
Este artigo reavalia a teologia sistemática reformada à luz da crise contemporânea das “grandes narrativas”, propondo compreender a teologia como campo discursivo. Metodologicamente, combina leitura teológica e crítica pós-estrutural (Foucault, Derrida; Laclau/Mouffe) com retorno histórico à tradição reformada (Calvino) e sua recepção (Barth; historiografia de R. A. Muller). O percurso: 1) mostra como a confessionalização e a escolástica reformada reconfiguraram a matriz calviniana; 2) argumenta que categorias-chave – revelação, vontade divina, predestinação, testemunho do Espírito – operam sob uma lógica de diferimento do sentido; 3) propõe ler a voluntas Dei como significante cindido, evidenciando as tensões entre voluntas decretiva e preceptiva; e 4) testa esse quadro analítico no caso-limite da predestinação, dialogando com Hegel/Žižek/Badiou (e com debates da teologia pública brasileira). Conclui-se que a sistemática, descentrada da coerência meramente lógicodedutiva, ganha forma dialogal e agonística, reabrindo a relação entre doutrina, experiência e historicidade. A contribuição reside em articular tradição reformada e teoria do discurso para deslocar a sistematicidade de “catálogo de respostas” para prática de escuta e discernimento em meio às ambiguidades históricas.
A menstruação, embora seja um fenômeno fisiológico, é tratada como um tabu social devido a normas culturais muitas vezes influenciadas pelas religiões, que podem motivar comportamentos e práticas que levam à exclusão e à discriminação de pessoas que menstruam em todo o mundo. Por meio de pesquisa bibliográfica, abordaremos a perspectiva budista a respeito da menstruação e da dignidade menstrual a partir do referencial do código normativo monástico feminino. Inicialmente, faremos uma breve apresentação da situação da mulher na Índia da época em que viveu o Buda histórico para apresentar o contexto no qual se estabeleceram os preceitos monásticos femininos. Os preceitos relacionados à menstruação e à higiene menstrual serão apresentados segundo o Vinaya Sūtra (Vinaya Sutta) e examinaremos algumas possíveis interpretações sobre as razões para o estabelecimento dessas normas. Finalmente, apresentaremos algumas possibilidades de diálogo entre o problema da pobreza menstrual no Brasil e as condutas menstruais estabelecidas pelo código monástico budista.
Com este artigo pretendemos apontar para um fenômeno que nos atravessa no mundo moderno, a ausência de amor comunitário, e mostrar como essa ausência acaba por aparecer em diferentes modos de sofrimento existencial, tomando como guia de reflexão situações em que o suicídio aparece. Para alcançar o objetivo deste estudo, primeiramente recorreremos a Kierkegaard no seu texto As obras do amor, na tentativa de refletir sobre as expressões de amor para além daquilo que é compreendido medianamente. A partir dessa leitura, deixaremos que apareça nos escritos desse autor a compreensão de uma forma de expressão de amor que se conhece pelos seus frutos. Apontaremos, neste estudo, o quanto as relações entre os homens na atualidade, pautadas na indiferença, aparecem como sofrimento existencial em que a decisão pelo suicídio se mostra como solução para a dor. A clínica psicológica, em uma relação empática, em algumas situações se mostra como uma medida de prevenção para o ato de pôr fim à vida.
O artigo pergunta-se quais seriam as razões da afinidade entre a extrema-direita e o catolicismo reacionário-tradicionalista. Para compreender essa relação, analisou-se um texto que conclamou os católicos a votar no líder da extrema-direita brasileira, Jair Bolsonaro, relacionando-o ao escritor fascista Charles Maurras (1868-1952), e seus contextos. O documento foi publicado em página eletrônica por um padre católico tradicionalista durante as eleições de 2018, e vinculou ideias e personagens separados no tempo e no espaço, mas em profunda comunhão. Para investigar como o reacionarismo religioso-político e a extremadireita contemporânea se relacionam, os contextos dos dois personagens serão descritos e o documento será interpretado e cotejado com as ideias maurrasianas. A afinidade envolve moral, economia, política, sociedade e filosofia da história. Como hipótese, propõe-se que a relação entre a extrema-direita e o reacionarismo-tradicionalista católico decorre da estreita convergência entre visões de mundo. Estas, por sua vez, são respostas às fraturas sociais produzidas pelo capitalismo. A metodologia qualitativa será baseada em revisão bibliográfica parcial, levantamento de fontes primárias e secundárias relativas aos personagens e contextos contidos na carta-manifesto. Conclui-se que, no contexto de crise neoliberal, as ideias da extrema-direita e do reacionarismo católico estão em sintonia no documento e na trajetória das duas personagens político-religiosas examinadas.
