
Ensinar alunos com diferentes necessidades pode ser um grande desafio para aqueles que desejam tornar suas aulas mais inclusivas, bem como para aqueles que consideram os aspectos sociais e políticos do ensino de línguas e da formação de professores. Nesse sentido, as reflexões sobre educação linguística crítica criam oportunidades para que os professores repensem suas práticas de ensino. Apesar dos desafios envolvidos na formação de professores e no ensino de línguas, entendemos a urgência de encontrar maneiras de acolher alunos com necessidades diferentes em nossas aulas de línguas. Assim, com base em nosso conhecimento prático, pessoal e profissional, discutimos neste artigo as possibilidades e barreiras no ensino para alunos surdos. Considerando a complexidade dessa questão e os vários caminhos para abordá-la, sugerimos maneiras de promover a inclusão de alunos surdos analisando algumas atividades de línguas com foco no desenvolvimento de habilidades de compreensão e produção oral para alunos surdos e não surdos. Começamos relatando nossas experiências e, em seguida, abordamos algumas perspectivas teóricas e metodológicas sobre a pesquisa narrativa. Na terceira seção deste artigo, relatamos e compomos sentidos das experiências vividas por uma das autoras. Concluímos nossa pesquisa apontando algumas barreiras e possibilidades para promover a inclusão de alunos surdos nas aulas de língua portuguesa, particularmente por meio do ensino de gêneros orais como o vídeo. PALAVRAS-CHAVE: Inclusão; Alunos Surdos; Necessidades Diferentes; Compreensão e Produção oral; Formação de Professores.
Este trabalho, filiado à análise materialista de discurso, apresenta uma análise discursiva da tensão entre o sentidos de posse e legitimidade na Lei Imperial nº 601/1850, ou ainda, Lei de Terras de 1850 – uma importante lei do Império que legislou, 14 dias após o fim do tráfico negreiro, a compra e a venda de terras, a revalidação das sesmarias, a legitimação das posses mansas e pacíficas e subsidiou a política de colonização de, principalmente, alemães e italianos, no Brasil, no século XIX. O primeiro artigo da Lei de Terras estabelece a compra e venda como o único meio permitido para a aquisição de terras, excluindo, a partir de então, a posse como forma legítima de obtenção. No entanto, o artigo 5º da mesma lei trata da regularização das posses anteriores à sua promulgação, permitindo que, após demarcação e comprovação da ausência de disputas, essas posses sejam reconhecidas legalmente e reconhecidas como propriedade. A partir disso, esta pesquisa mobiliza interrogações acerca das regularidades dos efeitos de memória sobre a terra que permitem ao analista de discurso opacizar as relações de leitura entre o texto jurídico e o leitor, sobretudo, no que diz respeito ao funcionamento da legitimidade, enquanto uma recorte racial e de classe do funcionamento do político.
O artigo discute a participação dos contatos linguísticos na mudança do paradigma flexional e na remarcação do Parâmetro do Sujeito Nulo no português brasileiro (PB). Retomamos as análises de Oliveira, Soledade e Santos (2009), Baxter (2009), Avelar e Carneiro (2019) e Baxter, Araujo e Figueiredo (2019) para a CV e CN nas atas da Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD) e de Almeida e Carneiro (2009) e Pitombo e Almeida (2019) para a questão do sujeito nulo. Nossa argumentação se contrapõe à visão de Duarte (2019), que minimiza o impacto dos contatos linguísticos, e assume a posição de Lucchesi e Baxter (1993, 1997) e Lucchesi (2009b), que indicam traços de processos de crioulização na simplificação morfológica do PB. A pesquisa destaca a necessidade de considerar tantos aspectos estruturais da língua quanto as dinâmicas sociolinguísticas para compreender as mudanças no PB.
