
O presente artigo tem como objetivo apresentar um relato da relação institucional, no âmbito do Programa ERASMUS, entre a Hochschule Vechta e Technische Universität Braunschweig, personificadas no Prof. Doutor Reiner Hildebrandt- Stramann e o Instituto Politécnico de Castelo Branco, pelo Mestre António José Domingues Faustino1. Trata-se de um bosquejo histórico, assente especialmente em registos fotográficos e publicações. A análise está organizada de acordo com os seguintes tópicos: (1) Antecedentes da Colaboração; (2) Seminário Recreios Escolares; (3) Estudos de Rotinas de Vida Diária; (4) Estudos de Intervenção Prática; (5) ERASMUS (Conferências, Cursos…); (6) Estudos financiados pelo Programa DAAD “Hochsuldialog mit Südeuropa”; (7) Simpósios Internacionais.
Este artigo tem como objetivo identificar a percepção de docentes sobre a passagem do processo de ensino e aprendizagem por conteúdos para o currículo por competências no curso de Educação Física na Unijuí. A partir de uma abordagem qualitativa, foi realizado um estudo de casos múltiplos, com a participação de dez professores. Os resultados apontam que, inicialmente, os professores se sentiram angustiados e desconfortáveis quando foram desafiados a ensinar a partir de outra perspectiva diferente da tradicional. Com o tempo, passaram a reconhecer e defender a educação por competências no Ensino Superior, destacando a importância do planejamento e da mobilização de conhecimentos em contextos reais. Os professores indicam a necessidade de estudos por meio da formação continuada para avançar no processo de ensino por competências.
O objetivo do estudo foi investigar indícios dos saberes pedagógicos e das práticas culturais disseminadas pelo professor Reiner Hildebrandt-Stramann em universidades públicas brasileiras, no período de 1984 a 2023. No ano de 1984, Hildebrandt-Stramann esteve, pela primeira vez no país, na posição de professor visitante do CEFD da UFSM, onde permaneceu até meados de 1986, por meio de convênio da CAPES firmado com o DAAD. Após este tempo, atuou em diversas universidades públicas brasileiras. Além da UFSM, no Rio Grande do Sul visitou, pela primeira vez no ano de 2022, a ESEFID da UFRGS. A ESEFID, instalada em 1940 sob a denominação de Escola Superior de Educação Física (ESEF), foi a primeira instituição a formar profissionais de Educação Física no estado, mantendo-se por cerca de 30 anos como a única do Rio Grande do Sul. Muitos professores(as) pioneiros(as) do CEFD/UFSM, estabelecido em 1970, realizaram sua formação acadêmica na ESEF.
A análise e reflexão didática das aulas é uma das principais tarefas de um professor (inclusive da área da Educação Física). No artigo apresentamos um conceito de análise que se baseia na compreensão do ensino como “encenação de um evento social”. Professores e alunos fazem uma aula juntos. Para a avaliação didática da produção, apresentamos o método de revisão didática utilizando dois exemplos didáticos sobre os temas “Girar” e “Saltar”. Torna-se claro que a encenação do tema “Girar” segue uma concepção pedagógica do movimento, enquanto a encenação do tema “Saltar” apenas segue uma abordagem cujo conceito orienta para o ensino de técnicas de movimento. Com esse método de revisão, as consequências sociais para os envolvidos na aula tornam-se claras: enquanto alguns estão envolvidos na formação do significado da aula (exemplo: Girar), outros permanecem dependentes do professor (exemplo: Saltar).
Experiential and experience-oriented learning of long throwing. The article describes an experiential lesson for the development of long throwing. This method contrasts with a technology-oriented way of teaching. An experiential teaching path enables students to find their best technique.
Com a edição especial do vol. 42, n° esp. 2 da Revista Kinesis sendo o dossiê temático "A Formação de Professores de Educação Física: 40 anos de parceria Brasil e Alemanha nas contribuições do Prof. Dr. Reiner Hildebrandt-Stramann", o próprio Reiner Hildebrandt-Stramann traz um ensaio especial trazendo alguns casos durante seus anos como pesquisador e docente. Discorre também sobre teorias de Kunz, Freire, Luhmann, Digel, e outros, além de suas aplicações nos casos apresentados.
