
This study empirically tests the interrelationships among governance, risk management, and public integrity in Brazil’s federal public administration. Moving beyond purely normative discussions, the research adopts a quantitative, cross-sectional design and applies structural equation modeling (SEM) to secondary data from 230 federal organizations reported in the iESGo 2024 assessment (Federal Court of Accounts, TCU). A structured literature review (2000–2024) supported the development of competing theoretical propositions, which were assessed through alternative model comparisons given identification and stability constraints. The findings indicate statistically significant associations among the constructs, highlighting integrity as a transversal capability linked to governance maturity and to systematic risk management practices. Sensitivity analyses support the robustness of the results. Overall, the evidence suggests that the integration of integrity, governance, and risk management is asymmetric rather than uniformly bidirectional, reinforcing the relevance of ethical leadership, transparency mechanisms, and digital technologies for strengthening institutional resilience and public trust. The study contributes a validated measurement framework to diagnose integration gaps and inform compliance-oriented policies and managerial decision-making in the federal public sector.
Este trabalho tem como objetivo caracterizar as iniciativas e articulações que conformam a emergência da Afromineiridade enquanto projeto de reconhecimento das contribuições das Culturas Populares negras para Minas Gerais. A discussão parte da questão racial e do apagamento cultural, destacando os territórios e espaços negros onde as culturas afro se perpetuam, além das relações entre os fazedores de culturas afro e o Estado, resgatando os avanços nas políticas culturais com base na dimensão racial. Utilizamos pesquisa documental, analisando vídeos de eventos, notícias e documentos oficiais por meio da análise temática. Os resultados indicam que o reconhecimento e a redistribuição se fazem presentes na Afromineiridade, ainda que a segunda se apresente de modo incipiente. O avanço na justiça social e racial para grupos historicamente marginalizados perpassa a abertura governamental e os repertórios utilizados pelos detentores de cultura, especificamente política de proximidade e participação institucionalizada, fortalecendo espaços e territórios negros em Minas Gerais.
Organizações da sociedade civil (OSCs) vinculadas a religiões são historicamente atuantes em serviços socioassistenciais, muitas vezes precedendo a atuação governamental no atendimento a públicos vulneráveis. Atualmente, a prestação de serviços socioassistenciais por OSCs segue existindo, muitas vezes em parcerias financiadas por governos. Este trabalho investiga como tais serviços, prestados por OSCs religiosas contratadas pela Prefeitura de São Paulo se diferenciam das colaborações firmadas com instituições de terceiro setor não-religiosas, na perspectiva de burocratas de médio escalão da prefeitura. Analisam-se parcerias realizadas para o atendimento a pessoas em situação de rua, por meio de entrevistas e análise documental. Há um reconhecimento sobre a importância do trabalho das OSCs, mas também se identificam problemas, não necessariamente vinculados à afiliação religiosa. Problematiza-se, por fim, o arranjo de governança em si, uma vez que o governo não dispõe de capacidade de monitoramento para as parcerias.
Este estudo propõe uma ontologia para práticas de gestão antirracistas, a partir da perspectiva da redução sociológica de Guerreiro Ramos. Racismo e antirracismo têm sido objeto de discussão nas organizações privadas e públicas, e, notadamente nas organizações públicas, há uma proposta de agenda antirracista que necessita ser construída a partir de epistemologias próprias em um país que oculta, nega ou relativiza o racismo. A redução sociológica permite pensar práticas antirracistas que caminhem além do compliance instrumental, pois aponta pressupostos de valoração ético-política. A partir da redução sociológica é possível propor que a prática de gestão antirracista deve: i) comprometer-se com ações de combate ao racismo a partir do reconhecimento de sua existência; ii) considerar a produção estrangeira em seu caráter subsidiário; e iii) considerar o contexto sóciohistórico de promoção da igualdade racial. O estudo contribui com a proposição de uma ontologia que oriente práticas de gestão antirracistas na administração pública.
O voluntariado é um fenômeno complexo, incluindo amplos propósitos e sendo estudado por múltiplas disciplinas. Consequentemente, tem-se um campo de estudo com poucos consensos e fragmentado. O objetivo deste artigo é consolidar o conhecimento sobre o voluntariado em organizações, por meio do desenvolvimento de um panorama integrado e crítico da produção acadêmica. Os resultados da revisão sistemática e narrativa são: um mapeamento e sistematização da produção acadêmica existente (perspectivas teóricas adotadas e tipos de voluntariado, tipos de organização e enfoques), uma análise das práticas de gestão do voluntariado (recrutamento e seleção, retenção e treinamento) e discussão de carências e desafios encontrados nessa produção (dominâncias da perspectiva psicológica do voluntariado, da perspectiva tradicional de gestão e do ambiente de organizações sociais e sem fins lucrativos). A contribuição dos resultados orienta pesquisas futuras ao proporcionar novas perspectivas para a pesquisa sobre voluntariado e uma discussão sobre as carências e desafios presentes na produção corrente.