
ABSTRACT OBJECTIVE To analyze the direct and indirect associations between adverse life course conditions and impairment of intrinsic capacity in Brazilians aged 50 years or older. METHODS An analytical cross-sectional study using data from the second wave of the Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) (n = 4,817). Intrinsic capacity was assessed across five domains (cognition, vitality, mobility, psychological aspects, and sensory aspects) and was considered impaired when three or more domains were affected. Childhood adversities included parental illiteracy, lack of running water at home, and food insecurity. Educational attainment and income in adulthood were considered mediating variables. Path analysis was used. RESULTS Childhood adversities had significant direct and indirect effects on the impairment of intrinsic capacity. These effects were mediated by lower educational attainment and income in adulthood. Educational attainment stood out as a central mediator, exerting a direct protective effect on intrinsic capacity and an indirect effect through its influence on income. CONCLUSIONS The findings reinforce the relevance of the life-course perspective for understanding inequalities in aging and indicate educational attainment as a priority target for interventions aimed at promoting healthy aging in the Brazilian context.
OBJETIVO: Avaliar a implantação da atenção nutricional no âmbito da Atenção Primária à Saúde em municípios brasileiros e identificar a associação do grau de implantação com aspectos do contexto sociodemográfico e político-organizacional. MÉTODOS: Trata-se de uma pesquisa avaliativa, com abordagem quantitativa, que considerou a responsabilidade do gestor municipal na garantia das condições e do provimento de ações, a partir da análise de 17 indicadores agrupados nas dimensões gestão e assistência. Os municípios foram classificados segundo o grau de implantação da atenção nutricional na Atenção Primária à Saúde pelo ajuizamento da pontuação observada em relação à pontuação máxima, utilizando critérios incipiente, intermediário e avançado. Analisou-se a influência do contexto sobre o grau de implantação, com as variáveis independentes agrupadas em dois blocos, utilizando-se regressão logística multivariada. RESULTADOS: Foram avaliados 4.064 municípios brasileiros, sendo observado grau de implantação avançado em 11,6% (n = 471). Os aspectos de gestão receberam piores resultados quando comparados aos de assistência. Os fatores de contexto associados ao melhor grau de implantação da atenção nutricional foram municípios com porte populacional menor de 25.000 habitantes, localizados na Região Sul, melhores indicadores sociais, menor proporção de crianças menores de cinco anos, 100% de cobertura da Estratégia Saúde da Família e apoio do nutricionista na Atenção Primária à Saúde. CONCLUSÃO: A implantação da atenção nutricional na Atenção Primária à Saúde brasileira foi considerada incipiente no período investigado. Apesar dos avanços significativos em relação à vigilância alimentar e nutricional, a atenção nutricional apresentou fragilidades importantes na gestão e na coordenação do cuidado. Reitera-se a necessidade de processos contínuos de avaliação e monitoramento das intervenções na Atenção Primária à Saúde, qualificação da assistência e inserção da atenção nutricional como parte do modelo assistencial.
OBJETIVO: Investigar a associação entre o uso de telas, incluindo tempo assistindo à televisão e uso de mídias (televisão, computador e celular) durante as refeições, e o alto consumo de alimentos ultraprocessados entre adolescentes brasileiros. MÉTODOS: Estudo transversal, de base populacional, que utilizou dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2019, analisando uma amostra de 123.761 adolescentes (13 a 17 anos). O consumo de alimentos ultraprocessados foi avaliado por um escore baseado na frequência de consumo de treze subgrupos de alimentos ultraprocessados no dia anterior. O alto consumo foi definido por um escore de sete ou mais, correspondente ao quintil superior. A associação foi investigada por meio de modelos de regressão de Poisson, ajustados para sexo, idade, raça/cor da pele autorreferida, região geográfica, localização (urbana/rural) e dependência administrativa da escola (pública/privada), e índice de riqueza. RESULTADOS: A prevalência de alto consumo de alimentos ultraprocessados (escores ≥ 7) foi de 16,15% (IC95% 15,46–16,86). Observou-se uma relação de dose-resposta com maiores prevalências de acordo com o aumento do uso de telas, tanto para o tempo assistindo à televisão como para o uso de mídias durante as refeições. Adolescentes que assistiam à televisão > 6 h/dia apresentaram uma prevalência 90% maior de alto consumo de alimentos ultraprocessados (RPa = 1,90; IC95% 1,72–2,11) em comparação com aqueles que não assistiam. A associação foi significativa mesmo na categoria de menor tempo de exposição (até 1 h/dia). De forma similar, adolescentes que usavam mídia todos os dias durante as refeições tiveram uma prevalência 55% maior (RPa = 1,55; IC95% 1,43–1,68). CONCLUSÕES: Os achados demonstram uma associação direta e significativa entre maior uso de tela e o alto consumo de alimentos ultraprocessados em adolescentes brasileiros. Este estudo reforça a necessidade de intervenções em saúde pública que abordem o tempo de tela excessivo como um fator comportamental chave no consumo de alimentos ultraprocessados nessa população.