O texto trata do tema a partir de pequenas teses que envolvem: as condições macro-estruturais que influenciam a formação; a conformação dos currículos a partir de disciplinas acadêmicas que configuram o objeto de estudo da Educação Física a partir de seus objetos próprios configurando uma fragmentação do conhecimento e uma dificuldade para sua vinculação com a intervenção; as características da produção do conhecimento no campo e seu impacto nos processos de formação; análise crítica do impacto da pós-graduação nos processos de formação; avaliação e sugestões sobre as políticas de formação continuada para o campo da Educação Física.
Os autores deste artigo, colegas e colaboradores na criação da teoria educacional abrangente conhecida como Tratamento Pedagógico do Corpóreo, liderada pelo professor Marcelino Vaca Escribano, analisam as possíveis influências que as ideias de Reiner Hildenbrant-Stramann tiveram sobre o modelo durante mais de duas décadas de intercâmbio e trabalho de pesquisa conjunta. Fazemos isso com base na ideia de Escola Móvel que conseguimos apreender das diversas publicações, palestras, práticas e debates que compartilhamos com o professor da Universidade Técnica de Braunschweig (Alemanha), tomando como guia o artigo da revista Movimento intitulado "Escola(s) em Movimento" (2005).Ambos os modelos se baseiam na afirmação de que o Corpo - para o TPC - e o Movimento - para a Escola Móvel - são elementos essenciais na configuração de uma escola que deseja cumprir a dupla missão de ensinar e educar. Eles compartilham uma visão ecológica da instituição educacional na qual todos os seus componentes (teorias, programas, espaços, pessoas, materiais etc.) devem ser integrados e complementados para atender aos sujeitos que são corpos e que aprendem em movimento.
O objetivo desta pesquisa bibliográfica, do tipo Estado do Conhecimento, foi analisar as principais temáticas que engendram a produção científica sobre a Concepção de Aulas Abertas na Educação Física Escolar brasileira. Para a seleção dos artigos, foram utilizados os descritores “Educação Física Escolar” e “Aulas Abertas”, combinados com o operador booleano “AND”, nas bases de dados: Scielo, Biblioteca Virtual em Saúde, Portal Periódicos CAPES e Google Acadêmico. A partir da busca foram identificadas 687 produções científicas, as quais passaram por uma filtragem (critérios de inclusão e exclusão), sendo ao final selecionados 13 artigos. A análise das informações aconteceu por meio da técnica da análise de conteúdo. Sobre os achados, destaca-se que a produção científica, corpus deste trabalho, de modo geral, retrata o contexto de experiências interventivas a partir da utilização da Concepção de Aulas Abertas, principalmente, na etapa do Ensino Fundamental, sendo exploradas as temáticas dos Jogos e Brincadeiras na Educação Física, com estratégias metodológicas do ensino a partir das dimensões do conteúdo (conceitual, procedimental e atitudinal) e com desdobramentos que constituem o trato-pedagógico do professor no processo de ensino e aprendizagem (na tentativa de reflexão e autonomia), em sua maioria, para os alunos da educação básica.
Este ensaio tem como objetivo problematizar as potencialidades de um currículo pensado na perspectiva intercultural, tensionado pelos desafios que caracterizam uma escola republicana em sociedades democráticas. A perspectiva metodológica é de natureza qualitativa, valendo-se de pesquisa bibliográfica e, em menor medida, documental. Apresenta como resultado os cuidados relativos à conciliação dos aspectos culturais com a perspectiva de um mundo comum, exemplificado na temática indígena e sua inserção nas escolas regulares. Conclui que um currículo intercultural significa um ganho em termos de diversidade e que é compatível com a pluralidade democrática.
O estudo aborda o tema do currículo tendo em vista outro modo de pensar a formação em Educação Física. De forma especial, discute os principais significados implicados no âmbito da teoria curricular, sinalizando para três tradições que constituem o debate na educação: teorias tradicionais, críticas e pós-críticas, apontando para um sentido intercultural, interdisciplinar e complexo no âmbito do ensino e aprendizagem de práticas corporais. Do ponto de vista metodológico, constitui-se em um ensaio, de cunho hermenêutico, que se ampara na análise interpretativa e qualitativa de obras que enfocam o tema do currículo, da interculturalidade, da interdisciplinaridade e da complexidade, para analisar sentidos pedagógicos ampliados acerca das práticas corporais na formação em Educação Física. O enfoque tematiza um sentido possível para a construção de outras formas de pensar a formação em Educação Física, em que as questões que envolvem a elaboração de currículos, se tornem objeto da formação a partir das teorias críticas e pós-críticas. Trata, também, de uma reflexão que procura manter acesa a interrogação sobre os significados de uma abordagem interdisciplinar e complexa no trato com as questões das práticas corporais, bem como do corpo, e da cultura na Educação Física.
