
O processo de ensino-aprendizagem é afetado por múltiplos desafios que exigem que os professores dediquem grande parte do tempo às aulas, lidando com situações interpessoais complexas. O objetivo desse estudo foi avaliar os efeitos do Treinamento de Habilidades Sociais Educativas para Professores em situações de difícil relacionamento interpessoal em sala de aula, considerando as dimensões probabilidade e desconforto. A dimensão probabilidade refere-se à possibilidade de os participantes utilizarem estratégias habilidosas para lidar com essas situações e a dimensão desconforto refere-se à dificuldade emocional de agir de forma socialmente competente. Participaram do estudo doze professores do Ensino Fundamental, de 25 a 35 anos (M = 29,5; DP = 3,0), que lecionavam em instituições privadas. Foram realizadas dez reuniões com duração de até noventa minutos. Os participantes responderam às medidas em dois momentos (pré-intervenção e pós-intervenção) quanto ao grau de desconforto emocional e à probabilidade de ocorrência de habilidades sociais educativas. A análise dos dados foi realizada pelo Método JT e os resultados indicaram que todos os participantes apresentaram melhoras clínicas positivas em ambas às dimensões, com exceção de um único participante.
Considerando que o número de processos judiciais de divórcio litigioso vem crescendo nos últimos anos, o objetivo deste estudo foi compreender psicanaliticamente como essa experiência é emocionalmente integrada à história de vida de ex-cônjuges. Foram entrevistados 10 adultos, 6 mulheres e 4 homens, com idade entre 35 e 75 anos que passaram por um processo litigioso e que tinham filhos menores à época do divórcio. Entrevistas abertas individuais foram conduzidas a partir de uma pergunta disparadora que proporcionou aos participantes a possibilidade de narrar suas vivências por meio da associação livre de ideias e afetos. Após cada entrevista foi elaborada uma Narrativa Transferencial (NT) para comunicar o contexto e o conteúdo dos encontros, além das impressões pessoais da pesquisadora. O conjunto das NTs foi compartilhado com o grupo de pesquisa resultando na interpretação de três campos de sentido afetivo-emocional. O campo “Infelizes para sempre”, a partir do qual os seguintes se desenvolvem, denota a longevidade da repercussão emocional do divórcio; o campo “A culpa é do outro” comunica a inabilidade de se apropriar da própria responsabilidade na construção da realidade vivida; e, “E os filhos?” denuncia a situação dos filhos que acabam negligenciados em meio ao turbilhão de emoções parentais.
O objetivo desse estudo foi levantar a produção científica sobre estresse parental e relacionamento conjugal em pais de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Produziu-se uma Revisão Integrativa da Literatura correspondente aos últimos dez anos (2010-2020). As bases de dados consultadas foram: BVS; CAPES; PePSIC; PubMed; SciELO. Utilizaram-se as seguintes combinações de palavras, em português e suas equivalentes em inglês: Autismo AND Estresse Parental AND Relacionamento Conjugal; Autismo AND Estresse Parental AND Relação Conjugal; Autismo AND Estresse Parental AND Relação Marital; Autismo AND Estresse Parental AND Conjugalidade. Trinta e nove artigos adequaram-se aos critérios de inclusão. Constatou-se uma prevalência de estudos transversais, quantitativos, explicativos e da abordagem sistêmica. Como fatores de risco à saúde do casal, cita-se a sobrecarga de cuidados, o isolamento e a situação socioeconômica. Os fatores de proteção, por sua vez, aparecem associados ao diálogo, a união, a divisão de tarefas, ao amparo do parceiro e as redes de apoio, além de intervenções de caráter informacional e/ou terapêutico. Essa pesquisa apresenta-se como um norteador para futuras produções científicas e ainda, demonstra-se como um meio instrutivo para a implementação de intervenções para esse público que levem em consideração o caráter bidirecional das relações familiares.
