
Objetivo da pesquisa: Investigar a relação entre desenvolvimento humano, investimento público por aluno e desempenho educacional nos municípios da Região de Influência Imediata de Araguaína (RIIA), no norte do estado do Tocantins. Enquadramento teórico: A pesquisa se baseia na Teoria do Desenvolvimento Desigual e Combinado, de Leon Trotsky, que entende o desenvolvimento como um processo não linear, em que elementos modernos e tradicionais coexistem e afetam os resultados das políticas públicas educacionais. Metodologia: O estudo adotou uma abordagem quantitativa, utilizando dados secundários para testar a hipótese de que o efeito do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) sobre o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) é negativamente moderado pelo nível de investimento público por aluno via FUNDEB. A análise foi conduzida por meio de modelos de regressão com interação. Resultados: Os achados confirmam a hipótese de moderação negativa, demonstrando que, embora o IDHM impacte positivamente o IDEB, esse efeito se reduz em municípios com maiores níveis de investimento por aluno. Isso indica que estruturas institucionais desiguais comprometem a eficácia dos recursos aplicados, dificultando a melhoria do desempenho educacional em contextos periféricos. Originalidade: O estudo contribui ao explorar um efeito moderador pouco discutido na literatura, o papel do investimento público em contextos de desigualdade institucional. Ao relacionar desenvolvimento humano, financiamento educacional e desempenho escolar sob a ótica da teoria do desenvolvimento desigual, a pesquisa evidencia lacunas não abordadas por estudos que tratam esses fatores de forma isolada. Contribuições teóricas e práticas: Teoricamente, o estudo amplia o debate sobre os limites das políticas públicas universais em territórios desiguais, propondo uma leitura combinada dos fatores estruturais que afetam o desempenho educacional. Na prática, evidencia a importância de vincular o investimento financeiro a estratégias de fortalecimento institucional e enfrentamento das desigualdades regionais no planejamento educacional. Palavras-chave: Educação Pública. Desigualdades Territoriais. Políticas Educacionais. Investimento em Educação. Indicadores Sociais.
Objetivo de pesquisa: compreender como a transparência da gestão pública municipal catarinense é percebida pelos stakeholders derivativos com base nas características da dimensão da capacidade percebida. Enquadramento teórico: o estudo articula os conceitos de transparência pública, confiança e confiabilidade percebida, com ênfase na dimensão da capacidade conforme o modelo de Mayer, Davis e Schoorman (1995), que considera a capacidade como um dos pilares da confiabilidade institucional. Metodologia: realizou-se uma análise de conteúdo baseada em Bardin (2010), utilizando 23 entrevistas individuais com membros do OSB-SC e pesquisadores dos grupos de pesquisa CIGAT e Politeia da UDESC. Resultados: os resultados demonstram que não houve uma percepção predominante nos relatos sobre a capacidade percebida. A percepção predominantemente positiva, neutra ou negativa depende da característica e do contexto analisados. Os achados sugerem que o mero cumprimento legal da transparência pode ser insuficiente para construir uma percepção robusta de capacidade e, consequentemente, de confiabilidade junto a stakeholders engajados. Originalidade: o estudo se destaca ao investigar isoladamente a dimensão da capacidade como mediadora entre transparência e confiabilidade, preenchendo uma lacuna teórica na literatura brasileira. A escolha de stakeholders qualificados oferece uma visão aprofundada e inédita sobre o tema em nível municipal. Contribuições teóricas e práticas: avança a teoria da confiança pública ao aplicar de forma contextualizada os elementos da confiabilidade percebida. Na prática, indica que a efetividade da transparência depende da capacidade institucional demonstrada e pode orientar gestores na formulação de políticas mais responsivas.
