
O uso da tomografia computadorizada (TC) no planejamento radioterápico é rotina em diferentes serviços de saúde, independentemente do grau de complexidade. Isso ocorre devido ao valor diagnóstico da TC na delimitação dos volumes e áreas que serão irradiadas. Entretanto, os parâmetros utilizados nos exames de planejamento nem sempre são encontrados de forma prática na literatura. Assim, o objetivo deste estudo foi revisar sistematicamente a literatura sobre a TC para o planejamento do tratamento radioterápico e propor um protocolo de uso. Métodos: A estratégia de busca foi construída utilizando os idiomas inglês e português e os descritores Radioterapia, Tomografia Computadorizada, Planejamento do tratamento, Imagem, Otimização, Espessura de corte nas bases de dados PubMed e Scopus. O sistema de gerenciamento de revisão Rayyan foi utilizado para auxiliar na seleção às cegas dos artigos pelos pesquisadores. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 21 artigos foram selecionados para leitura na íntegra. Resultados: Os parâmetros técnicos de aquisição de TC para planejamento radioterápico são, em geral, padronizados, utilizando tensão de 120 kV e espessura de corte entre 2 e 3 mm, o que assegura maior precisão na conversão de unidades Hounsfield (HU) e reprodutibilidade no delineamento de volumes e órgãos de risco. Alguns centros, porém, utilizam cortes de até 5 mm. A corrente do tubo, controlada pelo sistema de modulação automática de corrente (AEC), varia entre 370 e 400 mA, podendo alcançar até 685 mA. Conclusões: Os parâmetros técnicos de TC mais utilizados no planejamento radioterápico incluem tensão de 120 kV, corrente entre 370 e 400 mA e espessura de corte de 2 a 3 mm, configurando uma prática consolidada que garante segurança e eficácia. Na ausência de protocolos próprios, recomenda-se que os centros adotem esses valores, ajustando-os às necessidades clínicas e desenvolvendo diretrizes específicas para aprimorar a qualidade e a segurança dos exames. Observou-se ainda que apenas um estudo citou a velocidade de rotação do tubo e o pitch, parâmetros relevantes para o cálculo da dose, indicando uma lacuna na literatura e a necessidade de recomendações mais detalhadas para diferentes contextos clínicos.
Objetivo: Analisar a tendência temporal da toxoplasmose em gestantes e da toxoplasmose congênita, entre os anos de 2019 a 2024, estratificando os dados por regiões. Métodos: Estudo ecológico de série temporal, com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC), utilizando regressão joinpoint para estimar a Variação Percentual Anual – Annual Percent Change (APC) – e a Variação Percentual Anual Média – Average Annual Percent Change (AAPC). As taxas de incidência foram calculadas por 100 mil mulheres em idade fértil (toxoplasmose gestacional) e por 10 mil nascidos vivos (toxoplasmose congênita). Resultados: Os resultados evidenciaram aumento significativo em todas as regiões, sendo mais acentuado na toxoplasmose congênita, com destaque para o Norte (AAPC = 46,3%). A análise segmentada mostrou incremento abrupto entre 2022 e 2024 nessa região (APC = 85,0%; p < 0,001). As regiões Sul e Nordeste também apresentaram elevação expressiva, relacionada a fatores socioambientais, falhas na cobertura do pré-natal e eventos climáticos extremos. A inclusão da toxoplasmose no Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) evidenciou subnotificação prévia, ampliando a detecção de casos recentes. Conclusão: A vigilância epidemiológica integrada, que inclui, dentre outras iniciativas, fortalecimento do pré-natal e da triagem neonatal, é necessária para o fortalecimento no diagnóstico e controle da toxoplasmose materno-infantil no Brasil, sobretudo em cenários de crise sanitária e ambiental.
Objetivo: Analisar a relação entre atividades extracurriculares e a qualidade de vida de internos de medicina, traçando o perfil sociodemográfico dos estudantes e identificando a importância atribuída a essas atividades. Método: Estudo transversal, realizado com internos de medicina de escolas médicas de Curitiba/PR, recrutados por amostragem em cadeia. Os dados foram coletados por meio de questionário online. Foram analisadas variáveis sociodemográficas, participação em atividades extracurriculares e importância atribuída a elas. Utilizou-se o teste qui-quadrado para comparação entre grupos e a correlação de Spearman para avaliar a relação entre número de atividades realizadas e importância atribuída. Resultados: Participaram do estudo 149 internos de medicina, com idade de 24,3±2,5 anos; a maioria era do sexo feminino (69,8%), solteira (96,6%), sem filhos (98,7%), matriculada em instituições privadas (89,3%) e cursando o quinto ano (54,4%). As atividades mais frequentes foram as desportivas (85,2%) e as acadêmicas extracurriculares (85,2%). As práticas religiosas (71,2%) e desportivas (57,5%) foram as mais frequentemente classificadas como “muito importantes” para a qualidade de vida (QV). Não foram observadas associações estatisticamente significativas entre variáveis sociodemográficas e a importância atribuída às atividades extracurriculares. Identificou-se correlação positiva fraca entre o número total de atividades realizadas e o número de atividades classificadas como “muito importantes” (ρ=0,371; p<0,001). Conclusão: Atividades extracurriculares desempenham papel relevante na percepção de qualidade de vida dos internos de medicina, independentemente do perfil sociodemográfico dos estudantes.
Aim: To analyze the relationship between extracurricular activities and the quality of life of medical interns, outlining their sociodemographic profile and identifying the importance attributed to these activities. Methods: This cross-sectionalstudy was conducted with medical interns from medical schools in Curitiba, Paran & aacute;, Brazil, recruited through chain sampling. Data were collected via an online questionnaire. Sociodemographic variables, participation in extracurricular activities, and the importance attributed to them were analyzed. The Chi-square test was used for group comparisons, and Spearman's correlation was applied to assess the relationship between the number of activities performed and the importance attributed. Results: A total of 149 medical interns participated, with a mean age of 24.3 +/- 2.5 years; most were female (69.8%), single (96.6%), childless (98.7%), enrolled in private institutions (89.3%), and attending the fifth year (54.4%). The most frequent activities were sports (85.2%) and academic extracurricular activities (85.2%). Religious (71.2%) and sports (57.5%) activities were most often rated as "very important" for quality of life. No statistically significant associations were observed between sociodemographic variables and the importance attributed to extracurricular activities. A weak positive correlation was found between the total number of activities performed and the number of activities rated as "very important" (rho=0.371; p<0.001). Conclusion: Extracurricular activities play a relevant role in the perceived quality of life of medical interns, regardless of students' sociodemographic profile.
Aims: To analyze the temporal trend of toxoplasmosis in pregnant women and congenitaltoxoplasmosis in Brazil between 2019 and 2024, stratified by regions. Methods: Ecological time-series study with SINAN and SINASC data. Joinpoint regression was used to estimate the Annual Percent Change (APC) and the Average Annual Percent Change (AAPC). Rates were calculated per 100,000 women of childbearing age (gestational toxoplasmosis) and per 10,000 live births (congenitaltoxoplasmosis). Results: There was a significant increase in all regions, more pronounced for congenital toxoplasmosis, especially in the North region (AAPC = 46.3%). Segmented analysis showed an abrupt rise between 2022 and 2024 in the North (APC = 85.0%; p<0.001). Conclusion: The findings highlight the impact of the Covid-19 pandemic and regional structural factors on the surveillance of maternal and child toxoplasmosis.