O objetivo deste artigo é refletir sobre a temática da justiça social no pensamento moral e político de Kant, considerando a necessidade de compreender o papel social do Estado na manutenção da sociedade. Para isso, efetua-se uma análise dividida em três partes, na qual se avaliará, num primeiro momento, a justiça social como gênese de um eventual estado de bem estar social no pensamento kantiano; num segundo momento, o papel da moralidade kantiana como fundamento do dever ético de ajuda ao próximo pela premissa da dignidade humana e, por fim, a função da ação política na implementação de um modelo de governo que garanta a subsistência de todos sob a execução da justiça social.
Kierkegaard, o personagem histórico, é conhecido em grande parte por sua ironia e sua insubordinação diante de seus professores. No entanto, alguns professores, como H. N. Clausen, têm o respeito de Kierkegaard. A tradução destas duas cartas é importante para estabelecer a relação de Kierkegaard com H. N. Clausen, mostrando que a filosofia de Kierkegaard chega à Europa e especialmente à Itália através de Clausen, refutando a visão na qual Kierkegaard não foi apreciado e lido durante a sua vida. Kierkegaard era lido e sabia disso.
Artigo sobre o pensamento do mitólogo luso-brasileiro Eudoro de Sousa acerca da experiência religiosa e de seu acesso cognoscível. Acusando a insuficiência da ciência da História em lidar com a realidade própria do que é poético, filosófico e religioso, por dela se manter essencialmente distante através de uma mediação alegórica, Eudoro de Sousa enfatiza a importância decisiva da experiência imediata de um sentimento de estranheza ou Mistério, quando a tarefa do pensamento é a compreensão da autenticidade da Religião. Neste sentido é evocada a Fenomenologia da Religião, sensível à dimensão simbólica dos dramas rituais religiosos e das experiências de arrebatamento na vida cotidiana, como um saber mais apropriado à demanda a que se propõe o pensador. O cumprimento da compreensão fenomenológica da experiência religiosa se daria na Mitologia, desde que esta fosse tomada como um pensar a experiência religiosa própria dos mitos e anterior ao processo de alegorese.
A filosofia da memória é uma área na qual se convergem conhecimentos próprios da filosofia, assim como de evidências empíricas provenientes da área da psicologia cognitiva e das neurociências. Um dos problemas vigentes dentro da filosofia da memória se concentra na busca de uma definição precisa de nossas memórias episódicas, isto é, nossas memórias de eventos do passado. Uma característica inescapável para qualquer definição precisa da memória episódica concerne sua fenomenologia específica. Apesar de ser um elemento majoritariamente estudado na psicologia, vemos recentemente que a filosofia pode ajudar a clarificar a definição dessa fenomenologia. Além disso, as teorias filosóficas sobre a memória também têm um impacto significativo na maneira como entendemos a memória dentro das ciências empíricas. Assim, o objetivo desse artigo é a definição da fenomenologia da memória episódica, assim como a demonstração de sua fundamental importância para as teorias filosóficas mais recentes sobre a memória episódica. Acredito que através dessa clarificação, estaremos mais bem preparados para caminharmos em direção a um entendimento mútuo e interdisciplinar dessa capacidade cognitiva.
