
Objetivo: analisar a percepção de mulheres sobre a realização de exercícios de mobilidade pélvica durante o trabalho de parto e parto e sua associação com desfechos obstétricos. Métodos: estudo transversal desenvolvido com 306 puérperas. Os dados foram obtidos por questionário estruturado e complementados por registros clínicos. As associações foram analisadas por testes de associação e regressão de Poisson com variância robusta. Resultados: a maioria das mulheres realizou exercícios de mobilidade pélvica (87,6%). A utilização de bola feijão (76,8%; p=0,002), inversão inclinada para frente (71,3%; p=0,015), bola suíça (70,2%;p=0,004) e agachamentos (69,6%; p=0,003) esteve associada à percepção de redução da duração do trabalho de parto. Não foram observadas associações com redução da dor ou maior ocorrência de parto vaginal. A maioria das mulheres manifestou intenção de utilizar novamente essas práticas em futuras gestações (85,3%;p<0,001). Conclusão: na percepção das mulheres, os exercícios de mobilidade pélvica associaram-se à redução da duração do trabalho de parto, sem associação com dor ou tipo de parto, e apresentaram elevada aceitabilidade. Contribuições para a prática: os achados subsidiam a orientação sobre mobilidade durante o trabalho de parto e a importância de ampliar ações educativas no pré-natal e de desenvolver estudos experimentais para investigar a efetividade dessas práticas.
Objective: to estimate the evidence of content validity of the Escala de Autoeficacia en Reanimación Cardiopulmonar Básica y Avanzada, translated and cross-culturally adapted for the Brazilian context. Methods: a methodological study of the cross-cultural adaptation and content validation of the Escala de Autoeficacia en Reanimación Cardiopulmonar Básica y Avanzada for the Brazilian context was conducted. Clarity was assessed by 40 adolescents (Basic Life Support subscale) and 40 healthcare professionals (Advanced Life Support subscale), with items considered adequate when agreement was ≥80%. Content validity was assessed by 10 emergency and urgent care specialists using the Content Validity Index, with values of ≥0.78 for individual items and ≥0.90 for the overall scale considered acceptable. Results: the items presented a Content Validity Index of ≥0.80. The overall Content Validity Index values were 0.94 for clarity and 0.96 for relevance, demonstrating excellent evidence of content validity. Conclusion: the Brazilian version of the Escala de Autoeficacia en Reanimación Cardiopulmonar Básica y Avanzada demonstrated satisfactory evidence of content validity. Contributions to practice: the instrument provides a potential tool to support educational strategies in cardiopulmonary resuscitation and to expand research and health education initiatives involving adolescents.
Objetivo: analisar o perfil e a tendência temporal das internações por acidente vascular cerebral em unidades de terapia intensiva. Métodos: estudo ecológico com dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde referentes às internações intensivas. Foram analisados idade, sexo e tipo de acidente vascular cerebral. As taxas de internação foram calculadas e avaliadas por modelos de regressão linear generalizada e procedimento de Prais-Winsten, (significância estatística p<0,05). Resultados: observou-se aumento das taxas de internação no período, com predominância do sexo masculino e da faixa etária acima de 60 anos. Houve tendência crescente para acidente vascular cerebral não especificado (6,9%; p<0,001) e redução dos eventos transitórios (-7,8%; p<0,001), igualmente em homens e mulheres. As taxas de acidente vascular cerebral hemorrágico e sequelas permaneceram estáveis. Conclusão: as internações por acidente vascular cerebral em unidades de terapia intensiva foram mais frequentes em homens e idosos. Observou-se aumento dos casos não especificados e redução dos eventos isquêmicos transitórios, com estabilidade dos demais subtipos, sugerindo limitações na codificação diagnóstica. Contribuições para a prática: os achados contribuem para monitoramento epidemiológico, planejamento assistencial e estratégias preventivas voltadas a populações de risco, além de subsidiar a compreensão de cenários semelhantes em outras regiões brasileiras.
Objetivos: construir e validar checklist para avaliação das habilidades de enfermeiros na punção da veia jugular externa. Métodos: estudo metodológico, realizado em três etapas: levantamento bibliográfico, elaboração do checklist, e validação do conteúdo e da aparência do checklist. A validação ocorreu com 20 juízes especialistas. Utilizou-se o Índice de Validade de Conteúdo mínimo de 0,90 para considerar o item válido. Resultados: o checklist tem 38 itens, divididos em quatro partes: pré-punção, punção, pós-punção e vigilância pós-procedimento. O checklist apresentou Índice de Validade de Conteúdo de 1,00 para conteúdo, 0,99 para linguagem e 0,99 para layout, com Índice de Validade de Conteúdo médio de 0,99. Conclusão: o checklist elaborado foi construído e validado por juízes especialistas, demonstrando-se como uma tecnologia educacional adequada para avaliar habilidade dos enfermeiros no processo de ensino-aprendizagem na punção da veia jugular externa. Contribuições para a prática: o checklist construído e validado neste estudo possibilita aos enfermeiros avaliar a habilidade técnica na punção de jugular externa. Além disso, subsidia intervenções que visam aumentar a segurança e a qualidade da assistência, por meio de cuidado baseado em evidências e instrumentos padronizados.
Objetivo: analisar os fatores associados a sintomas depressivos e ao risco de suicídio em pessoas idosas assistidas na atenção primária à saúde. Métodos: pesquisa transversal realizada com 298 idosos atendidos por equipes urbanas da Estratégia Saúde da Família. Foram utilizados formulário sociodemográfico e de saúde, a Escala de Depressão Geriátrica e o instrumento Nurses’ Global Assessment of Suicide Risk, aplicados por meio de entrevistas. As associações foram analisadas pelos testes Qui-quadrado de Pearson, Exato de Fisher e Regressão de Poisson. Resultados: a prevalência de sintomas depressivos foi de 30,2%, com a maioria dos idosos apresentando baixo risco de suicídio. Sintomas depressivos associaram-se à viuvez, ao diagnóstico de diabetes mellitus, à presença de comorbidades e ao uso contínuo de fármacos. O risco de suicídio associou-se a ser solteiro, residir sozinho, possuir cuidador, ter glaucoma, apresentar sintomas depressivos e fazer uso de psicotrópicos. Conclusão: observou-se associação entre vulnerabilidades socioclínicas, sintomas depressivos e risco de suicídio na população idosa. Contribuições para a prática: os achados enfatizam a necessidade de qualificar os profissionais da atenção primária para o rastreamento precoce de vulnerabilidades.