Em 2022, observamos alguns episódios de preconceito entre crianças de 3 e 4 anos, das quais uma das autoras deste estudo era professora em uma escola bilíngue de Campo Grande-MS. Criamos, então, um projeto literário com o livro It is ok to be different de Todd Parr (2001), baseando-nos em estudos sobre letramento crítico e visando minimizar a problemática. Neste texto, temos por objetivo analisar o processo de desenvolvimento desse projeto, de uma perspectiva autoetnográfica/autocrítica reflexiva (Takaki, 2013), inspiradas pelo “corazonar” de Guerrero Arias (2010), bem como em estudos de letramentos críticos (Duboc, 2017; Duboc e Ferraz, 2011) e de translinguagem (Canagarajah, 2013; Blackledge; Creese , 2017; Garcia; Takaki, 2018; Wei, 2014). As análises mostram que, para além das expectativas iniciais do projeto, este mostrou-se como um espaço de ampliação de interpretações não apenas para os alunos, mas também para as professoras envolvidas, que tiveram a oportunidade de rever suas crenças e prática docente. Para além das concepções teóricas, para o desenvolvimento da interação com crianças e de projetos a partir de problemas diários da sala de aula, é preciso inserir o ‘coração’ em nossas práticas, assumindo o amor político descrito por Paulo Freire (1987), possibilitado por uma autocrítica constante das relações de poder que embasam nossas atitudes.
Este estudo objetiva problematizar o eco colonial racista/excludente (d)enunciado na canção “Povo de Santo” (Cabelo e Martins, 2023). A hipótese é de que a ferida colonial e seus ecos podem ser desconstruídos por materialidades artísticas contemporâneas circulantes, de forma a criar um contra-discurso às práticas discriminatórias de crenças não-eurocêntricas. Para tanto, partimos da Análise do Discurso de linha francesa (Pêcheux, 1988; Orlandi, 2013), do viés discursivo-desconstrutivo (Coracini, 2007, Autora1, 2020-2025), da Arqueogenealogia Foucaultiana (1997, 2014), da visada Decolonial (Mignolo, 2003; Quijano, 2005) e dos apontamentos de Nogueira (2020). Resultados obtidos apontam a urgência de desconstrução da discriminação de base religiosa, calcada no racismo direcionado às crenças afro-diaspóricas.
Este estudo tem como objetivo defender uma escola decolonial que inclua discussões sobre estereótipos, preconceitos, segregação e que valorize a identidade e a cultura discente, colocando-o em situações do dia a dia com as quais ele convive. Para tanto, propomos a análise e discussão do vídeo Sudestino (Sudestino, 2019), produzido pelo grupo de humor Porta dos Fundos. Do ponto de vista metodológico, realizamos uma pesquisa teórico-analítica que se classifica como qualitativa, desenvolvida à baila de pressupostos da Linguística Aplicada Crítica. A análise e discussão do vídeo foram desenvolvidas à luz dos estudos decoloniais (Quijano, 2005; Walsh, 2013) e das noções de identidade (Hall, 2006) e de cultura (Mintz, 2009). Em síntese, evidenciamos a crítica, por meio do humor, a uniformização da cultura e da identidade da região nordeste, subvertendo as narrativas dominantes e valorizando as vozes e experiências marginalizadas.
Este artigo se propõe a indagar o futuro dos estudos linguísticos e, em particular, da educação linguística em face dos desafios contemporâneos. Para tanto, veste as lentes do pensamento decolonial para reimaginar conceitos do campo da linguagem. Parte-se da ideia de que para descolonizar as práticas linguageiras e a educação linguística torna-se fundamental fissurar construtos que são frutos da herança de teorias da aquisição de línguas sob uma orientação majoritariamente cognitiva e estruturalista. Para tanto, o artigo focalizará dois conceitos muito relevantes no campo, a saber, a ideologia monoglóssica assentada na ficção das chamadas named languages bem como o entendimento ocidental de comunicação assentado no desejo de totalidade, compreensão e inteligibilidade. Para este movimento fractal, pretende-se explorar os conceitos de colonialidade da linguagem, racismo linguístico e raciolinguística ao percebê-los como fundamentais para o acolhimento a uma orientação linguística heteroglóssica e a abertura à condição opaca da comunicação. O artigo conclui atestando a frutífera renovação crítica dos estudos linguísticos em sua interface com o debate decolonial e o potencial que se revela para pensar uma educação linguística outra.