Objetivo da pesquisa: Este estudo identifica iniciativas associadas à utilidade e ao uso da informação de custos no setor público. Enquadramento teórico: Para a identificação das iniciativas, foram considerados os componentes do framework da informação de custos do setor público brasileiro. Metodologia: Foi realizada uma Revisão Sistemática de Literatura a partir de 48 artigos científicos. Resultados: Entre os resultados, foram identificados os conceitos aplicados ao custo no setor público, os incentivos associados ao uso da informação, os pressupostos básicos da informação, as características qualitativas da informação de custo e as metodologias de custeio apropriadas. Percebeu-se o número reduzido de estudos que abordam situações reais da utilização da informação de custos pelo setor público, construindo-se uma agenda de pesquisa para essa lacuna. Originalidade: A pesquisa busca sintetizar e sistematizar, de forma inédita, as iniciativas relacionadas à utilidade e ao uso da informação de custos no setor público, preenchendo uma lacuna na literatura ao concentrar-se na dimensão prática e gerencial dessa informação, historicamente pouco explorada em comparação ao setor privado, e ao propor uma agenda de pesquisa voltada à consolidação e expansão do uso da contabilidade de custos como instrumento de decisão e eficiência na gestão pública. Contribuições teóricas e práticas: Como contribuição teórica, fomenta-se a discussão sobre o uso da informação de custos pelo setor público, além da agenda de pesquisa. Como contribuição prática, busca-se auxiliar gestores públicos no processo de adoção da contabilidade de custos e na efetiva utilização da informação por ela fornecida no apoio à decisão, possibilitando uma melhoria da qualidade do gasto público e da avaliação de desempenho das políticas públicas.
Objetivo da pesquisa: analisar os sentidos atribuídos ao trabalho por técnicos administrativos em educação (TAEs) que exercem funções de gestão em uma universidade federal. Enquadramento teórico: baseou-se no modelo de Morin e Dassa (2006), adaptado por Bendassolli e Borges-Andrade (2011), que concebe o sentido do trabalho a partir de seis fatores: utilidade social, ética, autonomia, desenvolvimento e aprendizagem, qualidade das relações e expressividade/identificação. Metodologia: metodologia mista, com a aplicação de 146 questionários e a realização de 17 entrevistas semiestruturadas, analisadas por meio de estatística descritiva e análise de conteúdo. Resultados: A análise identificou quatro dimensões principais que conferem sentido ao trabalho: desenvolvimento e aprendizagem, autonomia e ética, utilidade social e qualidade das relações. Os participantes, em geral, expressaram uma visão positiva sobre o trabalho, destacando a contribuição social e as interações interpessoais. Contudo, apontaram restrições à autonomia, decorrentes da burocracia e da estrutura hierárquica da universidade. Originalidade: O estudo oferece uma contribuição original ao explorar o significado do trabalho entre servidores técnico-administrativos em funções de gestão — grupo pouco estudado nas pesquisas sobre trabalho no setor público — e ao integrar métodos mistos para captar múltiplas perspectivas. Contribuições teóricas e práticas: Teoricamente, o estudo amplia a compreensão sobre o sentido do trabalho na administração pública, evidenciando dimensões específicas do contexto universitário. Do ponto de vista prático, aponta a necessidade de políticas institucionais que valorizem a autonomia, promovam colaboração e reconheçam o papel dos técnicos administrativos na gestão universitária.
RESUMO: Objetivo da pesquisa: Apresentar o panorama das políticas institucionais das agências de fomento brasileiras à pesquisa sobre a abertura de dados científicos no Brasil. Enquadramento teórico: Práticas inerentes ao conceito de Ciência Aberta devem desempenhar um papel crucial no cenário das atividades acadêmicas nos próximos anos. Assim, é importante estudos/trabalhos que demonstrem as politicas com relação ao tema. Metodologia: Um questionário semiestruturado foi enviado as 31 agências públicas de fomento à pesquisa. As questões foram elaboradas com base nos princípios da Ciência Aberta. A análise dos dados foi conduzida por meio da análise de conteúdo. Resultados: Os resultados revelam que as agências de fomento ainda estão em fase inicial na adoção de políticas voltadas à abertura de dados de pesquisa. A maioria não exige nem disponibiliza os dados gerados, não evidenciam a presença de editais que exijam a entrega dos dados das pesquisas, mecanismos de fomento a disponibilização de dados abertos. A maioria das instituições ainda não possui políticas voltadas ao compartilhamento de dados de pesquisas financiadas com recursos públicos. Originalidade: Existem poucos trabalhos buscando identificar quais as políticas públicas com relação a fomentar a abertura de dados de pesquisas financiadas por recursos públicos. O trabalho supre algumas lacunas, oferecendo um panorama nacional sobre os principais financiadores de pesquisa, no caso as agências de fomento. Contribuições Teóricas e Práticas: Como contribuições práticas, os resultados evidenciam a ausência de políticas para uso de repositórios próprios ou em parceria, fundamentais para tornar dados públicos. A falta de resposta por parte de várias agências indica possível ausência de políticas de transparência. Como contribuição teórica pode-se citar a originalidade do trabalho ao instigar as diversas agências de fomento à pesquisa no contexto brasileiro, além da categorização utilizada como uma forma de classificar as agências com relação às iniciativas aderentes à Ciência Aberta.