
El creciente protagonismo de los videos breves en el relato político plantea la necesidad de contar con recursos conceptuales y metodológicos para su análisis. Este artículo propone conceptualizar el microrrelato audiovisual político (MAP) y desarrollar un modelo aplicable a distintos formatos. Se realizó una investigación exploratoria basada en el estudio de caso de la campaña presidencial de Javier Milei (Argentina, 2023), mediante el análisis de contenido de 142 videos (spots televisivos, tiktoks y reels de Instagram). Los resultados muestran una elevada continuidad y permiten identificar un conjunto de variables estructurales y complementarias comunes. La discusión sostiene que los videos breves constituyen unidades narrativas integradas en una estrategia transmedia y no elementos aislados. Se concluye que el MAP constituye una categoría analítica útil para estudiar la comunicación política contemporánea y ofrece aportes teóricos, metodológicos y empíricos para futuras investigaciones sobre relatos políticos en medios tradicionales y plataformas digitales.
Este artículo examina la evolución de la producción audiovisual hegemónica desde la comunicación, con el propósito de analizar las rupturas y continuidades que articulan al cine con la televisión, el video, los videojuegos e internet. Se desarrolla una revisión teórico-histórica sustentada en los aportes de Jay David Bolter, Richard Grusin, Lev Manovich y Henry Jenkins, con énfasis en los conceptos de remediación, convergencia y digitalización. El análisis muestra que la transformación tecnológica no solo modifica soportes, lenguajes y formas narrativas, sino también las dinámicas de circulación, recepción y apropiación de los contenidos, así como las relaciones entre industrias culturales y audiencias. Asimismo, se identifica que el cine conserva una función central en la comprensión de la actual ecología mediática. Se concluye que los nuevos medios no sustituyen a los anteriores, sino que dialogan entre sí reconfigurando sus funciones en un entorno de convergencia mediática.
Este artigo analisa, a partir de uma abordagem teórico-conceitual e exploratória, como a cultura gamer pode ser relacionada aos processos de construção de sentidos na era da desinformação. Fundamentada na literatura da comunicação, da cultura digital e dos estudos de jogos, a pesquisa aborda a cultura gamer como um conjunto heterogêneo de práticas de interação, participação, narrativa e interpretação. A análise identifica que determinadas experiências com jogos digitais envolvem leitura de contextos, interpretação de informações e tomada de decisões em situações de incerteza. Contudo, não se pressupõe que tais práticas desenvolvam automaticamente competências críticas ou sejam transferidas a outros contextos informacionais. Sua mobilização depende de fatores sociais, culturais, tecnológicos e individuais, podendo reforçar vieses interpretativos em ambientes mediados por algoritmos e bolhas informacionais. Conclui-se que a cultura gamer constitui campo relevante para compreender os processos contemporâneos de construção de sentido, destacando-se a necessidade de investigações empíricas sobre essas relações.
O artigo analisa a reconfiguração dos rituais midiáticos nas transmissões esportivas ao vivo no Brasil, a partir da plataformização (Poell et al., 2020) e do surgimento de novos centros mediados (Couldry, 2019). Por meio de estudo de caso comparativo entre ge tv e CazéTV, o estudo emprega análise temática (Braun & Clarke, 2006) para examinar distribuição multiplataforma, portfólio de conteúdos e engajamento de audiência entre setembro de 2025 e janeiro de 2026. Os resultados identificam três novos centros mediados em disputa: o YouTube, agente estruturante e distribuidor; a CazéTV, que constrói legitimidade pela proximidade com a audiência jovem e pela diversidade de seu portfólio; e a ge tv, que representa a reconfiguração da mídia tradicional no ambiente digital. Os achados evidenciam que a plataformização não elimina o centro mediado, mas o fragmenta em múltiplos polos que coexistem em disputa, e o conteúdo esportivo voltado ao futebol atua como eixo estruturante dos rituais midiáticos contemporâneos.
A partir da expansão e popularização do uso da Inteligência Artificial em plataformas como ChatGPT, Gemini e Veo 3, o estudo propõe compreender como se dá o uso da IA no jornalismo de televisão. Para isso, toma-se a escuta dos jornalistas desde a concepção da pauta até a transmissão do telejornal, entendido como um programa de referência e um lugar de segurança para as audiências, sustentado por uma tradição e uma gramática operada há mais de 70 anos na televisão brasileira. Do ponto de vista metodológico, trata-se de um estudo exploratório qualitativo, baseado em entrevistas semiestruturadas com quatro jornalistas de emissoras de TV aberta de Santa Catarina, Brasil. Os resultados apontam para um uso não formalizado, orgânico e intuitivo da IA em diferentes momentos da rotina, acompanhado do receio na adoção dessas ferramentas devido à falta de orientação adequada, considerando as diretrizes incipientes ou inexistentes das emissoras sobre o tema.