
Neste editorial, os autores retomam o debate acerca da necessidade de uma reorientação consistente das bases do ensino e da aprendizagem na formação contábil. Essa reestruturação se mostra essencial frente às exigências trazidas pelas novas Diretrizes Curriculares Nacionais, que não podem ser enfrentadas com ajustes superficiais, improvisados ou meramente burocráticos. Eles argumentam que o currículo não deve ser compreendido como um artefato estático ou meramente normativo. Ao contrário, ele deve assumir um papel transformador, sendo capaz de induzir mudanças efetivas nas práticas pedagógicas, nos processos avaliativos e nas dinâmicas de interação em sala de aula, a fim de viabilizar uma formação verdadeiramente orientada por competências.
Este trabalho teve como objetivo discutir os desafios enfrentados no início da carreira acadêmica por docentes-pesquisadores em Contabilidade das gerações Y e Z, à luz do conceito de Modernidade Líquida. Para tanto, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com dezesseis docentes-pesquisadores dessas gerações, cujos dados foram tratados por meio da técnica de template analysis. Os resultados indicam que os desafios iniciais da carreira acadêmica para docentes das gerações Y e Z podem ser explicados pela Modernidade Líquida e se manifestam em três dimensões principais: interpessoal, demográfica e relacionadas ao ensino e às experiências profissionais. Esses sujeitos constroem e performam suas identidades em uma comunidade universitária que os conecta ao ambiente sociocadêmico contábil. A pesquisa contribui para o avanço das ideias de Bauman (2001) no campo contábil e oferece um modelo teórico validado de aplicação de conceitos sociológicos aos espaços de carreira. Além disso, apresenta um mapeamento explícito dos desafios enfrentados no início da carreira acadêmica em Contabilidade. Esse mapeamento das necessidades geracionais constitui um passo importante para o desenvolvimento de estratégias voltadas ao recrutamento, à formação e à retenção desses profissionais.
A atividade de fusões e aquisições (F&As) é caracterizada pela ocorrência em ondas que alternam entre longos períodos de normalidade e curtos momentos de abrupta elevação da quantidade de operações, ocasionados muitas vezes pela ciclicidade do mercado de capitais e pelo desempenho da economia. Este estudo visa identificar e analisar como as variáveis macroeconômicas e de mercado se relacionam com o padrão de ondas de F&As no contexto de países membros do BRICS. Foram utilizados dados trimestrais correspondentes ao período de 2004-2T até 2021-3T, em um modelo Markov-Switching que teve como variáveis explicativas câmbio, taxa de juros de empréstimos, índice do mercado de ações e produto interno bruto. A amostra analisada foi composta de 63.943 processos de F&As dos cinco países do BRICS. Constatou-se que as F&As analisadas apresentaram padrão de ondas e que as variáveis macroeconômicas conseguem explicá-las, quando se considera a análise por país, confirmando, assim, a validade e eficácia do modelo Markov-Switching, bem como das proxies utilizadas na previsão de ondas dessa atividade. No entanto, esse resultado não foi observado para a análise das F&As agregadas setorialmente. Ademais, no estado de alta, a variância da série é maior e, durante a pandemia de COVID-19, a quantidade de F&As no agregado dos BRICS atingiu um patamar mínimo que não era observado desde 2005. Este estudo contribui para preencher parte da lacuna na literatura no que se refere à escassez de pesquisas sobre o tema (F&As), ao inovar na abordagem metodológica (Markorv-Switching), além de adotar um contexto ampliado de análise (BRICS).
Este artigo propõe uma metodologia quantitativa para a mensuração do lucro cessante no âmbito da perícia contábil, utilizando ferramentas econométricas de séries temporais para projetar o desempenho econômico-financeiro de uma empresa. Com base em dados simulados, o estudo apresenta a construção de uma série temporal para estimar o faturamento potencial da empresa em situação contrafactual, bem como os procedimentos de atualização monetária e aplicação de juros legais, realizados com base nos parâmetros estabelecidos pela Emenda Constitucional nº 113/2021. A simulação foi conduzida no software Stata 17, e os valores corrigidos foram calculados utilizando o sistema PROJEF Web. Os resultados demonstram a aplicabilidade da modelagem econométrica como suporte à prova técnica pericial, conferindo maior rigor, transparência e fundamentação à apuração de danos patrimoniais no contexto judicial.