Uma grande parcela dos pacientes deseja conversar sobre a sua religiosidade e/ou espiritualidade (R/E). No entanto, historicamente as TCCs se mantiveram distantes de aspectos R/E. O estudo objetivou investigar como as TCCs abordam problemas de temática R/E. A busca por publicações aconteceu nas bases de dados PsycINFO, EMBASE, Scopus e Pubmed, e utilizaram-se as recomendações da Declaração Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses para esta revisão. A partir de critérios de inclusão/ exclusão, foram recuperadas e analisadas seis publicações. Os estudos apontam a necessidade de adaptação das intervenções para o manejo de problemas R/E, a depender das crenças e cultura do paciente. São possíveis alterações na relação terapêutica e na escolha das técnicas. Conclui-se que as TCCs parecem se adequar a demandas R/E, desde que sejam devidamente estudadas e abordadas pelos psicoterapeutas.
Embora as relações entre perfeccionismo e desfechos negativos de saúde mental sejam amplamente conhecidas, pouco se sabe ainda sobre o desenvolvimento dessas relações durante a adolescência e o papel do processamento emocional. Nesse sentido, os estudos apresentados fazem parte de um projeto de pesquisa maior, de caráter observacional, sobre o perfeccionismo na adolescência. O estudo 1 (N=406) apresenta um recorte transversal a partir de dados coletados em 2019 e objetivou analisar a relação entre perfeccionismo e sintomas psiquiátricos comuns entre adolescentes, enquanto o estudo 2 (N=392) buscou explorar a associação entre perfeccionismo e dificuldades no processamento emocional em uma análise longitudinal com dois pontos de coleta (∆=8 meses, DP=3,7). Os adolescentes responderam instrumentos para avaliar perfeccionismo auto orientado (PAO), perfeccionismo socialmente prescrito (PSP), presença de sintomas psiquiátricos comuns, neuroticismo e processamento emocional. Em linha com o esperado, níveis mais altos de perfeccionismo apresentaram correlação positiva com sintomas psiquiátricos comuns e dificuldades de processamento emocional. No estudo 1, análises utilizando regressões múltiplas hierárquicas apontam o PSP como único preditor significativo para explicar a presença de sintomas psiquiátricos em T1, para além do previsto pelo neuroticismo. Os resultados das regressões do estudo 2 indicam que ambas as dimensões perfeccionistas em T1 se associam de forma independente a dificuldades de processamento emocional em T2. Discute-se alguns fatores envolvidos na relação entre perfeccionismo e pior processamento emocional, tais como busca de objetivos irrealistas, maior reatividade a estressores, padrões cognitivos e estratégias de regulação emocional desadaptativas.
Este artigo teve como objetivo descrever as concepções sobre os padrões intergeracionais de apego na relação conjugal e parental dos membros do casal. Foram entrevistados 10 participantes, compondo cinco casais heteroafetivos que tivessem, no mínimo, um filho entre zero e seis anos. As entrevistas foram analisadas por meio da análise categorial temática, com o auxílio do software Atlas-ti. Constatou-se que os padrões de apego são transmitidos de forma intergeracional da família de origem para as gerações posteriores, influenciando recursivamente na conjugalidade e na parentalidade. As mulheres evidenciaram mais padrões de descontinuidades que os homens, especialmente na relação parental atual. Por sua vez, os homens salientaram a referência do casamento de seus próprios pais e os valores de comprometimento conjugal que receberam, motivando-os a repetir tais padrões em sua relação amorosa adulta. Tais resultados possibilitam reflexões para a promoção da qualidade nas relações familiares.
Entende-se por locus de controle a percepção sobre como o indivíduo estabelece o controle de suas ações em busca de um desfecho satisfatório, dividindo-se em interno e externo. Embora o construto tenha uma vasta tradição na pesquisa psicológica e apresente diversas escalas, estas deixaram lacunas como, por exemplo, instabilidade de número de fatores do construto. Neste sentido, foi construída a Escala de Locus de Controle (ELOCUS) que avalia expectativas generalizadas de controle em adultos. O objetivo foi apresentar evidências de validade baseadas no conteúdo dos itens construídos. Para a elaboração dos itens foi executada uma revisão teórica sobre o tema a qual originou a ELOCUS com 82 itens, divididos em dois fatores e nove facetas, sendo quatro representativos do locus de controle interno e cinco do externo. Os itens foram avaliados primeiramente por juízes com experiência em construção de instrumentos (concordância absoluta de 80,5% para clareza e 61,0% para coerência e AC1 de Gwet de 0,881 para clareza e 0,736 para coerência) e, posteriormente, em estudo piloto com amostra de representantes do público-alvo para ajustes semânticos. Após análises, o instrumento finalizado passou a ter 69 itens e indicou evidências satisfatórias no que tange ao conteúdo dos itens.
