
RESUMO O objetivo deste estudo foi examinar o efeito mediador da agilidade organizacional na relação entre o sistema de mensuração de desempenho (SMD) e os diferentes tipos de inovação: incremental, radical e ambidestra, no contexto da indústria de transformação. A relação entre SMD e inovação apresenta crescente interesse na literatura, especialmente quanto às capacidades dinâmicas que possam elucidar o desenvolvimento de inovações. Nesse contexto, a agilidade organizacional revela-se pertinente para compreender a relação entre o SMD e a inovação, na medida em que ambas expressam e fomentam a habilidade organizacional que gera inovação. Esta pesquisa demonstra que o uso de SMD interativo e a agilidade organizacional são fatores críticos para a inovação e o sucesso das organizações, em ambiente de negócios caracterizado por rápidas mudanças e alta competitividade. Foi conduzida uma survey com 221 organizações pertencentes à indústria de transformação, caracterizadas por elevado nível de inovação, empregando-se modelagem de equações estruturais por mínimos quadrados parciais. Os resultados indicam associações positivas entre o uso do SMD interativo e as inovações incrementais e ambidestras e evidenciam que a relação entre o uso do SMD interativo e os três tipos de inovação (incremental, radical e ambidestra) é mediada pela agilidade organizacional. Em termos teóricos, ao centrar a atenção na agilidade organizacional como mecanismo mediador entre o uso SMD interativo e os resultados inovadores, lacuna ainda pouco investigada, contribui para a literatura de sistema de controle gerencial. Ao evidenciar a agilidade organizacional como elo explicativo, o estudo avança ao demonstrar que o uso do SMD interativo transcende uma função informacional, pois sustenta a capacidade das organizações de promover, simultaneamente, diferentes oportunidades de inovação. Contribuições práticas demonstram que o uso de SMD interativo favorece o compartilhamento contínuo de informações gerenciais e a coordenação organizacional, contribuindo para respostas ágeis às demandas do ambiente competitivo e para iniciativas inovadoras.
RESUMO Este artigo investiga a relação entre a remuneração de executivos baseada em opções de ações e as recompras de ações realizadas por empresas de capital aberto no Brasil. O estudo contribui para a literatura ao lançar luz sobre uma dimensão ainda pouco explorada da atividade de recompra de ações no mercado brasileiro, destacando sua relação com mecanismos de governança corporativa. Embora a teoria financeira tradicional preveja que os investidores sejam indiferentes entre dividendos e recompras de ações, pesquisas subsequentes mostram que as empresas frequentemente favorecem as recompras devido a fatores como gestão da estrutura de capital, efeitos de sinalização e incentivos. Em particular, executivos cuja remuneração é baseada em opções de ações podem possuir fortes incentivos pessoais para iniciar programas de recompra, uma vez que essas operações podem sustentar o preço das ações e aumentar diretamente o valor de suas participações. Embora as recompras de ações ainda sejam relativamente modestas no Brasil em comparação aos Estados Unidos, as evidências mostram que elas possuem implicações relevantes para a governança corporativa, especialmente no que se refere aos esquemas de remuneração executiva. Os resultados sugerem que as recompras não constituem apenas um mecanismo alternativo de distribuição de recursos aos acionistas, mas também um canal por meio do qual gestores podem ampliar os benefícios privados extraídos da empresa. A análise empírica utiliza modelos de regressão com dados em painel, incluindo efeitos fixos de empresa e de ano, para avaliar a relação entre as estruturas de remuneração executiva e a magnitude das recompras de ações. Adicionalmente, é usado um modelo de regressão logística para dados em painel com o objetivo de investigar se empresas que oferecem incentivos baseados em ações apresentam maior probabilidade de realizar recompras acima do nível médio observado. Também foi conduzida uma série de testes de robustez para garantir a consistência dos resultados entre diferentes especificações. Os resultados mostram que empresas que incorporam opções de ações aos pacotes de remuneração de seus executivos realizam recompras de ações significantemente maiores. Essa evidência sugere que gestores podem utilizar estrategicamente programas de recompra para ampliar sua riqueza pessoal, colocando em dúvida até que ponto os incentivos baseados em ações realmente alinham os interesses dos gestores aos dos acionistas. Esses achados são relevantes não apenas para investidores que buscam interpretar as decisões corporativas de distribuição de recursos, mas também para reguladores e formuladores de políticas públicas preocupados com a eficácia dos mecanismos de governança corporativa que regulam a remuneração executiva e as políticas de payout.
RESUMO Este estudo examina o impacto da performance ambiental, social e de governança (environmental, social, and governance - ESG) e de seus três pilares na restrição financeira (financial distress - FD) em empresas latino-americanas no período de 2011 a 2022. Também investiga se a interação entre a performance ESG e FD afeta a performance da empresa (retorno sobre ativos - ROA). A literatura existente mostra limitações importantes para o entendimento da relação entre práticas ESG e FD. Entretanto, alguns estudos examinaram esses conceitos separadamente e a evidência empírica integrando ambos continua escassa, particularmente em economias emergentes. Além disso, não foram identificados estudos que analisassem simultaneamente esses efeitos no contexto latino-americano, revelando uma lacuna considerável que esta pesquisa visa preencher. Utilizamos um modelo de regressão multinível estimado por máxima verossimilhança (MV), com uma amostra de 963 empresas, totalizando 11.724 observações de empresas-ano. Essa abordagem nos permite controlar os efeitos específicos da empresa, do país e do tempo, fornecendo evidências robustas sobre a relação entre ESG, FD e performance. Os resultados indicam que a performance ESG está positivamente associada ao FD em modelos que excluem a FD defasada, mas essa relação torna-se negativa quando a FD defasada é incluída, um padrão consistente em todos os pilares ESG. Embora os critérios ESG afetem positivamente o ROA, essa relação se inverte quando há interação com FD, o que reflete os custos de curto prazo e os benefícios de longo prazo da adoção de critérios ESG. Esse estudo contribuiu para a literatura ao demonstrar que práticas ESG influenciam o FD e a performance de empresas em mercados emergentes. O artigo oferece orientações valiosas para gestores, investidores, credores, reguladores e outras partes interessadas, demonstrando que os investimentos ESG podem reduzir a vulnerabilidade financeira, ampliar o acesso a financiamento mais barato e aprimorar a reputação corporativa. Os resultados reforçam o papel estratégico dos critérios ESG como ferramenta para mitigar riscos e criar valor a longo prazo em empresas latino-americanas.