OBJETIVO: Investigar a associação de variáveis individuais e contextuais com a falta de acesso aos serviços odontológicos pela população adulta brasileira. MÉTODOS: Trata-se de um estudo transversal, com base em amostra representativa nacional de indivíduos adultos de 35 a 44 anos, proveniente do SB Brasil 2023. Foram feitas análises múltiplas por meio de regressão logística multinível. O desfecho foi a falta de acesso aos serviços odontológicos. As exposições individuais foram dados demográficos, renda, escolaridade, tipo de serviço procurado, e as variáveis contextuais foram porte populacional, desenvolvimento socioeconômico e disponibilidade de serviço público odontológico em cidades brasileiras. RESULTADOS: Identificou-se que 17,5% dos adultos brasileiros não obtiveram atendimento odontológico quando procuraram. Baixo nível de escolaridade, de renda familiar e procura por serviço público aumentaram a chance de falta de acesso. As variáveis contextuais não explicaram o desfecho, adicionalmente aos fatores de ordem individual. CONCLUSÃO: A falta de acesso aos serviços odontológicos no Brasil em adultos mostrou associação com a baixa condição socioeconômica e com aqueles que procuraram serviço público, considerando variáveis contextuais relacionadas aos municípios do estudo. A ausência de associação entre as variáveis contextuais analisadas e a falta de acesso pode refletir a capilaridade dos serviços odontológicos, um aspecto extremamente positivo do sistema de saúde brasileiro. Ainda assim, a despeito dos avanços na ampliação da cobertura e da instituição da Política Nacional de Saúde Bucal como política de Estado, persistem desigualdades socioeconômicas que limitam o princípio da equidade de acesso.
OBJECTIVE: To estimate the association between exposure to night work and the incidence of breast, prostate, and colorectal cancer among participants in the Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil – Longitudinal Study of Adult Health). METHODS: ELSA-Brasil is a multicenter cohort study conducted in the Northeast, South, and Southeast regions of Brazil. A total of 14,787 participants were included at baseline (2008–2010) and followed through 2023, with a mean follow-up duration of 13 years (SD = 2.22). Exposure to night work was defined based on self-reported occupational history, considering cumulative duration. Incidence cases of cancer were identified during follow-up. Associations were estimated using Cox regression models, adjusted for sociodemographic, behavioral, and occupational variables. RESULTS: Exposure to night work for more than ten years was associated with an increased risk of prostate cancer (HR = 1.38; 95% CI 1.09–1.75) and colorectal cancer (HR = 1.35; 95% CI 1.09–1.68), compared with exposure to day work. No association was observed between breast cancer and night work (HR = 0.89; 95% CI 0.65–1.22). CONCLUSION: The results suggest that prolonged exposure to night work may increase the risk of cancer, particularly prostate and colorectal cancer. This is the first study from the ELSA-Brasil cohort to analyze cancer incidence, expanding knowledge on work-related cancer and reinforcing the carcinogenic potential of night work, with implications for occupational health surveillance and cancer prevention policies in public health.