Wolfgang Amadeus Mozart foi um promissor músico austríaco, cujas obras se tornaram referência dentro da música ao redor do mundo, desde suas peças mais simples às grandes missas, óperas e sinfonias. O trabalho desse compositor foi profícuo e marcado pelo aspecto ora demoníaco e hedonista, ora sagrado e transcendental. Com o intuito de melhor compreender a sua obra, o presente estudo mostra, a partir de estudos da filosofia e da teologia, como o sagrado e o profano se apresentam na obra de Mozart, bem como a influência desses aspectos na composição de suas obras nos seus últimos dez anos de vida. Para tal, utilizar-se-á como referência os estudos filosóficos e teológicos de Søren Kiekergaard, Karl Barth e Hans Küng, para melhor elucidação teórica.
Em crises sanitárias, parte da população, motivada pela fé, priorizou práticas religiosas em vez de adotar medidas impostas pelas autoridades, acreditando que a intercessão divina traria proteção e o fim dos males que os acometiam. Nesse sentido, Santos Protetores e devoções marianas foram centrais nesse processo, simbolizando esperança diante das epidemias. A Igreja Católica, por sua vez, oscilou entre se adaptar às normas sanitárias e resistir para preservar os cultos coletivos, refletindo tensões entre a saúde pública e a instituição religiosa. O artigo busca analisar a relação entre moralidade, cultura e religiosidade durante surtos epidemiológicos em Pernambuco (1904-1918), evidenciando os conflitos entre as autoridades sanitárias e membros da Igreja Católica. A partir da História Cultural das Religiões, compreendemos que a formação e disseminação do culto e das devoções marianas estiveram ligadas ao contexto social do início do século XX. Para as discussões, utilizamos fontes jornalísticas, como os jornais Pequeno, Jornal do Recife, A Província, Diario de Pernambuco e os Relatórios de Higiene elaborados pelo médico Otávio de Freitas, com o objetivo de compreender as formas de combate às doenças e o cenário religioso. Percebe-se que a religiosidade moldou as respostas diante das epidemias, com fiéis arriscando a própria saúde, movidos pela crença de que, assim, poderiam conseguir a cura. Sendo assim, religião e saúde pública emergem como campos de disputa, onde a fé pode se tornar tanto um refúgio quanto um campo de resistência, moldando respostas coletivas em contextos de vulnerabilidade.
Este artigo examina a relação entre o evangelho, a cultura e o conceito de inculturação, a partir da constituição pastoral Gaudium et Spes e à luz do discurso de Paulo no Areópago, registrado em Atos 17, como um exemplo prático de inculturação, no qual o apóstolo utiliza elementos culturais e religiosos dos atenienses para transmitir a mensagem cristã. Destaca-se a importância do diálogo entre a cultura e a religião, enfatizando a necessidade de preservar a identidade cristã enquanto se respeita e se aprende com as culturas locais. A inculturação, conforme discutido, é apresentada como um processo de tradução do evangelho nas culturas, respeitando suas tradições e valores sem comprometer sua essência. O estudo demonstra como a visão de inculturação na Gaudium et Spes e a abordagem de Paulo exemplificam o equilíbrio necessário entre identidade religiosa e respeito cultural, essencial para uma evangelização eficaz.