Tornar-se psicoterapeuta inclui ter que lidar com questões relacionadas com a formação, profissão e questões pessoais. Características como o autocriticismo e autocompaixão podem influenciar a forma como os psicoterapeutas percebem sua prática clínica. Para tanto, o objetivo do presente estudo reside em examinar os níveis de autocriticismo, autocompaixão e fatores associados em uma amostra de psicoterapeutas. Trata-se de uma pesquisa quantitativa, descritiva e correlacional com corte transversal, realizada numa amostra de 105 psicoterapeutas que estão em formação nas abordagens Cognitivo-comportamental, Psicanalítica e Sistêmica. A coleta foi on-line, e incluiu informações pessoais e profissionais, e medidas de autorrelato de autocriticismo e autocompaixão. Os resultados apontam que variáveis pessoais como idade e possuir filhos, e variáveis profissionais como experiência clínica mostraram associação com a autocompaixão, enquanto menor experiência emocional e de vida estão associados com maiores índices de autocriticismo. Conclui-se que o autocriticismo e a autocompaixão de psicoterapeutas em formação estão relacionados com características pessoais e profissionais, trazendo possíveis impactos para sua prática clínica. Os achados sugerem que a criação de programas de treinamento, supervisão e aperfeiçoamento clínico baseados na mente compassiva do psicoterapeuta podem ser relevantes pensando no desenvolvimento destes profissionais.
O objetivo deste estudo foi refletir sobre as dificuldades e as possibilidades da psicoterapia on-line oferecida a estudantes universitários durante a pandemia da COVID-19. Trata-se de um estudo de caso exploratório relatado a partir de duas pacientes/clientes atendidas em um serviço de apoio psicológico existente em uma Universidade pública do Estado de São Paulo e que desenvolve ações de acolhimento estudantil. Os atendimentos na abordagem cognitivo-comportamental ocorreram de maneira remota ao longo de 2020 e início de 2021 junto a estudantes de um curso da área da saúde. Identificou-se que o atendimento psicoterápico breve nessa modalidade possibilitou acesso a recursos de acolhimento e enfrentamento em um momento de fragilidade por meio do desenvolvimento da autorregulação emocional, autoconhecimento e melhora na gestão de conflitos interpessoais e de sintomas de ansiedade motivados, sobretudo, pelo contexto de incerteza e de suspensão de aulas presenciais, estágios e atividades práticas. Os desafios trazidos para a psicoterapia relacionaram-se à impossibilidade do contato presencial entre terapeuta e paciente, a falhas na tecnologia de comunicação durante as sessões, dificuldade de controle do setting e, consequentemente, de manutenção do sigilo. Endereçamentos nos campos da psicoterapia e do acolhimento estudantil foram apresentados a partir dos casos atendidos.
Este estudo objetivou investigar a relação entre o campo de atendimento psicoterapêutico com adolescentes e a área da prática psicológica baseada em evidências (PPBE). Realizou-se um estudo com delineamento qualitativo do qual participaram dez psicólogas terapeutas de adolescentes. Utilizou-se um roteiro de entrevista semiestruturado e as entrevistas foram gravadas e transcritas. Os dados foram submetidos à análise temática, da qual emergiram cinco temas. Os resultados indicam que as participantes percebem déficits na formação que são suplantados por experiência prática e supervisão. Observaram-se inconsistências com relação ao conceito de adolescência e um conhecimento superficial sobre a PPBE. As participantes reconhecem cisão entre os campos da psicoterapia e da pesquisa, o que dificulta a integração do conhecimento produzido por ambos. Os resultados sugerem a aproximação entre pesquisa científica e prática psicológica como passo importante e necessário para a qualificação da psicoterapia de adolescentes e para a ampliação da compreensão acerca do que consiste a PPBE.
