
Resumo: Este artigo analisa o processo de produção de A revolução Burguesa no Brasil, de Florestan Fernandes, no contexto da trajetória de pesquisa do autor. São aspectos relevantes nesse processo (i) a incorporação do tema do subdesenvolvimento econômico na agenda de reflexão ao final da década de 1950, formando o tripé analítico economia-sociedade-política (ii) os efeitos do Golpe de 1964 que aceleraram a importância dessa agenda; (iii) a habilidade de análise do conjunto das dimensões da vida social em uma interpretação sistêmica e (iv) elaboração tese da autocracia burguesa como síntese.
Resumo: Neste trabalho, buscamos situar a obra A revolução burguesa no Brasil, de Florestan Fernandes, no contexto da sua busca por construir uma sociologia crítica e militante no Brasil. Para tanto, recorremos a alguns de seus textos menos conhecidos: ensaios de teor autobiográfico, em particular Em busca de uma sociologia crítica e militante e A condição de sociólogo; e pequenos escritos reunidos na coletânea Brasil: em compasso de espera. Iniciamos com a discussão da sua perspectiva crítica e militante da sociologia para, em seguida, nela contextualizar a obra, destacando dois aspectos do esquema interpretativo empregado pelo autor para analisar a revolução burguesa no Brasil. Finalizamos com a discussão dos vínculos entre a sociologia crítica e militante e os movimentos políticos de contestação e transformação da ordem social estabelecida.
Resumo: Este artigo discute a construção intelectual do livro A revolução burguesa no Brasil: ensaio de interpretação sociológica, isto é, os passos que conduziram Florestan Fernandes a produzir as categorias fundamentais que estruturam a obra, as noções de capitalismo dependente e autocracia burguesa. O livro é um exemplo lapidar de síntese teórica sob o prisma da chamada sociologia diferencial ou histórica, alimentada pela consciência socialista do autor. Assim, o tipo extremo, a principal contribuição metodológica de Marx para a Sociologia, nos termos assumidos pelo próprio Florestan Fernandes, tem um papel decisivo na síntese teórica, presente em A revolução burguesa no Brasil, das correntes clássicas e modernas das ciências sociais.
Abstract: This study analyzes Brazil-Israel relations from 2003 to 2026, arguing that the continuities within them are more significant than its ruptures. Questioning the idea of the Brazilian “equidistance” from Israel and Palestine evinces some ruptures (largely only within the diplomatic sphere) and continuously expanded economic and security ties. Based on a critical analysis of the international political economy of security, this study shows how trade, technological dependence, and collaboration on security issues-particularly in armaments-shape foreign policy and the discursive dimension. We use the term “arms diplomacy” to understand how trade and security collaboration translate into the political influence of Israel in Brazil. By a review of the literature, official documents, speeches, and data on trade and arms, this study shows that the Bolsonaro government intensified the patterns established during the Workers’ Party governments rather than changing them. Finally, it argues that although Lula adopted a critical stance during the Gaza crisis, economic limitations prevented significant policy changes over time.