Não podemos ignorar que nossas produções acadêmicas refletem os tensionamentos provocados por nosso cotidiano. Nas disputas entre o Brasil-nação e a brasilidade, saberes múltiplos, diversos e plurais são (re)elaborados a partir de políticas e poéticas transgressoras. Por isso, propomos repensar os lugares de conceitos acadêmicos, entendendo que a rua é fundamental para que a nossa ciência não seja apenas uma alegoria da sociedade, mas oriunda dela. Neste artigo, trabalharemos o conceito de devir macumbeiro e a corporeidade da mitopoética de Oiá-Iansã praticados em três ambientes diferentes, o 4 de dezembro em Salvador, o samba-enredo da Mangueira, no Rio de Janeiro e o samba-enredo da Barroca da Zona Sul, em São Paulo, ambos para o carnaval de 2025. Em comum, esses três rituais da brasilidade enaltecem a orixá Oiá-Iansã e nos propõem uma alternativa à simplicidade do conceito de sincretismo religioso, ampliando nossas percepções para algo mais condizente com a brasilidade: a alteridade religiosa.
Este estudo teórico-reflexivo e autoetnográfico visa dar visibilidade a elementos usualmente apagados com o intuito de desconstruir informações deturpadas sobre o Islã que, ao longo do tempo, contribuíram para a cristalização de estereótipos e juízos depreciativos. O objetivo do artigo é elencar e examinar criticamente as principais distorções produzidas sobre a religião islâmica e os muçulmanos, contrapondo-as aos ensinamentos doutrinários originários do Alcorão e da Sunna, de modo a destacar como tais preceitos contrastam com as condutas praticadas por alguns seguidores. Ao longo do estudo apontamos diversas distorções reproduzidas de forma reiterada, incluindo as distinções entre religião e cultura, evidenciando enorme discrepância entre os estereótipos construídos sobre o Islã e seus fundamentos doutrinários. Concluímos que a estereotipação da doutrina islâmica e dos muçulmanos é fruto de um processo histórico de epistemicídio, atrelado a uma herança de antagonismos e hostilizações que se ampliaram ao longo dos séculos. A reprodução de representações negativas sobre esses grupos, perenizadas por meio de um processo midiático massivo e contínuo, perpetua distorções e vieses presentes em diversas fontes de (des)conhecimentos.
Este artigo visa reconhecer e interpretar a presença de monstros na arte mural do México da época da conquista espanhola. Os monstros aparecem em geral em forma de “grotescos”, uma moda artística inspirada na pintura do Renascimento italiano e espanhol, herdada da antiguidade greco-romana. Depois de apresentar algumas informações introdutórias, analisarei alguns murais do início da época colonial no México, dentro de um contexto de mestiçagem étnica, cultural e religiosa em relação à pintura de grotescos no Renascimento italiano. Depois de reconhecer que houve hibridação das imagens nos dois sentidos, da Europa para o México e do México para a Europa, procurarei estabelecer relações entre as análises dos afrescos de Puebla, Ixmiquilpan e Acolman e as teorias da mestiçagem e dos monstros. A minha principal referência será o livro de Serge Gruzinski, “O pensamento mestiço” (La pensée métisse).
O artigo apresenta um debate sobre as concepções de Gianni Vattimo acerca da religião e o cristianismo, interpretando o significado do cristianismo a partir do conceito de kénosis e da importância da cáritas em seu sentido amplo humanitário. Vattimo percorreu autores como Nietzsche e Heidegger, que ao renunciarem às questões metafísicas, buscaram preservar a capacidade de síntese da razão humana. As ideias sobre a morte de Deus e o fim da metafísica indicam o enfraquecimento da concepção de Deus como fundamento absoluto, bem como a perda da pretensão de alcançar a verdade em sua totalidade, um objetivo historicamente perseguido pela metafísica. Esse processo marca a transição do pensamento moderno para o pós-moderno. A vocação niilista da hermenêutica consiste no fato de que existe uma realidade, isto é, a realidade da interpretação, e o questionamento do cristianismo pelo niilismo pós-moderno, traz ao cerne da questão o que vem a ser denominado nessa pesquisa de cristianiilismo: o fim da caminhada ao abismo da verdade absoluta da Igreja cristã.