Suicídio, ato de violência autoprovocada conscientemente desejado e executado pelo sujeito com a intenção de morte, o qual gera repercussões importantes no contexto familiar e social. Nesse aspecto, o presente estudo pretendeu compreender essas reverberações nos familiares sobreviventes enlutados. Utilizando-se de uma metodologia qualitativa, por meio de entrevistas semiestruturadas, buscou-se dar voz a onze pessoas impactadas por um suicídio, sendo que, para isso, foram resguardados todos os preceitos éticos. O método de análise de conteúdo proposto por Bardin (1977) estruturou a organização de duas categorias: “O Inominável" e “A Culpa”. O referencial teórico abrangeu a compreensão das especificidades dos processos de luto por suicídio, ancorados pela abordagem teórica de orientação psicanalítica. Como principais resultados, ressalta-se que, em decorrência do trauma psíquico dessa perda, ocorre a interdição da palavra (suicídio) que carrega toda a dor que é impossível de nomear. Bem como, sentimentos de culpa avassaladores que envolvem os enlutados em buscas por respostas das possíveis motivações e de sua responsabilidade pelo ato suicida. Portanto, ressalta-se a importância de novos estudos, para embasar cuidados especializados aos sobreviventes enlutados, além de estratégias de posvenção, auxiliando-os, assim, a enfrentar a dor devastadora do suicídio e suas repercussões.
O Transtorno do Jogo pela Internet (TJI) foi incluído na última versão do DSM-V. Entre os critérios diagnósticos estão o uso do jogo para evitar ou aliviar o humor negativo e a preocupação constante com os jogos, que podem estar associados com a regulação emocional. Este trabalho buscou avaliar a relação entre os sintomas do TJI e as dificuldades na regulação emocional em jogadores de jogos online. Participaram da pesquisa 216 respondentes, que responderam um questionário online com perguntas sociodemográficas, a Escala de Dificuldade na Regulação Emocional e a Game Addiction Scale. Os resultados apontam correlação positiva entre as duas escalas (ρ = 0,36). Foram encontradas diferenças entre as pontuações e o gênero dos participantes, em que o grupo feminino apresentou maior dificuldades na regulação emocional e grupo masculino apresentou mais sintomas do TJI. A literatura aponta que a quantidade de horas jogadas, a motivação para a busca do jogo e o tipo de jogo pode corroborar para a manutenção dos sintomas do transtorno, mas também de aspectos referente à regulação emocional no contexto dos jogos online, principalmente os multiplayers. São necessários mais estudos para aprofundar a discussão do tema, considerando a crescente preocupação acerca de possíveis implicações clínicas.
Este trabalho objetivou investigar a percepção de pais (mãe e pai) de bebês prematuros internados em uma Unidade de Terapia Intensiva neonatal acerca da hospitalização e assistência psicológica recebida na unidade. A amostra foi composta por 12 pais de bebês internados e os dados foram coletados entre os meses de janeiro e maio de 2021 através de entrevista semiestruturada e analisados por meio da técnica da análise de conteúdo. Enquanto o sofrimento que marca a hospitalização do bebê ficou evidenciado através dos relatos de medo e angústia, sobretudo nos momentos iniciais de internação, também foram descritas sensações de alívio e felicidade emergentes da consciência de que o paciente estava recebendo os cuidados necessários disponibilizados pelo serviço. A melhora clínica do bebê e a percepção positiva acerca do cuidado ofertado pela equipe de saúde contribuíram para a estabilidade emocional dos pais ao longo da internação. Por fim, a assistência psicológica recebida foi descrita como promotora de apoio e acolhimento e mostrou-se relevante no auxílio ao enfrentamento da situação vivenciada.
