
Este estudo teve como objetivo geral mapear a produção do conhecimento científico sobre a cura médica de almas na perspectiva da Logoterapia e da Análise Existencial. Como objetivos específicos, buscou-se identificar como o conceito tem sido definido na literatura científica e em quais áreas específicas da saúde tem sido aplicado. Trata-se de uma revisão de escopo conduzida conforme as diretrizes do Joanna Briggs Institute, com buscas realizadas nas bases ERIC, Google Acadêmico, LILACS, PEPSIC, PsycINFO, PubMed/MEDLINE e SciELO, contemplando publicações entre 2000 e 2025. A seleção e a extração dos dados foram realizadas por avaliadores independentes, com análise de concordância interavaliadores. Foram incluídos quatro estudos, todos do tipo revisão de literatura, majoritariamente produzidos no Brasil. Os resultados indicam que a cura médica de almas é compreendida como uma forma de cuidado espiritual e existencial voltada ao sofrimento inevitável, distinguindo-se da pastoral religiosa e da psicoterapia clássica, com aplicações especialmente nas áreas da medicina, da enfermagem, da psicologia e da pastoral da saúde. Conclui-se que há escassez de estudos empíricos sobre o tema, evidenciando lacunas na literatura científica e reforçando a relevância da cura médica de almas como eixo humanizador do cuidado em saúde.
No presente trabalho, descrevo aspectos simbólicos e arquetípicos do ritual do toré, dança circular ritualística que é estruturante na cultura do povo indígena Potiguara, situado no litoral norte da Paraíba, com 33 aldeias nos municípios de Rio Tinto, Marcação e Baía da Traição. Elenquei para esta descrição os pressupostos epistemológicos da Psicologia Analítica junguiana, especificamente os conceitos de símbolo e arquétipo como materiais do inconsciente coletivo. O material analisado é resultante de pesquisa de campo participante, na forma de imersões culturais por eu ser pertencente à cultura do povo Potiguara. Concluo que o ritual do toré do povo Potiguara atua como uma produção simbólica do inconsciente coletivo na dinâmica da cultura ancestral indígena, unindo diferentes gerações de pessoas e fortalecendo vínculos de coletividade, na preservação da cultura e biodiversidade do território Potiguara e na luta pela efetivação de políticas públicas inclusivas da diversidade etnocultural e pelo Bem Viver dos povos originários.
Este artigo propõe uma reflexão sobre as noções de espiritualidade por meio de um diálogo intercultural entre a psicologia junguiana e as manifestações espirituais dos povos indígenas, com foco no povo Guarani. O texto aborda alguns conceitos centrais da psicologia junguiana, desenvolvidos a partir de estudos sobre experiências anômalas e mediunidade, inserindo-os em um debate contemporâneo. É fundamentado numa pesquisa bibliográfica e nas ressonâncias de experiências de inserção comunitária e pesquisa etnográfica colaborativa. O objetivo é oferecer novas contribuições para a ressignificação da espiritualidade no contexto ocidental, particularmente no que diz respeito à compreensão do psiquismo humano, da clínica psicológica e da saúde mental. Além disso, o artigo busca evidenciar como as concepções e práticas espirituais dos Guarani podem contribuir para os processos de saúde psíquica, em diálogo com a psicologia junguiana, promovendo a revalorização das sabedorias indígenas e de sua geocultura, podendo favorecer tanto o fortalecimento da cidadania e o empoderamento dos povos originários, quanto os processos de saúde psíquica, com ênfase na promoção do bem-estar e do bem-viver.
Este artigo pretende enquadrar-se no atual debate eclesial que celebra os sessenta anos do encerramento do Concílio Vaticano II. O artigo apresenta três temas identificados como importantes no debate eclesial. A metodologia escolhida consiste em apresentar as pesquisas de três autores. Em primeiro lugar, a pesquisa de Christoph Theobald sobre o estilo dialógico que caracterizou o debate conciliar, sempre atento a não criar contrastes, mas a construir pontes. Em segundo lugar, a pesquisa de Matteo Mennini, cuja atenção é colocada no debate de uma Igreja pobre e para os pobres, que marcou o debate conciliar. Finalmente, a pesquisa de Peter Neuner sobre a proposta eclesiológica de uma Igreja como Povo de Deus, que trouxe de volta ao debate eclesial muitas questões há muito ofuscadas, como o sacerdócio comum e o papel dos leigos. Na conclusão, sublinha-se o fato de que, apesar das dificuldades encontradas nas décadas seguintes ao Concílio Vaticano II, as três ideias apresentadas encontraram espaço no caminho eclesial.
Tomando como centro de investigação a tradição dos sona – grafismos e narrativas mitológicas e religiosas compartilhadas entre povos Bantu da África Central (Chokwe, Luchazi, Ngangela), hoje também presentes na educação cultural e na literatura afro-brasileira –, este estudo delimita seu campo de análise. Nesse horizonte, propõe a Psicologia Analítica como chave interpretativa das relações arquetípicas entre matemática e religião. A partir dessa perspectiva, examina suas contribuições para o recente movimento de disputa por uma ontologia histórico-dialética da matemática, bem como para a construção de uma educação científica e matemática de orientação humanista e cultural. A investigação consiste em uma análise simbólico-psicológica ocorrente em quatro etapas fundamentais, sendo: a) Breve exposição do percurso político-epistemológico que leva à negação da ontologia na matemática; b) Demonstração das relações psicogenéticas entre ideias matemáticas e religiosas; c) Análise das relações entre medidas, geometrias e a religião e, por fim, d) Apresentação das possibilidades psicoeducacionais da geometria sona e suas contribuições para o resgate ontológico da matemática.