Os monstros constituem uma chave para a compreensão de como as pessoas se definem e explicam a sua existência em relação às demais pessoas num determinado contexto. Considerando isso e partindo de teorias referentes ao monstruoso e de literatura exegética referente ao livro do Apocalipse, esse artigo procura examinar a figura do “grande dragão vermelho” de Apocalipse 12,1-18 da perspectiva da teoria do monstro, como um meio de ler o monstro como forma de demarcar os limites na teologia e concepção de mundo do Apocalipse. Após destacar que, como símbolo, o “grande dragão vermelho” tem uma longa história nas tradições do Oriente Próximo antigo e do mundo greco-romano, o artigo apresenta a descrição do corpo do monstro que figura com destaque no discurso sobre a monstruosidade. Em seus movimentos liminares através da paisagem apocalíptica do livro, o “grande dragão vermelho” move-se também da periferia para o centro. Ao estabelecer o mapa do cosmos com as visões do trono de Deus no seu centro, o Apocalipse delimita as fronteiras entre a sua audiência e o poder vigente, reorientando a perspectiva dela não para o poder vigente, mas “ao que está sentado no trono” através do uso do espaço contestado.
Este artigo propõe um diálogo entre o pensamento filosófico de Gianni Vattimo e a visão apocalíptica do apóstolo Paulo conforme Gálatas 1,1-5. É uma interpretação do texto bíblico a partir da categoria de “apocalíptica fraca”, desenvolvida com base no conceito de pensiero debole (pensamento fraco). Argumenta-se que tanto Paulo quanto Vattimo oferecem uma alternativa à apocalíptica forte e triunfalista que marca a tradição cristã ocidental. A crítica à metafísica, articulada por Vattimo através de Nietzsche, Heidegger e Girard, encontra eco na teologia paulina, que vê na cruz não um instrumento de conquista, mas um símbolo de libertação e solidariedade. A linguagem híbrida de Paulo – nem plenamente grega, nem inteiramente semítica – revela uma tensão política, cultural e teológica que resiste às categorias dominantes da época. A proposta de Paulo é a constituição de um novo povo, definido não por etnia, lei ou religião, mas pela fidelidade ao Messias crucificado. Concluímos que uma apocalíptica fraca permite pensar o cristianismo não como um sistema absoluto, mas como uma prática de resistência, liberdade e amor, marcada por uma ética da não-violência e pelo reconhecimento da humanidade da fé. Palavras-chave: Apocalíptica Fraca. Gálatas. Pensiero Debole
Neste artigo analisamos textos do cristianismo antigo em que ascetas se encontram com seres monstruosos, em especial com demônios, em cavernas (ou espaços análogos, como túmulos). Ali os demônios assumem formas animalescas ou híbridas. Essas cavernas (ou túmulos) se localizam em espaços liminares, na maioria das vezes, fora das cidades e nos desertos, que são lugares de transição entre os humanos e os animais, os humanos e os demônios, os vivos e os mortos. Nesses encontros esses seres monstruosos provocam os ascetas, física e psiquicamente, a saírem de si mesmos, lançando-os em redes de relações perigosas e conectivas. Entendemos que o encontro com esses seres ameaçadores e violentos, monstruosos, nas cavernas e túmulos, molda a experiência de mundo e o próprio self de seus leitores, lançando-os no mundo, constituindo-os em alteridade, num self esgarçado para fora. Nesse sentido, este campo simbólico e mitopoético do encontro com monstros nas cavernas articula um tipo de experiência religiosa radical, corporal, conectiva e ecológica. Nossas fontes são: a Vida de Antão, de Atanásio, sentenças dos pais do deserto, textos de Evágrio Pôntico e apócrifos do cristianismo primitivo, datados do 3º ao 5º séculos. Nosso método foi a análise literária e procedimentos de história comparada das religiões, acompanhada de conceitos da teoria da monstruosidade.
