
O “Lancelot-Graal”, vasto ciclo arturiano em prosa, manifesta no seu conjunto uma estrutura coerente e uma intenção harmoniosa nos temas e sentidos que desenvolve, seguindo de perto o padrão da Bíblia Sagrada. A sua construção revela um cuidadoso paralelismo entre a matéria arturiana e a escatologia cristã, assemelhando-se a uma verdadeira “versão cavaleiresca da História do mundo”, tal como observado por José Carlos Miranda. Sob essa perspetiva, as personagens e a narrativa arturiana inserem-se num tempo que se estende desde a Criação até ao Juízo Final. A Estoire del Saint Graal desempenharia, assim, o papel do Génesis no ciclo, dando conta das origens do Graal e da cavalaria. Esta análise explora o impacto dos elementos da tradição bíblica, nomeadamente do Génesis, na construção da estrutura e do sentido da Estoire e, por conseguinte, de toda a organização cíclica.
Neste artigo, demonstramos as relações de intertextualidade entre a Estória do Santo Graal e uma das principais narrativas escatológicas muçulmanas, conhecida na Europa medieval como a Escada de Maomé. Para a análise comparatista, utilizamos a versão do Livro da Escada de Maomé, encomendada por Afonso X aos tradutores de Toledo, no século XIII recentemente traducida para o português; e a tradução quinhentista da Estória do Santo Graal para o português. Sempre que oportuno, recorremos à edição do texto original francês desta obra, bem como a outras versões da narrativa islâmica.
El objetivo principal de este trabajo es analizar cómo aparecen representados en el Cancionero de Baena los grupos minoritarios de la sociedad del momento y analizar las relaciones de estos con el resto de la sociedad mayoritaria. Para ello, se parte de la fuente literaria, cuyo estudio se nutre imprescindiblemente de otras fuentes, especialmente los textos normativos de la época. El cotejo de todas estas fuentes tiene como fin ir delimitando cada uno de estos grupos sociales minoritarios y analizarlos como una muestra del cambio social que se produjo en la España medieval del siglo XV.