Resenha: BADINTER, Elisabeth. O conflito: a mulher e a mãe. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2024.
Tradução de Lázaro, Lacaz e a “perversidade homossexual” médica no dispositivo da aids nos anos 1980 no Brasil , publicado na Linguagem em Discurso, v. 26, 2026. Disponível em: https://portaldeperiodicos.animaeducacao.com.br/index.php/Linguagem_Discurso/article/view/27046.
Este estudo apresenta uma análise perceptual dos sons de r-forte em onset silábico inicial e medial, produzidos por descendentes de italianos da cidade de Rio do Sul-SC, na região do Alto Vale do Itajaí. Sob o olhar da Sociofonética, resultados de pesquisa anterior (Chaves, 2021) evidenciaram uma grande variedade e gradiência de algumas das produções desses sons. Foram encontradas produções de tepe ([ɾ]) em contexto de r-forte, além das variantes: vibrante, vibrante e tepes espirantizados, aproximante e fricativa. Em face desses resultados, foram realizados dois experimentos de percepção, com o objetivo de verificar como os ouvintes de dentro e de fora da comunidade pesquisada percebiam os estímulos, principalmente aqueles referentes ao r-forte. Resultados mostraram que a variante fricativa produzida na região estudada não foi percebida como uma fricativa típica do PB. Recorrendo a resultados obtidos por uma análise temporal dos dados (Chaves, 2021), este estudo apontou que, apesar de a média de duração da vibrante com duas batidas (62,17ms) ser mais longa do que a média de duração do tepe (26,61ms) em contexto de r-forte, isso não foi suficiente para que os ouvintes externos à comunidade pesquisada percebessem essa vibrante como r-forte. No entanto, para os ouvintes descendentes de italianos da cidade pesquisada, essa vibrante com duas batidas foi percebida como r-forte, evidenciando uma percepção heterogênea entre esses grupos, muito provavelmente em função de seu repertório de referências linguísticas.
Este estudo investiga a presença e a configuração do grafocentrismo em uma microcultura familiar do litoral sul do Espírito Santo, composta por diferentes gerações. Com base nos Novos Estudos do Letramento e em abordagens da Sociolinguística e de Crenças e Atitudes, busca-se descrever como se constitui o capital simbólico associado ao uso da linguagem no cotidiano dos sujeitos, considerando suas crenças linguísticas e os efeitos dessas na inserção (ou não) em eventos de letramento mediados por tecnologias digitais. A pesquisa tem orientação qualitativa, de caráter autoetnográfico, utilizando memórias e observações da autora junto a familiares (avó, pais, sogros e esposo) como fonte de dados. Este recorte de pesquisa busca responder às seguintes questões: Como se configura essa microcultura familiar – mais grafocêntrica ou menos grafocêntrica? Que eventos de letramento - associados a práticas orais, escritas e tecnológicas - se mostram mais recorrentes nessa microcultura? Como a configuração linguística dessa família indicia crenças/percepções e (in)segurança sociolinguística? Os resultados mostram que a microcultura investigada apresenta uma configuração híbrida de letramentos, em que o grafocentrismo tradicional convive com práticas orais e digitais. Observa-se forte valorização das formas padronizadas e escolarizadas de expressão, associadas ao prestígio social, ao lado de uma valorização afetiva de variedades linguísticas “mais simples”, associadas a pertencimento e conforto. Essa tensão evidencia as ideologias linguísticas que regulam prestígio e estigma, afetando a (in)segurança sociolinguística dos sujeitos e revelando como estruturas simbólicas impactam a confiança linguística e a participação em diferentes eventos de letramento.