Defenderemos que Foucault e suas críticas à psicanálise servem aos estudos queer quando, diante da dimensão produtiva do poder, interrogam os saberes pertinentes aos corpos sujeitos e suas sexualidades. Foucault faz problematizar o que quer que apareça na forma da fixidez, da norma ou, ainda, como mais fundamental, originário e a priori ao sujeito em seus devires. Suas análises são base aos desenvolvimentos queer pois, assim como estes, apontam para Isso: essa “coisa estranha”, esse “não-lugar”, esse “estar-entre”, essa “diferença tática”, cuja característica é perturbar a estabilidade e a presunção de naturalidade das identidades hegemônicas. Se emaranhadas em noções foucaultianas, as questões queer suscitam um processo de autocrítica pelo qual dá-se a possibilidade de afirmarmos a instabilidade, a ambiguidade e a indeterminação de todas as identidades, de todas formas da sexualidade, dos prazeres, assim como todas modalidades de corpo-sujeitificação/generificação. Não por completo, mas muito à luz do que Foucault e suas leituras da psicanálise fazem pensar, veremos que as teorizações queer reivindicam a afirmação de um espaço sempre transitivo, marginal e subversivo, cuja meta não unívoca é não se presumir a priori como modelo universal e endossável na e pela norma.
O presente artigo objetiva realizar uma análise conjunta das obras Metamorfoses (2020) do filósofo italiano Emanuele Coccia e O mestre ignorante (1987) do filósofo francês Jacques Rancière. A análise será feita sob a luz do crescente interesse contemporâneo sobre o conceito de comum, considerado uma aposta política e filosófica de diversos movimentos sociais e intelectuais críticos tanto do neoliberalismo quanto do comunismo de Estado. Argumentaremos que as duas obras, ainda que não coloquem tal noção em primeiro plano, apresentam contribuições importantes para a compreensão do comum, principalmente em sua dimensão filosófica. Argumentaremos também que o conceito de inteligência em O mestre ignorante e o conceito de metamorfose em Metamorfoses, ainda que mobilizados em edifícios conceituais diferentes, não deixam de apresentar um certo tipo de parentesco – sendo ambos dispositivos sensíveis e cognitivos que expressam uma dimensão inapropriável, transmundana e compartilhada, uma riqueza comum, uma potência imprópria que pertence a todos e a ninguém.
Em suas reflexões sobre a filosofia do direito, Alysson Leandro Mascaro destacou que atualmente G.W.F. Hegel é uma estação fundamental para qualquer estudioso dessa ciência. De fato, o autor alemão mostra-se de fundamental importância por pensarmos a sociedade civil burguesa e o Estado como aspectos inseparáveis para a necessária determinação do direito na era moderna (e contemporânea). Ao contrário da proposta jusnaturalista, Hegel coloca a questão do direito no interior da querela sobre o Estado moderno, esvaziando de sentido a ode ao individualismo, de fundo romântico. Assim, a máquina pública surge como expressão concreta de um momento histórico muito particular, leia-se, como fruto da era das profundas revoluções sociais na Europa. Destarte, nossa hipótese é que a filosofia do direito hegeliana não se limita à uma consciência tardia, que sempre se apresenta como post festum, mas, sim, desenvolve-se como uma reflexão capaz de antever aspectos importantes de toda uma formação histórica em emergência, através dos seus primeiros sinais. Essa perspectiva nos permite argumentar que esse autor buscou se apresentar como síntese dialética da realidade e dos conceitos que conheceu, fitando não se dobrar às complexidades e/ou à vulgata do momento que tinha sob os olhos.
Por séculos, o ceticismo pirrônico vem sendo atacado por argumentações dogmáticas que propõem fazer dele uma escola que, inevitavelmente, provoca um estado de apraxia, isto é, de inércia, bem como de neutralidade, diante da vida comum e das investigações científicas que, diuturnamente, vêm sendo desenvolvidas. Mas seria o pirronismo culpado de tal acusação? Como pretendemos demonstrar no presente artigo, não. Para demonstrar tal inocência, voltamo-nos sobre alguns dos escritos de Oswaldo Porchat Pereira sobre seu Neopirronismo, dividindo este texto em duas partes. Na primeira, faz-se necessário, seguindo a argumentação do autor, distinguir dois momentos do ceticismo pirrônico: (1) o primeiro negativo e que tem como escopo o alcance da epokhé e o embate com o dogmatismo; (2) o segundo positivo e que nos leva a pensar o campo da filosofia prática a partir de uma reflexão acerca da ação e da vida comum. Desse modo, o caminho se abre para que, na segunda parte de nosso texto, possamos então concluir com o autor o porquê de que ainda é necessário, bem como possível, ser cético nos embates filosóficos e científicos contemporâneos, haja vista as contribuições que o ceticismo ainda hoje pode nos fornecer.