Este estudo investiga a relação entre o income smoothing e as práticas de governança cooperativa nas cooperativas de crédito brasileiras entre 2018 e 2021. A proxy de governança foi construída a partir de 17 questões binárias do questionário do Banco Central do Brasil (2014), enquanto o income smoothing foi mensurado pelo modelo de Maia, Bressan e Lamounier (2013). Para alcançar o objetivo, realizamos regressões em painel com efeitos fixos via Mínimos Quadrados Ordinários (MQO) e aplicamos Mínimos Quadrados Ponderados (MQP) para corrigir heterocedasticidade. Os resultados indicam aumento da governança no período e associação positiva e significativa entre income smoothing e governança cooperativa, explicada pelas especificidades das cooperativas, nas quais a governança protege a instituição e seus membros. O estudo amplia o debate ao sugerir que, quando alinhado a princípios de boa governança, o income smoothing pode atuar como mecanismo prudencial de gestão.
Este estudo propõe mensurar o desempenho social das cooperativas de crédito brasileiras a partir da construção de um índice. Utilizou-se uma base secundária padronizada, com dados de 3.583 cooperativas singulares ativas entre 2016 e 2020, coletados no Banco Central, IBGE e FGCoop. Foram mobilizados 16 indicadores agrupados em cinco dimensões teóricas. Aplicou-se Análise Fatorial Exploratória (AFE) para redução da dimensionalidade e, posteriormente, o método multicritério TOPSIS para ranqueamento do desempenho. Os resultados revelaram três fatores principais: amplitude do alcance, profundidade quanto ao acesso a produtos/serviços financeiros e profundidade relacionada à pobreza dos mutuários. O modelo apresentou consistência interna satisfatória e variância explicada superior a 80%. Em termos empíricos, observou-se desempenho social médio de 35,6%, com índices variando entre 0,039 e 0,841, indicando significativa heterogeneidade entre as cooperativas analisadas. A proposta contribui ao oferecer um índice replicável, capaz de subsidiar políticas públicas, decisões regulatórias e estratégias de gestão voltadas ao fortalecimento da função social do cooperativismo de crédito.
Essa pesquisa analisou o efeito da expertise financeira do CEO no comportamento assimétrico dos custos de companhias abertas brasileiras. A amostra do estudo consistiu em 178 empresas no período 2012-2021. Para a análise, utilizou-se a regressão linear múltipla por meio do software Stata. No cálculo do comportamento assimétrico dos custos foi utilizado o modelo de Anderson et al. (2003), sendo analisadas as contas de Custo dos Produtos Vendidos (CPV), Despesas de Vendas, Gerais e Administrativas (DVGA) e Custo Total (CT). A expertise financeira do CEO foi mensurada com base em quatro características de acordo com o modelo de Bortoli e Soares (2021), sendo agrupadas em um único índice através de ACP: (i) formação acadêmica em finanças; (ii) experiência no setor financeiro; (iii) experiência como diretor financeiro; e (iv) anos de experiência no cargo de CEO. Os resultados indicaram que a expertise financeira do CEO ocasiona no comportamento assimétrico anti-sticky para o CPV e o CT. Esse resultado também ocorreu nos testes adicionais da análise individual das variáveis da expertise financeira do CEO. O estudo contribui principalmente para profissionais como auditores e analistas de mercado, no sentido de que seus procedimentos de trabalhos podem ser incrementados, pelo entendimento de que o nível de expertise financeira dos CEOs ser um fator que pode impactar no comportamento assimétrico dos custos das empresas. A contribuição para a literatura consiste na identificação de como características dos gestores, como o nível de conhecimento financeiro, interferem nas decisões relacionadas à gestão de custos.
