocarcinoma. Pôde-se concluir que a ultrassonografia foi essencial para decisão clínica e que os achados descritos podem auxiliar no estabelecimento do colangiocarcinoma como um diagnóstico diferencial para alterações hepatobiliares.
A sanitização de ovos férteis é essencial para garantir o sucesso da incubação. No entanto, métodos convencionais podem apresentar riscos à saúde humana, animal e ao meio ambiente. Nesse contexto, a busca por métodos alternativos tem se tornado cada vez mais necessária. Objetivou-se com este estudo investigar os efeitos dos óleos essenciais de vetiver (Chrysopogon zizanioides), capim-limão (Cymbopogon citratus) e lavanda-francesa (Lavandula dentata) em ovos férteis, com foco na taxa de eclodibilidade e qualidade dos pintinhos. Foram incubados 200 ovos de matrizes de frangos de corte da linhagem Cobb®, distribuídos aleatoriamente em cinco tratamentos: ovos não sanitizados, ovos sanitizados com álcool de cereais (96%) e ovos tratados com óleos essenciais de vetiver, capim-limão e lavanda-francesa, diluídos a 1%. O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com cinco tratamentos e quatro repetições por grupo. Entre os tratamentos, as taxas de eclodibilidade foram de 72,00 ± 5,5% (vetiver), 75,00 ± 4,9% (capim-limão), 85,71 ± 3,7% (lavanda-francesa), 72,73 ± 6,0% (sem sanitização) e 63,64 ± 5,8% (álcool de cereais). Na avaliação da qualidade dos pintinhos, através do método de escore Pasgar©, destacou-se o tratamento com o óleo essencial de lavanda-francesa, com escore de 8,96 ± 0,74. De modo geral, os óleos essenciais melhoraram os parâmetros avaliados, com destaque para L. dentata, sobressaindo-se por promover ganhos zootécnicos significativos, proporcionando novas perspectivas para o uso de produtos naturais no manejo sanitário da incubação. Os resultados reforçam a relevância de estratégias voltadas à substituição de sanitizantes convencionais por alternativas alinhadas às demandas atuais da produção animal.
A leptospirose é uma zoonose negligenciada e difundida pelo mundo, sendo ocasionada por bactérias do gênero Leptospira. As manifestações clínicas variam de acordo com o hospedeiro e a cepa infectante. O papel do gato como hospedeiro suscetível e reservatório ambiental de Leptospira spp. ainda não é bem compreendido, devido à falta de sinais clínicos associados à infecção nesta espécie. Dessa forma, objetivou-se descrever o caso de um felino de 6 anos, atendido no Hospital Veterinário Universitário da Universidade Federal Rural de Pernambuco, que apresentou a síndrome renal clássica da leptospirose. Na anamnese, relatou-se que o animal era semidomiciliado e, eventualmente, tinha contato com roedores e outros felinos. Foi informado que recentemente outro animal do mesmo tutor foi a óbito com icterícia e apatia. Desse modo, foi realizada a pesquisa direta em campo escuro, tendo sido detectada a presença de espiroquetas na urina. Na sequência realizou-se o teste de Soroaglutinação Microscópica (MAT), sendo reagente para os sorogrupos Icterohaemorrhagiae, Castellonis, Pyrogenes, Autumnalis, Hebdomadis e Celledoni, na titulação de 1:100. Visto o estado clínico do paciente, a anamnese e os achados em exames complementares, instaurou-se o tratamento para leptospirose que resultou na recuperação do animal. Diante do exposto e na perspectiva de Saúde Única, mais estudos são necessários para melhor definir a patogênese da leptospirose em gatos e seu papel epidemiológico como sentinelas ambientais ou possíveis portadores de Leptospira patogênica.
A urolitíase é um processo patológico multifatorial, muito comum e frequente em suínos de todo o mundo, caracterizado pela presença de urólitos no trato urinário. Uma das consequências é a obstrução parcial ou total das vias urinárias, podendo levar o animal a óbito caso intervenções cirúrgicas ou de dissolução dos urólitos não sejam realizadas. São limitados os estudos relacionados ao manejo terapêutico da urolitíase em suínos, em comparação a outras espécies de animais domésticos. O presente estudo descreve a ocorrência de urolitíase vesical em um suíno macho, da raça Moura, atendido no Hospital Veterinário da Universidade Federal do Paraná (HV-UFPR), que apresentava estrangúria, polaquiúria e hematúria intermitente. Após o diagnóstico da urolitíase com base em exames laboratoriais e de imagem, foi realizada técnica cirúrgica de cistotomia, visando à remoção dos urólitos. O manejo clínico-cirúrgico empregado se mostrou seguro e eficaz para o tratamento da urolitíase, contribuindo com uma melhor qualidade de vida do paciente.