O diagnóstico de câncer acarreta uma situação de crise para o paciente e seus familiares. Esse impacto é agravado quando as pacientes são mães, pois o tratamento repercute na vivência da maternidade. Esse trabalho objetivou descrever as experiências de mulheres em relação à maternidade no contexto da hospitalização por câncer. Trata-se de estudo qualitativo, exploratório-descritivo e transversal, no qual foram entrevistadas seis mulheres com filhos de 3 a 9 anos. Os resultados demonstraram mudanças na maternidade após o diagnóstico. Ser mãe emergiu como aspecto central na vida das participantes, sendo os filhos considerados a maior motivação para o enfrentamento da doença. As mães demonstraram estar fortemente vinculadas a seus filhos e perceberam bom suporte social. Destaca-se a dificuldade de cumprir com as tarefas da maternidade durante o tratamento e a necessidade de os profissionais de saúde auxiliarem as pacientes no cumprimento destas tarefas, dentro do que for possível nesse contexto.
O suicídio é um problema de saúde pública mundial, caracterizado por tabus e estigmas, que ao serem descortinados, poderiam subsidiar ações de capacitação, educação e prevenção. Em resposta a essa demanda, o presente estudo objetivou identificar os significados que brasileiros atribuem ao suicídio. Realizou-se uma pesquisa de levantamento nacional, com 3.453 brasileiros adultos, que responderam a um questionário sociodemográfico e à Técnica de Associação Livre de Palavras (TALP), com estímulo indutor “suicídio”. Os resultados organizaram-se em duas classes: 1) “Entre o desespero e o desamparo: os porquês do suicídio”, que aborda possíveis motivações para o suicídio; e 2) “Sobreviventes: significados do suicídio para a rede de afeto”, que apresenta aspectos relacionados ao luto e a dor vivenciados pelos sobreviventes. Também surgiram diferenças nas evocações em função da região do país e orientação sexual. Conclui-se que o suicídio ainda é envolto de estigmas sociais e explicações reducionistas associadas a quadros psicopatológicos do sujeito que apresenta o comportamento suicida; e que a perda de um ente querido por suicídio é marcada por uma experiência de luto não reconhecido e solitário. Logo, tornam-se imprescindíveis ações de promoção, prevenção e posvenção voltadas ao sujeito com comportamento suicida e seus familiares.
Em que pese a importância de atendimento às necessidades específicas de estudantes com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), sobretudo para garantir seu desenvolvimento pleno quanto para promover a produtividade do potencial humano de um país, as ações voltadas para identificação e acompanhamento das AH/SD no ensino superior brasileiro ainda são incipientes. Logo, o presente artigo descreve um conjunto de procedimentos psicopedagógicos desenvolvidos pelo Programa de Evidenciamento Global de AH/SD nas universidades (PEGAHSUS) para promover a inclusão socioemocional destes estudantes. As ações perpassam pelo processo de identificação de AH/SD, monitoramento psicoeducacional e intervenção psicopedagógica. 1169 universitários participaram, entre 2017-2019, do processo de identificação, 165 completaram a avaliação psicológica e 105 tiveram identificação de AH/SD. Com o monitoramento psicoeducacional verificou-se as necessidades destes estudantes. Foram propostas três categorias de intervenção psicopedagógica que atenderam a 56 universitários de diferentes cursos: GATHERING para enriquecimento curricular; GO-PEGAHSUS grupo operativo com temas de autopercepção, assertividade, falar em público, tolerância a frustração, resiliência, ansiedade, perfeccionismo e características socioemocionais de AH/SD; Rodas de Conversa sobre AH/SD. Este estudo demonstra a eficácia de um programa na identificação, acolhimento e intervenção nas AH/SD, ampara-se na necessidade de formação e disseminação de práticas inclusivas no ensino superior promotoras de desenvolvimento humano e institucional.
A relação entre supervisor e supervisionando pode ser vista como um meio para potencializar as técnicas de supervisão, como sendo a própria ferramenta da supervisão e como um contexto que modela a pessoa do terapeuta. A literatura sobre a supervisão alude, mas pouco aprofunda esse terceiro aspecto. O objetivo desta pesquisa foi explorar os efeitos pessoais da supervisão. Foram entrevistados 10 supervisores e 10 supervisionandos. A coleta e a análise dos dados foram direcionadas pelas diretrizes da grounded theory. Os resultados apontam que a supervisão afeta supervisores e supervisionandos de maneira similar. Independentemente das metas didáticas e do modelo de terapia comportamental adotado, supervisionando e supervisor aprendem sobre si, aprendem a melhor relacionar-se com outras pessoas, a enfrentar melhor seus próprios sentimentos difíceis. Entre os supervisores, supervisionar é um caminho de realização pessoal, sendo fonte de motivação e prazer.