A música como recurso didático favorece uma abordagem multimodal, intercultural e crítica na educação linguística, principalmente nas aulas de línguas adicionais. Com o objetivo de analisar as canções Antipatriarca (Tijoux, 2014), de Ana Tijoux, e Canción sin miedo (Quintana, 2020), de Vivir Quintana, com participação de El Palomar, relaciona-as ao feminismo, ao desenvolvimento do letramento crítico e à educação linguística em espanhol. Para tanto, ancorado nos estudos da Linguística Aplicada crítica (Pennycook, 2021), dialoga com autores como Jordão (2014), Rojo (2012), Monte Mór et al (2021), Crenshaw (2002), Gonzalez (2020), Ahmed (2017), hooks (2017) e Freire (2019) para citar alguns. Como metodologia, adota uma abordagem qualitativa de caráter interpretativista que tem como foco a análise dos sentidos construídos nas letras das músicas e sua articulação com aspectos como denúncia, resistência, identidade e agência. Além disso, buscou-se elaborar uma proposta didática para o trabalho com as duas canções nas aulas de espanhol. Os resultados apontam que ambas as canções funcionam como textos multimodais com potencial de promover problematizações sobre patriarcado, violência de gênero e identidade feminina. Além disso, podem contribuir para uma educação linguística comprometida com a luta contra as desigualdades, permitindo aos estudantes de espanhol (re)pensar seus repertórios culturais e compreender a língua como um instrumento de emancipação.
Um fator que geralmente é negligenciado nos estudos sobre a variação dos sujeitos nulos e explícitos no espanhol é o turno de fala; isto é, se a produção ocorre dentro do mesmo turno de fala ou no início de um novo turno de fala na interação conversacional. A presente investigação pretende explorar este fator usando 20 falantes de um corpus do espanhol mexicano falado na área metropolitana de Atlanta (Nome do corpus [Autor, Ano]) para descobrir seu significado potencial para a variação dos pronomes, sua importância relativa comparada com outros fatores bem estabelecidos e altamente preditivos (pessoa/número, mudança de referência), suas interseções com outros preditores linguísticos e as funções pragmáticas associadas com o uso dos pronomes nos ambientes de início de turno de fala. Os resultados indicam que o turno de fala é um preditor significativo para a variação pronominal, especialmente para o expressão dos sujeitos de 1ª pessoa do singular e 1ª pessoa do plural. Sua importância relativa é impressionante, superando os efeitos de ambiguidade morfológica e classe verbal enquanto também exibindo interações significativas com outros preditores. Os resultados deste estudo reforçam a ideia que o turno de fala deve continuar a ser investigado em estudos futuros, considerando a naturaleza interacional da conversação em vez de focar somente nos sujeitos no meio dos turnos de fala. Os efeitos potenciais dos falantes individuais no conjunto de dados (os casos atípicos) também discutem-se.
As raízes históricas, socioculturais e econômicas da língua portuguesa nos países lusófonos nos levam a uma reflexão sobre o conceito de lusofonia relacionado ao multilinguismo. Este capítulo propõe uma análise das dinâmicas do português com outras línguas nacionais, expandindo o significado do que vem a ser um país de língua portuguesa diante de várias outras línguas faladas nos países lusófonos, tais como o crioulo, umbundu e o tétum, por exemplo. Desde uma perspectiva decolonial, convidamos a leitora/o leitor a refletir sobre o conceito de lusofonia, de língua oficial e da promoção do português como língua franca nas antigas colônias de Portugal, nomeadamente: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Loro Sa’e. Este capítulo termina com propostas pedagógicas para o reconhecimento do multilinguismo do mundo lusófono em aulas de português como língua adicional.