O ectoparasitismo por Phthiraptera em aves é permanente e sofre influência de fatores como temperatura, umidade, suscetibilidade e comportamento. O presente trabalho teve como objetivo descrever a ocorrência de piolhos mastigadores, presentes em Theristicus caudatus (Boddaert, 1783), ave conhecida como curicaca, no município de Tomazina, região sul do Brasil. A ave foi encontrada sem vida e recolhida, com a autorização n° 57685-1, para atividades com finalidade científica, e levada à universidade para integrar a coleção biológica. O hospedeiro, morto acidentalmente, foi inspecionado em busca de ectoparasitos no ano de 2019. Os espécimes encontrados foram observados em microscopia óptica e identificados segundo suas características morfológicas. As espécies identificadas foram Ardeicola theristicus (Pessoa e Guimarães, 1935), Colpocephalum- trispinum (Piaget, 1885) e Plegadiphilus mamillatus (Piaget, 1885). Este é o primeiro registro das três espécies no estado do Paraná e também o primeiro registro de P. mamillatus e A. theristicus no sul do Brasil.
The objective of this study was to report clinical, epidemiological, and anatomopathological data in cattle affected by colitis and perforating ulcerative typhlitis with peritonitis; three (n=3) bovines affected by colitis and two (n=2) with ulcerative typhlocolitis. Clinically, apathy stood out, accompanied by difficulty in exploring the abdominal organs through rectal palpation because of low mobility of the organs due to adhesions. The animals died, and, on necroscopic examination, diffuse, fibrinous purulent peritonitis was recorded due to perforating, multifocal ulcerated areas in the colon and cecum wall. Histopathological examination recorded data compatible with acute, necrotizing, and perforating ulcerative enteritis, with thrombus in the blood vessels associated with fibrinoid necrotizing vasculitis. The immunohistochemistry test for Salmonella spp. was positive in four of the five samples analyzed. The etiopathogenesis of perforating ulcerative typhlocolitis in cattle is associated with infection by Salmonella spp., while not ruling out the possibility of participation of other etiologic agents in the occurrence of this disease, due to the complexity of the disease and the scarcity of reports in the literature, further investigations are necessary to provide a better understanding of this disease in cattle.
Objetivou-se descrever os achados epidemiológicos, clínicos, anatomopatológicos, ultrassonográficos, histoquímicos e imuno-histoquímicos de pitiose gastrointestinal em cães diagnosticados no Laboratório de Patologia Animal do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba. No período de 2014 a 2022, foram diagnosticados cinco casos da doença e o diagnóstico definitivo foi estabelecido pela imuno-histoquímica. Desses casos, foram extraídos dados epidemiológicos e clínicos, exames ultrassonográficos, além das lesões macroscópicas e microscópicas. Para caracterização morfotintorial do Pythium insidiosum foram realizadas colorações histoquímicas como metenamina nitrato de prata de Grocott (GMS) e ácido periódico de Schiff (PAS). Em um dos casos, foi realizado exame citológico durante a necropsia. Na imuno-histoquímica foi utilizado anticorpo primário policlonal anti-P. insidiosum na diluição de 1:1.000. Macroscopicamente as lesões caracterizam-se por espessamento transmural das camadas do estômago; duodeno, jejuno e íleo; ceco, cólon e reto; e linfadenomegalia com massas irregulares, firmes e amareladas. Citologicamente foram observados acentuado infiltrado inflamatório piogranulomatoso com células gigantes multinucleadas e imagens negativas de estruturas tubuliformes sugestivas de hifas de P. insidiosum. Histologicamente, havia enterite e gastrite piogranulomatosa ou granulomatosa associada a imagens negativas de estruturas tubuliformes sugestivas de hifas de P. insidiosum no citoplasma de células gigantes e de macrófagos e livres em áreas de necrose, por vezes circundadas por Splendore-Hoeppli. Na coloração histoquímica de PAS as paredes das hifas foram coradas fracamente de magenta, na GMS foram coradas em preto, e no exame de imuno-histoquímica foram marcadas em marrom. Conclui-se que os achados epidemiológicos, clínicos, ultrassonográficos, anatomopatológicos e histoquímicos permitiram o diagnóstico sugestivo de pitiose gastrointestinal, que foi confirmado através da imuno-histoquímica com a identificação específica de P. insidiosum em amostras de tecido. Pitiose gastrointestinal em cães deve ser incluída nos diagnósticos diferenciais em casos de doenças que cursam com sinais gastrointestinais que ocorrem em áreas endêmicas.