Com o intuito de lançar novos desdobramentos ao tema da divisão da sociedade entre os mantenedores da ordem (sacerdotes) e seus críticos (bufões), de acordo com a proposta do filósofo Leszek Kolakowski, este artigo se propõe a fazer uma releitura contemporânea do livro A festa dos foliões, do teólogo Harvey Cox. Dentro de um recorte cristão, como hipótese contrária a algumas das mais conhecidas teologias da morte de Deus, em pleno vigor em meados do século XX, podemos inferir da interpretação de Cox que, onde há festividade e fantasia, Deus não pode estar morto – e não estamos falando apenas de danças litúrgicas, rituais ou celebrações religiosas. Estabelecido o fundamento epistemológico de meus arrazoados, e reconhecendo que as teologias da morte de Deus são outras em nossos tempos, por meio de uma pesquisa bibliográfica e de caráter exploratório, apresento os objetivos específicos deste artigo e, consequentemente, os desfechos alcançados: (1) discutir a possibilidade de a carnavalização da vida cotidiana ser contínua, justamente por força e ação dos bufões, e não somente esporádica (por exemplo, em momentos de carnavais propriamente ditos); (2) apreender o ato da comicidade e do riso como possibilidades de redenção, para além de toda seriedade ou sobriedade próprias (e até esperadas) de igrejas, sobretudo, protestantes; e (3) analisar, segundo a Teoria dos Monstros, um Cristo híbrido – corpo humano crucificado com cabeça de asno (o Grafite de Alexamenos) –, que é a seção mais original deste artigo, como abertura ou convite para a loucura santa.
Este ensaio é uma apresentação do texto Vita Pelagia, uma hagiografia que narra a vida de uma prostituta que se transforma em monge entre os séculos IV e V d.C. Seguindo o texto, o presente ensaio busca mostrar de que modo as transformações pelas quais passa Pelágia, a heroína de nossa história, se deve a um trabalho pessoal que pode ser pensado como típico do monasticismo desse período. Nosso objetivo é buscar ressaltar o quanto essa personagem é apresentada como uma figura liminar, isto é, que se situa entre diversas formas específicas e seus nomes: a prostituta Margarete, a noiva de cristo Pelágia, o monge eunuco Pelágio. Tratase de sublinhar o quanto ela é uma figura em metamorfose, que se transforma ao longo de sua vida, habitando fronteiras de gêneros e de papeis sociais.
O objetivo deste artigo é apresentar uma leitura político-teológica sobre o trabalho numa “racionalidade neoliberal” e imaginar saídas a essa forma de vida. Nesta leitura, a partir de Dardot, Laval e Han, compreende-se que há um modo de existência no neoliberalismo que se centra numa subjetivação do “empreendedor de si mesmo”. Com este cenário, a hipótese assumida é que o sábado, pela ausência do fazer produtivo, é um conceito potente e interessante diante da fuga dessa lógica. Como uma suspeita, este texto ainda sinaliza que algumas práticas políticas, como determinadas teologias da libertação, que desejam realizar uma crítica teológica ao “mundo do trabalho” capitalista, podem exercer o mesmo esquema, com a busca por uma “ética do trabalho” eficiente. O texto apresenta, por fim, uma breve reflexão que se depara com a seguinte questão: diante do neoliberalismo, escaparemos dos desejos tristes do trabalho?
Este trabalho visa oferecer uma visão histórica da unificação de tribos e cidades da Transjordânia em torno de sistemas políticos centralizados entre os séculos X e VIII AEC. Serão tratados, portanto, contextos do surgimento dos reinos, com base em fontes epigráficas, a hipótese é que duas realidades históricas fizeram com que as cidades da região – sem vínculos políticos e suas populações transumantes com diferentes fontes econômicas – se organizassem de forma confederada: a expansão de reinos vizinhos, no caso de Ammon e Moab, e a economia, no caso de Edom. O objetivo principal, portanto, é compreender essa forma organizacional estratégica e a emergência dos reinos etnomonárquicos de Ammon, Moab e Edom à sombra do império neoassírio. A investigação histórica pretende lançar luz sobre o fenômeno de estatização em seu tempo social, mas tem caráter comparativo na medida em que insere a economia regional, as formas do político, as evidências sobre a religião e a expansão da Assíria em seus âmbitos operativos.