
Resumo Introdução: Há evidências de que a pandemia de Covid-19 impactou os ambientes alimentares. Objetivo: Avaliar o ambiente alimentar comunitário e a presença de desertos e pântanos alimentares, de acordo com características socioeconômicas, no período anterior e dois anos depois do início da pandemia de Covid-19 em um município de Minas Gerais. Método: Trata-se de um estudo censitário, do tipo série temporal. Analisaram-se informações cadastrais dos estabelecimentos que vendem alimentos referentes a 2019 e 2021. Esses foram classificados segundo proposta da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional. Desertos e pântanos alimentares foram determinados segundo metodologias dessa Câmara e dos Centers for Diseases Control and Prevention (CDC), respectivamente. Avaliou-se o índice de vulnerabilidade da saúde e classificou-se em regiões de baixo, médio e alto índice. Foram realizadas análises descritivas. Resultados: Verificou-se redução de comércios de alimentos saudáveis e aumento de comércios de alimentos ultraprocessados e mistos. Regiões de baixo índice de vulnerabilidade da saúde reduziram os comércios de ultraprocessados e as de médio e alto índice apresentaram aumento desses. A frequência de pântanos alimentares em 2021 foi de 86,4%. Conclusão: Observaram-se modificações negativas no ambiente alimentar no período da pandemia de Covid-19. Destaca-se a necessidade de políticas públicas a fim de garantir o acesso a alimentos saudáveis.
Resumo Introdução: O acesso a medicamentos constitui um componente essencial da atenção à saúde e envolve diferentes dimensões relacionadas às necessidades dos usuários, aos serviços de saúde e ao contexto social, político e econômico em que se inserem. Entretanto, a ausência de consenso conceitual e a diversidade de abordagens utilizadas para sua análise podem dificultar a compreensão e a avaliação do acesso aos medicamentos no contexto brasileiro. Objetivo: Analisar os conceitos e dimensões de acesso a medicamentos no Brasil. Método: Revisão de escopo elaborada conforme o PRISMA-ScR, seguindo as orientações preconizadas pelo Joanna Briggs Institute. Busca nas bases de dados BVS, Pubmed e SciELO por estudos que tinham acesso a medicamentos no SUS como principal objeto de investigação, apresentados em qualquer idioma. Seleção dos estudos foi cega e independente, feita por dois revisores através do software Rayyan. Resultados: O corpus final compreendeu 23 artigos, sendo a maioria estudos transversais com abordagem quantitativa que utilizaram questionários para a obtenção de dados sobre o acesso a medicamentos. A análise permitiu evidenciar o pouco esclarecimento das concepções teóricas nos trabalhos de pesquisa sobre o acesso a medicamentos, com ênfase na dimensão de disponibilidade de medicamentos e aceitabilidade dos usuários, sem discutir ou enfatizar a importância do farmacêutico nesse processo. Conclusão: Aponta-se a necessidade da adoção de um conceito claro sobre o acesso aos medicamentos que considere suas várias dimensões, bem como a construção e validação de instrumentos para análise sobre o acesso mais abrangente e coerente aos aspectos que o influenciam na realidade brasileira. No campo da pesquisa científica, sugere-se empregar abordagens metodológicas que considerem as várias dimensões do acesso e que não desprezem a atribuição do farmacêutico.
Resumo Introdução: O diabetes mellitus pode desempenhar um importante papel na evolução da COVID-19. Objetivo: Analisar a influência do diabetes mellitus na gravidade da COVID-19 em pacientes hospitalizados no estado do Piauí. Método: Estudo de coorte retrospectiva de adultos e idosos hospitalizados com diagnóstico confirmado de COVID-19. O desfecho foi a gravidade da COVID-19, e a exposição principal foi o diabetes mellitus. A fonte dos dados foi o Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe). Foram empregadas análises descritivas e bivariadas e os resultados foram ajustados por regressão de Poisson robusta. A medida de associação foi expressa em risco relativo (RR) com intervalo de confiança de 95% (IC95%). Resultados: O diabetes mellitus aumentou em 5% o risco de COVID-19 grave na primeira onda (RR 1,05; IC95% 1,01–1,08). Esse risco foi maior nas faixas etárias mais avançadas, 28% entre aqueles com 60–69 anos (RR 1,28; IC95% 1,03–1,60), 38% entre 70–79 anos (RR 1,38; IC95% 1,11–1,72) e 43% entre ≥80 anos (RR 1,43; IC95% 1,15-1,78), e entre os autodeclarados da raça/cor indígena, 43% (RR 1,43; IC95% 1,25–1,63), e preta, 12% (RR 1,12; IC95% 1,03–1,21). Conclusão: O diabetes mellitus influenciou o aumento de risco para a COVID-19 grave.
Abstract Background: During the COVID-19 pandemic, the rapid spread of information about the novel coronavirus contributed to an infodemic, potentially affecting mental health. Objective: To evaluate the infodemic and its association with depressive symptoms and sadness in adults and older adults in a city in Southern Brazil. Method: This population-based cross-sectional study was carried out amid the COVID-19 pandemic, between October 2020 and January 2021, among individuals aged 18 years or over residing in the urban area of Criciúma, Santa Catarina. The question “How many times a day do you seek or receive information about COVID-19?” was used to assess the infodemic. People who answered “many times a day” were classified as having infodemic. The outcome variables were depressive symptoms screened by the Patient Health Questionnaire and a feeling of sadness assessed by the Andrews Faces Scale. Adjusted Poisson regression was performed to assess the association between the infodemic and depressive symptoms and sadness, with results reported as prevalence ratios and their 95% confidence intervals (95%CI). Results: A total of 863 individuals were studied. The infodemic prevalence was 22.1%. After adjustment for confounders, individuals who presented infodemic behavior were 1.70 times (95%CI 1.37–2.11) more likely to have a feeling of sadness and 2.53 times (95%CI 1.65–3.88) more likely to have depressive symptoms, compared to their peers. Conclusion: The infodemic was associated with depressive symptoms and sadness in the evaluated population.
Abstract Background: Admission to university is associated with changes in anthropometric markers of total and central adiposity. Objective: To evaluate the association between anthropometric markers of central adiposity and blood pressure (BP) among university students. Method: Cross-sectional study carried out with 1,113 male and female college students aged between 16 to 25 years old, who entered a public university in the Midwest region of Brazil. Demographic, socioeconomic, and lifestyle data were collected with a self-administered questionnaire. The Body Mass Index (BMI) was used to remove the effect of overall adiposity, and central adiposity was assessed by measuring waist circumference (WC) and neck circumference (NC). General linear models were used to analyze the association of central adiposity anthropometric markers with systolic blood pressure (SBP) and diastolic blood pressure (DBP). Results: Both central adiposity markers (WC and NC) were associated with SBP and DBP in the non-adjusted analysis (p<0.01). In the final model, only the NC remained directly associated with SBP Conclusion: Among young university students, only NC was associated with SBP after adjustment for potential confounders, including BMI.