Studies on insolvency were developed mainly to elaborate on forecast models; however, identifying the determinant factors of insolvency risk contributes to understanding how this problem arises and helps with its prevention. A company’s capital structure influences insolvency risk; however, different views of the effects of capital structure on the value and risk of the company are found. Additionally, when dealing with insolvency risk, the pandemic period can be considered a relevant event, because the consequences of COVID-19 impacted financial markets around the world. Therefore, the objective of this study was to analyze the influence of capital structure on the insolvency risk of nonfinancial Brazilian companies listed on B3 and the effects of the COVID-19 pandemic on this relationship. Multilevel regression of quarterly panel data from 2010 to 2021 was used to develop the study. The results showed that some of the indebtedness variables had significant positive effects, corroborating trade-off theory. The variable financial indebtedness and its quadratic term had significant results, confirming the existence of a quadratic relationship (U-shaped) between financial indebtedness and the insolvency risk. Regarding the moderating effect of the pandemic, the results show that in some cases the COVID-19 pandemic was relevant to relation between debt and insolvency risk.
O editorial critica o avanço do produtivismo acadêmico, argumentando que a pós-graduação brasileira se distanciou de seus objetivos originais de formar professores e pesquisadores comprometidos com problemas sociais, passando a valorizar excessivamente a publicação em periódicos de impacto. Os autores defendem que esse foco desmedido empobrece a produção científica, precariza a formação de alunos e docentes, fortalece desigualdades no sistema internacional de avaliação e contribui para a crise atual da pós-graduação, marcada por desinteresse, baixa valorização profissional e perda de sentido social da pesquisa.
A divulgação de informações não financeiras pelas empresas tem se tornado cada vez mais relevante no mercado e para as partes interessadas, o que ressalta o comprometimento com a sustentabilidade por meio do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Nesse sentido, o objetivo do presente estudo é analisar o impacto de pertencer à carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) no desempenho financeiro e de mercado das empresas, considerando sua pontuação no score ISE. Foram analisadas empresas do setor de energia elétrica, que geram impactos socioambientais e possuem alta adesão ao ISE como resultado do atendimento regulatório. A amostra abrange 40 empresas brasileiras do setor de energia elétrica, sendo 13 integrantes da carteira ISE, entre o período de 2021 a 2023. Como técnica estatística, utilizou-se a estatística descritiva, teste de hipóteses, correlação e regressão de dados em painel com efeitos aleatórios. Os resultados da pesquisa indicam que a inclusão no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) não apresenta diferenças significativas na rentabilidade das empresas. Embora as empresas do ISE tenham demonstrado uma média de Valor de Mercado (VM) superior, a pontuação no ISE não teve impacto direto estatisticamente significativo sobre as métricas de valor de mercado, o que sugere que, a curto prazo, os benefícios das práticas de sustentabilidade não resultam em uma valorização imediata no mercado. A análise de regressão indicou que as práticas sustentáveis estão associadas a menores retornos financeiros. Portanto, a presença no ISE não parece oferecer vantagens econômicas concretas de acordo com as variáveis analisadas no estudo.
A escolha de investimentos que ofereçam a melhor relação risco-retorno e os recursos para financiá-los são fatores fundamentais na tomada de decisões financeiras. Imperfeições de mercado, custos de financiamento e acesso a recursos externos podem acarretar restrições financeiras às empresas, o que as tornam dependentes de recursos internos para execução de seus projetos. Nesse sentido, este artigo analisou a relação entre investimento e fluxo de caixa de companhias do setor elétrico brasileiro sob condições de restrição financeira. Para isso, foram coletadas informações contábeis e financeiras de companhias listadas na Brasil, Bolsa, Balcão (B3) pertencentes ao setor elétrico. Para classificar as companhias em restritas e irrestritas financeiramente, cinco critérios diferentes foram utilizados: política de dividendos; tamanho; rentabilidade do ativo; índice de cobertura de juros; e governança corporativa. A relação pesquisada foi estimada por meio de modelos de regressão quantílica com dados em painel de 35 companhias do setor elétrico no período de 2009 a 2019. Os resultados encontrados demonstraram que existe uma sensibilidade dos investimentos ao fluxo de caixa nas empresas do setor elétrico brasileiro, os quais são impactados também pela taxa de juros, Q de Tobin e valor de mercado. Essas evidências não foram observadas para custo de capital e dívida. Conclui-se, assim, que a análise do relacionamento entre investimento e fluxo de caixa, em condições de restrição financeira, contribui para o processo da tomada de decisão das empresas nas áreas contábil e financeira.