O tratamento de lesões cutâneas extensas em cães é desafiador e muitas vezes demanda abordagens alternativas para promover a cicatrização eficaz. Este relato de caso descreve um cão resgatado da rua com uma lesão grave na extremidade do membro torácico esquerdo, que envolveu grande perda de tecido e exposição dos ossos metacarpianos e das falanges. Utilizando uma combinação de plasma rico em plaquetas com a Técnica de Figueiredo aplicada em humanos, buscou-se otimizar o processo de cicatrização por segunda intenção. Após 14 dias de tratamento de suporte e curativos diários para descontaminação da ferida, o paciente foi anestesiado e submetido a um procedimento cirúrgico para a aplicação do plasma rico em plaquetas ao redor das bordas da lesão e implantação da prótese sintética de polipropileno, seguido de cuidados pós-operatórios e monitoramento durante 32 dias. Foi observada uma rápida formação de exsudato líquido e subsequente granulação profusa, que culminou com uma restauração tecidual satisfatória e cobertura óssea completa. A Técnica de Figueiredo aplicada no paciente deste estudo mostrou-se economicamente viável, simplificando os cuidados pós-operatórios e reduzindo o risco de infecções. Este relato evidenciou a eficácia e os benefícios do uso de próteses de polipropileno em cão com lesão cutânea extensa, oferecendo uma abordagem promissora para casos similares.
Um dos principais problemas encontrados para a realização de exames de eletrocardiograma (ECG) em répteis é a baixa amplitude elétrica dos eventos eletrocardiográficos, dificultando sua interpretação. Sendo assim, o posicionamento dos eletrodos é de suma importância para a obtenção de melhores registros com fins diagnósticos. Objetivou-se realizar análise retrospectiva de exames eletrocardiográficos em iguanas-verdes atendidas, em 2022, no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres de Pernambuco de Pernambuco (CETRAS Tangara), descrever e comparar as técnicas de posicionamento executadas para obtenção dos traçados e as medidas de tendência central dos parâmetros eletrocardiográficos. Foram realizados ECG em oito iguanas-verdes (Iguana iguana) de vida livre adultas, utilizando-se três posicionamentos diferentes dos eletrodos em cada espécime, sendo possível determinar a melhor forma para obtenção de traçados com qualidade diagnóstica e com mínimo estresse ao paciente. O método de aquisição do traçado eletrocardiográfico que mostrou maior aplicabilidade na prática ocorreu quando o espécime estava em decúbito ventral e com os eletrodos posicionados craniodorsalmente aos membros torácicos (região cervical) e nas regiões axilares direita e esquerda, permitindo melhor detecção dos eventos eletrocardiográficos com menor grau de interferência e propiciando menor nível de estresse. A padronização dessa forma de coleta das informações eletrocardiográficas permitirá a obtenção de traçados de melhor qualidade, favorecendo a interpretação dos achados e aplicabilidade clínica deste exame nessa espécie.
Platinosomíase é uma doença recorrente em saguis-de-tufos-brancos (Callithrix jacchus) e ocasiona graus variados de colangite, colangiohepatite e fibrose periportal. A enfermidade pode ser um problema para centros de conservação de calitriquídeos, de modo que a caracterização clínico-patológica da doença se torna necessária. O objetivo deste estudo foi descrever um caso de hepatomegalia decorrente da infecção crônica por Platynosomum spp. em Callithrix jacchus, mantido sob cuidado humano para estudos científicos. Uma fêmea adulta, proveniente do Núcleo de Primatologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), foi encontrada morta no recinto e necropsiada. Durante a necropsia, notou-se que o animal estava caquético e com o abdome abaulado; o animal estava apresentando hepatomegalia acentuada, a qual preenchia aproximadamente 80% da cavidade abdominal, variava de branco a amarelo e exibia padrão lobular evidenciado. Microscopicamente notou-se colangite linfoplasmocitária e eosinofílica, fibrosante, periportal, associada a vermes adultos achatados e fusiformes intraductais e proliferação de ductos. Este é o terceiro relato de platinosomíase no Núcleo de primatologia da UFRN após dezesseis anos, e o caráter crônico da doença aqui observado implica que há persistência da doença em animais com sintomatologia clínica inespecífica. Infecção por Platynosomum spp. deve ser inserida como diagnóstico diferencial de doenças caquetizantes que cursem com hepatomegalia.
O entrópio consiste na inversão da margem palpebral inferior, superior ou ambas, podendo ser uni ou bilateral. O contato dos cílios e da pele palpebral com o globo ocular pode resultar em prurido, dor, edema e ulcerações corneanas, sendo o diagnóstico baseado na avaliação clínica. Este trabalho tem o objetivo de apresentar a eficácia da técnica de pregueamento palpebral no tratamento definitivo do entrópio bilateral em felino jovem. O animal foi submetido à correção cirúrgica, pela técnica de pregueamento palpebral, na qual se realizaram duas suturas nas pálpebras inferiores e uma sutura nas pálpebras superiores de ambos os olhos. Houve boa recuperação ao final do tratamento, sem recidiva e necessidade de nova intervenção. O entrópio no felino jovem se destacou por ser uma afecção incomum na espécie e especialmente pelo grande sucesso obtido apenas com o pregueamento palpebral.