A atenção plena e a autocompaixão são temáticas atuais na área cientifica e que têm benefícios evidenciados pelas suas práticas. Este artigo teve por objetivo realizar uma revisão integrativa de literatura para compreender como as pessoas surdas ou com deficiência auditiva são abordadas pelas temáticas da atenção plena e autocompaixão nos achados científicos. Para a busca de estudos científicos acerca dos temas foram utilizadas as bases de dados SciELO.org, PsycINFO (APA), Scopus (Elsevier), PUBMED, Web of Science, Directory of Open Access Journals (DOAJ) e Periódico CAPES durante o mês de fevereiro de 2022. Adicionalmente, foram adotados critérios de inclusão e exclusão para a escolha do material e, após as etapas de seleção e elegibilidade seguindo o protocolo PRISMA, três estudos foram selecionados. Os resultados indicaram ajustes no preparo e na entrega das propostas em atenção plena e efeitos da intervenção, na saúde mental da população surda. Além disso, as pesquisas encontradas não abordaram o tema de autocompaixão. Sugere-se que novas pesquisas possam discutir as temáticas em questão com as pessoas surdas ou com deficiência auditiva.
Este estudo de casos múltiplos objetivou compreender de que modo os significados atribuídos ao casamento são transmitidos entre três gerações familiares. Participaram seis mulheres pertencentes a três gerações de duas famílias, com idades entre 28 e 90 anos, todas casadas. Foram realizadas entrevistas presenciais e individuais. Foram construídos genogramas com a participação de membros das três gerações. As entrevistas foram submetidas à análise temático-reflexiva e os genogramas interpretados a partir do referencial familiar sistêmico. Todas as participantes estão entre os filhos mais velhos em suas famílias de origem, sendo três delas as primogênitas. Para estas, especialmente, ficou a responsabilidade de cuidado em relação aos irmãos mais novos, como se tivessem uma tarefa parental sobre eles. Os resultados destacaram a influência familiar no vínculo conjugal e a transmissão das heranças familiares. Os mecanismos para a transmissão dos significados do casamento foram a aprendizagem de comportamentos ligados ao feminino, compartilhamento de experiências cotidianas, tradições familiares e padrões relacionais reforçados na família e socialmente. Expectativas anteriores ao matrimônio e a bagagem das famílias de origem foram evidenciadas nos papéis sociais e resolução de conflitos. Destacaram-se questões transgeracionais e de gênero para entender a transmissão de conteúdos como forma de manter o legado familiar.
O presente estudo teve como objetivo compreender vivências da maternidade em mulheres com fibromialgia. Trata-se de um estudo de natureza clínico-qualitativa, do qual participaram duas mulheres selecionadas da amostra de uma pesquisa mais ampla. Os dados foram obtidos no âmbito de duas entrevistas grupais norteadas pelo Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema e gravadas em áudio. O corpus do presente estudo foi constituído pela transcrição das gravações. A análise temática indutiva foi utilizada como método de organização do corpus, sendo que a discussão dos resultados foi empreendida com base em formulações psicanalíticas extraídas do quadro da teoria do amadurecimento emocional de Donald Woods Winnicott. Constatou-se que, para as participantes, ser mãe consiste em cumprir determinados papéis para responder às necessidades filiais como um todo, mas muitas vezes isso não é possível devido às limitações físicas causadas pela fibromialgia. Verificou-se ainda que, para as participantes, as vivências da maternidade, sobretudo devido à fibromialgia, são permeadas também por um anseio premente de receber cuidado, em particular por meio de um suporte de ordem instrumental que, contudo, não lhes é oferecido habitualmente. Perspectivas winnicottianas sobre responsabilidade materna e saúde, dentre outras, foram empregadas para a discussão desses resultados.