Esta pesquisa analisa se a concentração de mercado e a rentabilidade são fatores determinantes para a probabilidade de ocorrência de combinações de negócios na saúde suplementar brasileira. Para a pesquisa foram utilizados dados de Autogestão, Cooperativas Médicas, Filantropia, Medicina em Grupo e Seguradoras Especializadas em Saúde que possuíam registros em abril de 2024 perante a ANS – Agência Nacional de Saúde e, que possuíam beneficiários ativos até dezembro de 2022, além dos processos de análise de concentração de mercado de saúde suplementar submetidos ao CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Foram extraídos dados de 707 empresas e 232 processos submetidos a aprovação do CADE no período compreendido entre 2011 a 2022, perfazendo um total de 6.618 observações utilizadas em modelo logit para estimar a probabilidade de ocorrência de combinações de negócios. Dentre as características das empresas estudadas foi possível confirmar as hipóteses de estudo através do desempenho por meio da proxy ROIC para retorno e o índice Herfindall para concentração de mercado, em relação a beneficiários totais. Os resultados demonstraram que rentabilidade e concentração de mercado, em relação a beneficiários totais, podem ser consideradas como fatores determinantes para ocorrência de operações de negócios, Esses resultados, além de contribuírem para o entendimento de um mercado com forte movimentação em números de fusões e aquisições, ajudam a entender melhor os fatores que mais tornam empresas potenciais alvos para esse tipo de operação.
A literatura indica a cultura como um elemento que impacta no processo decisório dos indivíduos em um ambiente de preferência temporal. Estes estudos abordam contextos comparativos entre países. Entretanto, o Brasil é um país com características culturais peculiares em suas regiões. Sendo assim, a investigação no Brasil emerge diante das diferenças regionais considerando aspectos socioeconômicos. Sob esse prisma, a presente pesquisa busca investigar se a cultura nacional em nível regional está associada a preferências temporais no contexto brasileiro sob a perspectiva das finanças comportamentais, tomando-se por base as dimensões culturais. O instrumento de pesquisa foi um survey composto por três blocos: (i) de perguntas para mensuração da influência da preferência temporal no comportamento decisório; (ii) direcionado a captar os valores culturais; e (iii) responsável para capturar as demais variáveis de controle. As hipóteses foram testadas através das regressões logística e linear por bloco. Como principal achado é possível evidenciar, de forma robusta, que os sujeitos mais individualistas e com maior percepção a longo prazo são mais pacientes, sobretudo ao considerar a última dimensão cultural. Estes achados não foram vistos claramente em estudo similar anterior, que encontrou principalmente a relação entre paciência e a dimensão cultural “aversão à incerteza”. Além disso, o contexto cultural nas decisões de preferências temporais, em certa medida, pode ir além da questão geográfica.
Este estudo investigou se a combinação das anomalias de mercado PEAD (Post-Earnings Announcement Drift) e crescimento/valor, com base em critérios fundamentalistas, pode aumentar a rentabilidade de portfólios no mercado acionário brasileiro. Adotou-se uma abordagem teórico-metodológica fundamentada na literatura de anomalias de mercado e análise fundamentalista, analisando dados trimestrais de empresas listadas na B3 entre 1994 e 2021. A metodologia incluiu a aplicação de modelos de regressão em painel e testes de médias dos retornos para validar as estratégias. Os resultados demonstraram que a conjugação das anomalias, considerando critérios fundamentalistas, proporciona retornos superiores e consistentes, mesmo frente à ausência de significância estatística em alguns coeficientes econométricos. Conclui-se que a estratégia contribui para a prática de investimento ao ampliar a eficácia de portfólios no mercado de capitais brasileiro, validando a relevância de abordagens fundamentadas em anomalias de mercado.