This qualiquantitative case study aimed to analyze the lexical development in Portuguese of two students of Portuguese as a Foreign Language (PLE) as an indication of improved language proficiency as they prepared for the Certificate of Proficiency in Portuguese for Foreigners (CELPE BRAS) exam. In the study, vocabulary breadth is an impacting variable on performance in a proficiency exam (Milton, 2010) and is considered a construct that encompasses a person's word knowledge, from incomplete or partial knowledge (recognition of the form or uncertain knowledge of the meaning), culminating in the ability to use it in diverse contexts (Gyllstad, 2013). For seven months, the research participants took PLE classes and completed three tasks, both oral and written, simulating the CELPE-BRAS. To verify the participants' lexical acquisition curve, two types of words were considered: valid words and non-repeated words. These variables were analyzed through multiple convergent tests (correlation, regression, and trend) to determine if there was a relationship (correlation) between the variables, if this relationship showed a constant pattern of improvement (trend), and how this improvement could be described or possibly predicted (regression). Overall, the study pointed to lexical improvement. The research brings to light the possibility of an individual in immersion continuing their lexical improvement, without excluding the possibility of lexical stabilization, which would cause the learner to use a limited quantity of words to resolve their language production activities.
A vergonha (1997), obra auto-socio-biográfica de Annie Ernaux, apresenta a dificuldade de narrar uma cena de violência familiar, contornada pelo recurso às linguagens e aos artefatos culturais relativos à época do acontecimento traumático. Como resposta à leitura da obra, o objetivo deste artigo é examinar o funcionamento das linguagens sociais na enunciação do trauma em A vergonha (1997), de Annie Ernaux, discutindo a produtividade do pensamento bakhtiniano para compreender a elaboração do trauma nas e pelas dinâmicas enunciativas heterodiscursivas. Metodologicamente, verificamos o papel da alteridade na constituição subjetiva no diálogo entre a psicanálise e o pensamento bakhtiniano, mobilizando os conceitos de cronotopo e de heterodiscurso para analisar trechos da obra mencionada. Observando a referida cena pelas lentes psicanalíticas do trauma e de sua transmissão geracional, entendemos que o heterodiscurso funciona como materialidade alteritária concreta, cronotopicamente situada, que ampara o nascimento social do enunciado traumático em um outro contexto espaço-temporal, reacentuando axiologias traumáticas na tensão entre o subjetivo e o social.
Analisa-se uma propaganda da Sinaf Seguros (organização empresarial sediada no Rio de Janeiro), postada em 1º de março de 2019, composta pela imagem do Pão de Açúcar e da Enseada de Botafogo, metonimicamente usada em cartões postais para representar o Rio de Janeiro, e pela expressão lindo de morrer, ambas empregadas como estratégia de venda de seguros de vida. Essa expressão é antecedida por “Parabéns, Rio” e sucedida por “Falando nisso...”, por sua vez, seguida da logomarca da Sinaf. Com base na abordagem descritivo-exploratória, foram tomadas como arcabouço as teorias da Metáfora Conceptual Estendida (Kövecses, 2020) e da Integração Conceptual (Fauconnier;Turner, 2002), entre outros conceitos da Semântica Cognitiva (SC), teorias sobre produção de humor e os recursos descritivos para produções multimodais da Gramática do Design Visual (Kress;Van Leeuwen, 2001, 2006). Postula-se uma composição visual estruturada em um tríptico vertical, cuja conceptualização revela as metáforas contextualizadas sinaf é trajetória segura e sinaf/rio é pessoa.
This study aims to investigate the discourse of an HIV campaign in Brazil, produced by Ministério da Saúde, which has four participants who discovered the HIV diagnosis at the beginning of the epidemic, as well as understand and discuss how they reacted to the diagnosis, whether they talk about differences in terms of advances over the epidemic, and whether the discourse analyzed in the campaign contributes to transforming the stigma that triggers prejudice and discrimination. The study was carried out following a qualitative research methodology and the data were discussed in the light of the theoretical-analytical approach of Critical Discourse Analysis and of the concept of biopolitics. The results show that, although the participants talk about different challenges they have faced since the beginning of the epidemic and its biomedical advances, overall, the discourses analyzed demonstrate the focus on the drug treatment as exclusive to dealing with the epidemic, leaving complex subjectivities that affect human beings diminished by the biomedical discourse, when biopolitics comes into play. Therefore, the discourse analyzed in the campaign did not contribute robustly enough to transform the stigma that triggers prejudice and discrimination.