A dinamicidade que as empresas vivem atualmente, forçam-nas a serem competitivas. No entanto, a sociedade diante de toda tecnologia existente, tem fácil acesso à informação, acompanhando de forma dinâmica os atos das empresas perante a sociedade. O objetivo desta pesquisa consistiu em avaliar os efeitos dos aspectos ASG e do desmembramento dos princípios da Governança Corporativa na Agressividade Tributária. A pesquisa analisou 1.507 observações de empresas brasileiras de capital aberto listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) que possuíam score ASG disponíveis na Refinitiv Eiko, durante o período de 2010 a 2022. O modelo de análise dos dados utilizado foi a técnica de regressão linear múltipla com erro padrão robusto. Os resultados indicaram que as empresas que investem nos aspectos ASG são tributariamente menos agressivas. De forma específica, os achados sugerem que a governança tem sido relevante para reduzir a agressividade tributária nas empresas. Em análise complementar pelo desmembramento da governança em princípios, chegou-se aos resultados de que melhores níveis de aderência aos princípios de transparência, de equidade e de prestação de contas, estão associados às práticas tributárias menos agressivas. Contudo, para que as empresas possam melhorar ainda mais o seu envolvimento com a governança corporativa é preciso maior ênfase para o princípio da responsabilidade social corporativa. A presente pesquisa traz contribuições para a literatura nacional ao evidenciar que as empresas brasileiras com melhores práticas de ASG e especificamente com maiores níveis de aderência aos princípios de GC em média tendem a praticar menos atos de agressividade tributária.
Este estudo tem como objetivo analisar o efeito dos traços de personalidade sombrios do auditor e o julgamento dos Principais Assuntos de Auditoria no contexto brasileiro. Realizou-se um estudo do tipo survey com abordagem quantitativa, onde foram analisadas 311 respostas de auditores associados ao Ibracon, por meio da Modelagem de Equações Estruturais. Evidências empíricas dão indícios que os traços de personalidade sombrios presentes nos auditores influenciam de forma negativa o julgamento dos Principais Assuntos de Auditoria no ambiente brasileiro. Isto pode ser explicado pelo efeito negativo dos traços de personalidades sombrios, que devido às suas características grandiosidade, manipulação, autopromoção e insensibilidade, podem apresentar uma predisposição dos auditores a engajar-se em comportamentos oportunistas visando o atendimento de interesses pessoais, afetando assim, o julgamento dos Principais Assuntos de Auditoria. Este estudo contribui para a literatura ao permitir o avanço da discussão de aspectos comportamentais, oriundos de outras áreas como a psicologia, através da análise da relação entre os traços de personalidade sombrios e o julgamento dos auditores, demonstrando a ligação interdisciplinar entre auditoria e psicologia. Além de auxiliar as firmas de auditoria e órgãos reguladores a identificar o viés cognitivo do auditor e criar mecanismos de controle, que aprimorem o processo de julgamento, tendo como consequência aumentar a confiabilidade das informações financeiras divulgadas pelas empresas, ajudando assim, a solidificar o mercado de capitais, criando condições para atrair e promover a permanência dos investidores nesse mercado.
Este estudo analisou o efeito da diversidade de gênero do conselho de administração na relação entre habilidade gerencial e desempenho econômico sob a perspectiva da Teoria da Interseccionalidade. Com uma amostra de dados de 1.092 empresas de cinco países – Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Brasil – localizadas nos continentes europeu e sul-americano, empregaram-se modelos de regressão direta e moderação para analisar as relações propostas na pesquisa. Os achados evidenciaram que a diversidade do conselho é um fator determinante para explicar o desempenho econômico, bem como que um conselho de administração mais diversificado modifica o efeito da relação entre a habilidade gerencial e o desempenho econômico das empresas. Além disso, os efeitos encontrados foram divergentes entre os países analisados, sendo que no Brasil e no Reino Unido os efeitos foram positivos, portanto, quanto mais diversificado o conselho de administração, melhor o desempenho econômico das empresas. E, na Alemanha, França e Itália, os efeitos foram negativos, fato que indica que quanto maior a diversidade no conselho de administração, menor o desempenho econômico das empresas. Diante disso, os resultados contribuem com discussões acerca da diversidade de gênero e da habilidade gerencial, auferindo serem dois elementos que impactam significativamente o desempenho econômico das organizações, porém seus efeitos sobre o desempenho da empresa ainda são contraditórios entre os países analisados e instiga novas pesquisas.
Este artigo teve como objetivo analisar a relação entre propriedade familiar, comitê de auditoria, honorários de auditoria e agressividade tributária de empresas brasileiras listadas na B3. A amostra foi composta por 246 empresas, em um lastro temporal entre 2011 e 2020, perfazendo 2460 observações. Para mensurar a agressividade tributária, foram utilizadas as proxies Book-Tax Differences (BTD) e Tax Rate on Added Value (TRAV). Utilizou-se a técnica de regressão linear múltipla com coeficientes estimados pelo método MQO com efeitos fixos de ano e setor e erros-padrão robustos. Os achados apontam que a propriedade familiar está positivamente associada à agressividade tributária relacionada aos tributos diretos. Tal associação não foi encontrada para a TRAV, o que parece estar relacionado com a maior dificuldade que a família dominante tem para extrair a renda decorrente da economia dos tributos indiretos. Os resultados indicam ainda que a presença do comitê de auditoria e os honorários de auditoria estão negativamente associados à agressividade fiscal. Entretanto, a presença do comitê de auditoria em empresas familiares afeta apenas os tributos diretos, não exercendo qualquer efeito sobre a agressividade tributária dos tributos indiretos. O artigo tem implicações relevantes para o estudo da agressividade tributária, sugerindo que os gestores não adotam práticas tributárias agressivas de forma uniforme para todos os tributos, sendo que tributos com diferentes características econômicas apresentam diferentes incentivos a práticas agressivas. A iminente aprovação de uma reforma tributária do consumo também indica a relevância de se analisar a agressividade tributária dos tributos diretos e indiretos de forma segregada.
As principais decisões empresariais envolvem a busca pela melhor relação entre investimentos, financiamentos e dividendos. A partir das evidências de imperfeições nos mercados de capitais, acredita-se que essas decisões aconteçam de forma conjunta, gerando endogeneidade nos modelos econométricos. Diante disso, o objetivo deste estudo foi analisar empiricamente essas inter-relações no mercado acionário brasileiro, contornando os problemas de endogeneidade por meio de equações simultâneas estimadas por Mínimos Quadrados em Dois Estágios (2SLS), Mínimos Quadrados em Três Estágios (3SLS) e Método dos Momentos Generalizados (GMM). Os resultados confirmaram parcialmente a hipótese de interdependência entre essas variáveis. Constatou-se que os investimentos são positivamente impactados pelas decisões de financiamento e pela distribuição de dividendos. Em contrapartida, a alavancagem financeira mostrou-se negativamente associada às políticas de investimentos e dividendos. A distribuição de dividendos apresentou dependência das decisões simultâneas de investimentos e financiamento. Os resultados foram consistentes nas estimativas por 2SLS e 3SLS, mas sensíveis ao método GMM.
Este texto é um relato, em primeira pessoa, de anos de experiência na orientação acadêmica de alunos de cursos de pós-graduação stricto-sensu na área de ciências contábeis. Busca abordar os problemas na relação orientando-orientador, as dificuldades de se escrever um trabalho acadêmico e mostrar o quanto essa relação pode influenciar o texto final.